Mandingas de ano novo

Postado em 31 de dez de 2009 / Por Marcus Vinicius 3 Comentários

Chega o dia 31 de Dezembro e como diziam os antigos "é batata": começam a aparecer reportagens e conversas sobre simpatias para fazer na virada do ano.

Todo mundo, inclua-se aí alguns ateus, querendo uma forcinha do sobrenatural para atravessar o ano seguinte com dinheiro no bolso e saúde pra dar e vender.

Tive uma namorada que a mãe começava a rezar mais ou menos umas 5 horas da tarde e só parava depois da meia noite, conheço outros que só comem alimentos da cor branca e outros ainda que acham que estourar 300 morteiros de 12 tiros por hora, incomodando os vizinhos e causando problemas auditivos em cachorros, gatos, periquitos e crianças trará sorte para ele no ano novo.

Acho que se o cara conseguir estourar essa morteirada toda sem se machucar, sem que chamem a polícia ou sem a esposa fazer uma resolução de final de ano para arrumar um "Ricardão", ele terá gasto toda a sua cota de sorte para o ano vindouro apenas nos primeiros minutos dele, mas vamos adiante.

Com o nosso horário de verão, o Brasil virou um país sui generis: soltamos fogos e desejamos felicidades uns aos outros na incrível e cabalística virada de 22:59 para 23:00 (no horário real).

Tirando essa peculiaridade, algumas figuras políticas e demais "famosos" do nosso país devem ter seu estoque de simpatias personalizado e adaptado, afinal, VIP que se preze não se mistura com o populacho nem na hora de fazer mandinga.

Jogam orquídeas no mar e comem manjar feito pela Roberta Sudbrack, mas como seriam as tentativas de curimba deles?

Vou ver se adivinho algumas destas simpatias a seguir:

José Sarney - Provavelmente o "aiatolá do Amapá" já afanou as 7 ondas ano passado, então esse ano ele jogará moedas ao alto e ficará esperando com um lançol aberto embaixo.

Petralhas em geral - Já sabendo da recomendação de uso de roupas íntimas novas na virada, os proto-bolivarianos do PT comprarão cuecas 2 ou 3 números acima dos seus normais, dessa forma esperam caber mais dólares dentro delas no ano que se inicia.

Xuxa - À meia-noite desejará "Rápí Nu Íar" para sua filha alfabetizada em inglês.

Madonna - Quem tem Jesus literalmente ao seu lado não precisa de simpatia alguma.

Preta Gil - Comerá lentilhas...o caldeirão inteiro.

Dado Dolabella - Dará 3 pulinhos à meia-noite...só que talvez em cima do pescoço de quem estiver namorando atualmente.

Isis Valverde, Carolina Dieckmann, Alinne Moraes, Susana Vieira e demais "famosos" noveleiros - Avisarão à imprensa, aos sites de fofocas e a alguns paparazzis selecionados que pretendem acender uma vela na praia, porém querem que tudo seja bem íntimo, discreto e sem exposição, como suas idas ao shopping, seus banhos de mar e suas estadias na Ilha de Caras.

Geisy Arruda - A "Loira da Uniban" colocará um vestidinho branco, transparente, curtíssimo e irá para um culto da Igreja Universal torcendo para "não" levar outra vaia que a leve novamente para dar entrevista ao Fantástico.

Lady Gaga - Comerá alguns cachos de uvas quando der meia-noite. Só fará isso porque cachos de uvas em Portugal se chamam "bagos". (Entenderam o trocadilho?)

Any Winehouse - Logicamente ela beberá 20 garrafas de champagne inteiras, afinal, está se desintoxicando pela milésima vez e precisa pegar leve.

Barack Obama - O presidente americano convencerá as "forças do além" que merece tudo o que desejar em 2010 sem fazer simpatia alguma, mais ou menos como ele conseguiu um Prêmio Nobel da Paz sem fazer p*! nenhuma para merecer isso.

Luciana Gimenez - Vocês acham mesmo que alguém que conseguiu em uma trepada rapidinha engravidar do vocalista dos Rolling Stones já não vendeu a alma faz tempo e dispensa essas ajudinhas menores?

Lula - À meia noite, subirá o degrau de uma escada. E ele tem certeza que esse tal de "deus" ficará abaixo dele a partir desse momento.

Brincadeiras à parte, este dia mexe com o imaginário de todos nós, mas acreditem: ele nada mais é do que a passagem de mais um final de mês, de mais uma quinta para uma sexta-feira, do sinal da chegada das nossas contas que vencerão a partir do dia 5.

O que nós fazemos todos os dias é o que realmente conta e não existe simpatia mais eficaz do que tentar simplesmente fazer o nosso melhor possível, um dia de cada vez.

Feliz Ano-Novo para todos nós!

(Agora este blog só retorna em 2010. Comemorem, encham a cara mas por favor: sem "chamar o Raul" nos pés de ninguém!)

Seremos robôs?

Postado em 30 de dez de 2009 / Por Marcus Vinicius 19 Comentários

Quem já me conhece sabe, mas pra quem não conhece muito permita-me começar este texto com meu segredo de Polichinelo: sou usuário do Twitter. Assim mesmo, com essa conotação de usuário de substância ilícita.

Adoro o vai-e-vem de informações que acontecem ali e posso dizer que o Twitter ajudou em vários aspectos da minha vida, inclusive me dando a motivação suficiente para começar este blog.

Só que passear pelo Twitter também proporciona aquele gosto amargo de deparar-se com a idiotice, a incipiência cultural, o espírito de gado da maioria das pessoas e, finalmente, a constatação de que quanto mais o tempo passa, mais a nossa assim chamada juventude vai ficando idiotizada.

Antes um serviço pouco acessado pelo grande público e mais restrito à "turma" da comunicação, o Twitter viu seu perfil mudar de "gente informada, descolada, acima da média" para o "povão, miguxo, pré-adolescente, jogo do add".

Sei que vão me chamar de chato, elitista, rabugento e, claro, "preconceituoooooso!", mas tudo bem, é um preço que pago por não me sujeitar à ditadura da estupidez. Para estes deixo o meu "dane-se" e só porque evito utilizar aqui os termos que utilizaria normalmente.

O maior medo dos early adopters do Twitter era que este virasse um Orkut. Particularmente não acho que o Orkut só tenha coisas ruins, mas compartilhei do medo de que os "joguinhos", "brincadeiras" e demais comportamentos repetitivos orkutianos acabassem tomando conta do site.

E foi o que ocorreu. Vou citar somente os que consiga lembrar, mas vamos lá: Buytter, Vampire Twitt, as infernais Quizzes e agora mais recentemente o tal do Formspringme (um site no qual as pessoas perguntam anonimamente e o dono do perfil responde).

Todas essas imbecilidades funcionam a partir de um pensamento básico: ajudar um cabeça oca incapaz de produzir qualquer conteúdo a rechear sua timeline (o espaço onde ficam as tuitadas da pessoa arquivadas para que os demais possam ler) de porcarias que dêem ao cérebro de vento a ilusão de que ele é "ativo".

Aí o cara passa o dia respondendo babaquices como "Onde ce vai passar a virada?R:passa ano novo acho q aqui msm" ou "Took the "Que personagem/famoso voce se parece?" quiz & got: Cristiane F!" e pensa que está arrebentando. Assim mesmo com essa grafia de "alto" nível.

Além disso, temos as campanhas imbecilóides do tipo "Vamos colocar a Lady Gaga/NX Zero/Meu Atual Idolo Emo-Gay nos Trending Topics!".

Pra quem não sabe os trending topics são os assuntos mais "populares" do Twitter e ficam expostos em sua página principal. Por alguma razão, os brasileiros acham que colocar um termo ali pela sua repetição enfadonha pura e simples (digo isso pra não chamar de flood ou spam) é uma "demonstração de força e importância".

Vai entender.

E assim o fato é que, infelizmente, 80% dos brasileiros que usam o Twitter podem ser muito bem resumidos pelo português idiótico que eles utilizam em pérolas como "só sigu qm eu conhesso" ou "o formspring ta temçoooo" e se eu tivesse que escolher uma imagem representativa desse pessoal, essa imagem seria a risadinha que eles vez por outra postam: KAOSKASOPKASOPKASOKAS.

Sim, esse amontoado de consoantes é uma risada. Imaginem a baba escorrendo da boca de um indivíduo enquanto ele ri dessa forma. Essa é a imagem desse pessoal.

O mais incrível de tudo é que esse é um comportamento quase padronizado, me fazendo até pensar que não são pessoas, mas algum tipo de andróide programado para agir o tempo inteiro como um misto de personagem do Chapolin com o filme Debi & Lóide.

Tem que rir mesmo, porque do contrário só chorando.

Camisetas: eu sou o que visto

Postado em 29 de dez de 2009 / Por Marcus Vinicius 8 Comentários

Faz tempo que compro camisetas pela internet. Seja no Camiseteria, RedBug, Sambaclub, Macashirts, LinuxMall e algum outro que tenha esquecido, não consigo resistir a uma estampa espirituosa, bonita, bem feita.

A profusão de modelos e desenhos assusta quem tem vontade de "possuir tudo" como é o meu caso e olha que nem estou falando das gringas tipo a Threadless, porque aí o universo aumenta ainda mais.

Compro-as quase por impulso: olho, gosto, faço o pedido. Mas nunca antes tinha parado para pensar no quanto nossas camisetas falam sobre nós. Sim, prepare-se leitor, lá vem filosofia de botequim.

Como adoro fotografia, as que contém imagens bonitas e bem impressas chamam logo a minha atenção,. Sejam reproduções e homenagens a pintores famosos até uma simples "escala de cinza" numa foto de estrela de Hollywood.

Também gosto de humor espirituoso, então qualquer uma que use do sarcasmo e da inteligência para ser "engraçada" também me ganha na hora. Tipo a minha "Vegetariano não praticante" ou "I´m not anti-social, i´m just not user friendly".

