Que malandro é você

Postado em 30 de out de 2013 / Por Marcus Vinicius 1 Comentário

Você descobre um site que vende um Galaxy S4 ou um iPhone 5 por 500 reais. Você SABE, muito bem, que nem eliminando lucro e impostos daria para alguém vender esses telefones por esse preço, vai lá e pensa "otários, vou comprar um smartphone de primeira linha peço preço de um Hiphone do camelódromo".

De olho rútilo e baba bovina preenche os formulários, insere os dados do seu cartão de crédito ou emite um boleto, conta pra todo mundo como é malandro e começa a esperar.

Sua irmã que estava no terceiro mês de gravidez quando você encomendou o telefone já está batizando o filho, você já pesquisou em 300 sites de reclamações e descobriu que a empresa possui 3000 ocorrências, consulta o CNPJ e descobre que é de um açougue em Teresina, consulta o proprietário do domínio e descobre que ele se chama Li Xang e mora em Macau, vai na polícia e não entende porque desde o delegado até o faxineiro da repartição riem de você como se você fosse o Danilo Gentili contando piada sobre o Jean Wyllys.


Aí resolve ir para as redes sociais xingar muito e demonstrar sua indignação pela volta que levou.

Desculpe, amigo, em primeiro lugar você mereceu ser enganado. E em segundo lugar você apenas encontrou outro desonesto só que mais esperto do que você.

Tente compensar o prejuízo vendendo um terreno ao lado do Corcovado ou então convencendo eleitores de que o governo do PT é bom para o Brasil.

Dinossauro rock clube

Postado em 23 de out de 2013 / Por Marcus Vinicius Nenhum comentário

Sexta-feira, durante alguns acordes do Aerosmith no seu show na Praça da Apoteose, eu pensei em algo que praticamente todo mundo já deve ter pensado no show de um desses "dinossauros" do rock:

- Quem vai tomar o lugar desses caras daqui a umas décadas?

Porque atualmente não vejo uma banda nova que vislumbre a longevidade e a qualidade de gente como o próprio Aerosmith, o Whitesnake, Kiss, Clapton, Bowie, Stones, Dylan, Iron Maiden, Morrissey, New Order, Joe Cocker e vários outros (citei gente bem diferente para deixar claro que "qualidade" pode ser gosto pessoal, mas longevidade não).

Claro que nenhuma banda já nasce "veterano". A maioria desse pessoal já foi um iniciante-attention-whore-faz-tudo-pela-fama-até-tocar-em-programa-de-auditório, mas ainda assim já havia ali a qualidade, o toque diferenciado, todo o talento que os levaria através das décadas a serem curtidos por um cara de 20 anos, mas também pelo seu pai e seu avô, que começou a curtir aquilo quando tinha a sua idade.

Quem, atualmente, poderá estar em atividade e lotando arenas daqui a 20 ou 30 anos? No Rock in Rio eu pude perceber isso quando assisti a um show honesto de um tal de Phillip Phillips, um show insosso (a exceção dos gritinhos das fãs) do John Meyer e um showzaço com tudo o que tem direito do Bruce Springsteen, um dos melhores que já assisti até hoje.



Qual o dado curioso? O auge da energia, do profissionalismo, da entrega, do suor, foi de um sessentão que já é também um dinossauro. 

Entende o que quero dizer? É tanto ídolo fabricado, tanta carinha bonita cheia de auto-tune nas idéias, tanta atitude sem algo por trás que a justifique, que essa molecada de 20 periga chegar aos 40 gostando só de gente que já passou dos 80, porque a época deles falhou em apresentar seus próprios ícones da música.

Existem algumas poucas exceções (Amy Winehouse era uma dessas), mas a maioria mesmo parece um produto saído de um desses programas estilo Ídolos ou The Voice.

Todo mundo treinado para parecer alguma coisa que deveria parecer.

Perguntem se Johnny Cash precisou treinar.

A música de hoje é o amor antes do amor, a dor antes da dor, a raiva antes da raiva, o ser antes de ser.

Daí que não dura.

Falta educação na educação

Postado em 16 de out de 2013 / Por Marcus Vinicius Nenhum comentário

Desculpem a franqueza, mas sabe esse monte de moleque mimado metido a comunista que infesta desde o Ensino Médio até o Ensino Superior?

Sabe essa hegemonia de esquerda que coloca qualquer um à direita da Marilena Chauí como a reencarnação de Hitler?

