Feliz 2014

Postado em 30 de dez de 2013 / Por Marcus Vinicius Nenhum comentário

Alguns dos meus desejos para 2014: que quando alguém aparecer com uma música horrorosa (no celular, naquele carro com o porta-malas aberto), uma moda ridícula, uma roupa esquisita ou então uma vier falar de programas ruins na TV e você disser que aquilo é uma merda, ninguém comece com papo de "diversidade".

Diversidade boa é um saco de M&Ms ou Skittles.


Que a tal "cultura brasileira" seja cada vez mais cultura e, se possível, um pouco menos "brasileira".

Que quando falarem em "música" queiram realmente dizer música e não algo "tipo música".


Que o Lula comece a honrar aquela sua frase que dizia "estamos juntos" para os companheiros que foram parar na Papuda e realmente vá para junto deles.

Queo brasileiro pare com essa babaquice de pensar que ser escroto, cretino e mal educado é ser "autêntico".

Brasileiros, sejam menos brasileiros.


E finalmente, além de muita paz, saúde e felicidade para todos nós, um país cada vez menos parecido com um programa da Regina Casé.

Feliz 2014!

Esse negócio de caixinha é muito mala

Postado em 23 de dez de 2013 / Por Marcus Vinicius Nenhum comentário

Você participa de reuniões com seus clientes, faz prospecção de novos, digita orçamentos, calcula descontos, resolve pepinos que outros setores criaram.

Atende seus pacientes, manda as plantas para seus clientes, faz retoques na foto do casamento, espera dias por respostas sobre alguma proposta e depois descobre que o sujeito que ficou recebendo consultoria de graça durante meses resolveu fechar o contrato com seu concorrente.

Como bem lembrou um amigo meu, manda aquele layout que o cara pediu para no máximo dali a dois dias e depois espera 40 para ele dar uma resposta, enfim, passa por todo o tipo de encheção de saco que qualquer atividade profissional traz como ossos do ofício, mas nem por isso chega Dezembro e passa o mês pedindo uma "caixinha" extra para ninguém.

Por que cargas d'água então é justo que você seja coagido (sim, em alguns casos ocorre coação, com listas dizendo quem deu quanto) a remunerar alguém de novo por algo que ele já recebeu?

Nesta época aparecem pedidos do entregador de jornal, do carteiro, do cara da lanchonete, do pessoal da barbearia, dos porteiros de todos os prédios pelos quais você passa regularmente, dos atendentes da lanchonete, da farmácia, da academia, do posto de gasolina, muitos dos quais prestam péssimos serviços no decorrer do ano.



Um condomínio de São Paulo chegou a criar um novo sistema de arrecadação onde cada morador recebe um formulário que será preenchido com o valor a ser doado aos funcionários. e depois recebe um boleto. Acredite, UM BOLETO.

A Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo sugeriu e que os condomínios estipulem um valor fixo de gratificação. Esse montante seria retirado de um fundo ou de parte do pagamento do condomínio feito ao longo do ano.

Qualquer dia isso vira lei.

O fato é: caixinha de Natal é um presente e como todo presente deve ser dado por quem QUER. Muitos argumentarão "mas quem não quer, não dá", verdade, mas o constrangimento existe e é simplesmente ridículo, um péssimo hábito cultivado pela nossa sociedade.

Nada contra um final de ano mais farto para ninguém, mas desde que seja de coração e não de coação.

Vá ser "vadia" na Playboy, lá pelo menos pagam melhor

Postado em 11 de dez de 2013 / Por Marcus Vinicius Nenhum comentário

O perfil do Flavio Morgenstern sempre traz boas novidades e assuntos para pensar, desta vez o que chamou a atenção foi esse print de um perfil do Facebook, onde um pai diz com todas as letras que tem vergonha da sua filha. 

Na foto em questão a moça aparece com um desses shortinhos minúsculos ao lado de uma amiga, uma segurando o buzanfã da outra.

Dentre as reações conservadoras normais ("abusuuuurdo, que coisa vulgarrrrr") e reações "progressistas" já esperadas ("o que é que tem, deixa ela, ué, o corpo é dela, viva o direito de ser vadia, amo Mujica, sou Che, Carta Capital revista de cabeceira"), um fato: atualmente não se busca a liberação da mulher e muito menos a sua igualdade, mas a escrotização impune e obrigatória do sexo feminino.

Muita gente condenou o pai por estar "constrangendo a moça". Ora, se ela ficou constrangida é ainda melhor! É sinal de que nem tudo está perdido. Se tem uma coisa que anda em falta no Brasil (e no mundo, sejamos justos) ultimamente é mais constrangimento.

Ninguém aqui está defendendo virgens inocentes intocadas esperando o seu marido e senhor. Se você está aí vivo, é porque sua mãe, certamente uma mulher a despeito da cruzada de Jean Wyllys et caterva desejar o contrário, manteve conjunções carnais com seu pai. Sei que é uma realidade meio incômoda, mas até nossas mães têm desejos.

Dessa forma toda mulher tem o direito de buscar a realização destes desejos, com a mesma liberdade que um homem o faz. Elas podem se relacionar como e com quem quiserem, nos termos que desejarem caso seja de comum acordo com a outra parte e ninguém tem absolutamente nada com isso.


Agora não me venha dizer que um pai ou uma mãe deve achar bonito a sua filha se comportando desse jeito na internet. Não sei a idade da menina, mas vá lá, que seja maior de 18 anos, esse tipo de exposição, de escrotização do eu, é muito legal na família dos outros.


Porque assim como temos o direito de buscar nossos desejos, de nos comportar como acharmos melhor junto de nosso parceiro, temos a obrigação de não nos expormos e nem as pessoas que amamos ao ridículo.

Não acredite nessa balela de "marcha das vadias" que toda mulher pode (e deve) ir até num casamento vestida como se fosse um cosplay de puta, porque enquanto vivermos em sociedade devemos saber nos comportar de acordo com a hora e o local.

Nossas feministas caricatas dirão "mude-se as convenções sociais então!" e eu pergunto: para quê? Para transformar a mulher no mesmo pedaço de carne que elas acusam os "machistas" de quererem transformar? Como se fosse aquela brincadeirinha de criança que diz "só estou fazendo porque eu quero e não porque você está mandando"?

Então o negócio é sair por aí com as tetas e a bunda de fora (exigindo que ninguém repare, é claro) só para provar para essa sociedade patriarcal que mulheres não são apenas tetas e bunda? Desculpe, não tem como ser mais incoerente.

O que essas duas meninas aí estão fazendo não difere muito das exibidas do BBB, das capas da Playboy, das rainhas de bateria no carnaval. É exposição do corpo com um objetivo.

Algumas procuram fama, outras dinheiro, outras atenção (o nível de carência das redes sociais só é comparável a um caixote cheio de filhotes de cachorro abandonado na chuva), outras levantar uma bandeira política (muitas vezes sem nem saber direito qual).

Mas todas tem em comum o veículo usado para isso: a exposição do corpo.

Toda mulher tem, sim, o direito de ser "vadia", é algo particular a cada uma delas, o problema é que o feminismo farofeiro quer fazer desse direito individual uma obrigação coletiva.

"Seja escrota, aja como um macho mal educado e mal acabado, senão você é machista, moça. Seja vadia, não de acordo com a sua vontade, mas para agredir sua família, a sociedade, a Igreja, os "reaças", a "classe média", enfim, alugue sua bunda e sua perseguida para a nossa causa".

Desculpe, moças, mas a Playboy paga muito melhor.

Se não quiser sorrir, não sorria

Postado em 4 de dez de 2013 / Por Marcus Vinicius Nenhum comentário

Uma coisa é atitude decidida, vá lá, positiva, outra coisa é essa estranha obrigação de ser feliz o tempo todo.

Ora, amigos, nem um milionário pode ser feliz o tempo todo. Nem um famoso, um admirado, um reconhecido, um bem sucedido, um saudável. Ninguém pode ser feliz o tempo todo sem ser um completo cretino.

