Avatar (ou vários avatares)

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Hoje resolvi aderir à preguiça e faltar a academia de noite. Essa vida de geração saúde afasta a gente de certos programinhas usuais, tipo pegar um cinema no final da tarde durante a semana.

Ia utilizar esse post pra falar mal do Koni Store e de franquias que deixam o nível cair depois que viram uma espécie de "lousy and expensive food", mas o filme que escolhi para assistir conseguiu vencer a má impressão que os temakis de lá me causaram e esse atum que parece que ainda está nadando no meu estômago.

Aproveitei o "papa filas" eletrônico do cinema e me senti no primeiro mundo comprando meu ingresso sem ter que ir na bilheteria, somente com o auxílio de um monitor touch screen e meu cartão de débito. Coisa boa, viu.

Mas vamos lá, fui assistir o famosíssimo, campeoníssimo de vendas, faladíssimo, assistidíssimo e deixo aqui este espaço: _______(íssimo) para você criar seu próprio neologismo grandiloquente sobre ele, filme de James Cameron, "Avatar".

Poderia falar aqui sobre atuações, sobre os espetaculares efeitos especiais que tiram nosso fôlego e sobre o visual esplendoroso que o filme proporciona (e olha que nem vi em 3D), porque acho que esses aspectos já foram abordados à exaustão pela mídia especializada, que inclusive chegou a considerar o filme um "divisor de águas" na história do cinema.

Exageros da crítica à parte, o que mais me chamou a atenção em "Avatar" foi a impressão que ele me causou de parecer estar assistindo a recortes de outros filmes famosos e conhecidos que já vi.

Sério, não que seja um "plágio" ou que diminua a importância da película, mas pelo menos para mim, encontrei ali referências tanto claras quanto sutis a diversos filmes.

Vou procurar não ser estraga prazeres e contar coisas que possam tirar o efeito surpresa do filme, por isso vou evitar a analogia que vi com outro filme de James Cameron, "Titanic". Quem já viu ambos os filmes lembrará bem da cena de "Avatar" que remete àquele afundamento do transatlântico, com suas luzes apagando em alto mar.

Mas vamos lá, as demais analogias são menos "spoilers".

Um forasteiro que chega para espionar uma cultura nativa para ajudar a dominá-la e, após ser encontrado, tratado como inimigo e conseguir com muito esforço falar até mesmo a língua deles e com que estes mesmos nativos passem a considerá-lo um igual, fazendo com que o forasteiro mude de lado na história: "Dança com Lobos", não é?

Uma cultura alienígena (no caso de "Avatar", os alienígeas somos nós) que chega para sugar os recursos de um planeta e subjugar os seus habitantes pela força de armas mais poderosas: "Indepence Day".

Um líder muito, muito, muito mal que põe fogo no que vê pela frente, deixa atrás de si um rastro de destruição, não respeita os entes da floresta e planeja vingar-se das "forças do bem" não só pelo poder mas também para mostrar simplesmente que pode e se vê enfrentando uma liga de seres diferentes (e bizarros) que se unem pela preservação do mundo que conhecem, a partir de uma "força superior": "Senhos dos Anéis".

O clima de fantasia e mundo maginário continua, na luta entre um "lado negro" da força e os mocinhos, com batalhas em florestas, confrontos grandiosos e até alguns simulacros de naves do Império, sendo assim, porque não? "Avatar" também tem uma pitada de "Starwars".

Esse caráter épico aliás, também remeteu para "Braveheart", onde um bravo e diferenciado guerreiro é escolhido para liderar um povo, fazendo belos discursos, inflamando e unindo as massas, tal qual William Wallace.

Guerreiros alados que não só escolhem sua montaria como são "escolhidos por elas", caríssimos, podem me xingar, mas já vi isso em Dinotopia.

Sem contar pessoas que controlam manequins a partir de sua mente, assumindo então a vida a partir de um avatar (daí o nome do filme, claro) não tem como não fazer lembrar um outro filme recém-lançado com Bruce Willis, "Surrogates".