Nessa linha ainda tenho uma que adoro, a "Forum ANTI-Social Mundial" ou mesmo uma singela representação de uma pilastra de viaduto com a inscrição "Só Jesus expulsa os demônios das pessoas".

Se for contar todas, passo o dia aqui. Mas acho curioso que isso mude de pessoa pra pessoa, ainda que a moda tente padronizar nossos gostos. Tudo bem, "todo mundo gosta de camisetas engraçadinhas", mas o que é engraçado para um nem sempre é pra todo mundo, o que é ótimo.

Tem quem prefira as com imagens fofinhas e que passam a impressão de terem cheiro de chiclete. Tem as grosseiras demais, que só falam palavrões e mostram simplesmente a mão de alguém dando dedo, as ufanistas e, claro, as famigeradas camisetas com Che Guevara, que revelam muito mais sobre quem as usa do que o próprio usuário gostaria que os outros soubessem.

Lembrando das camisetas do Che, comprei uma com um macaco usando a indefectível boina revolucionária e a inscrição "Viva la Evolución!". Sei que a imagem e a frase podem ter vários significados, mas a minha intenção é dizer basicamente: MOVE ON!

Achei-a menos agressiva do que uma que é vendida numas das lojas patrocinadas pelos republicanos nos EUA, e que coloca uma caveira usando a mesma boina e a frase "Che is dead! Get over it!".

Agora, o que eu realmente não respeito é quem usa abadá de bloco baiano ou micareta como camiseta. Primeiro porque abadá não é roupa, é ingresso, e depois porque mau gosto musical se esconde ao invés de se divulgar.

Outra coisa que também é garantia de aumento das chances do cara passar a noite liso, sem "pegar" ninguém é sair pra night (balada, noitada, etc, etc,) usando camisa de time de futebol.

Sério, você pode achar que está arrebentando e "zuando" os rivais, mas só está dando uma de sem noção pensando que noitada é estádio, sem contar que aquele tecido fede depois que você sua 10 minutos nele e, dependendo da sua forma física, você acabará parecendo com o Kaká depois de um rodízio de pizzas.

Camisetas de bandas de rock são maneiras, eu mesmo tenho uma do Kiss em formado de bonecos de Playmobil e outras do My Bloody Valentine, Nightwish (aff), The Smiths e do Elvis, mas tipo, que tal não ir pra praia vestindo algo preto (e quente) ou pro casamento do primo usando uma estampa do Eddie do Iron Maiden? Bom senso também ajuda.

O bottomline disso tudo é: a camiseta que você usa pode dizer muito sobre você, só tome cuidado: pode ser que você não ache muito legal o que ela diga.

E-books: será que a história dos MP3s se repetirá?

Postado em 28 de dez de 2009 / Por Marcus Vinicius 10 Comentários

Fui surpreendido pela notícia que dizia que a Amazon vendeu mais livros no formato eletrônico do que em papel neste Natal de 2009. Posso dizer que já esperava que os títulos para o Kindle e demais leitores passassem os impressos algum dia, mas não tão rápido.

Isso me leva a pensar se, por acaso, acontecerá com os livros o mesmo que um dia ocorreu com os discos e CDs, espalhando-se na rede de forma incontrolável e ocasionando uma crise no setor editorial e livreiro tal qual ocorreu com as gravadoras.

É sabido por qualquer pessoa que goste de ler que livros não são necessariamente artigos baratos. Tirando um achado num sebo camarada, o normal é pagarmos em torno de 30 a 50 reais por um título recém-lançado, o que transforma o hábito da leitura em algo que deve ser previsto no orçamento, dependendo de quanto a pessoa ganhe por mês.

Minha dúvida é se ocorrerão "desbloqueios" dos leitores digitais, que possuem alguns mecanismos para bloquear livros piratas no e-papel ou mesmo a capacidade dos usuários de desenvolverem metodos para burlar a impossibilidade de "baixar" os livros, o que retira do leitor a "posse" dos mesmos e tranformando-o em "assinante" de conteúdo.

Todos estes mecanismos, aliás, foram desenvolvidos pelo pavor das editoras em ter o mesmo "fim" das gravadoras.

Mas porque? Porque nota-se desde já o desinteresse em baratear o custo. Não estou aqui dizendo que devemos fazer "reforma agrária" no lucro alheio, pelo contrário, acredito que somente a iniciativa privada e empresas que visam lucro são capazes de inovar tecnologicamente e prestar serviços cada vez melhores, mas a questão é a linha tênue entre buscar lucro e ser simplesmente leonino.

Não creio que somente preço baixo combata pirataria. Em outros países, com livros, CDs e DVDs a preços bem menores do que os praticados no Brasil ela ocorre da mesma forma, simplesmente pelo fato de que muita gente prefere não pagar por algo se puder obtê-lo de graça.

Mas nem todos são assim. Praticando-se preços competitivos (porém honestos), serão afastados da pirataria aqueles que só recorrem a ela pelo fator "custo" e talvez torne-se mais fácil combate-la.

Bloqueios, mecanismos que tentam impedi-la pela força ou simplesmente não levar em conta os interesses do consumidor nesta equação certamente não funcionam.

A indústria fonográfica está aí para provar isso.

Quem sou eu

Postado em 26 de dez de 2009 / Por Marcus Vinicius

Cansei de ver aquele "About me" completamente tosco no alto do blog e resolvi tomar vergonha na cara e escrever sobre o que vocês que me lêem podem ter vontade de saber. Bom, se não têm, azar, porque vou contar mesmo assim.

Primeiro de tudo, esse sou eu:

Nasci no Rio de Janeiro, num hospital chamado Sírio e Libanês, num quente dezembro da década de 70. O ano especificamente não contarei pra vocês nem sob tortura, tendo certeza que me agradecerei por isto depois que passar dos 50.

Passei toda a minha infância e adolescência morando no bairro carioca de Jacarepaguá (ou seja,já morei onde Judas esqueceu as meias, porque as botas ele deixou na Barra), onde estudei num colégio que, diferente dos atuais, não se limitou me "adestrar" para provas de múltipla escolha.

Tive aulas de artes plásticas, música, folclore, programa de saúde, modalidades olímpicas (curiosamente não virei cabeleireiro, estilista ou bailarino) e considerei durante muito tempo a minha escola como uma segunda casa (sabe como é, só lá tinha menininhas de saia curta pra ficar de olho a tarde toda).

Como o colégio só tinha turmas regulares até a 8ª Série, quando fui para o 1º ano do antigo Segundo Grau (sei lá como se chama isso hoje) me transferi para o Colégio Anglo Americano, na Barra da Tijuca, onde tive a primeira experiência em uma turma com mais de 50 alunos (no meu antigo colégio elas tinham, no máximo, 12) e dentre estes uns 47 playboys, que com o tempo viraram bons colegas.

Pulei de galho em galho no Segundo Grau (e também perdi a virgindade, com uma moça que fique bem claro) até resolver cursar Odontologia na faculdade. Mudei para Nova Friburgo, cidade onde morei durante todo o curso e me formei em Dezembro de 19...acharam que ía contar, é?

Exerci a profissão durante 4 anos e brincava que "tudo aquilo que eu devia, eu devia à Odontologia", até que enchi o saco de dentes, baba, gente reclamando o dia inteiro e céus vermelhos (os da boca), bafo de onça, etc e resolvi mudar o rumo da minha vida.

Fui trabalhar numa convertedora de carros para Gás Natural, depois fui vendedor de auto-peças (e humilhado sendo chamado de "mecânico" pelos desafetos em cada discussão, ao que respondia mandando-os enfiar uma chave de fenda no rabo, como a boa educação de um "mecânico" manda), até que geneticamente caí na agência de publicidade que trabalho hoje. Geneticamente porque tenho avô e mãe publicitários, apesar de que algum tempo depois minha mãe desvirtuou, uniu-se ao lado negro da força e formou-se em Direito.

Nesse tempo todo que contei aí em cima também pude fazer o que mais gosto na vida: viajar.

Fui duas vezes aos EUA (e aprendi que bom mesmo é capitalismo, de preferência o mais selvagem possível), conheci a Amazônia (e as amazonenses) e o Pantanal, fui para o paraíso de Fernando de Noronha, conheci João Pessoa e Natal, estive na minha querida, amada Argentina (a Meca das mulheres bonitas e da comida barata, sem trocadilhos) e não fui à Europa, coisa que ainda quero fazer (Conheci Portugal em Dezembro de 2011, o que só me deu mais vontade ainda de voltar ao Velho Continente) assim com uma viagem para Machu Pichu (essa viagem ainda estou me devendo).

Sou uma pessoa de gostos antagônicos. Quer ver? Adoro praia mas odeio calor. Gosto de frio mas chuva demais me irrita. Sou carioca mas torço pro Palmeiras. Detesto cheiro de cigarro mas curto cigarrilhas de chocolate e narguilé. Coleciono cachimbos mas mal os fumo. Adoro ter carro, o que para mim é uma necessidade, mas não gosto de dirigir por muito tempo. Sou carioca (de novo essa) mas tenho uma paixão avassaladora por São Paulo. Não gosto de tomar cafezinho mas sou tarado pela Starbucks. Adoro rock mas barulho me incomoda.

A única coisa que sempre preferi sob qualquer aspecto é mulher. Sempre preferi ter amigas mulheres, porque se não rolassem uns amassos com elas durante alguma crise de TPM com certeza elas me apresentavam suas amigas, o que é bem melhor do que estar cercado de valetes falando sobre futebol e dando arrotos na cara um do outro.

Tenho bronquite alérgica, sequela de uma colquelche que quase me matou aos 2 anos (azar de quem não gosta de mim) mas não sou maníaco por remédios, na verdade tenho pavor de ir a médicos.

Adoro chocolate e sorvete, gosto de comer no Mc Donald's e de refrigerantes (salada não leva a nada, quem gosta de capim é jegue), apesar de tentar me controlar senão o embarangamento me pega (e consequentemente eu não pego ninguém). Também sou tarado por tatuagens (tanto por fazer em mim quanto por pessoas tatuadas) e meu animal predileto é o gato.