Existem felicidades (nem que sejam poucas) que o dinheiro do milionário não compraria, pois depende do reconhecimento. Existem outras que o sucesso do bem sucedido não traz, porque dependem da fama. Outras ainda não vem nem com um séquito de groupies bajulando a pessoa o dia inteiro, porque a fama não serve para a pessoa ter saúde, e por aí vai.

Muitas vezes o sujeito só quer ser deixado em paz e até isso pode se tornar uma tarefa difícil.

Daí que essa quase criminalização, tudo bem, criminalização é exagero, mas essa condenação veemente da insatisfação, do tédio, da chateação, do saco cheio, é uma das piores ditaduras dos tempos modernos.



Sabe aquele gari que todo mundo acha o maior barato, recolhendo lixo, sambando e sorrindo o dia inteiro? Ou aquele médico ricaço, desfilando por aí num carro conversível? Nem um e nem outro, nos extremos das suas situações, são, de verdade, aquilo que aparentam quando os descrevem como "ah, o sorriso recolhe lixo mas está sempre feliz" ou "doutor fulano é que é feliz, respeitado e cheio do dinheiro".

Se um dia o gari está puto porque o preço da feira subiu e resolve não fazer as palhaçadas que divertem os passantes (90% deles não seriam felizes varrendo a calçada) ou o médico diz para um paciente que está cheio de problemas, vão dizer "que isso, que negatividade", "está chorando de barriga cheia".

Mas pense bem, uma coisa é ir lá e enfrentar as durezas que a vida pode impor, outra bem diferente é ser obrigado a estar feliz com isso.

Quem achar que os problemas do outro são bobagem e que basta dar um sorriso e está tudo bem, vá lá e pegue todos eles para si e ria se puder.

Se você fizer isso o outro com certeza vai.

De degrau em degrau vamos descendo até o grunhido

Postado em 27 de nov de 2013 / Por Marcus Vinicius Nenhum comentário

Já pararam para reparar na velocidade com que as pessoas se relacionam hoje em dia? O cara conhece a menina anteontem e hoje já está por aí chamando de "minha mulher", com hábitos e vícios de casais que se relacionam há anos e anos (e alguns que nem estes deveriam ter).

E da mesma forma como tudo sai de um flerte para as bodas de ouro em duas semanas, vira divórcio em mais duas semanas e meia.

Pode me chamar de velho, eu deixo, mas sou do tempo em que tínhamos um melhor amigo. É aquele cara ou aquela garota que você conhece tanto que às vezes nem a própria família deles sabe de tantos detalhes.

São para a vida toda, duram e resistem a amizades de bar, dores de corno e até mudanças de opinião.

Hoje não, hoje vemos a pessoa trocar de melhor amigo como um deputado muda de partido.

Claro que isso é fruto da velocidade dos tempos atuais, onde uma notícia da semana passada já é velha, onde aquela música que tocou há seis meses já entra em disco de flashback.


Mas tem mais, afinal até esses modismos cada vez mais efêmeros são efeito e não causa. E tenho cá minhas suspeitas.

Ninguém pesquisa mais sobre nada para dar uma opinião. Ninguém consegue passar do verbete da Wikipédia sobre qualquer assunto. Pouca gente tem paciência para ler mais do que duas ou três frases. Textos com mais de dois parágrafos? "Nooossa, como você escreve muito!".

Parece que a curiosidade fica restrita à capa do livro, à cor do cabelo da atriz, à grossura das coxas da menina, à largura do peitoral do rapaz. Passou disso, já é profundo demais, já cansa, "nem vou ler".

Saramago (nem curto muito dele, na verdade pouco conheço, já que muito pouco li) disse certa vez ao falar sobre o Twitter que "De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido".

Não estava errado.

O problema é que talvez um dia nem paciência para grunhir direito umas para as outras as pessoas vão ter.

Educação "pública, gratuita e de qualidade"

Postado em 20 de nov de 2013 / Por Marcus Vinicius Nenhum comentário

10 entre 10 esquerdopatas acreditam que o papel da universidade é servir como niveladora da sociedade.

Praticamente molham as cuecas do Che Guevara falando que "o filho do pedreiro vai virar doutor", como se uma nação só com doutores em antropologia do churrasco (acredite, existe isso) pudesse ser algo diferente de um país onde Lula é "doutor honoris causa" (até hoje ele acha que isso é Honório escrito errado) e consequentemente eternamente subdesenvolvido.

A universidade não é niveladora de nada, pelo contrário, ela existe para formar uma elite. Tremam, esquerdopatas, porque é isso mesmo, uma ELITE.

Uma universidade dedicada a ser "inclusiva" e onde "todos sejam iguais", que se dedique a uniformizar os cidadãos ao invés de dar oportunidade e cabedal para que os MELHORES se sobressaiam deixa de cumprir sua função básica que é, repito, formar uma ELITE.



Os bons, os melhores, os gênios, os mais capazes, os que com sua superioridade puxarão (isso mesmo, como burros de carga) o país para frente através do progresso que só o gênio pode trazer.

Essas universidades brasileiras, onde se "constroem coletivos" mas não se edificam mentes solitárias, pois o gênio é um solitário, são apenas isso aí que a gente vê cada vez que acontece uma ocupação de reitoria, que é desperdício de dinheiro do contribuinte na forma de marxistas farofeiros de cabelo ensebado.

Para formar gente igual uma à outra, como um desfile do exército vermelho, era melhor gastar esse dinheiro distribuindo café e rosquinhas.

Café com rosquinhas é mais importante para a humanidade do que o PC do B, o PSOL, o PCO, o PSTU e a UNE, todos juntos.

Que malandro é você

Postado em 30 de out de 2013 / Por Marcus Vinicius 1 Comentário

Você descobre um site que vende um Galaxy S4 ou um iPhone 5 por 500 reais. Você SABE, muito bem, que nem eliminando lucro e impostos daria para alguém vender esses telefones por esse preço, vai lá e pensa "otários, vou comprar um smartphone de primeira linha peço preço de um Hiphone do camelódromo".

De olho rútilo e baba bovina preenche os formulários, insere os dados do seu cartão de crédito ou emite um boleto, conta pra todo mundo como é malandro e começa a esperar.

Sua irmã que estava no terceiro mês de gravidez quando você encomendou o telefone já está batizando o filho, você já pesquisou em 300 sites de reclamações e descobriu que a empresa possui 3000 ocorrências, consulta o CNPJ e descobre que é de um açougue em Teresina, consulta o proprietário do domínio e descobre que ele se chama Li Xang e mora em Macau, vai na polícia e não entende porque desde o delegado até o faxineiro da repartição riem de você como se você fosse o Danilo Gentili contando piada sobre o Jean Wyllys.


Aí resolve ir para as redes sociais xingar muito e demonstrar sua indignação pela volta que levou.

Desculpe, amigo, em primeiro lugar você mereceu ser enganado. E em segundo lugar você apenas encontrou outro desonesto só que mais esperto do que você.

Tente compensar o prejuízo vendendo um terreno ao lado do Corcovado ou então convencendo eleitores de que o governo do PT é bom para o Brasil.

Dinossauro rock clube

Postado em 23 de out de 2013 / Por Marcus Vinicius Nenhum comentário

Sexta-feira, durante alguns acordes do Aerosmith no seu show na Praça da Apoteose, eu pensei em algo que praticamente todo mundo já deve ter pensado no show de um desses "dinossauros" do rock:

- Quem vai tomar o lugar desses caras daqui a umas décadas?

Porque atualmente não vejo uma banda nova que vislumbre a longevidade e a qualidade de gente como o próprio Aerosmith, o Whitesnake, Kiss, Clapton, Bowie, Stones, Dylan, Iron Maiden, Morrissey, New Order, Joe Cocker e vários outros (citei gente bem diferente para deixar claro que "qualidade" pode ser gosto pessoal, mas longevidade não).

Claro que nenhuma banda já nasce "veterano". A maioria desse pessoal já foi um iniciante-attention-whore-faz-tudo-pela-fama-até-tocar-em-programa-de-auditório, mas ainda assim já havia ali a qualidade, o toque diferenciado, todo o talento que os levaria através das décadas a serem curtidos por um cara de 20 anos, mas também pelo seu pai e seu avô, que começou a curtir aquilo quando tinha a sua idade.