Enfim, quando comentei com o pessoal do Twitter, teve quem falasse até de "Pocahontas" e "World of Warcraft", mas prefiro parar por aqui, acho que já consegui demonstrar meu ponto.

Sei que este é um texto que talvez interesse mais a quem já viu o filme (e entenderá o que digo, ainda que para discordar) do que para quem ainda não viu.

Só espero não ter estragado a diversão de ninguém, porque acredite: justamente por conter tantos elementos de filmes muito bons e de ação, mesclados com muita competência pelo diretor James Cameron e aliados à um visual inesquecível, "Avatar" é diversão garantida.

Vale o ingresso.

Twittess na Playboy

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Em 10 de junho de 2009, a Gabriela Rolim postou no seu blog um texto com um título bem parecido com este. Na época, ninguém imaginava que ele seria profético.

Não falo da entrevista que a Tessália, mais conhecida como @Twittess, viria a dar para a publicação logo adiante, mas para a iminência de um convite para um ensaio ocorrer assim que ela saia da casa do BBB, seja como eliminada em alguma edição ou como vencedora.

Sim, para você que está numa situação semelhante à de Chuck Noland no universo do Twitter e dos assuntos mais "hot" da internet, a curitibana Tessália Serighelli foi uma das selecionadas para participar do reality show-trash da TV Globo em sua décima edição.

Sim, trash. Não vou dizer agora que aprecio a qualidade do programa só porque uma pessoa da qual eu gosto vai participar.

Torço para que ela até vença o grande prêmio e se lembre do pobre blogueiro aqui (eca, usar essa expressão, mas tudo bem) que tanto a defendeu (ironia on, please), mas não nego que acho BBB um lixo semelhante à "Fazenda" da Record e todos esses reality shows que transformam uzerumano e suas mazelas em exibição de zoológico.

Só que chegar a ser uma "big brother" (ou seria sister?) é sim, um grande passo para Tessália, não porque ela seja cultural e intelectualmente insipiente, coisa que ela não é absolutamente, mas porque essa exposição era um de seus objetivos.

A partir de uma conta no Twitter ela apareceu em grandes veículos de comunicação, fez ensaios para revistas, foi indicada para um prêmio na MTV e agora foi chamada para um programa em TV aberta de grande audiência no horário nobre.

Digo que é um grande passo para ela porque a Twittess não tem como objetivo reescrever um tratado de física nuclear, não quer se candidatar a presidente (se bem de que seria melhor ela "lá" do que a bonitona da Dilma, não?), não pretende outra coisa senão continuar sendo a menina simpática que sempre foi, que distribui cool links diariamente, bate-papo com seus seguidores, comenta fofocas do dia a dia de forma espirituosa e escreve em seu blog sobre variedades.

Diferente de seus detratores, dos quais não perderei tempo falando hoje porque já tratei deles aqui e aqui, e que se levam a sério demais, ela não se considera uma grande escritora injustiçada e confinada num blog, um cientista de Wikipedia ainda não valorizado pelo Nobel (se bem de que depois do Obama, o Nobel virou Troféu Imprensa) ou ainda uma ilustre formadora de opinião só porque é convidada para lançamentos de produtos e ganha brindes em troca de falar bem deles depois.

A Twittess só agiu até aqui com um único objetivo claro: tornar-se uma figura do universo "pop". E o que mais pode torná-la pop (seja lá que diabos isso valha) do que aparecer no Big Brother Brasil e depois arrumar uns contratos por aí?

O que a turma do gueto da bostosfera (como carinhosamente chamo os azedinhos da tal "blogosfera") não entende é que o conceito de relevância deles não se aplica à Twittess, antes de mais nada porque a relevância dela fora dessa panela de blogs e Twitters da "tchurma" do "PQP Camp" soterraria facilmente qualquer um deles.

Uma coisa é você ser um escritor de ensaios famosíssimo na sua área e no ambiente acadêmico. Outra coisa é aparecer na TV, ganhar muito dinheiro com isso e ser "famoso".