Não tenho um tipo preferido de mulher, porque acho que todas elas trazem em si uma beleza particular (e isso não é conversa mole de quem quer comer todo mundo, eu acho isso mesmo, por mais que soe piegas...OK, esse papinho também ajuda bastante a conquistar as mulheres).

Sou um bom amigo, desses que se doam (com limites, afinal, se o mundo é gay, o meu c* é one way) e fazem tudo e talvez por isso seja tão exigente, a ponto de me sobrarem poucas (e boas) amizades ao final de tudo. Resumindo: não sou mulher de malandro e nem namorada do Dado Dolabella, então se você for f.d.p. comigo, saiba que terei prazer em ser f.d.p. três vezes mais com você.

A vingança é um prato que se come frio, mas é melhor ainda se esse prato for quebrado na testa do seu inimigo.

Gosto de escrever, bastante, mas confesso que se soubesse pintar ou fazer músicas talvez não escrevesse tanto. Também adoraria ser amante de aluguel, mas acho que minha namorada não ia gostar muito disso.

E sim, a grama do vizinho é sempre mais verde.

Detesto calor, funk, pagode, axé e atententes de telemarketing. Não aprecio nem um pouco sensos comuns e filosofia de novela. A tal "sabedoria popular" tem para mim o mesmo valor de uma nota de 3 reais.

Não curto coisas "de povão" (até mesmo porque quem gosta de pobreza é ONG) e não consigo fingir que sou simplório, mas gosto de gente, tanto que tenho o estranho hábito de puxar papo com as pessoas na rua (dizem que quando eu ficar velho conhecerei o bairro inteiro, o que é melhor do que distribuir balinhas em porta de colégio).

Hoje moro sozinho, acompanhado de trocentos livros, CDs, meu computador e todos os gadgets que meu dinheiro conseguiu comprar. Gosto de camisetas espirituosas e detesto usar calça comprida.

Se pudesse instalava um ar-condicionado central no mundo.

Adoro comidas diferentes e triviais e se for falar de todas fico aqui até amanhã. Me acompanhe no Twitter que pouco a pouco você vai saber de tudo. Só nunca me convide para comer camarão (sou alérgico) e nem bife de fígado (que detesto) e nem açaí (porque sou capaz de te mandar ir tomar no...você entendeu).

Tenho o sonho de ser pai, um bom pai, um pai que faça a diferença na vida dos meus filhos.

Comecei a escrever esse blog depois de ver que tem muita gente incompetente por aí espalhando porcarias pela internet e, principalmente, porque adoro interagir com quem me lê. Gosto das reações, das respostas, gosto de provocar e receber em troca essa sinergia diária (e de com um clique deletar comentários de metidos a esperto). Isso pra mim é mais do que terapia, é puro prazer.

Enfim, esse sou eu. Uma pessoa que não é rasa mas que também não tem a menor pretensão de ser um desses "densos" chatos e complicados. Quer me conquistar? Me chama de bonito!

Espero que esse "about" tenha ficado mais decente. Com o tempo vou ampliá-lo (que horror!), editá-lo, modificá-lo. Esse post estará em eterna construção.

(Update em 2011: depois de "velho" resolvi voltar pros bancos escolares e agora estou cursando Ciência Política na Unirio. Viram? O post está mesmo em eterna construção).

Um abraço!

Natal do Barulho

Postado em 24 de dez de 2009 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários

Estava lendo um site de notícias ontem e achei no blog da Patrícia Kogut uma declaração do Ney Latorraca que dizia: "Minha família é espanhola, o Natal sempre foi o momento de todos brigarem".

Primeiro achei engraçado, depois pensei comigo mesmo "não é que, mesmo sem ter família espanhola, esse cara acertou em cheio em relação a muita gente que eu conheço também?"

Chega a época do Natal e com ela um trânsito caótico.

Junto com o trânsito caótico os shoppings lotados, e os produtos em falta, e a TV te dando "idéias" sobre o que presentear, e algum repórter tem a idéia inovadora de ir aos Correios mostrar a quantidade de cartas que Papai Noel recebe, e os supermercados viram um caos, e todo mundo vira o José Roberto Arruda e sai por aí desfilando com panetones, enfim, sempre digo que apesar de gostar do dia de Natal especificamente por causa do seu significado, se eu pudesse viajaria pra uma ilha deserta no dia 1º de Dezembro e só retornaria dia 2 de Janeiro.

Esta é uma época que bem poderia ser filmada e colocada numa dessas comédias de Hollywood, tipo "Férias Frustradas", "Uma família do barulho", etc.

Todo mundo que trabalha enfrenta as confraternizações. São legais, tudo bem, mas aí tem o amigo oculto. Faz-se a tal brincadeira deixando que se escolha os presentes e ponha numa lista? Faz só comprando ítens com limite de preço? E se tirar o chefe? Ainda assim vai dar um porta-retratos de loja de 9,99?

Sem contar aqueles caras que estão de olho na menina o ano inteiro e esperam a festa de final de ano da firma pra encher a cara e tentar a sorte...o azar é quase certo.

Mas isso seria o de menos, se não tivesse também, tal qual o Ney Latorraca, as festas em família.

E quem reúne a família toda (e passei um bom período da minha vida, enquanto minha bisavó era viva, festejando Natal assim) vai entender o que eu falo.

Uma tia não vai muito com a cara da outra, sabe como é, mesmo depois dos 50 elas ainda lembram daquele baile de debutantes da época da Rádio Nacional em que uma derramou ponche no vestido da outra.

As duas fingem aquela convivência pacífica até começar o "Meu filho passou numa federal..." ao que a outra responde "Que máximo! Esse menino é brilhante! Mas não foi o 3º ou 4º vestibular que ele prestou?".

Quem não tem um tio que começa a tarde bebendo cerveja, passa ao vinho no jantar e termina a madrugada com um copinho de whisky, cantando músicas, contando piadas e meio que enchendo o saco de todo mundo? E a esposa dele? "Fulano, já chega, né?" e ele "Já chega porrrrrrrrque? Tô me diverrrrrtindo poorrraaaa".

E jamais poderia esquecer a cozinha! Peru, bacalhau, tender, carne assada, lombinho, bolinhos de bacalhau, acompanhamentos diversos, pudim, tortas, bolos, sorvete, doces variados, castanhas, nozes, avelãs, chocolates, panetones logicamente e aquela saladinha de fruta que é pra ninguém dizer que fugiu da dieta e poder colocar a culpa no dia seguinte, caso tenha alguma dor de estômago.

Junta todo mundo à mesa e começa o trabalho de processamento daquelas toneladas de comida, com alguma tia gorda dizendo que "no ano-novo começa uma dieta sem falta!" complementando com um "Me passa aquela empada de camarão com catupiry, por favor?!".

No final das contas, como em toda família, todo mundo se gosta, só que alguns pero no mucho.

Mas Natal também é isso, e no fim todo mundo extrai algum prazer dessa maluquice coletiva que somos praticamente obrigados a fazer parte por ocasião do nascimento de Jesus.

Sempre tem algo que nos alegra e faz rir, ainda que seja observar nossa mãe se vingando do horrível enfeite de mesa que ganhou no ano anterior presenteando a cunhada com uma cara (e horrenda) fruteira cintilante cheia de dragões chineses desenhados.

As crianças correm pra lá e pra cá na sua alegria e infindável energia, Papai Noel aparece e logo em seguida elas enlouquecem abrindo presentes, depois dormem.

Já com elas dormindo, a festa vai ficando mais lenta, até que sobra um caminhão de louça para alguém fazer desaparecer e algum bêbado perdido para se jogar uma coberta por cima.

No dia seguinte, todo mundo agradece em pensamento ao inventor do sal de frutas e começa a pensar "No reveillon vou de branco ou amarelo? É pra pular 7 ou 9 ondas?".

É isso aí. Feliz Natal, amigos. Um excelente Natal para todos vocês!

(Este Blog volta dia 28 de Dezembro, provavelmente já refeito da ressaca do Natal)

Mulher no volante, perigo constante

Postado em 23 de dez de 2009 / Por Marcus Vinicius 8 Comentários

Quem nunca pensou ou disse essa frase enquanto assistia à classica cena de duas damas ao volante, uma de frente pra outra, cedendo passagem? Elas insistem, algo do tipo "Pode ir!", "Não, vai você primeiro! Pode passar!" e quando resolvem tomar a decisão de aceitar a gentileza...aceitam ao mesmo tempo e aí é "Bum!Crash!Pow!" (e outras Onomatopéias a la filme antigo do Batman).

Piadinhas à parte, essa fama de "perigo ao volante" é bastante preconceituosa. Mulheres são, na minha opinião, muito mais prudentes e cordiais ao volante do que os homens. São mais tranquilas e envolvem-se em menos acidentes do que seus pais, irmãos, maridos, filhos, amigos.

Será que é por isso mesmo que não vemos tantas mulheres sendo campeãs em provas de automobilismo? Devido à sua excessiva prudência e cordialidade?

Nada disso! O ambiente é machista mesmo e ouvindo uma entrevista da Ana Beatriz Figueiredo, destaque brasileiro na Indy Lights, descobri que ainda nas corridas de Kart, os pais dos meninos diziam a eles que era uma "vergonha" perder para uma garota e por isso eles a jogavam para fora da pista.

Segundo ela, nos EUA a coisa é menos radical e eles até admiram as meninas que possuem a coragem de se aventurar no voltante de um carro de corridas. E elas são corajosas mesmo, porque eu não sei se teria estômago para arriscar manobras a mais de 200 km/h.

Mas não imagine "motoristas de carreta" entre elas. É uma mais bonita do que a outra, como Fernanda Parra (Pick Up Racing), a japinha Ana Lima (Motovelocidade) ou a "feiosa" Danica Patrick (Indy, que já chegou até a ser cogitada para a F1).