Quem, atualmente, poderá estar em atividade e lotando arenas daqui a 20 ou 30 anos? No Rock in Rio eu pude perceber isso quando assisti a um show honesto de um tal de Phillip Phillips, um show insosso (a exceção dos gritinhos das fãs) do John Meyer e um showzaço com tudo o que tem direito do Bruce Springsteen, um dos melhores que já assisti até hoje.



Qual o dado curioso? O auge da energia, do profissionalismo, da entrega, do suor, foi de um sessentão que já é também um dinossauro. 

Entende o que quero dizer? É tanto ídolo fabricado, tanta carinha bonita cheia de auto-tune nas idéias, tanta atitude sem algo por trás que a justifique, que essa molecada de 20 periga chegar aos 40 gostando só de gente que já passou dos 80, porque a época deles falhou em apresentar seus próprios ícones da música.

Existem algumas poucas exceções (Amy Winehouse era uma dessas), mas a maioria mesmo parece um produto saído de um desses programas estilo Ídolos ou The Voice.

Todo mundo treinado para parecer alguma coisa que deveria parecer.

Perguntem se Johnny Cash precisou treinar.

A música de hoje é o amor antes do amor, a dor antes da dor, a raiva antes da raiva, o ser antes de ser.

Daí que não dura.

Falta educação na educação

Postado em 16 de out de 2013 / Por Marcus Vinicius Nenhum comentário

Desculpem a franqueza, mas sabe esse monte de moleque mimado metido a comunista que infesta desde o Ensino Médio até o Ensino Superior?

Sabe essa hegemonia de esquerda que coloca qualquer um à direita da Marilena Chauí como a reencarnação de Hitler?

Sabe essa praga politicamente correta que defende praticamente tudo, desde um assaltante vagabundo que usa uma arma para tomar bens que alguém estava "ostentando" até a obrigação que daqui a pouco você vai ter de achar mulher com cabelo no sovaco e homem com piolho na barba bonito?

Sabe por que o brasileiro médio acha a situação do país uma bosta (qualquer indicador, desde transportes até o custo de vida demonstra isso) mas não consegue associar o fato a quem está no governo, porque o tico e o teco não aprenderam nem mesmo a concatenar duas idéias tão complementares e simples quanto "o Brasil vai mal, o problema é de quem o governa"?

Sabe quem espalha o marxismo farofeiro desde a tenra idade, fazendo com que uma criança que mal aprendeu a escrever já saiba (ainda que subconscientemente) que tudo é culpa da "exploração de uma classe pela outra"?



São professores, meu amigo. Comunistas, esquerdistas, marxistas, gramscistas, doutrinadores que não têm a menor vergonha de usar uma sala de aula como palanque, profissionais que abastecem a esquerda com idiotas úteis há décadas.

Pois é, são esses mesmos profissionais (ou pelo menos a grande maioria deles) que são apresentados por aí praticamente como a reencarnação de algum santo ou ser superior vindo de outro planeta para acabar com todos os problemas da humanidade (quem nunca ouviu a sentença repetida com aquela autoridade que só os idiotas possuem que "a solução é a educação" para resolver tudo, desde a criminalidade, a corrupção e até espinhela caída?).

A educação não precisa de mais dinheiro, precisa é de mais eficiência. Mas pergunte para a maioria desses professores que estão por aí pedindo "mais dignidade na profissão" se eles aceitam mudar mesmo, de verdade, a educação no país, a começar pelo seu próprio corporativismo e pela doutrinação que fazem no lugar de ensinar, servindo como instrumentos de imbecilização e não de iluminação.

Pergunte se querem esquecer Paulo Freire, Marx, Gramsci, o PT, a CUT, o sindicato, a próxima eleição e a luta de classes e se dedicarem a educar de verdade. Deveriam.

Afinal, por mais redundante que pareça sob todos os aspectos, a solução para acabar com o problema da educação é a educação.

O jeitinho (sujo) brasileiro

Postado em 9 de out de 2013 / Por Marcus Vinicius Nenhum comentário

Hoje no Centro do Rio guardinhas andavam para lá e para cá com Palmtops na intenção de multar quem jogasse lixo no chão. Vi gente brincando, outros apoiando e mais um monte de gente dizendo que é um absurdo, já que a prefeitura não faz sua parte oferecendo nem latas de lixo decentes (as do Rio, minúsculas e com suas bocas pequenas que não entram um coco, vivem cheias e mesmo quem deseja jogar lixo ali acaba tendo que "empurrar" lá pra dentro).

Mas um erro não justifica o outro. Não é porque os políticos chafurdam na lama e não oferecem serviços decentes que as pessoas têm o direito de se comportar como suínos.

Em qualquer lugar um pouco mais civilizado este é um ato de falta de educação e passível de multa, somente as camadas menos esclarecidas têm tolerância com a sujeira, por pura desinformação.

No Brasil não. O brasileiro já introjetou esse negócio de que "aqui todo mundo joga lixo no chão mesmo" e o pior é que tudo é tão "normal" que as pessoas não só toleram, como convivem com pilhas de lixo sem fazer nem cara feia.



E não adianta vir fazer comparações com aquela sua viagem à Bolívia ou às Filipinas, porque assim é fácil. Eu posso dizer que sou tão bonito quanto o Seu Madruga (há controvérsias) ou que o José Dirceu é tão honesto quanto o Maluf (nesse caso não há controvérsias).

O mais curioso é que a maioria dos brasileiros quando vai ao exterior não age da mesma forma. Continuam falando alto, sendo inconvenientes, tirando foto onde não pode, pisando onde não deve, mas o lixo não é atirado ao solo com a mesma volúpia.

Quer dizer, algum neurônio nacional perdido sabe que aquilo é errado, mas curiosamente é desligado assim que o avião pousa em solo pátrio.

Talvez seja pela mesma razão que aquilo que o brasileiro realmente acredita ser "o maior espetáculo da Terra", que é o desfile das escolas de samba no sambódromo do Rio de Janeiro, comece num valão (o Canal do Mangue) e termine em frente a uma garagem de caminhões de lixo da Comlurb, na saída da Praça da Apoteose.

Não dá.

Nos tempos do Geocities

Postado em 2 de out de 2013 / Por Marcus Vinicius 1 Comentário

Desde que o Yahoo! resolveu fechar o Geocities em 2009 atrás a internet é bem mais sem graça. Tudo bem que o serviço estava ficando ultrapassado, mas mesmo assim dá aquela sensação de assistir a um velho bar de esquina virando uma farmácia.

Hoje os preços de hospedagem e registro de domínio são acessíveis à maioria dos usuários da internet, e os serviços de blogs, sites de relacionamento, microblogging e redes sociais permitem ao usuário "estar" na rede sem necessitar conhecimentos de web design ou hospedagem gratuita.

Tudo muito normal se uma estranha nostalgia não me acometesse sempre que lembro do Geocities. Sim, nostalgia dos tempos em que, a despeito das agruras e lentidões da internet discada, nós vivíamos uma época de total romantismo e sensação de "desbravamento" em relação à vida on line.

Lembro das interfaces dos chats, aonde tínhamos que dar "refresh" na página para que ela carregasse mostrando o que havíamos acabado de falar e também o que as pessoas haviam nos respondido. Lembro da felicidade que era receber um email, quase como se fosse uma carta chegando pelo correio.

O início do mIRC, o surgimento do ICQ, aquela época em que precisávamos scannear uma foto para poder "mostrar quem éramos" e onde as relações eram quase entre "pen-pals", só a conversa e o conteúdo importavam (e as decepções eram motivo de riso depois).

Mas também existiam os encontros irresistíveis, aonde tudo clicava. Amizades surgiam, amores nasciam. Conheci um dos grandes amores da minha vida na internet, pessoa que até hoje é minha grande amiga, e imagino quantos bebês de hoje, não são filhos daquela turma pré-2.0.