Notem, não entro no mérito de um ou de outro, mas todos que culpam a Twittess pela fama que ela possui e pela forma como foi construída, esquecem-se de que é essa fama justamente que ela persegue e, dessa forma, ela sim, chegou lá.

Como muito bem disse o @Gravz em seu artigo ontem, todos os que "detestam" a Twittess somente pelo fato dela ser ela (e não ver problema algum nisso, assim como eu não vejo) e tentaram denegri-la, destruí-la e ridicularizá-la apenas por este motivo, devem ter em mente uma coisa bem simples: ela venceu, vocês perderam.

E perderam feio.

Agredindo e louvando o Senhor

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Hoje li uma tuitada da @giovanaduarte contando que um vizinho seu, membro de uma dessas seitas evangélicas radicalizadas, foi flagrado pelas câmeras de segurança do seu condomínio retirando e destruindo decorações de Natal.

Quando apanhado com a boca na botija, justificou-se dizendo que "sua igreja não permite que se comemore" a data religiosa em questão.

Ato isolado como muitos gostam de dizer? Não. Pode não ser prática da maioria dos membros destas igrejas evangélicas pentecostais, mas é uma prática que se concentra neles. Digamos que nem todo evangélico chute santas, mas todos que chutam santas geralmente são evangélicos.

Primeiro de tudo quero dizer que considero, parafraseando o ex-deputado e jornalista já falecido Márcio Moreira Alves, que tudo que só existe no Brasil e não é jaboticaba, normalmente é besteira.

Sendo assim, aberrações como "Renascer", "Deus é Amor", "Universal", aquela outra do "missionário" R.R. Soares (que até ainda agora eu achava que era J.J.) e mais tantas outras igrejas que crescem em regiões favelizadas das metrópoles ou em grotões do interior são, para mim, só e somente expoentes do nosso subdesenvolvimento e do desamparo que parte da sociedade sente, precisando recorrer a este tipo de charlatanismo para "ter fé".

Não dá pra levar a sério seitas que promovem espetáculos ridículos como este, este e este.

Mas não deixa de ser reveladora e perturbadora esta história que a Giovana, ela mesma protestante e batista conforme me disse, contou.

Isso mostra o grau de intolerância que pregam estas igrejas, numa tentativa de "mobilizar" e "eletrizar" seus fiéis, seja com objetivos pecuniários, seja por pura e simples manipulação espiritual.

É comum lermos noticiários contando agressões por parte de evangélicos neo-petencostais contra umbandistas, católicos, espíritas, homosexuais e outros grupos que eles consideram "desviados".

Lembro uma vez na entrada do Sambódromo, em pleno Carnaval, de um grupo de evangélicos tentando "convencer na boa" alguns foliões a "saírem daquele caminho" e insultando com gritos de "endemoniado!" e "satanás!" os que não queriam perder tempo ouvindo aquela cantilena deles.

Esse tipo de gente dá razão aos ateus e pseudo-ateus, quando estes dizem que "religião emburrece" ou que "toda religião acaba causando conflitos". Assim como as antigas posturas da Igreja Católica na idade média, estes evangélicos de hoje pensam que devem impor a Bíblia na base da força.

Aí abordam as pessoas em pontos de ônibus, calçadas, vão bater de porta em porta, não respeitam sua opinião e sua crença, ofendem as demais religiões, consideram-se portadores de uma "verdade única e incontestável".

Chega ser impossível estabelecer qualquer grau de conversa com alguns deles, porque parece que você é alguém que "deve ser convertido" até que prove o contrário e vá para o inferno.

Não cedo ao politicamente correto, mas também não quero generalizar. Existem igrejas protestantes tradicionais como a Batista e a Presbiteriana que tem um grau de tolerância mil vezes maior do que essas igrejinhas de laje, ainda que também falem muito mal de católicos em certas ocasiões.

O ponto disso tudo é que, seja qual for a religião (até mesmo aquela fábrica de psicopatas, assassinos e terroristas que é o Islã), todas pregam a paz, o respeito ao próximo e a harmonização da vida de quem a pratica.