O fato é que desde as pioneiras como Hellé Nice, francesa que encantou a Europa em 1929, nunca chegando a vencer alguma corrida mas competindo em pé de igualdade e merecendo respeito dos demais pilotos, fez fama e nome sem jamais deixar de agir da maneira mais feminina possível (coisa que ela fazia questão) até os dias de hoje, as mulheres encantam toda vez que resolvem dar o ar de sua graça nas pistas de corrida.

Não faltam exemplos da qualidade do sexo ideal (porque pra mim jamais será "oposto") ao volante de um automóvel ou ao guidon (guidão?) de uma motocicleta.

Isso me leva a concluir que o maior "perigo" de uma mulher ao volante é que poderemos chegar a ter um "campeão mundial de F1" bem mais bonito que o queixudo Schumi ou o orelhudo Hamilton.

Só por favor: aceitem a gentileza da outra moça ao volante e passem à frente, de preferência uma de cada vez, e jamais digam um dia que "lugar de homem é pilotando fogão".

Maria Gasolina, Maria Chuteira, Maria Tatame e agora Maria Fuzil

Postado em 22 de dez de 2009 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários

Ontem li um post no Twitter que chamou minha atenção na hora, era um RT que o usuário @sobrecomum fez sobre uma notícia publicada no UOL que dá conta da atração, digamos assim, sexual que o crime produz sobre os jovens.

Dizia a reportagem que dentre tantos atrativos que o tráfico utiliza para atrair jovens para as suas fileiras, o poder de andar armado e a facilidade de conquistar mulheres estão em primeiro lugar, agora que o dinheiro que entra já não é tão bom quanto antes.

Sinceramente não duvido disso. Tem mulher que adora um "machão", que sente-se importante se o namorado for violento, brigão, quase um Chuck Norris misturado com Don Juan do baixo meretrício.

Um exemplo disso são as "Marias Tatame", que adoram um lutador não só pela forma física destes, mas também devido à atração pelo "poder" que um faixa preta tem nos punhos.

Essas meninas que curtem um traficante foram apelidadas até de "Maria Fuzil", o que não deixa de guardar certa semelhança com outras "Marias", como as "Tatame", as "Chuteira", as "Batalhão" e as mais populares de todas, as "Gasolina".

Na verdade, todas essas atrações resumem-se em "poder", da forma como cada um o enxerga.

Se para algumas mulheres o dinheiro, os carrões, as churrascadas, as multidões e a imprensa sempre atrás dos boleiros constituem-se em atrativos tão fortes quanto o exame de DNA que vai rolar mais à frente, para outras esta atração mora num carrão que faz manobras radicais, numa farda, na possibilidade de andar ao lado de um brutamontes que espanque qualquer um que olhe para a sua bunda e, porque não já que parâmetros decentes não são o forte desse pessoal, num sujeito armado de fuzil?

Claro que a tal Maria Fuzil é o fundo do poço, peça de estudo pra psiquiatras, mas o fundamento da sua atração é mais ou menos o mesmo das outras.

O conceito dessas mulheres passa longe de "quem é" a pessoa e concentra-se muito mais no "que ela tem" ou "possa oferecer" seja em bens palpáveis, seja em coisas subjetivas.

Tudo isso me leva também a pensar no outro lado, ou seja, em nós homens. O que fazemos por causa de mulher beira o ridículo.

Costumo dizer para um amigo que, caso não existissem mulheres, 99% dos homens andariam pela rua nus, sem um tostão no bolso, barba por fazer, cabeludos, largados, morando sob uma caixa de papelão, provavelmente grunhindo uns para os outros e ligando muito pouco pra isso.

Exageros da minha figura acima à parte, o fato é que se queremos estar bem fisicamente, com um corte de cabelo legal, cheirando bem, andando num carro mais ou menos aceitável, morando num apartamento transadinho, se nos educamos e caprichamos para sermos "bons de papo" e vamos querendo sempre mais é, basicamente, por causa de mulher.

Primeiro para "faturar" quantas forem possíveis, depois para conquistar "a mulher" e finalmente para manter um padrão de vida pra família.

Claro que nos damos bem com isso tudo no meio do caminho, afinal também aproveitamos aquilo que conseguimos, mas acreditem mocinhas: tudo começa por causa de vocês.

Talvez a segunda "mosquinha" que morde os homens, essa em menor quantidade, é a tal "mosca azul" do poder. Esse mesmo poder que atrai as Marias Fuzil, Tatames, etc, etc.

Ouvi certa vez de um empresário de Brasília que um deputado, senador ou outro político desses qualquer não permanece no jogo por causa de dinheiro apenas. Disse ele que certa hora o sujeito já tem fazenda, casa de praia, cobertura, carrões, às vezes até jatinho, mas que o "tesão" deles mesmo é a sensação de passar por uma rua mal-iluminada num dia, pegar o telefone, dizer que quer aquela rua iluminada logo, e passar ali dois ou três dias depois e ver homens trabalhando, postes sendo trocados, a luz finalmente chegando e tudo isso porque ele mandou.

É isso que mantém essa turma de Brasília "ligadona", dizem que vicia mais que cocaína, heroína e crack juntos.

No final das contas, é como dizia a música brega da Rosana: é "amor e poder".

Amor e poder, baby.

O que é Twitter? Pra que serve o Twitter? Quem é Twitter?

Postado em 21 de dez de 2009 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários

"Muitas pessoas buscam na internet informações sobre seu microcosmo. Elas querem saber por que está faltando luz ou a razão do barulho na vizinhança e esperam que alguém saiba e coloque na rede."

A frase acima não é de algum dono de serviço de auto-falantes ou rádio comunitária e muito menos do dono de algum serviço de peixe-delivery, só que enrolado no jornal do dia, é de um dos criadores do Twitter, Biz Stone, dita em uma entrevista à revista Veja.

Outro dia falei aqui sobre a fixação que temos por criar listas dos "melhores" de tudo, não sou muito fã destas definições por achá-las superficiais e subjetivas, mas não tenho dúvidas que 10 entre 10 internautas apontariam o Twitter como o destaque, o fenômeno, a última bolacha do pacote da internet mundial (até que inventem outro biscoito, é claro).

Conheço muito pouca gente que tenha passado o ano de 2009 sem ouvir as perguntas do título.

E comigo não foi diferente. Há pouco mais de um ano atrás conheci o Twitter mais ou menos como a maioria das pessoas: ouvi falar em algum lugar, entrei e logo em seguida fiquei imaginando pra que diabos aquilo servia.

E creio que o processo que se deu comigo foi igual com todo mundo, ou seja, eu fui descobrindo a minha maneira de utilizar o Twitter, seja para absorver informação quanto para divulgar conteúdo ou simplesmente conversar fiado.

Fiz amizades e conheci pessoas que jamais teria conhecido se não fosse pelo site de microblog, algumas pessoas parece que conheço há bem mais do que esse ano que passou desde que cheguei.

Até este blog aqui, aconteceu e é levado a sério em muito pela divulgação que o Twitter me permite realizar e a consequente interação que posso desfrutar diariamente com quem me lê. Posso dizer que por causa do Twitter eu me interessei pelo blog e acabei vindo parar aqui.

O micro me trouxe ao macro.

O Twitter também trouxe ao nosso cotidiano expressões que nem imaginávamos que fossem se tornar tão corriqueiras como "retweet", "trending topics", "Follow Friday", os tão bem falados por uns quanto esculhambados por outros "scripts" e nos ensinou a outrora tão complicada diferença entre "followers" e "followings".

Sem contar que nos associou definitivamente ao símbolo da arroba, transformando-a quase em nosso prenome digital.

Virei o @mvsmotta , que segue e é seguido por outras tantas "arrobas".

Mas tirando este aspecto de "estilo", quem sabe até de comportamento, a frase do criador do Twitter que abre este post resume bem o segredo do sucesso e o porque da loucura que o site causou no mundo todo, este globalizado planetinha que agora pode mobilizar-se em razão das eleições no Irã, de uma cantora feiosa na Inglaterra ou simplesmente para demonstrar sua cabeça oca e emplacar um "chupa" nos Trending Topics.

O Twitter tornou-se não só algo "legal" de se usar, mas também necessário.

As pessoas passaram a procurar nele notícias sobre seu país, sua cidade e até seu bairro. Ele, em sua imensa e esmagadora universalidade, contribuiu para que os seus usuários voltassem para o seu microcosmo, por mais paradoxal que possa parecer e, no fim, a globalização levada às últimas consequências que o Twitter trouxe nos remeteu de volta à paróquia, à vizinhança, ao aspecto mais minimalista do nosso dia a dia.

Um cafezinho num bar agradável virou notícia, uma compra ou uma pechincha virou assunto, a feirinha da esquina que tem lichias em promoção virou manchete.

Buscamos o Twitter para saber do trânsito, das ridículas blitzes da tal Operação Lei Seca, dos novos escândalos políticos, dos últimos micos das subs-pseudos-protos-celebridades-lixão, para saber o que houve quando toda nossa cidade apagou e terminamos por descobrir que o país inteiro estava às escuras.

Barack Obama foi enaltecido por usá-lo, depois confessou que outros usavam por ele, mas tudo bem, o Twitter é esse sucesso todo também por isso: trouxe as "estrelas", os "famosos" e os "VIPs" para a praça, para o "pé-de-igualdade" com o anônimo, o "transeunte", o "comum".

No Twitter todos tem voz, todos podem fazer sua voz reverberar, tanto para o bem, quanto para o mal (a Xuxa que o diga).

Ele passou a pautar jornais, televisões, "orkutizou-se" e se transformou numa forma de comunicação rápida, eficaz, democrática e necessária.

E isto me leva à outra frase de Biz Stone, dita na mesma entrevista: "Nosso serviço é aquele tipo de coisa de que ninguém sabia que precisava até começar a usá-lo" .

Quando diz isso, ele sabe muito bem do que fala.