Era uma época de superar as fronteiras de um mundo totalmente novo e conectado. Tinha muita sacanagem, é claro, mas não havia essa objetividade e essa sensação de micareta virtual que a era do "tem cam?" fez surgir.

E o Geocities fez parte de tudo isso. Era uma sensação muito boa usar o Netscape (o browser fodão da época) e caçar apostilas grátis de HTML básico no Lycos ou noAltavista e ficar horas testando aquelas tags, trocando as cores, o tamanho das fontes, encontrando gifs animados, barras, botões que piscavam, imagens de fundo.



Ok, vistos sob a estética clean de hoje, eram sites feios, toscos, bregas.

Brilhavam demais, tudo se mexia demais, eram cheios de poluição visual, cores berrantes, avisos de "clique aqui", tão necessários num tempo em que mal sabiamos o que fazer na rede. Mas quem liga? Naquela época eram um orgulho para quem podia dizer "vai lá e visita a minha home page".

Existiam home-pages sobre o que a imaginação pudesse pensar nas "cidades" do Geocities. Bandas de rock, páginas pessoais, páginas de animais de estimação, sobre sexo, receitas, tudo. E com aquela estética bem característica da internet "1.0".

O término das atividades deste servidor gratuito, coloca mais uma pá de cal sobre um ícone dos primeiros anos da internet, aonde nós éramos early adopters de tudo, ainda que por inércia e sem saber que esse termo seria um dia inventado.

Com ele, se foram os bons tempos do mIRC, de alguns serviços de busca que encolheram, do e-groups que trocou de nome e perdeu função nessa época de tantos veículos de troca de informação, foi-se a usabilidade (e a necessidade) dos Foruns e grupos de discussão em geral, coisas que um dia ainda serão tratadas com a mesma reverência "museológica" com que hoje pensamos na TV em preto e branco.

Mas tudo bem, foram tempos que vivi com muita alegria e hoje relembro com muito orgulho e sensação de privilégio por ter presenciado.

Caminhei pelas ruas "recém-asfaltadas" da internet, onde existiam pouquíssimos trolls, nenhum miguxo e quando a inclusão digital ainda não havia trazido para a rede quase todas as mazelas com as quais já nos deparamos em nosso dia-a-dia "off-line".

Mais um pedaço da história que muitos de nós vivemos se vai, mas a parte boa disso é que outras tantas ferramentas e manias surgem na velocidade da banda larga.

Quem sabe daqui a alguns anos não estarei aqui falando com saudades sobre o Twitter ou mesmo o Facebook?

É o destino natural dos serviços da web. Ainda mais na internet 2.0, aonde tudo acontece incrivelmente ainda mais rápido do que nós, internautas velhos e saudosistas, jamais poderíamos imaginar naqueles idos da década de 90.

Você não gosta de ouvir as bobagens dos outros, só quer ter o direito de dizer as suas

Postado em 26 de set de 2013 / Por Marcus Vinicius Nenhum comentário

Ninguém defende a liberdade de expressão porque gosta de ouvir as idiotices dos outros, mas para poder falar as suas próprias.

Sempre penso nisso quando alguém vem me perguntar o que eu acho de quem pede a volta dos militares. Ora bolas, eu acho bobagem, meu amigo. Bobagem.

Não que em matéria de governança eles fossem ser piores do que o PT, mas também não seriam muito melhores.

Quem lembra dos anos 70 sabe que eles também adoravam um "estado forte", sem contar a herança da hiperinflação. A maior diferença mesmo é que a ditadura militar era declarada e a do PT é acalentada por grande parte dos militontos do partido e da cúpula de crápulas.

Mas quem sai por aí pedindo por uma "ditadura" geralmente parte do princípio de que se uma ocorresse, seria exatamente de acordo com o que ela deseja.

Imagine você aí dizendo que apoiaria uma ditadura no país, legitimando o discurso do outro que também quer uma ditadura, só que contrária ao que você pensa. Ora, se ele for o vencedor desse episódio bizarro da Porta da Esperança, quem se ferra é você.

Não é por outra razão que os terroristas de esquerda da época do regime militar fazem de tudo hoje em dia para esconder do cidadão médio que eles também queriam uma ditadura, que eles também lutavam por uma ditadura, só que de esquerda, do "proletariado".




Essas comissões da verdade que se preocupam com tudo, até com a verdade de vez em quando, nada mais são do que tentativas de reescrever a história de certa forma. De um lado, heróis da democracia, do outro, gorilas da "direita".


Nem vou entrar no mérito desse "direita" que aparece de vez em quando enxertado pela malandragem esquerdopata, mas quem vai treinar guerrilha em Cuba, quem sonha com fazendas coletivas soviéticas e até hoje é chegado em fazer "listas negras", pode querer tudo, menos democracia.

Existe uma maldição cigana que diz o seguinte: que você consiga tudo aquilo que você quer.

E é justamente por isso, pelo risco de uma ditadura não ser bem aquilo que você imaginava quando dizia que queria, que é melhor não brincar com esse tipo de besteira.

Um governo democrático pode ser removido nas urnas, pelo clamor popular ou mesmo por um julgamento político. Uma ditadura só sai de duas maneiras: no pau ou por cansaço.

Democracia às vezes também cansa, eu sei disso. Lidar com o sagrado direito do outro dizer e defender idiotices é desestimulante muitas vezes, mas pelo menos você pode se opor, você pode reclamar.

Na ditadura não. Ali você só tem dois direitos: não ter direito nenhum e não reclamar dos direitos que tem.

Os frangos de padaria

Postado em 18 de set de 2013 / Por Marcus Vinicius Nenhum comentário

Quando olho essas salas de aula pelo Brasil afora imagino uma dessas televisões de cachorro cheias de frangos de padaria.
Não, não acho ninguém apetitoso, mas vejo ali seres abatidos e prontos para serem devorados junto com farofa pelo marxismo.

Servem apenas a uma função: alimentar essa ideologia de esquerda, coitadista, pobrista, ressentida, que tanto atraso trouxe e continua trazendo para o Brasil e o resto da América Latina.

Converse meia hora com um grupo de jovens brasileiros, saídos dessas televisões de cachorro que são as salas de aula, e perceba como até frangos assados conseguem ter mais ou menos o mesmo grau de independência intelectual.

Basicamente tudo o que é "oprimido" (leia-se pobre, sujo, violento, que seja chocante ou fedorento) é enaltecido como algo "bom", que só pessoas "boas" conseguem enxergar a "bondade". O resto, ou seja, a ordem, o asseio, o vernáculo correto (nada de "nós pesca os peixe"), o progresso, é "ruim", "opressor", coisa de gente que não gosta de gente.



Tirar pessoas da miséria não é algo legal. Remover uma favela, ensinar "pretinhos" a tocar violino, "indiazinhas" a falar inglês, dar banho, isso é "higienista". Precisamos respeitar a beleza da ignorância e a poesia da pobreza.

Para que exista a "luta de classes" é preciso ter sempre uma reserva de pobres à mão.

Um shopping é ruim, um amontoado de barracos é lindo. Uma família de classe média é a encarnação de tudo o que é pior no mundo, uma cracolândia ou ajuntamento de mendigos sem banho e piolhentos é a tradução do que é belo. A civilização ocidental precisa ser destruída, culturas obscurantistas são a libertação. A polícia e demais agentes da lei são opressores, grupos narco-terroristas são guerreiros do iluminismo.

Esse pobrismo brasileiro não é nada senão fruto desse sistema educacional formador de idiotas úteis da esquerda farofeira.

O que falta para a educação não é mais dinheiro. É xampu, sabonete, algumas lâminas de barbear, desodorante e um banho de caco de telha.

Por dentro e por fora.

007 espaço sideral

Postado em 11 de set de 2013 / Por Marcus Vinicius Nenhum comentário

Se você fosse um alienígena enviado para a Terra com o intuito de espionar os habitantes locais para uma futura colonização (ou imigração, vá lá) e se deparasse com:

Os grupos pró e anti Marco Feliciano, uma passeata contra a aposentadoria de um cantor de trio elétrico, uma multidão que sai na rua sem saber porque, criminosos condenados escrevendo colunas nos jornais reclamando da sentença ou exercendo mandatos de deputado, governos há mais de uma década no poder dizendo que "não se faz nada do dia para a noite".