É uma contradição imperdoável, quase um "pecado mortal" para utilizar linguagem religiosa, que você pregue isso no templo, traga isso consigo nas suas leituras e preces e falhe justamente na hora que mais importa, que é a hora de pôr em prática aqueles ensinamentos.

Boas palavras só valem se acompanhadas de atos concretos, creia você em Deus ou não.

Tiana, a princesa negra

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Confesso que quando li a notícia que dizia que os estúdios Walt Disney lançavam um filme com a primeira "princesa negra" em desenhos animados eu torci o nariz.

Já achei que era mais uma etapa do marco-zero afro-americano tão bem representado por Obama. Sabe como é, "o primeiro presidente negro", "o primeiro negro a sentar-se no Salão Oval", "o primeiro negro a prestar juramento como comandante-em-chefe", "o primeiro negro a fazer uma viagem internacional como presidente dos EUA", "o primeiro negro a ter seu café servido por um mordomo negro na Casa Branca", "o primeiro negro a fazer um discurso no Congresso como presidente", poderia continuar sem parar aqui, mas vamos em frente.

Pelo exposto acima, achei que este desenho era mais uma etapa do "fortalecimento" e "reparação" do orgulho de uma "raça", num mundo aonde dizem às crianças brancas e orientais, por exemplo, que "não existem raças", levando adianta esta dicotomia de valores esquizofrênica politicamente-correta-coitadista-ongueira.

É aquela velha, eterna e infinita discussão sobre uma camiseta "100% Negro" ser considerada menos afrontosa pela turma dos "movimentos sociais" do que uma escrita "100% branco".

Mas a minha antipatia pela idéia do tal desenho durou, no máximo, uns 20 minutos. Sério.

Primeiro porque a Princesa Tiana é uma graça, depois porque ela traz muito mais do que simples "reparação" para os histriônicos racialistas, ela traz inclusão para as crianças, inclusão real.

Será na tenra idade que combateremos os histéricos que defendem esse perverso sistema de cotas e onde temos a oportunidade de extirpar esse verdadeiro flagelo da divisão da sociedade em "brancos x negros", "ricos x pobres", "bons x maus" que os esquerdocanalhas adoram patrocinar sempre que tem oportunidade.

Já explico.

Tenho uma sobrinha que é filha do meu irmão com uma chinesa. Ela é uma criança linda, dessas que chamam a atenção por onde vai e é criada totalmente fora desse conceito de "diferença de raças". Brincamos com ela chamando de "chinesinha" mas ela não tem dúvida alguma de que é uma brasileira com características físicas de alguém que descende de orientais.

Parece simplório, não? Mas não é.

Quando ela vai comprar uma boneca ou ver um filme de "Princesas" e depois quer brincar com as amiguinhas, logicamente ela diz "eu vou ser a Mulan!", assim como uma menina que seja loirinha escolherá a princesa de cabelos dourados e assim por diante.

E uma criança negra? Ela não tinha quem escolher para se identificar. Agora tem. Agora ela pode ir numa loja e comprar uma miniatura de uma princesa da Disney que se parece exatamente como ela. Agora ela pode ir no cinema e dizer pras amiguinhas "Olha lá! Eu quero ser igual a Tiana!".

Dessa forma, já na infância, você garante que essa criança cresça sem complexos, tornando-se um adulto menos neurótico do que estes de hoje em dia, essa gente que exige "reparações" autoritárias que só aumentam ainda mais a fenda entre os seres humanos.

E tudo que contribuir para isso é muito bem vindo.

Mandingas de ano novo

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Chega o dia 31 de Dezembro e como diziam os antigos "é batata": começam a aparecer reportagens e conversas sobre simpatias para fazer na virada do ano.

Todo mundo, inclua-se aí alguns ateus, querendo uma forcinha do sobrenatural para atravessar o ano seguinte com dinheiro no bolso e saúde pra dar e vender.