Como sempre ter assunto para escrever num blog ou "emagreça dormindo, se exercite pensando"

Postado em 18 de dez de 2009 / Por Marcus Vinicius 17 Comentários

Não. Não tenho nenhuma dica mirabolante para dar. O dia que descobrir como se emagrece dormindo venderei a fórmula e não darei de graça no blog. :P

Mas como não falta por aí quem queira ensinar os outros a blogar, isso me leva a crer firmemente que ninguém tem de verdade uma solução eficaz.

Claro que organizar rankings, listas, publicar tutoriais e utilizar-se de métodos éticos ou não para alavancar visitas, comentários e tornar-se um guarda-chuvas de páraquedistas é uma forma de olhar o problema, mas não tenho a paciência, a tenacidade e a falta de vergonha necessárias para isso, então resolvi deixar passar tão "preciosas" dicas.

Algumas (poucas) pessoas me dizem que escrevo bem. Se descontar minha mãe e mais alguns que por razões sentimentais querem me agradar, acho que sobra uma dúzia ainda, então vou entender que não escrevo pessimamente e seguir adiante com esse texto.

Quando comecei com este blog, estabeleci para mim a tarefa de atualizá-lo diariamente, o que confesso não é fácil. Mas também tenho que dizer, até para não parecer que estou valorizando demais o que faço, que não é nenhum bicho de sete cabeças.

Sabe quando você está num elevador, ponto de ônibus ou fila do check-in e alguém puxa papo contigo (ou você puxa papo) e começa a falar do tempo, passa pela política, termina na sua cor preferida e no que você acha sobre o último chilique da Xuxa?

Pois é. Escrever um blog diariamente, ainda que a meritocracia-informal-relevante diga que não, é mais ou menos isso.

Claro que falar todo dia sobre o mesmo assunto cansa, mas com treino e exercitando a mente (e o estilo), dá pra ser feito.

Assim como exercícios regulares em uma academia de ginástica não começam com pesos de 100kg, ninguém começa escrevendo muito bem e nem aventurando-se demais por assuntos desconhecidos, mas com o tempo e a prática, a coisa vai ficando mais natural.

Você aprende que basta começar um assunto qualquer, como se fosse uma conversa (o que não deixa de ser, tenha você um ou 1 milhão de leitores) e desenvolvê-lo.

Neste exato momento é isso o que eu estou fazendo, por exemplo. ;)

Na minha opinião, pouco difere o método de um colunista de um grande jornal ou um blogueiro de renome, o segredo é disciplina e principalmente: ler muito mais do que se escreve.

A leitura te dará assunto, calibrará sua escrita e abrirá sua mente para coisas que você agora nem pode imaginar.

Óbvio que não sou nenhum marombeiro "de responsa" como a Cora Ronai, o Arthur Xexéo ou mesmo a Fernanda Lizardo, cada um com seu tema e estilo, mas também não sou nenhum fracote que não consegue levantar nem um pesinho de 1kg.

Um aspirante a cronista não pode ter pudor jamais de ousar, de explorar novos assuntos e também, como dizia o mestre Nelson Rodrigues, de ter um estoque de dois ou três personagens e assuntos chave para recorrer sempre que lhe falte inspiração.

De resto é treino. Não existe fórmula mágica e assim como não dá pra emagrecer dormindo, você muito menos conseguirá pensar sem se exercitar.

Comece já!

As listas de final de ano

Postado em 17 de dez de 2009 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários

Nós, seres humanos, somos fanáticos por listas. Adoramos classificar tudo e todos e criar assim divisões das sub-divisões das sub-sub-divisões.

Seja para enaltecer determinadas coisas, seja para depreciar outras, seja simplesmente para tentar de alguma forma parar o tempo e resgatar o que vimos e o que vivemos, estamos sempre por aí "rankeando" tudo, tal qual uma grande parte dos blogueiros adoram fazer todo o tempo.

E aí quando chega Dezembro a história é a mesma: os jornais, TVs e revistas viram a blogosfera e começam a fazer lista dos 10 isso, dos 20 aquilo, escolher os mais "importantes, bonitos, famosos, influentes(eles não usam o 'relevante')" do ano que está por terminar.

Nós que vivemos um final de século então pudemos assistir a uma versão-Itu desta prática na virada do XX para o XXI.

Só que eu não acredito nestas listas como parâmetro considerável, porque acho que qualquer coisa que não seja medida por uma competição direta torna-se subjetivo e, sendo assim, cada habitante do mundo tem direito de ter a sua e esta será tão válida quanto a do Barack Obama, por exemplo.

Vão falar da "relevância" de quem elabora a lista mas, sinceramente, eu não dou um tostão furado pra quem diga que a Ivete Sangalo foi a "tuiteira do ano", por exemplo, nem que esta pessoa seja o Papa.

Outra curiosidade é que a mesma "personalidade" pode figurar em várias listas diferentes, como o casalzinho Madonna e Jesus Luz. Esses dois podem entrar no topo de qualquer lista que vá de "10 casais formados por modelo-aspirante-a-qualquer-coisa e coroa desgovernada" até "malas do ano", passando por "Celebridades do apagão", "fechadores de restaurantes" e "10 mais das revistas de fofoca".

Outro que pode entrar num monte de listas é o Rodrigo Santoro. Seja na de "10 imãs de mulher" até a dos"5 atores latinos com pinta de guerrilheiro que fazem imperadores persas com pinta de gay".

Existem outras que me fazem admirar (ou não) quem as elabora, como uma lista das "Melhores bandas de axé" ou "Melhor participante de reality show", simplesmente porque é uma arte escolher os "melhores" em áreas aonde só existem piores.

Mas existem outras listas que, para mim, são incontestáveis, como por exemplo uma em que o iPod ocupe o posto de uma das "invenções do século" e outra que traga a Kate Perry na categoria das "Mulheres que deveriam ter nascido como bombons".

Já nosso país precisaria de um caderno completo, edição especial, em qualquer jornal caso desejasse listar os "Escândalos de corrupção do ano".

O fato é que essas listas ocupam espaços enormes em toda a "mídia", elegendo jogadores de futebol, atores e atrizes, cantores, bandas de rock, o artista EMO-cinha do ano, eventos marcantes e notícias que abalaram a sociedade, revivendo assim tudo o que se passou, relembrando coisas boas e ruins.

Só acho que essas listas perdem em popularidade para outras que são feitas geralmente entre o Natal e o Reveillon, que são as eternas "listas do que farei no Ano-Novo" e que ficam pelo caminho mais ou menos na hora de elaborar as "listas de lugares para ir no Carnaval".

E você? Tem alguma lista para me contar?

Brasileiro: feliz apesar dos problemas (Será?)

Postado em 16 de dez de 2009 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários

É senso comum que o povo brasileiro é "bom". Feliz e hospitaleiro a despeito de sua vida difícil.

Mas o brasileiro na verdade não é um povo "bonzinho" e nem cordial. Ele é um povo apático, torporoso, porém esquizofrênico.No geral tem uma vida difícil, recebe muito menos do que um profissional do mundo civilizado para exercer a mesma função e com mais cobrança, mora num país corrupto, com cidades violentas, imundas, poluídas, favelizadas, mas ainda assim faz micareta, carnaval e acha graça disso tudo.

Essa fama "bondade" é derivada desse torpor esquizofrênico, dessa apatia generalizada que não reage a nada e só demonstra mobilização para o escraxo.E como toda gente apática, que não luta por seus direitos e vive engolindo tudo, vendo os ladrões que o assaltam e dificultam sua vida em Brasília e nos demais palácios do país vivendo como nababos, tornam-se rancorosos.

Mas um rancor camuflado, escondido, afinal, aqui quem reclama é "amargo", "anti-patriota" e daí isso é canalizado para a desonestidade menor, como não devolver troco dado errado, ser agressivo no transito, deixar o cachorro cagar na porta do vizinho, "achar" coisas e não procurar seu dono, comprar artigos piratas, falsificar carteiras de estudante, enfim, tudo que faz parte desse "show" cotidiano brasileiro.

Faz-se fofoca da vida alheia, fala-se do filho do vizinho como se o nosso fosse perfeito, daí a preferência e o vício generalizado em reality shows e novelas: adora-se viver a vida alheia aqui e, como diz o ditado, olha-se muito pouco para o "próprio rabo".

Existem exceções, é claro. Desonestidade e ignorância não são patrimônios nacionais e nem a tal malandragem do "jeitinho brasileiro". Mas é fato que essas exceções são, tautologicamente, minoritárias.

Geralmente quando não somos afetados por um, a desonestidade, é a ignorância que nos "pega" logo ali adiante.

E mais triste ainda é que nem todo mundo tenha essa noção e o país assim vai caminhando na mesma ladeira, de forma descendente desde praticamente quando surgiu, esquecendo escândalos, desvios, problemas e parando uma vez por ano, durante quatro dias, para comemorar sabe-se lá o que.

"Entregue sua arma e torne-se um escravo"

Postado em 15 de dez de 2009 / Por Marcus Vinicius 9 Comentários

Era um domingo à noite num engarrafamento de volta de feriado. Eu estava no carro com um casal de tios e outras crianças, voltando de uns dias na praia.

À nossa frente ia um carro com uns 3 ou 4 rapazes, que estavam agitados ouvindo som alto e fazendo algazarra. Num dado momento um desses rapazes, o que estava ao volante, resolveu encrencar com o farol do carro do meu tio.

Começou a gritar, a xingar palavrões, saltou, gesticulou dizendo que "era melhor ele abaixar aquele farol", que não estava alto, aliás.

O trânsito andou e ele teve que voltar para o carro, mas assim que voltou a parar, recomeçou com sua sinfonia de insultos, dizendo algo como "cara, desliga isso senão eu vou aí te pegar".

Meu tio sacou um revólver calibre 38 do compartimento lateral da porta do carro e disse para desespero da minha tia ao lado "se esse cara saltar do carro de novo eu vou meter um tiro nele".