Sem contar também com caixas de comentários de sites de notícia, trocas de mensagens no Facebook, tuitadas, programas de auditório na TV, memes que circulam pela internet, sub-celebridades seguidas por paparazzis que depois noticiam coisas importantes como "ele tomou sorvete" ou "ela depilou o buço".



E ainda: jogadores de futebol e pagodeiros ganhando mais do que médicos e engenheiros, um país que aboliu a escravidão há mais de 100 anos aceitando alugar pessoas (médicos) como se fossem mercadoria, gente que diz que quer "democratizar" as coisas (meios de comunicação, jornais, a internet, a canja de galinha da sua avó) mas que na verdade quer é censurar, feminazis brigando contra o "fiu-fiu" ao mesmo tempo em que defendem que mulheres saiam sem blusa na rua, pastores evangélicos presos por estupro, um moleque fazendo um vídeo gritando "mamilos" e com isso virando celebridade nacional.

Fora o resto.

Será que esse alienígena recomendaria contato com um planeta assim ou, por medo de ser algo contagioso, diria para a sua espécie manter distância segura desse lugar, instalando até uma cerca elétrica no espaço sideral, se for possível?

No lugar dele eu sei que ficaria bem amedrontado de me esquecerem para trás na fuga.

O analista super honesto

Postado em 28 de ago de 2013 / Por Marcus Vinicius 1 Comentário

- Doutor, eu estou com um problema. Não consigo me relacionar com ninguém.

- E por que isso?

- Quando ela não é muito grudenta, é fria demais. Quando não quer transar o tempo todo, é porque não transa nunca. Se fala demais, eu enjoo. Se fala de menos, eu acho uma chata.

- Mas o que você procura exatamente? Uma ficante, uma namorada, algo mais sério?

- Pois é, também não sei direito. Se elas querem só ficar, eu quero namorar. Se querem namorar, eu não quero nem ficar. Se falam em casar um dia, já imagino a relação caindo na mesmice e o divórcio.

- Entendo, mas por que então não procurar criar expectativa alguma? Só deixar as coisas acontecerem.

- É que sou muito ansioso. Se elas fazem isso, deixam rolar, fico inseguro. Começo a comer demais, a dormir de menos, fico gordo, com olheiras e aí mesmo é que eu acho que nenhuma delas vai querer nada comigo, porque me olho no espelho e me acho horroroso.

- Se importa muito com a beleza?

- Tanto nelas quanto em mim. Me cuido, passo cremes, faço massagem e detesto mulher com sapato brega.

- Sei, mas e se ela for bonita, não dá pra desculpar os sapatos?

- Depende, doutor, o que seria bonita?


- Não sei, você precisa me dizer que tipo de mulher você considera bonita, o meu gosto não importa aqui.

- Ah, sinceramente? Esse é outro problema. A Aninha é alta demais. A Bruna é muito baixinha. A Luciana é muito mais gordinha do que eu gosto. A Bia é mais magra do que um pauzinho de laranjeira.

- Você disse "pauzinho de laranjeira"?

- É, aquele pauzinho que as manicures usam e...

- Eu sei o que é, mas continue.

- Então, a Valéria é loira falsa, a Juliana é loira verdadeira mas ficaria muito mais bonita se pintasse o cabelo de morena, a Lúcia tem a bunda muito grande, a Marília praticamente não tem bunda...é um suplício tentar achar alguém doutor!

- Você disse "suplício"?

- Sim, é que eu uso muito esse termo, enfim, o senhor acha que eu vou conseguir encontrar alguém um dia?

- Assim que você conseguir se encontrar.

- E como eu faço isso? Me ajude, por favor!

- Bom, no seu caso eu começaria procurando nos braços de um estivador forte, de cabeça raspada, braço tatuado...

Os brasileiros e os manuais

Postado em 21 de ago de 2013 / Por Marcus Vinicius Nenhum comentário

Em 2001 uma pesquisa realizada entre estudantes de 32 países, testados em sua compreensão de leitura, deixou os brasileiros em último lugar. 

Um outro estudo do antropólogo Luiz Marins mostrou que nas fábricas brasileiras é inútil passar um aviso por escrito, porque se o aviso não for transmitido de forma oral os operários simplesmente não o compreendem.

Dizem que a culpa é de Paulo Freire e seus discípulos (concordo), e também que o brasileiro não é chegado em ler (concordo de novo).

Basta observar que os habitantes do Patropi compram aparelhos eletrônicos e necessitam de ajuda da assistência técnica para resolver problemas que estão devidamente elencados no manual do produto.

É comum um cara comprar um smartphone e utilizar somente uns 10% da capacidade do aparelho por simples preguiça de ler e compreender instruções. 



E aqui vai mais uma prova disso: um brasileiro conseguiu confundir um botão do alarme de emergência da Embaixada dos Estados Unidos com um botão que abriria uma porta para que passasse.

Ora, não é preciso saber inglês para adivinhar que um botão de emergência (provavelmente vermelho, com algum aviso berrante que te faz notar que além de não abrir uma porta aquilo pode iniciar uma guerra nuclear) não é um botão qualquer. SÓ PODE ter coisa mais séria envolvida com aquilo.

Ainda mais em se tratando de americanos, que têm obsessão por avisar e explicar bem explicadinho qualquer coisa.

Mas o problema é que brasileiros não prestam atenção em nada, não se preocupam em conhecer ou seguir regras, não pensam antes de fazer algo, porque pensar dá preguiça.

Daí a sair por aí apertando botões sem imaginar as consequências, seja um alarme de emergência, seja aquela tecla "confirma" da urna eletrônica.

Motorista de táxi por um dia

Postado em 14 de ago de 2013 / Por Marcus Vinicius Nenhum comentário

Segundo notícia publicada no site do jornal português Público, o primeiro-ministro da Noruega, o trabalhista Jens Stoltenberg, se disfarçou de taxista para tentar conhecer melhor (e sem filtros) o que os eleitores pensavam dele.

O premier colheu várias opiniões - algumas positivas, outras negativas - foi reconhecido algumas vezes e no final não cobrou a corrida de ninguém.

Alguém consegue imaginar um político brasileiro (ainda mais o chefe do executivo) fazendo isso? Tudo bem, um presidente do Brasil é responsável por um território e uma população bem maiores do que os da Noruega, mas você consegue imaginar um governador brasileiro fazendo isso?

Difícil, mas eu tentei. Lá vai.

Primeiro que se disfarçar de motorista de táxi não seria um jeito muito bom de saber o que o povo pensa, porque táxi no Brasil é muito caro e as pessoas andam mesmo é nos (péssimos) metrôs e (ainda piores) ônibus.

Mesmo se tentasse, o governante teria que tomar cuidado em escolher onde pegaria passageiros, porque dependendo do local - aeroporto e rodoviária seriam os mais problemáticos - a máfia local não combatida por ele e pelo prefeito poderia furar os pneus do seu carro ou botá-lo para correr dali debaixo de pedradas.



Mas tudo bem, político brasileiro andando de ônibus só mesmo quando o jatinho do empreiteiro está ocupado e ele precisa pegar aqueles coletivos que levam passageiros pela pista até os aviões comerciais, fiquemos no táxi então.

Entre uma pergunta e outra sobre a situação do país, ele cairia em uns 20 buracos no asfalto, enfrentaria alguns quilômetros de engarrafamentos e seria cortado por alguns motoboys com suas buzinas cretinas, quase perdendo o retrovisor.

Avançaria um ou dois sinais vermelhos por medo de ser atropelado pelo caminhão de lixo que vinha à toda atrás dele piscando farol, levaria fechadas de ônibus, ficaria retido numa blitz da lei seca e, no final, mesmo provando que não estava bêbado teria que dar uma propina esperta para o agente público que o parou, que a esta altura teria encontrado o descumprimento de alguma das 34248579174161919897 normas e regulações a que estão submetidos os proprietários de veículos, entre as quais algumas coisas importantes como luz interna fraca, tapetes gastos ou calotas feias. 