Tive uma namorada que a mãe começava a rezar mais ou menos umas 5 horas da tarde e só parava depois da meia noite, conheço outros que só comem alimentos da cor branca e outros ainda que acham que estourar 300 morteiros de 12 tiros por hora, incomodando os vizinhos e causando problemas auditivos em cachorros, gatos, periquitos e crianças trará sorte para ele no ano novo.

Acho que se o cara conseguir estourar essa morteirada toda sem se machucar, sem que chamem a polícia ou sem a esposa fazer uma resolução de final de ano para arrumar um "Ricardão", ele terá gasto toda a sua cota de sorte para o ano vindouro apenas nos primeiros minutos dele, mas vamos adiante.

Com o nosso horário de verão, o Brasil virou um país sui generis: soltamos fogos e desejamos felicidades uns aos outros na incrível e cabalística virada de 22:59 para 23:00 (no horário real).

Tirando essa peculiaridade, algumas figuras políticas e demais "famosos" do nosso país devem ter seu estoque de simpatias personalizado e adaptado, afinal, VIP que se preze não se mistura com o populacho nem na hora de fazer mandinga.

Jogam orquídeas no mar e comem manjar feito pela Roberta Sudbrack, mas como seriam as tentativas de curimba deles?

Vou ver se adivinho algumas destas simpatias a seguir:

José Sarney - Provavelmente o "aiatolá do Amapá" já afanou as 7 ondas ano passado, então esse ano ele jogará moedas ao alto e ficará esperando com um lançol aberto embaixo.

Petralhas em geral - Já sabendo da recomendação de uso de roupas íntimas novas na virada, os proto-bolivarianos do PT comprarão cuecas 2 ou 3 números acima dos seus normais, dessa forma esperam caber mais dólares dentro delas no ano que se inicia.

Xuxa - À meia-noite desejará "Rápí Nu Íar" para sua filha alfabetizada em inglês.

Madonna - Quem tem Jesus literalmente ao seu lado não precisa de simpatia alguma.

Preta Gil - Comerá lentilhas...o caldeirão inteiro.

Dado Dolabella - Dará 3 pulinhos à meia-noite...só que talvez em cima do pescoço de quem estiver namorando atualmente.

Isis Valverde, Carolina Dieckmann, Alinne Moraes, Susana Vieira e demais "famosos" noveleiros - Avisarão à imprensa, aos sites de fofocas e a alguns paparazzis selecionados que pretendem acender uma vela na praia, porém querem que tudo seja bem íntimo, discreto e sem exposição, como suas idas ao shopping, seus banhos de mar e suas estadias na Ilha de Caras.

Geisy Arruda - A "Loira da Uniban" colocará um vestidinho branco, transparente, curtíssimo e irá para um culto da Igreja Universal torcendo para "não" levar outra vaia que a leve novamente para dar entrevista ao Fantástico.

Lady Gaga - Comerá alguns cachos de uvas quando der meia-noite. Só fará isso porque cachos de uvas em Portugal se chamam "bagos". (Entenderam o trocadilho?)

Any Winehouse - Logicamente ela beberá 20 garrafas de champagne inteiras, afinal, está se desintoxicando pela milésima vez e precisa pegar leve.

Barack Obama - O presidente americano convencerá as "forças do além" que merece tudo o que desejar em 2010 sem fazer simpatia alguma, mais ou menos como ele conseguiu um Prêmio Nobel da Paz sem fazer p*! nenhuma para merecer isso.

Luciana Gimenez - Vocês acham mesmo que alguém que conseguiu em uma trepada rapidinha engravidar do vocalista dos Rolling Stones já não vendeu a alma faz tempo e dispensa essas ajudinhas menores?

Lula - À meia noite, subirá o degrau de uma escada. E ele tem certeza que esse tal de "deus" ficará abaixo dele a partir desse momento.

Brincadeiras à parte, este dia mexe com o imaginário de todos nós, mas acreditem: ele nada mais é do que a passagem de mais um final de mês, de mais uma quinta para uma sexta-feira, do sinal da chegada das nossas contas que vencerão a partir do dia 5.