Por sorte o trânsito voltou a andar, o babaquara do carro à frente desistiu de bancar o machão para os amigos e nenhuma tragédia aconteceu.

Uma outra vez eu estava em casa, ainda criança também. Morava em Jacarepaguá, num loteamento de casas que havia sido construído e inaugurado há muito pouco tempo. Logicamente existiam ainda muitas casas vazias esperando seus donos mudarem e isso fazia do local um alvo em potencial para assaltantes.

Eles sabiam do pouco movimento, de algumas ruas ainda de barro e do reduzido número de moradores.

Ainda não era tempo de celular e da telefonia universalizada, sendo assim nem todo mundo tinha telefone em casa, o que facilitava mais ainda para eles, já que as pessoas às vezes não podiam nem chamar a polícia.

Nesse dia dois homens tentaram pular o muro da minha casa, os cachorros latiam mas não seriam páreo por muito tempo. Meu pai olhou pela janela, viu a cena, foi no armário, destrancou um revólver que guardava numa caixa e deu dois tiro para o alto.

Os ladrões acharam melhor ir embora, já que a presa ali não era tão fácil.

Estas duas cenas acima são verdadeiras, aconteceram mesmo comigo e nunca mais saíram da minha memória. Elas são o motivo para a minha confessadamente ambígua posição em relação ao direito do cidadão portar armas de fogo.

Costumo dizer que na atual sociedade, não existe quase respeito entre as pessoas, o que existe é o medo. Medo do outro estar armado, medo de ser preso, medo da pessoa dar uma "carteirada", de ser lutador de alguma arte-marcial e aplicar uma surra, enfim, é raro o respeito pelo simples fato do outro ser um humano assim como nós.

Mas voltando ao assunto, eu disse que minha posição é ambígua, e é.

No plebiscito do desarmamento, eu votei no "não". Isso mesmo, eu não sou a favor que se proíba o porte de armas para o cidadão.

Primeiro porque hoje em dia um porte de arma é algo dificílimo de conseguir e depois porque já é proibido roubar, vender cocaína, maconha, sequestrar, etc,etc e nem por isso os bandidos deixam de fazê-lo. Não seria uma lei draconiana e que só atingiria na prática um cidadão que está dentro da lei, que iria diminuir a violência que domina nossas cidades.

Por isso me sentia um alienígena no início daquela campanha, quando ia de metrô trabalhar usando um button do "não" na minha camisa e encarava olhares que praticamente diziam "gorila!".

Depois, o senso veio à maioria e a campanha midiática-espetaculosa do "sim" levou uma bela surra naquele plebiscito que suscitou paixões e exageros.

O título deste texto inclusive foi tirado de uma camiseta da época.

Mas a ambiguidade vem do fato de que mesmo votando "não" ao desarmamento, eu opte por não ter uma arma própria.

Penso que esse recurso é útil para defender uma casa e uma família que estariam indefesos de outra forma, como foi o caso da minha casa em Jacarepaguá. Mas é extremamente danoso no caso de uma "cabeça quente", como foi com o meu tio no engarrafamento.

Moro num prédio, tenho telefone fixo e celular, internet, moro numa rua bastante populosa, ou seja, não preciso de nenhuma arma como "defesa". Dessa forma, ela sobraria só como um "perigo", no caso de uma confusão qualquer.

Acho que para ter uma arma, a pessoa tem que ter em mente antes de tudo que ela é potencialmente mais danosa a si do que aos outros. Um erro de cálculo, uma bobagem fora de hora, um desvio mal feito e ela atrapalhará duas vidas: a da outra pessoa e a sua, que ficará prejudicada de forma inequívoca.

Mas se você mora numa casa, num local distante de onde a polícia pode chegar rápido e tem em mente que a arma é para defender a sua família e você mesmo e não para estragar as suas vidas, você tem não só o direito, mas a obrigação de mantê-la sempre perto, lembrando que ela não te transforma em super-herói e que às vezes sai mais barato entregar bens materiais do que arriscar sua vida para defender coisas que o dinheiro pode comprar novamente.

Como você pode perceber, é uma questão de equilíbrio, de ponderação e de estabelecer bem o limite até onde uma arma pode ajudar ou atrapalhar.

Mas é uma decisão que deve passar ao largo de uma intervenção autoritária do estado, a quem cabe somente punir excessos e garantir antes de tudo que o cidadão não tenha necessidade de defender-se, porque este o defenderá antes.

Mochilão pelo mundo

Postado em 14 de dez de 2009 / Por Marcus Vinicius 8 Comentários

Difícil conhecer alguém que nunca olhou pela janela do seu escritório durante um dia de trabalho e se imaginou num avião indo pra bem longe, conhecer lugares novos.

O tédio do dia a dia é um combustível a mais para a paixão de quem, assim como eu, é louco por viajar.

Costumo dizer pra todo mundo que se ganho na Mega Sena, Loteria Esportiva, Raspadinha ou seja lá o que for uma bolada, não compraria iates, casas, jóias, nada disso. Simplesmente passaria a vida viajando, só parando de vez em quando em alguma base que eu estabelecesse para recarregar baterias, antes de partir novamente.

Bancos, financeiras, o Fisco, o governo, etc, podem tomar uma boa parte do nosso dinheiro, podem confiscar propriedades, carros, mas nunca podem roubar memórias e sensações que tivemos.

Sentar num café observando as pessoas indo e vindo, preocupadas, enquanto você está ali na maior tranquilidade, não tem preço. Mergulhar num mar azul, límpido, refrescando-se no meio da tarde de um dia útil, enquanto todos os outros estão fazendo coisas diferentes e bem menos prazeirosas também.

Sempre que volto de alguma viagem fico com o pensamento fixo de que adoraria "mudar para lá" e ainda bem que no final das contas não mudo, porque isso na verdade somente estragaria a magia que o lugar exerceu sobre mim.

Um viajante "paira" por sobre a cidade que visita.

Ele até encontra e enfrenta muitos dos seus problemas, mas o caráter de lazer da sua estadia e o pouco tempo que tem para ver tudo, fazem com que não mergulhe realmente no cotidiano e, por fim, extraia somente o que viu de melhor, enxergando coisas que, às vezes, nem os próprios moradores conseguem perceber.

Por isso é tão bom rodar quantas cidades e locais forem possíveis durante a nossa vida. Não interessa se de primeira classe, de classe econômica ou pegando carona. Não faz diferença se numa suíte de um hotel 5 estrelas ou fazendo um mochilão por aí, viajar é um luxo por si só e dispensa penduricalhos.

Tanto acho isso que sou um viajante meio sui generis e enquanto a maioria adora comprar, trazer souvenirs, camisetas, sacolas e mais sacolas, eu passo todo o tempo sorvendo cada sabor, cheiro, cada minuto que eu possa viver o local em que estou e também fotografando o óbvio e o nem tão óbvio assim.

Viajar é crescer interiormente, é dar asas ao sonho, à curiosidade e ao que existe de melhor na natureza humana. Já perceberam como praticamente todo turista está vários níveis de felicidade acima dos demais "mortais"?

Por isso falo que mais do que casas, carros, bens, quem investe em rodar o mundo de cabeça aberta e com disposição para conhecer e viver tudo o que vier pela frente é o verdadeiro rico.

Na minha opinião, não existe investimento melhor.

Monogamia é anti-natural?

Postado em 11 de dez de 2009 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários

Quem nunca ouviu essa explicação cafa, meio que comparando nós, humanos, a matilhas de cães e cadelas no cio?

Mas o número elevado de gente que não consegue permanecer muito tempo sem pular a cerca me faz pensar no assunto. Será que o bicho homem é geneticamente preparado para não colocar enfeites na testa do companheiro?

Não sei. Pelo que vejo por aí, parece ser tarefa hercúlea manter intocada a fronte do par. Nem de longe quero defender o "ninguém é de ninguém, todo mundo é de todo mundo", não acho que institucionalizar algo torna-o melhor, mas penso ser este um caso para reflexão.

Conhece aquela frase "as santinhas são as piores"? Pois é, daí a gente fica sem saber se é melhor uma "santinha" que na verdade seria uma Silvia Saint em potencial, o celibato ou nos resignar que em algum momento um alce poderá nos cumprimentar na rua pensando que somos seu primo.

Mas falando sério, antigamente traía-se tanto quanto hoje em dia, a diferença é que a repressão e a hipocrisia eram avassaladoras. Ouço histórias do tempo dos meus avós que fariam os "swingers" de hoje sentirem-se coroinhas de igreja.

Por falar em swing, essa é uma modalidade interessante, se pensarmos em tudo o que pode dar errado, ao invés só do que pode dar certo. O sujeito pega a esposa e vai pra lá com a idéia fixa de "variar" e todo feliz porque vai pegar a mulher de outro. Só que esquece que alguém também pegará a dele.

Quando descobre deve dar uma sensação de quem comprou um HiPhone ao invés de um iPhone...

Ou a Senhora, mãe, esposa, que fica só pensando no garanhão de 20 e poucos que vai poder desfrutar e só lembra que o vento também sopra pro outro lado quando o maridão já está em cima da loirona que eles viram na entrada. Sei lá, o pessoal que frequenta o meio tem a maior cabeça aberta, mas duvido que nunca role uma crise com um ou outro.

Aliás, penso que tanta "cabeça aberta" não deixa de ser uma forma de exagero, dependendo do ângulo que olharmos. Antes, era o ciúme, "o que é meu é meu", o conservadorismo extremo.

Hoje é o "viva e deixe viver" levado às últimas consequências, todo mundo prefere ficar, prefere fazer rodízio de parceiros freneticamente, até sentir uma pontinha de ciúme é condenável.

É a liberdade levada ao limite da repressão.

Parece que nossa dificuldade de realmente deixar levar nos faz procurar sempre manter o controle da situação, caindo nos excessos.

Traição vai existir sempre, nada impede também que nos apaixonemos por alguém no curso de uma relação, são riscos, mas prender demais ou soltar demais simplesmente vai da obsessão à negligência sem parar no meio do caminho, que fica mais ou menos aonde mora o equilíbrio e o respeito.