Livrando-se disto, ainda pararia em uma ou duas praças de pedágios de vias expressas cortadas por favelas, uma das quais com um tiroteio que o obrigaria a avançar a cabine de pagamento e assim levar uma multa por "evasão de pedágio".

No final da corrida não teria prestado atenção em nada que os passageiros disseram e como bom político brasileiro não só cobraria como também superfaturaria a corrida com o auxílio de um taxímetro adulterado.

Terminaria a experiência agradecido por só andar de helicóptero e certo de que a população - que ele não ouviu - acha que tudo está bem.

Três heróis brasileiros

Postado em 7 de ago de 2013 / Por Marcus Vinicius 2 Comentários

O problema é que todo mundo gosta de história, mas da história que lhe interessa.

Mudam partes da história, apagam outras, relativizam papéis, prestam enorme desserviço para a educação e a formação das futuras gerações.

Vejo com um pouco de repulsa e nenhuma surpresa quando muitos se recusam até mesmo a dar ao papel do Brasil na Segunda Guerra Mundial, por exemplo, o seu devido valor merecido.

Não falo que o país tenha realizado participação mais decisiva do que realmente foi, não é isso, mas da história pessoal daqueles homens que foram mandados para o outro lado do mundo sem equipamentos condizentes (o exército americano precisou dar até roupas de frio adequadas), em pouco número e ainda assim lutaram com tanta bravura que mereceram reconhecimento até do inimigo.

Temos heróis neste país e quem se lembra deles? Quem passa ali pelo monumento dos pracinhas no Aterro do Flamengo e diz, silenciosamente e para si mesmo, "obrigado"? Não conheço muitos.



De quem não reconhece nem a própria história (e a esquerda domina a narrativa e o ensino no Brasil) por medo de com isso "exaltar os militares" não podemos esperar que tenham honestidade em todo o resto e digam, de verdade, o flagelo que foi o socialismo onde quer que tenha sido implantado.

Faço questão de ensinar às crianças com as quais convivo:

"Aquele monumento ali, com aquela estátua de três soldados, é em homenagem a heróis brasileiros que foram para o outro lado do mundo lutar e morrer, para que hoje você fosse livre.

Se essa liberdade é total ou não, é a que desejamos ou não, não é culpa deles, eles foram lá e deram o que tinham de mais precioso por ela que foi suas vidas, nunca se esqueça de que ali tem gente que morreu por você, sem que você tivesse nem nascido ainda".

Um mundo melhor (e não esse mundo louco e insensível, coletivista e burro, que a esquerda tanto prega) começa por reconhecer a si mesmo, a sua história e não permitir que ninguém roube a sua consciência.

Temos que homenagear quem merece, como os três heróis brasileiros - Arlindo Lúcio da Silva, Geraldo Rodrigues de Souza e Geraldo Baêta Cruz - que resistiram sozinhos à investida de uma tropa que, devido à bravura dos três, ficou retida ali por muito tempo, imaginando haver mais inimigos do outro lado.

Ao final os três sucumbiram, mas a sua valentia foi tanta que os alemães os enterraram e colocaram nas cruzes sobre seus túmulos a seguinte frase: três heróis brasileiros.

Seus nomes - e não o de tantos ladravazes - é que mereciam batizar avenidas, praças e escolas.

Deixo aqui minha homenagem.

Privatizar é democratizar

Postado em 24 de jul de 2013 / Por Marcus Vinicius Nenhum comentário

Há 20 anos o Brasil dava (atrasado) a largada em seu processo de comercialização de linhas de telefone celular.

Lembro que precisávamos entrar numa fila de espera e pagar valores correspondentes a um automóvel popular por uma linha que, diga-se de passagem, não funcionava quase em lugar algum.

Até que ocorreram as privatizações e hoje qualquer um pode ter um número de celular pagando apenas R$ 5,00 numa banca de jornal.

A coisa ficou tão prosaica que o cidadão pode ter duas, três e até quatro linhas, uma de cada operadora, instaladas em aparelhos que aceitam múltiplos chips.

Tudo bem que o serviço ainda deixa a desejar (celulares da TIM e da Oi que o digam), mas qual outro setor poderia ter se democratizado e avançado tanto se ainda fosse controlado pelo Estado?




Estado, aliás, que ainda faz mau uso dos recursos destinados à parte do sistema de telecomunicações pelo qual ainda é responsável, como bem observou Ethevaldo Siqueira, que demonstrou que dos R$ 62,4 bilhões arrecadados entre 2001 e 2012, sob forma de confisco dos fundo setoriais, apenas 3% foram aplicados nas suas finalidades legais, que são obras e melhorias na infra-estrutura das telecomunicações.

Sabe por quê? Porque o Estado não tem acionistas cobrando resultados, tem apenas "contribuintes" que são tungados sob pena de sanções legais, mas que não podem dar um mísero palpite no uso que será feito do seu dinheiro, restando-lhe, no máximo, reclamar para comissários do governo que fazem ouvidos moucos.

Por isso esta data que marca os 20 anos do início da telefonia celular no Brasil, junto com os 15 anos da privatização das telecomunicações, serve para demonstrar como não existe vida sustentável para os negócios fora do capital privado, das regras do mercado, da livre concorrência.

Daí que se hoje nossa telefonia é ruim, com as operadoras de celular que estão aí cheias de queixas no Procon, tenha certeza que seria muito pior sem elas.

Na dúvida se imagine dependendo da rede 3G de uma Celularbrás para acessar os seus emails, fazer uma pesquisa ou simplesmente consultar um GPS numa emergência.

Sobre o direito de qualquer um gostar de si como é e de falar sobre isso sem ser patrulhado

Postado em 17 de jul de 2013 / Por Marcus Vinicius 1 Comentário

O vídeo abaixo virou hit na internet. A (bela) menininha parece que foi convidada para ir ao programa da Fátima Bernardes e tudo.

Eu acho o maior barato, porque é mais prova que a internet pode ser o caminho de entrada para a difusão de idéias na mídia tradicional. Não é o primeiro caso e com certeza não será o último, e isso é muito bom.

O título é "Júlia ensinando a gostar dos seus cachos" e nele uma menina negra fala sobre o quanto gosta de ter cabelo "armado" e o quanto acha ridículo quem a manda alisar suas madeixas. Ainda aproveita e debocha de quem gosta de cabelos lisos, com gestos e expressões.

Foi uma forma de dizer que pouco liga para uma coleguinha que a chamou de "Creuza" por conta das mechas rebeldes, mas sim, ela deu uma debochadinha de quem tem cabelo liso.

É do jogo, vida que segue. Não seria eu, que detesto o politicamente correto, que iria dizer que a menina está errada ou advogar por quem eventualmente tenha se ofendido.

Por mim brancos e negros fariam piadas uns dos outros à vontade, essa atual sociedade dos hiper-sensíveis enche o saco. Adiante.

Na sua mensagem principal, o vídeo é sensacional. Devemos mesmo procurar nos sentir bem com o que a natureza nos deu. Padrões nos limitam e, principalmente, nos frustram, porque nem sempre podemos acompanhá-los.

Lendo os comentários no YouTube percebemos como todos saúdam sua precoce (e bonitinha) maturidade neste sentido, mas como sou do contra, preciso questionar:

Primeiro, se fosse uma menina loira, dizendo como gosta de ser loira, de ter cabelos lisos e, principalmente, debochando de quem tem ou diz preferir cabelos crespos, será que o vídeo seria um hit positivo, com comentaristas dizendo "isso mesmo, linda, fale o que pensa e se ame!" e que o caso iria parar na Fátima Bernardes para uma entrevista?

Ou o que aconteceria seria uma polêmica dessas pesadas, com os pais sendo acusados de racistas e a menininha sendo chamada de "nazista mirim", e terminando com uma aparição na TV, mas em algum telejornal no segmento policial, com a informação de que o Ministério Público já teria até aberto inquérito?