O que nós fazemos todos os dias é o que realmente conta e não existe simpatia mais eficaz do que tentar simplesmente fazer o nosso melhor possível, um dia de cada vez.

Feliz Ano-Novo para todos nós!

(Agora este blog só retorna em 2010. Comemorem, encham a cara mas por favor: sem "chamar o Raul" nos pés de ninguém!)

Seremos robôs?

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Quem já me conhece sabe, mas pra quem não conhece muito permita-me começar este texto com meu segredo de Polichinelo: sou usuário do Twitter. Assim mesmo, com essa conotação de usuário de substância ilícita.

Adoro o vai-e-vem de informações que acontecem ali e posso dizer que o Twitter ajudou em vários aspectos da minha vida, inclusive me dando a motivação suficiente para começar este blog.

Só que passear pelo Twitter também proporciona aquele gosto amargo de deparar-se com a idiotice, a incipiência cultural, o espírito de gado da maioria das pessoas e, finalmente, a constatação de que quanto mais o tempo passa, mais a nossa assim chamada juventude vai ficando idiotizada.

Antes um serviço pouco acessado pelo grande público e mais restrito à "turma" da comunicação, o Twitter viu seu perfil mudar de "gente informada, descolada, acima da média" para o "povão, miguxo, pré-adolescente, jogo do add".

Sei que vão me chamar de chato, elitista, rabugento e, claro, "preconceituoooooso!", mas tudo bem, é um preço que pago por não me sujeitar à ditadura da estupidez. Para estes deixo o meu "dane-se" e só porque evito utilizar aqui os termos que utilizaria normalmente.

O maior medo dos early adopters do Twitter era que este virasse um Orkut. Particularmente não acho que o Orkut só tenha coisas ruins, mas compartilhei do medo de que os "joguinhos", "brincadeiras" e demais comportamentos repetitivos orkutianos acabassem tomando conta do site.

E foi o que ocorreu. Vou citar somente os que consiga lembrar, mas vamos lá: Buytter, Vampire Twitt, as infernais Quizzes e agora mais recentemente o tal do Formspringme (um site no qual as pessoas perguntam anonimamente e o dono do perfil responde).

Todas essas imbecilidades funcionam a partir de um pensamento básico: ajudar um cabeça oca incapaz de produzir qualquer conteúdo a rechear sua timeline (o espaço onde ficam as tuitadas da pessoa arquivadas para que os demais possam ler) de porcarias que dêem ao cérebro de vento a ilusão de que ele é "ativo".

Aí o cara passa o dia respondendo babaquices como "Onde ce vai passar a virada?R:passa ano novo acho q aqui msm" ou "Took the "Que personagem/famoso voce se parece?" quiz & got: Cristiane F!" e pensa que está arrebentando. Assim mesmo com essa grafia de "alto" nível.

Além disso, temos as campanhas imbecilóides do tipo "Vamos colocar a Lady Gaga/NX Zero/Meu Atual Idolo Emo-Gay nos Trending Topics!".

Pra quem não sabe os trending topics são os assuntos mais "populares" do Twitter e ficam expostos em sua página principal. Por alguma razão, os brasileiros acham que colocar um termo ali pela sua repetição enfadonha pura e simples (digo isso pra não chamar de flood ou spam) é uma "demonstração de força e importância".

Vai entender.

E assim o fato é que, infelizmente, 80% dos brasileiros que usam o Twitter podem ser muito bem resumidos pelo português idiótico que eles utilizam em pérolas como "só sigu qm eu conhesso" ou "o formspring ta temçoooo" e se eu tivesse que escolher uma imagem representativa desse pessoal, essa imagem seria a risadinha que eles vez por outra postam: KAOSKASOPKASOPKASOKAS.

Sim, esse amontoado de consoantes é uma risada. Imaginem a baba escorrendo da boca de um indivíduo enquanto ele ri dessa forma. Essa é a imagem desse pessoal.