Sabe essa praga politicamente correta que defende praticamente tudo, desde um assaltante vagabundo que usa uma arma para tomar bens que alguém estava "ostentando" até a obrigação que daqui a pouco você vai ter de achar mulher com cabelo no sovaco e homem com piolho na barba bonito?

Sabe por que o brasileiro médio acha a situação do país uma bosta (qualquer indicador, desde transportes até o custo de vida demonstra isso) mas não consegue associar o fato a quem está no governo, porque o tico e o teco não aprenderam nem mesmo a concatenar duas idéias tão complementares e simples quanto "o Brasil vai mal, o problema é de quem o governa"?

Sabe quem espalha o marxismo farofeiro desde a tenra idade, fazendo com que uma criança que mal aprendeu a escrever já saiba (ainda que subconscientemente) que tudo é culpa da "exploração de uma classe pela outra"?



São professores, meu amigo. Comunistas, esquerdistas, marxistas, gramscistas, doutrinadores que não têm a menor vergonha de usar uma sala de aula como palanque, profissionais que abastecem a esquerda com idiotas úteis há décadas.

Pois é, são esses mesmos profissionais (ou pelo menos a grande maioria deles) que são apresentados por aí praticamente como a reencarnação de algum santo ou ser superior vindo de outro planeta para acabar com todos os problemas da humanidade (quem nunca ouviu a sentença repetida com aquela autoridade que só os idiotas possuem que "a solução é a educação" para resolver tudo, desde a criminalidade, a corrupção e até espinhela caída?).

A educação não precisa de mais dinheiro, precisa é de mais eficiência. Mas pergunte para a maioria desses professores que estão por aí pedindo "mais dignidade na profissão" se eles aceitam mudar mesmo, de verdade, a educação no país, a começar pelo seu próprio corporativismo e pela doutrinação que fazem no lugar de ensinar, servindo como instrumentos de imbecilização e não de iluminação.

Pergunte se querem esquecer Paulo Freire, Marx, Gramsci, o PT, a CUT, o sindicato, a próxima eleição e a luta de classes e se dedicarem a educar de verdade. Deveriam.

Afinal, por mais redundante que pareça sob todos os aspectos, a solução para acabar com o problema da educação é a educação.

O jeitinho (sujo) brasileiro

Postado em 9 de out de 2013 / Por Marcus Vinicius Nenhum comentário

Hoje no Centro do Rio guardinhas andavam para lá e para cá com Palmtops na intenção de multar quem jogasse lixo no chão. Vi gente brincando, outros apoiando e mais um monte de gente dizendo que é um absurdo, já que a prefeitura não faz sua parte oferecendo nem latas de lixo decentes (as do Rio, minúsculas e com suas bocas pequenas que não entram um coco, vivem cheias e mesmo quem deseja jogar lixo ali acaba tendo que "empurrar" lá pra dentro).

Mas um erro não justifica o outro. Não é porque os políticos chafurdam na lama e não oferecem serviços decentes que as pessoas têm o direito de se comportar como suínos.

Em qualquer lugar um pouco mais civilizado este é um ato de falta de educação e passível de multa, somente as camadas menos esclarecidas têm tolerância com a sujeira, por pura desinformação.

No Brasil não. O brasileiro já introjetou esse negócio de que "aqui todo mundo joga lixo no chão mesmo" e o pior é que tudo é tão "normal" que as pessoas não só toleram, como convivem com pilhas de lixo sem fazer nem cara feia.



E não adianta vir fazer comparações com aquela sua viagem à Bolívia ou às Filipinas, porque assim é fácil. Eu posso dizer que sou tão bonito quanto o Seu Madruga (há controvérsias) ou que o José Dirceu é tão honesto quanto o Maluf (nesse caso não há controvérsias).

O mais curioso é que a maioria dos brasileiros quando vai ao exterior não age da mesma forma. Continuam falando alto, sendo inconvenientes, tirando foto onde não pode, pisando onde não deve, mas o lixo não é atirado ao solo com a mesma volúpia.

Quer dizer, algum neurônio nacional perdido sabe que aquilo é errado, mas curiosamente é desligado assim que o avião pousa em solo pátrio.

Talvez seja pela mesma razão que aquilo que o brasileiro realmente acredita ser "o maior espetáculo da Terra", que é o desfile das escolas de samba no sambódromo do Rio de Janeiro, comece num valão (o Canal do Mangue) e termine em frente a uma garagem de caminhões de lixo da Comlurb, na saída da Praça da Apoteose.

Não dá.