A monogamia não é anti-natural e nem a poligamia (apesar de ser ilegal), a pessoa só precisa definir qual é a sua onda de fato e não reclamar dos eventuais "caldos" que levar dela.

O Natal sem Jesus Cristo

Postado em 10 de dez de 2009 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários

Parece meio apelativo o título, né? Mas se você tiver paciência e me esperar contar o porque dele, garanto que vai entender.

Longe de mim ser ou parecer carola ou conservador, nada disso, muito pelo contrário, mas sempre que Dezembro chega, esse pensamento me assalta: o estabelecimento, ano a ano, de um Natal em que Jesus Cristo passa a ser só um detalhe.

Parece clichê falar aqui que todo mundo se preocupa mais em comprar, servir ceias no dia 24 que mais parecem banquetes de Trimalcião e se embebedar, do que em fazer qualquer tipo de reavaliação íntima sobre tudo que se passou durante aquele ano, mas isso é uma verdade.

O Natal atualmente remete mais à imagem de senhoras se acotovelando em Shopping Centers cheias de sacolas de compras e homens sacando o cartão de crédito, para compensar com presentes toda a ausência presencial durante o ano, do que uma simples celebração familiar.

Não estou aqui falando que as pessoas devem ir procurar padres, confessionários ou mesmo ir pra Missa do Galo, acho que essa conotação estritamente religiosa não é obrigatória, ainda que esta seja uma festa religiosa.

Os usos e costumes fizeram toda (ou quase toda) a nossa sociedade ocidental incorporar o Natal às suas festividades e dessa forma a festa se "democratizou", universalizando-se e "pegando" todos.

Montam presépios e decoram as casas mais como "enfeites" e "costume" do que por valorizar o significado real de tudo aquilo. É como acender aquelas velinhas do Chanuká só porque é "bonitinho", mas tudo bem, não acho que isso seja um pecado mortal.

Mas não é porque a pessoa não vai passar a noite rezando o Pai Nosso à beira do presépio, que devemos transformar o feriado em uma data tão impessoal a ponto de negarmos até mesmo a sua origem.

Esse ano recebi um pedido para elaborar um cartão de final de ano de uma empresa. Tudo bem, adoro criar, adoro escrever e faço isso com certa facilidade. Só que tinha um detalhe: o cartão de Natal não poderia mencionar o Natal, porque poderia "ofender" quem fosse de outra religião que não o cristianismo ou ainda quem fosse ateu.

Noto esse tipo de comportamento, ainda que tênue, por aí afora: as festividades de final de ano tendem a ser "ecumênicas" atualmente.

É mais ou menos como fazer uma festa de aniversário pra alguém, mas não chamar o aniversariante porque pode ser que pessoas que "não gostem muito dele" estejam presentes.

Está aí explicado o Natal sem Jesus Cristo.

Como disse anteriormente, não é preciso fazer uma festa carola e nem alijar os "não-cristãos" da mesma, já que ela é uma festa ocidental e muito popular, mas fica a dica e, quem sabe, o pedido: que tal não alijarmos também quem é cristão dela?

Faça você mesmo

Postado em 9 de dez de 2009 / Por Marcus Vinicius 2 Comentários

Se fosse tão fácil, provavelmente você também já teria feito.

Quantas vezes nós já não tivemos esse pensamento, não é? Eu pelo menos vivo tendo.

O sujeito senta na sala de casa e fica olhando pro ventilador de teto pensando "colocar isso aí é mole". Até o dia que resolve tentar colocar um no escritório e descobre que, de perto, a montanha é mais alta do que parece.

Dizem que todo brasileiro é um técnico de futebol, mas eu acho que isso é mentira. Todo brasileiro é técnico de futebol, médico, pedreiro, eletricista, mecânico, engenheiro, economista, dentista, advogado e mais o que você puder imaginar. Todo mundo tem um palpite "infalível" pra dar sobre tudo e, no fim, não sabe de quase nada.

Atire a primeira pedra quem nunca perguntou pro balconista da farmácia qual o "remedinho infalível" ele recomenda pra sua unha encravada.

Eis uma cena clássica: o carro dá uma rateada, sai uma fumacinha do motor e o "MacGyver" de ocasião sai do carro de peito estufado, achando que sabe mais do que mecânico da Ferrari.

Abre o capô, e aí nesse momento lembra que todas aquelas engrenagens, borrachas, mangueiras, fios, ligações, etc, ainda não foram devidamente apresentadas a ele e que são "só um pouquinho" diferentes das correias de bicicleta que ele colocava no lugar quando era criança.

Quem possui seguro e pode chamar o mecânico/guincho, perfeito. Quem não tem, senta e chora.

É mais ou menos quando a faxineira do escritório falta e a gente descobre que o lixo das salas não vai pro caminhão sozinho e que o banheiro não é auto-limpante.

Existe sempre um trabalho sujo e alguém precisa fazê-lo, mas de preferência que esse alguém não seja a gente.

Daí essa nossa mania de palpitar em tudo, desde que não tenha que colocar a mão na massa pra fazer nada, o que às vezes é até bom e evita curtos-circuitos e desmoronamentos, tipo aquela churrasqueira que o seu tio jurou que sabia construir melhor do que o "pedreiro ladrão que cobrou os olhos da cara" e que terminou soterrando picanhas, lingüiças e coxas de frango quando resolveu cair em cima do churrasco, lembrando ao seu tio que "cimento também se usa em churrasqueira".

A moral disso tudo é aquela história do técnico em informática que foi resolver um problemaço na empresa de um milionário que estava com um potente computador encostado e ninguém descobria qual era o problema.

O técnico vira pra ele e diz: "eu sei qual o problema, é preciso apertar um parafuso que está solto, o conserto custa R$1.000,00". E o empresário "Mas mil reais para apertar um parafuso? Isso é um absurdo! Isso é um roubo! Até eu sei apertar um parafuso e não cobraria mais de 10 reais!".

E o rapaz responde "Eu também cobro só 10 reais para apertar o parafuso, mas cobro R$990,00 pra dizer ao Senhor qual parafuso deve apertar".

Sampa

Postado em 7 de dez de 2009 / Por Marcus Vinicius 21 Comentários

Voltei à rotina.

Depois de alguns dias passeando na tal "Terra da Garoa", volto à "Cidade Maravilhosa" com uma constatação: pode fazer um sol danado em São Paulo e o Rio continua bonito, mas longe de ser maravilhoso.

Temos aqui engarrafamentos proporcionalmente tão monstruosos quanto.

Mas não é esse o assunto, hoje quero falar sobre a cidade em que não nasci, mas pela qual me apaixono mais e mais a cada visita.

São Paulo não é para pessoas rasas, isso é fato.

Apreciá-la requer um olhar que transponha a sua grandeza, o seu caos, a sua multidão de rostos indo e vindo e penetre nas suas nuances. Causa espanto para quem tem a sorte de possuir este olhar como esta cidade grandiloquente em tudo pode ser tão intimista, detalhista, minimalista.

Cafés, sorveterias, livrarias, recantos, um simples banco no Parque Trianon e a refrescante sombra de suas árvores, as esquinas, as pequenas galerias, os achados.

Seu mapa sinuoso é um mapa do tesouro, de vários tesouros, basta que se procure.

Sabores, cores, histórias e recantos de uma cidade que, para quem assim como eu aprecia sensações, é um dos melhores lugares do mundo.

Pude rever a sua Rua Augusta, que tão paulistana como é, não se contenta em ser "normal" e dependendo do referencial, tem duas subidas e duas descidas.

Cada uma guardando tesouros, como uma pequena loja que vende lindos e deliciosos cupcakes, a Sotto Zero e seus sorvetes ali há tanto tempo, a Galeria Ouro Fino e seus doidões de butique, as Alamedas e a Oscar Freire, que possuem quase todos os prazeres que o dinheiro pode comprar.

Para os demais prazeres, basta ir "pro outro lado", com seus bares, casas noturnas, puteiros e teatros. De um lado, a Estados Unidos e na outra ponta a praça Roosevelt, no meio disso tudo, o mundo. Nada poderia ser mais perfeito para definir uma rua.

São tantos assuntos, que acho que voltarei a falar sobre a cidade algumas vezes aqui, porque ela não merece um texto, uma crônica, uma poesia e nem um livro, essa cidade merece uma enciclopédia dedicada só a ela.

Fazia tempo que não visitava São Paulo, mas pude lembrar bem porque gosto tanto dessa terra. Ela desperta paixões porque possui um pouco de todos nós, um pouco do que trazemos dentro de nós, a beleza, a feiúra, a doçura, a violência, o caos e a paz.

São Paulo é um pouco da vida, cada curva revela uma surpresa e cada retorno ou cruzamento que viramos, pode revelar coisas muito belas ou muito feias, mas todas extremamente verdadeiras.

Problemas, todos os tem, não seria diferente por lá.

Mas poucos lugares no planeta possuem tantos antídotos para os males da rotina quanto o antigo Povoamento do Pátio do Colégio, essa minha querida São Paulo de Piratininga, que um dia ainda me concederá intimidade suficiente para chamá-la simplesmente de "Sampa".

A política brasileira cansa mais do que maratona

Postado em 4 de dez de 2009 / Por Marcus Vinicius 1 Comentário

As pessoas estão se cansando dos políticos.

Não de um especificamete ou de um partido, mas de todos. Também pudera, só masoquista ainda acompanha o que se passa em Brasília sem passar raiva ou enjoo.

Mas não sejamos preconceituosos! Brasília é somente o epicentro deste terremoto de descaso e desvio da tal "coisa pública". Na verdade, essa coisa é particular demais, restrita a um grupo que usa e abusa dos recursos do país. Se fosse menos "coisa" e mais "pública", não teríamos tantos problemas.

É uma verdadeira chuva de termos, prevaricação, malversação, descaminho, formação de quadrilha, propinas e o meu termo preferido: peculato.