Sei que os politicamente corretos, racialistas e demais xaropes vão repetir seu argumento batido da "dívida histórica", da "reparação" e da "discriminação" que negros sempre sofreram, até e principalmente, por conta da sua aparência.

Mas aos seus argumentos batidos eu respondo com as mesmas questões batidas: e se fosse o contrário?

Sim, porque a discrepância continua, não os vejo admitir um avanço sequer (ao contrário, continuam vendo "racismo" em tudo e cada vez mais, procurando em cada canto e berrando sempre que podem), para eles, a despeito do vídeo da Júlia ter atraído mais de 170 mil acessos até este momento em que escrevo, e comentários positivos (a maioria, diga-se de passagem, de brancos), nossa sociedade ainda é racista, escravagista e precisa levar um "corretivo".

É a tal dívida histórica que é pior do que rotativo do cartão, por ser praticamente impagável e os juros correrem soltos.

No final das contas, sim, é uma ditadura do politicamente correto, porque não sei se um comentário do tipo "não gosto de cabelo crespo" seria bem recebido como mera questão de estética pessoal de quem o fizesse ou encarado como "racismo disfarçado".

Finalizo dizendo que a Júlia realmente é linda (e assim seria com cabelos alisados ou não), que pode e deve gostar de si, mas que a Ana, a Tatiana, a Isabel, a Mariana, a Laura, a Bruna, a Andreia, a Aline, a Marise, a Hilma, a Grethel, a Tainá, a Leandra, a Izadora, a Camila, enfim, todas, com a aparência (e isso inclui a cor) que tiverem também podem e devem gostar de si.

E principalmente, devem poder falar isso abertamente sem serem julgadas.



Em se tratando de governo, menos é sempre muito mais

Postado em 10 de jul de 2013 / Por Marcus Vinicius Nenhum comentário

Desculpem o trocadilho batido do título, mas em certas situações você simplesmente não consegue pensar em nada melhor.

Para cada problema do Brasil, surge um gênio propondo alguma lei, algum novo ministério ou secretaria, alguma ajustada marota no orçamento do país, algum imposto salvador, ou seja, mais Estado.

Tudo isso quando o que precisávamos era justamente o contrário, que é menos, muito menos Estado. Não é possível que um país seja competitivo (e mantenha um ambiente saudável para os negócios) com tantas regulações, impostos, entraves, fora as coimas, por dentro e por fora. Não é aceitável que seja tão difícil abrir uma empresa (e mais difícil ainda fechá-la).

Por isso é assustador que ainda se ache que é o Estado, com alguma vara de condão que até hoje apenas mostrou sofrer algum curto-circuito, que vá consertar o que foi ele mesmo que estragou para começar. Veja o exemplo do sistema de saúde.

Não temos remédios, não temos aparelhos de diagnóstico, não temos laboratórios que possam fazer exames no volume e rapidez que o SUS possui e necessita, não temos postos de saúde ou hospitais decentes, enfim, falta tudo na tão falada "estrutura".

E qual a solução mágica do governo petista para isso? Desinchar as instâncias burocráticas da saúde? Tentar tapar os buracos por onde as verbas escoam para os bolsos de gatunos oportunistas que sugam o sistema? Desonerar a atividade? Tornar o Sistema Único de Saúde (SUS) mais atrativo para médicos e demais profissionais de saúde? Aplicar de forma minimamente decente os impostos escorchantes que toma do bolso do cidadão chamando-o de "contribuinte"?


Nada disso! A solução é invadir a esfera pessoal da vida dos formandos em medicina e determinar que eles deverão prestar um serviço civil obrigatório (petistas e aliados têm pavor do termo, mas vamos chamar o jacaré de jacaré e não de lagartixa, por favor), determinando dois anos de residência no SUS.

Criou-se assim a estranha situação onde as cidades do interior contarão com médicos, mas que poderiam ser nutricionistas ou dentistas, porque a falta de estrutura os transformará em meros agentes de educação em saúde, dizendo para os pacientes algo mais ou menos assim:

- Você precisa vacinar seus filhos. Onde? Não sei, em algum lugar, eu só estou aqui cumprindo meu tempo de serviço obrigatório. E o pior é que o governo ainda vai espancar os fatos e números, propagandeando que enviou não sei quantos mil médicos para o interior.

Será mais um problema do Brasil "resolvido" à maneira lulopetista: com equívocos e propaganda enganosa.

Desse jeito depois do "Mais Médicos" vamos ter o "Mais Engenheiros", para "interiorizar" a Engenharia.

Não vai ter cimento, vergalhão, tratores e nem uma mísera marreta, mas vai ter um engenheiro em cada cidade. Pronto! Resolvido o problema.

Ele também poderá dizer:

- Precisamos construir um sistema de esgotos eficiente. Como? Sei lá, só estou aqui para dar instruções.

Tudo isso porque um programa totalmente inovador (e eficiente) como o "Menos Companheirada Pendurada em Cargos de Comissão" parece impossível do governo criar e implementar.

Uma pena, porque esse sim, teria aprovação popular esmagadora.

Os Bob Esponjas

Postado em 3 de jul de 2013 / Por Marcus Vinicius 1 Comentário

Quando ganhei uma hamster - a Lisa, nome da filha do Elvis - arrumei um problema (lindo e que dá vontade de morder, mas tudo bem), quer dizer, vários, mas um deles foi o cheiro forte do xixi que o hamster faz.

Tentei serragem, vinagre na gaiola, o que você puder imaginar, mas só o que adiantou foi um produto chamado Pipi Pet WC.

Se trata de uns grânulos de celulose que absorvem líquido de forma rápida. Basta jogar um pouco em cima e voilà, chupa tudo que nem uma esponja, uma verdadeira maravilha. Em poucos segundos todo o xixi do hamster vai embora.


Mas não era sobre isso que eu queria falar, isso foi só um preâmbulo, o que eu queria falar mesmo é que observando o Pipi Pet WC em ação lembrei da imensa maioria da juventude universitária brasileira de hoje e sempre (mas muito mais a de hoje).


Todas aquelas cabecinhas ocas chegam na academia tal qual um grão de Pipi Pet WC: esperando algo que as preencha. Eles querem saber, querem conhecer, querem contestar e, se sobrar espaço entre o trote e a choppada, mudar o mundo.

E esse furor contestatório da juventude agora se uniu à falta de tempo dos pais, à internet, à esculhambocracia que virou nossa sociedade e deu origem a um pessoal que não sabe o que quer, porque parece já ter tudo.

Não vivemos sob uma repressão moral e sexual como nossos pais e avós (imagina alguém da tal "classe média" dançando funk carioca na década de 50?), não estamos sob uma ditadura, essa turma de 20 e poucos anos que viveu dos anos 2000 para cá não conhece a censura prévia, não tem medo do DOPS, só precisam começar a se sustentar perto do trinta e curiosamente se comportam como se vivessem numa Coréia do Norte tropical.

É marcha da maconha, das vadias, dos jogadores de RPG, dos alimentadores de pombo. É cartaz ofendendo a religião alheia, a preferência quase paranoica pelo ateísmo militante (chega a parecer uma religião dedicada a ser uma não-religião) e a eterna necessidade de chocar, sempre. 


A palavra de ordem parece ser "qual é o problema?". Uma ratazana ensopada servida no jantar (como dizia o grande Nelson Rodrigues)? Qual é o problema? Moças andando com os seios de fora pela rua? Qual é o problema? Rapazes também não andam sem camisa?

Transar no balcão do Mc Donald's? Fumar skank no batizado da sobrinha? Mostrar o piercing genital para a sogra na primeira visita à família do namorado? Falar sobre posições sexuais e secreções durante as refeições? Qual é o problema?

Que hipocrisia, gente! (outra frase cultuadíssima).

Mas já me desviei de novo, ainda que, novo parêntese, ache que um pouco de hipocrisia mantém a sociedade coesa, salva nossas relações sociais e impede que todos matem uns aos outros. 