O mais incrível de tudo é que esse é um comportamento quase padronizado, me fazendo até pensar que não são pessoas, mas algum tipo de andróide programado para agir o tempo inteiro como um misto de personagem do Chapolin com o filme Debi & Lóide.

Tem que rir mesmo, porque do contrário só chorando.

Camisetas: eu sou o que visto

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Faz tempo que compro camisetas pela internet. Seja no Camiseteria, RedBug, Sambaclub, Macashirts, LinuxMall e algum outro que tenha esquecido, não consigo resistir a uma estampa espirituosa, bonita, bem feita.

A profusão de modelos e desenhos assusta quem tem vontade de "possuir tudo" como é o meu caso e olha que nem estou falando das gringas tipo a Threadless, porque aí o universo aumenta ainda mais.

Compro-as quase por impulso: olho, gosto, faço o pedido. Mas nunca antes tinha parado para pensar no quanto nossas camisetas falam sobre nós. Sim, prepare-se leitor, lá vem filosofia de botequim.

Como adoro fotografia, as que contém imagens bonitas e bem impressas chamam logo a minha atenção,. Sejam reproduções e homenagens a pintores famosos até uma simples "escala de cinza" numa foto de estrela de Hollywood.

Também gosto de humor espirituoso, então qualquer uma que use do sarcasmo e da inteligência para ser "engraçada" também me ganha na hora. Tipo a minha "Vegetariano não praticante" ou "I´m not anti-social, i´m just not user friendly".

Nessa linha ainda tenho uma que adoro, a "Forum ANTI-Social Mundial" ou mesmo uma singela representação de uma pilastra de viaduto com a inscrição "Só Jesus expulsa os demônios das pessoas".

Se for contar todas, passo o dia aqui. Mas acho curioso que isso mude de pessoa pra pessoa, ainda que a moda tente padronizar nossos gostos. Tudo bem, "todo mundo gosta de camisetas engraçadinhas", mas o que é engraçado para um nem sempre é pra todo mundo, o que é ótimo.

Tem quem prefira as com imagens fofinhas e que passam a impressão de terem cheiro de chiclete. Tem as grosseiras demais, que só falam palavrões e mostram simplesmente a mão de alguém dando dedo, as ufanistas e, claro, as famigeradas camisetas com Che Guevara, que revelam muito mais sobre quem as usa do que o próprio usuário gostaria que os outros soubessem.

Lembrando das camisetas do Che, comprei uma com um macaco usando a indefectível boina revolucionária e a inscrição "Viva la Evolución!". Sei que a imagem e a frase podem ter vários significados, mas a minha intenção é dizer basicamente: MOVE ON!

Achei-a menos agressiva do que uma que é vendida numas das lojas patrocinadas pelos republicanos nos EUA, e que coloca uma caveira usando a mesma boina e a frase "Che is dead! Get over it!".

Agora, o que eu realmente não respeito é quem usa abadá de bloco baiano ou micareta como camiseta. Primeiro porque abadá não é roupa, é ingresso, e depois porque mau gosto musical se esconde ao invés de se divulgar.

Outra coisa que também é garantia de aumento das chances do cara passar a noite liso, sem "pegar" ninguém é sair pra night (balada, noitada, etc, etc,) usando camisa de time de futebol.

Sério, você pode achar que está arrebentando e "zuando" os rivais, mas só está dando uma de sem noção pensando que noitada é estádio, sem contar que aquele tecido fede depois que você sua 10 minutos nele e, dependendo da sua forma física, você acabará parecendo com o Kaká depois de um rodízio de pizzas.

Camisetas de bandas de rock são maneiras, eu mesmo tenho uma do Kiss em formado de bonecos de Playmobil e outras do My Bloody Valentine, Nightwish (aff), The Smiths e do Elvis, mas tipo, que tal não ir pra praia vestindo algo preto (e quente) ou pro casamento do primo usando uma estampa do Eddie do Iron Maiden? Bom senso também ajuda.

O bottomline disso tudo é: a camiseta que você usa pode dizer muito sobre você, só tome cuidado: pode ser que você não ache muito legal o que ela diga.
 
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