Convenhamos, mesmo sem saber o significado desta estranhíssima palavra, basta pensar na figura de um deputado, um senador ou qualquer membro do executivo nas três esferas que o termo "peculato" fica bem posto ali, sobre as cabeças das "excelências".

É uma palavra de fealdade digna da política brasileira.

Não digo que todos sejam ladrões, afinal nem eles teriam como chegar a esta perfeição. Mas a razão desta apatia e desinteresse geral em relação aos políticos, erroneamente creditada à preguiça de se informar, é mais relativa ao cenário político do país atualmente ser, como dizia o deputado federal pernambucano Agamenon Magalhães, uma "floresta de pau seco" do que a qualquer outro fator mais complexo.

Mas cansa. A política praticada no Brasil, com seus partidos de aluguel, seu clientelismo, o cinismo dos que fingem se preocupar com o país quando se preocupam no máximo com seus bolsos é um teste diário para a paciência, para o estômago e para qualquer um que não queira perder totalmente a esperança de um dia ser menos roubado pelos que se apoleiram no poder.

Temos uma classe política indigna, não somente porque lhes falte moral, mas porque a maioria ali não tem nem o mínimo estofo intelectual. A única coisa que todos tem de sobra é esperteza, no pior sentido que este termo pode ter.

Mas as qualidades individuais são as piores possíveis, afinal, vejamos: temos os preguiçosos, os inaptos, os medíocres, os provincianos e dentre todos estes grupos temos os ladrões e os honestos.

Parece-me muito pouco para suscitar qualquer esperança ou respeito em relação à classe a que pertencem.

Favela é problema e nunca será solução

Postado em 3 de dez de 2009 / Por Marcus Vinicius 2 Comentários

Já em 1930 o arquiteto francês Alfred Agache reclamou da burocracia urbana do Rio de Janeiro, que levava o operário pobre a erguer choupanas junto aos sem-teto. As favelas, mais ou menos no mesmo período, foram muito bem definidas como um flagelo, a lepra da estética.

Infelizmente nos dias de hoje, já no século XXI, cá estou eu ainda falando deste assunto e para dar uma triste notícia aos que viveram naquela época, estejam onde estiverem: a lepra se alastrou e como remédio, o máximo que a cidade conseguiu produzir foi passar maquiagem por cima dela.

Virou moda governante dar certificado de propriedade à ocupação ilegal de favelas. Muitas até mesmo acima da tal cota 100. Gastam-se milhões com um PAC das Favelas que, a rigor, fará maquiagem nas invasões e distribuirá títulos de propriedade, perpetuando o problema e delegando às futuras gerações essas cidades feias que vemos por todos os lados.

Ao invés de remover este cancro dos morros e dos bairros populosos, adotam este paliativo ridículo de urbanizar, o tal "favela-bairro". Populismo barato e covardia de governantes que não querem se indispor com a baderna generalizada somente para não terem custos políticos.

Alegam que como aqueles amontoados de barracos estão ali há vários anos, a favela é fato consumado e é "direito" de quem mora ali assim permanecer.

São agressões para a estética e o meio-ambiente e encubadoras do crime, porque aquele ambiente claustrofóbico e caótico é ideal para servir de esconderijo para marginais que acabam ganhando um ponto elevado e privilegiado para defender suas empresas do crime.

Aliás, permanecerem nas encostas é somente mais uma das excrescências deste fenômeno das favelas, já que na maioria das cidades do mundo as encostas são terrenos valorizados enquanto que por aqui são tomados por invasões que destróem a natureza e a estética das cidades.

É claro que 100% dos moradores de favelas não são "bandidos"como os coitadistas adoram falar, generalizando e tentando colocar quem critica esse monumento ao horror do caos urbano e do estupro urbanístico na defensiva, mas não é esse o ponto, o ponto é que partindo do princípio da organização das cidades e da qualidade de vida do cidadão, contribuinte que paga impostos e sustenta direta ou indiretamente grande parte dos moradores das favelas com seus gatos de luz, TV a cabo, furto de água e assistem à desvalorização dos bairros onde moram, a favela é um crime primário, originário de todos os outros, quase um "pecado original".

Deixar ocupar uma área, permitir impassível a sua favelização e depois "legalizá-la" é a cultura do jeitinho, do arranjo, é o mesmo que o cara estuprar uma mulher todo dia e num dado momento o estado resolver casá-la com o estuprador, afinal, o estupro já é "fato consumado"mesmo e este é o remédio mais fácil.

A favelização é um estupro da cidade enquanto ambiente coletivo, a lepra urbanística e até aqui nosso remédio tem sido casar a vítima com o estuprador e passar pó compacto nas feridas.

Geisy Arruda no BBB

Postado em 1 de dez de 2009 / Por Marcus Vinicius 7 Comentários

Estapafúrdio? Não acho. A ex-aluna da Uniban e quase um vestido ambulante, Geisy (ou seria Geysi?), poderia perfeitamente fazer parte de um desses reality shows fajutos que pululam nas TVs.

Ela possui todos os atributos de talento normalmente exigidos para participar de um BBB da vida ou da Fazenda do Macedão.

Pensem comigo: com um personal trainer, um personal stylist, um personal hairdresser, um personal plastic surgeon e um assessor de imprensa, a Geisy terá tudo o que um BBB possui: um corpitcho mais ou menos, uma carinha pós-extreme-makeover e praticamente zero talento artístico.

Não sei se alguém acredita mesmo que os participantes do BBB são escolhidos através de fitas ou DVDs que o "povão" envia para testes que cairão em algum programa que fará chacota deles depois, mas eu não acredito mesmo nisso.

Imagino mais um "casting" em agências de modelo, com profissionais menos requisitados (ainda que bonitos), que são convidados para esta chance de entrar no "Mundo de Caras".

Às vezes colocam alguém "do povo" ali para satisfazer uma espécie de cota social/estética como aquela clone do Zacarias que acabou até vencendo uma edição, ou uma pessoa com formação superior e uma cota acima da média de cérebro como o Dr. Marcelo, mas o usual ali é o modelo-manequim-aspirante-a-ator-barra-apresentador.

E ao que eles se dedicam durante sua participação nos tais programas? Criar polêmicas, "causar", aparecer o máximo (seja com barracos, nudez ou mesmo sexo explícito, sem esquecer as trocas de casais) e dali extrair uma fama que se extenda mesmo após o final do programa.

Quando finalmente saem "da casa", passam a frequentar revistas de fofoca, as moças posam nuas, alguns dos rapazes também, viram arroz de festa em eventos-jabá, participam de programas em emissoras de menor expressão, alguns vão parar em programas de humor, colunas sociais eletrônicas, viram destaques de escola de samba e, em comum, tem o fato de seram tal qual um pastel de feira: possuem 90% de vento como conteúdo.

Ora, a Geisy apareceu para o país inteiro numa polêmica: foi praticamente linchada pelos boçais da universidade onde estudava porque foi assistir aula com um vestido "muito curto".

Chorou, virou estrela do YouTube, o Twitter inteiro clamou por justiça, a faculdade ameaçou expusá-la e, por fim, virou personagem de programas de TV, revistas, jornais, foi convidada para posar nua e...vai desfilar numa escola de samba!

Como vocês podem ver, a moça soube mais do que ninguém transformar o seu limão numa belíssima limonada. Ela já teve o sua versão de BBB, ocorrido na Uniban e transmitido via YouTube, porque não poderia ser convidada para o "oficial"?

Seus "talentos" já estão comprovados, e se isso fosse viral de candidato a BBB seria o mais bem sucedido da história.

A única sugestão que fica é que a emissora providencie, pelo menos, um bom estoque de vestidinhos-curtos-rosa-brega para ela, porque um dia aquele lá precisará de uma máquina de lavar.

São sapatos (altos) de dança para criança...

A singela frase acima foi dita por Katie Holmes, esposa do esquisitão-galã Tom Cruise, acerca da polêmica foto em que sua filha, Suri, que tem apenas 3 anos, aparece usando sapatos de salto alto.

Nem vou entrar no mérito desse caso específico, porque acho que todas as esquisitices que vierem desse casal são quase impossíveis de me chocar.

Mas essa história me lembrou algo que penso faz tempo: a perda precoce da infância. No meu tempo (e nem faz tanto tempo assim), a gente com 11, 12 anos ainda pensava mais em jogar bola, correr atrás de balão, falar bobagem entre amigos.

Tudo bem que um pouco depois disso só pensávamos em "ficar", namorar, etc, etc, mas também já era hora, né?

Só que atualmente a erotização e a "adultização" das crianças acontece cada vez mais cedo, e algumas já começam a emular trejeitos dos adultos antes dos 9. Preocupações como maquiagem, roupas, "pagar mico" entre outras aparecem precocemente, estimuladas pela TV, pela sociedade e, se não estimuladas pela família também são muito pouco combatidas por esta.

Eu acho triste ver menininhas vestidas como "mini-mulheres", de sapato alto, batom, roupas provocantes, coladas, agindo como se já fossem moças.

Parece que os meninos sofrem menos com isso e tem direito a um pouco mais de infância, todavia bem menos do que na minha época.

A vida é pra ser vivida em sua plenitude, todas as suas fases tem belezas e pequenos desastres, mas estes formarão a pessoa que seremos um dia.

Pulando etapas, o que se vê é a formação desses adultos cada vez mais infantilizados, homens e mulheres de mais de 20 que se comportam como bobalhões, talvez numa tentativa torta de resgate do que lhes foi roubado.

Não sei, sinceramente, qual o benefício que pode existir em abreviar um dos períodos mais felizes e gostosos da nossa vida, período que sempre lembraremos com saudade e gratidão.

Seja a filha do Tom Cruise e da Katie Holmes, seja o filho do Zé das Couves, sejam as nossas crianças, todas elas tem direito a uma infância plena, sem se vestirem como micro-adultos e muito menos anteciparem uma maturidade que terão o resto da vida pra viver e padecer.
 
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