O que realmente queria dizer é que essa juventude chega na universidade com a cabeça tão vazia e sedenta por algo que a preencha como um grão de Pipi Pet WC, só que encontra pouca coisa diferente de xixi de hamster para aprender.

Na idade mais ativa, com mais "fome" de saber, de discutir e debater soluções para o futuro, eles são levados por um tsunami de entulho ideológico e ficam ali aprendendo sobre luta de classes, ditadura do proletariado, hegemonia cultural, aparelhos ideológicos de Estado, enfim, um conteúdo que no final acaba indo para o mesmo lugar de um grânulo de celulose vegetal, inerte, atóxico, empapado de mijo, ou seja, o lixo, já que não tem muita utilidade.

Mas ao que parece, está tudo bem, os Bob Esponjas de boina se contentam com pouco. Se chocar a tiazinha passeando com o poodle pelo meio da marcha dos adeptos do enema, tudo bem.

O que vale é botar o "Bloco do Che Guevara Doido" na rua.

A casa louca

Postado em 26 de jun de 2013 / Por Marcus Vinicius Nenhum comentário

Era uma casa, muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada. Quem não já não foi criança um dia e não lembra dessa música do grande Vinícius de Moraes?

Sua semelhança com o Brasil é tanta que o endereço da tal casa é na "Rua dos Bobos, número zero". Sei que essas metáforas comparando a administração de um país (muito complexo) à administração de uma casa de família (muito complexo, mas nem tanto) são odiadas por economistas e especialistas em geral, mas não tem problema, fica excelente como figura de linguagem.

Porque como podemos definir uma casa que entra numa reforma sem ter saído da reforma anterior? Imagine um proprietário de um belo imóvel de três quartos, dois banheiros, copa, cozinha, área de serviço, jardim, quintal e uma garagem.

Depois de um tempo (e já tendo comprado a casa em um estado não muito bom), ele separa um pedaço de seu orçamento para reformar tudo. Sai dinheiro para o banheiro, para a sala, o teto, muro.

Enquanto isso continuam chegando as contas de água, de luz, de telefone, o pagamento da diarista.

O dono da casa então convoca a família: todo mundo vai precisar contribuir para melhorar o lugar onde vivem. A esposa vai fazer hora-extra, os filhos vão diminuir a mesada, a sogra vai cortar um pedaço da pensão e até as visitas vão passar a pagar pedágio. Todo mundo de acordo, afinal, é para reformar tudo.


Mas o telefone tem dia que não funciona, a luz toda hora tem sobrecarga, o muro não protege direito e o poodle da filha vive fugindo para a rua, o telhado continua com goteiras e se a garagem é grande demais para um só carro, por que gastar dinheiro reformando essa parte da casa, se a despensa anda vazia por conta de tanta despesa?


Começa então a insatisfação. Reclamações e fofocas aqui e ali, parece que o dinheiro nunca dá para nada. Já se foi uma fortuna comprando um vaso sanitário japonês que tem até secador e vento fresco, mas o chuveiro continua sem cair água direito.

Quando a família reclama, o patriarca diz apenas que um banheiro não fica pronto da noite para o dia. Se falam do muro, ele responde que alguns vizinhos nem muro têm. Se o problema é a piscina que nunca mais foi cheia, avisa que assim é ecologicamente correto. E por aí vai.

Um belo dia o chefe da família convoca todo mundo de novo: ele sabe que as coisas não estão andando como o esperado, mas precisa de um pouco mais de sacrifício para terminar tudo. Todo mundo vai precisar contribuir mais um pouquinho.

E todos pensam: já que estou na chuva, vamos comprar uma bicicleta (deveria ser um guarda-chuvas, mas o planejamento não é o forte deles, como dá para perceber)! Abrem mão da pipoca no cinema, do amaciante de roupas e passam a usar fio dental só dia sim, dia não.

O problema é que a sala está até agora sem piso, o cachorro sumiu depois que o muro desabou e a sogra caiu na piscina vazia e ficou entalada na lama que se formava no fundo (tudo bem, essa parte não foi de todo ruim).

E nada de parte alguma ficar pronta. Passa um tempo, e novo pedido de paciência e sacrifício e assim corre o tempo naquela casa muito engraçada, deitada em berço esplêndido.

Alguém consegue imaginar uma história dessas sem um divórcio, uma chacina, uma interdição judicial ou pelo menos uma briga daquelas que entraria para a história da vizinhança e apareceria em capa de tablóide no dia seguinte?

Pois é. Assim seria o governo administrando uma casa. Assim é como o Estado trata cada demanda do cidadão. Você quer algo? Pague. Não recebeu? Pague mais e torça para receber dessa vez.

Se não receber, tudo bem, continue pagando, senão ainda te chamam de sonegador.

Por isso eu digo: no Brasil toda sonegação de imposto deveria acabar em absolvição por legítima defesa.

O Leviatã desgovernado

Postado em 19 de jun de 2013 / Por Marcus Vinicius Nenhum comentário

O inglês Thomas Hobbes é conhecido como defensor de um Estado forte. Em sua obra mais famosa, “O Leviatã”, ele discorre sobre a necessidade de um contrato entre os homens que possa livrá-los de sua própria insociabilidade.
O Estado poderoso representado pela gigantesca criatura que é o “Leviatã” surge a partir deste contrato e existe, portanto, pelos cidadãos e para os cidadãos.
Exerce assim o papel de garantidor de liberdades individuais, para que cada um possa ter “o que é seu” sem a necessidade de permanecer numa eterna luta pela vida e pelos seus direitos mais básicos.
Este Estado não surge como um promotor de igualdade, distribuidor de riqueza, facilitador de fusões de grandes negócios, patrocinador de filhos de seus funcionários. É simplesmente um garantidor de direitos, da propriedade e aplicador do poder das leis, para que “ninguém possa tomar de outro aquilo que não é seu de direito”.
Por isso mesmo é que com um pouco de paciência, poderemos observar a presença de matizes liberais na obra de Hobbes, matizes estas que se tornam ainda mais interessantes quando as pensamos em relação ao que ocorre no Brasil.
Ora, um Estado demasiadamente inchado, corrupto, ineficiente, com grupos organizados lutando entre si pelo poder dentro dele, com um saque generalizado de recursos públicos que são desviados para o bem estar particular destes grupos em detrimento do país, pode facilmente ser enquadrado como um novo estado de natureza, agindo desta vez dentro dos limites do Estado.
Uma luta de lobo contra lobo, valendo sempre a lei do mais forte, do mais influente, de quem tem mais a oferecer dentro do “toma lá, dá cá”. A impunidade para bandidos de estimação, a sensação de que “está tudo dominado”, tudo isso não é uma faceta do estado de natureza, do vale tudo, ainda que sob um verniz institucional?
Eu respondo sem medo de errar: sim.
Uma democracia é feita por maiorias, mas não somente maiorias. Um parlamento que não legisla, que não mantém uma oposição ativa e altiva, que não tem representatividade moral, não pode fazer parte de uma democracia saudável.

A distribuição de cargos, verbas, vagas em estatais são fenômenos deste estado de natureza tropical brasileiro. Basta olharmos para os Estados Unidos e vermos se conseguimos achar algo próximo de um Mensalão por lá.
É tarefa impossível, porque sem um estado corrupto, inchado, lento, desordenado e desgovernado como o nosso, o fisiologismo e a luta do homem contra o homem é quase impossível. Só o subdesenvolvimento ou a regressão democrática podem levar um país a este tipo de degradação.
Hobbes dizia que a liberdade natural é um rio que as margens e barragens que delimitam este rio são as leis e a liberdade civil.
Assim como as leis são as margens que controlam o fluxo da liberdade individual, a liberdade individual deve funcionar como a comporta que controla o fluxo do exercício do poder.
Sem isto, perdem-se limites e o Estado deixa de existir para e pelos cidadãos, passando a ser um fim em si mesmo. Não funciona mais como mecanismo de controle deste fluxo de liberdades que energize a sociedade, mas como uma onda desgovernada que termina por submergi-la neste novo e destrutivo estado natural.
Assim é o Brasil, este Leviatã desgovernado.
 
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