Nos tempos do Geocities

Postado em 2 de out de 2013 / Por Marcus Vinicius 1 Comentário

Desde que o Yahoo! resolveu fechar o Geocities em 2009 atrás a internet é bem mais sem graça. Tudo bem que o serviço estava ficando ultrapassado, mas mesmo assim dá aquela sensação de assistir a um velho bar de esquina virando uma farmácia.

Hoje os preços de hospedagem e registro de domínio são acessíveis à maioria dos usuários da internet, e os serviços de blogs, sites de relacionamento, microblogging e redes sociais permitem ao usuário "estar" na rede sem necessitar conhecimentos de web design ou hospedagem gratuita.

Tudo muito normal se uma estranha nostalgia não me acometesse sempre que lembro do Geocities. Sim, nostalgia dos tempos em que, a despeito das agruras e lentidões da internet discada, nós vivíamos uma época de total romantismo e sensação de "desbravamento" em relação à vida on line.

Lembro das interfaces dos chats, aonde tínhamos que dar "refresh" na página para que ela carregasse mostrando o que havíamos acabado de falar e também o que as pessoas haviam nos respondido. Lembro da felicidade que era receber um email, quase como se fosse uma carta chegando pelo correio.

O início do mIRC, o surgimento do ICQ, aquela época em que precisávamos scannear uma foto para poder "mostrar quem éramos" e onde as relações eram quase entre "pen-pals", só a conversa e o conteúdo importavam (e as decepções eram motivo de riso depois).

Mas também existiam os encontros irresistíveis, aonde tudo clicava. Amizades surgiam, amores nasciam. Conheci um dos grandes amores da minha vida na internet, pessoa que até hoje é minha grande amiga, e imagino quantos bebês de hoje, não são filhos daquela turma pré-2.0.

Era uma época de superar as fronteiras de um mundo totalmente novo e conectado. Tinha muita sacanagem, é claro, mas não havia essa objetividade e essa sensação de micareta virtual que a era do "tem cam?" fez surgir.

E o Geocities fez parte de tudo isso. Era uma sensação muito boa usar o Netscape (o browser fodão da época) e caçar apostilas grátis de HTML básico no Lycos ou noAltavista e ficar horas testando aquelas tags, trocando as cores, o tamanho das fontes, encontrando gifs animados, barras, botões que piscavam, imagens de fundo.



Ok, vistos sob a estética clean de hoje, eram sites feios, toscos, bregas.

Brilhavam demais, tudo se mexia demais, eram cheios de poluição visual, cores berrantes, avisos de "clique aqui", tão necessários num tempo em que mal sabiamos o que fazer na rede. Mas quem liga? Naquela época eram um orgulho para quem podia dizer "vai lá e visita a minha home page".

Existiam home-pages sobre o que a imaginação pudesse pensar nas "cidades" do Geocities. Bandas de rock, páginas pessoais, páginas de animais de estimação, sobre sexo, receitas, tudo. E com aquela estética bem característica da internet "1.0".

O término das atividades deste servidor gratuito, coloca mais uma pá de cal sobre um ícone dos primeiros anos da internet, aonde nós éramos early adopters de tudo, ainda que por inércia e sem saber que esse termo seria um dia inventado.

Com ele, se foram os bons tempos do mIRC, de alguns serviços de busca que encolheram, do e-groups que trocou de nome e perdeu função nessa época de tantos veículos de troca de informação, foi-se a usabilidade (e a necessidade) dos Foruns e grupos de discussão em geral, coisas que um dia ainda serão tratadas com a mesma reverência "museológica" com que hoje pensamos na TV em preto e branco.

Mas tudo bem, foram tempos que vivi com muita alegria e hoje relembro com muito orgulho e sensação de privilégio por ter presenciado.

Caminhei pelas ruas "recém-asfaltadas" da internet, onde existiam pouquíssimos trolls, nenhum miguxo e quando a inclusão digital ainda não havia trazido para a rede quase todas as mazelas com as quais já nos deparamos em nosso dia-a-dia "off-line".

Mais um pedaço da história que muitos de nós vivemos se vai, mas a parte boa disso é que outras tantas ferramentas e manias surgem na velocidade da banda larga.

Quem sabe daqui a alguns anos não estarei aqui falando com saudades sobre o Twitter ou mesmo o Facebook?

É o destino natural dos serviços da web. Ainda mais na internet 2.0, aonde tudo acontece incrivelmente ainda mais rápido do que nós, internautas velhos e saudosistas, jamais poderíamos imaginar naqueles idos da década de 90.
 
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