Sampa

Postado em 7 de dez de 2009 / Por Marcus Vinicius

Voltei à rotina.

Depois de alguns dias passeando na tal "Terra da Garoa", volto à "Cidade Maravilhosa" com uma constatação: pode fazer um sol danado em São Paulo e o Rio continua bonito, mas longe de ser maravilhoso.

Temos aqui engarrafamentos proporcionalmente tão monstruosos quanto.

Mas não é esse o assunto, hoje quero falar sobre a cidade em que não nasci, mas pela qual me apaixono mais e mais a cada visita.

São Paulo não é para pessoas rasas, isso é fato.

Apreciá-la requer um olhar que transponha a sua grandeza, o seu caos, a sua multidão de rostos indo e vindo e penetre nas suas nuances. Causa espanto para quem tem a sorte de possuir este olhar como esta cidade grandiloquente em tudo pode ser tão intimista, detalhista, minimalista.

Cafés, sorveterias, livrarias, recantos, um simples banco no Parque Trianon e a refrescante sombra de suas árvores, as esquinas, as pequenas galerias, os achados.

Seu mapa sinuoso é um mapa do tesouro, de vários tesouros, basta que se procure.

Sabores, cores, histórias e recantos de uma cidade que, para quem assim como eu aprecia sensações, é um dos melhores lugares do mundo.

Pude rever a sua Rua Augusta, que tão paulistana como é, não se contenta em ser "normal" e dependendo do referencial, tem duas subidas e duas descidas.

Cada uma guardando tesouros, como uma pequena loja que vende lindos e deliciosos cupcakes, a Sotto Zero e seus sorvetes ali há tanto tempo, a Galeria Ouro Fino e seus doidões de butique, as Alamedas e a Oscar Freire, que possuem quase todos os prazeres que o dinheiro pode comprar.

Para os demais prazeres, basta ir "pro outro lado", com seus bares, casas noturnas, puteiros e teatros. De um lado, a Estados Unidos e na outra ponta a praça Roosevelt, no meio disso tudo, o mundo. Nada poderia ser mais perfeito para definir uma rua.

São tantos assuntos, que acho que voltarei a falar sobre a cidade algumas vezes aqui, porque ela não merece um texto, uma crônica, uma poesia e nem um livro, essa cidade merece uma enciclopédia dedicada só a ela.

Fazia tempo que não visitava São Paulo, mas pude lembrar bem porque gosto tanto dessa terra. Ela desperta paixões porque possui um pouco de todos nós, um pouco do que trazemos dentro de nós, a beleza, a feiúra, a doçura, a violência, o caos e a paz.

São Paulo é um pouco da vida, cada curva revela uma surpresa e cada retorno ou cruzamento que viramos, pode revelar coisas muito belas ou muito feias, mas todas extremamente verdadeiras.

Problemas, todos os tem, não seria diferente por lá.

Mas poucos lugares no planeta possuem tantos antídotos para os males da rotina quanto o antigo Povoamento do Pátio do Colégio, essa minha querida São Paulo de Piratininga, que um dia ainda me concederá intimidade suficiente para chamá-la simplesmente de "Sampa".

21 Comentários:

Cames1251 postou 7 de dezembro de 2009 09:19

Lindo! Senti nas suas palavras o que só um verdadeiro paulistano diria. :)

Cris Rocco postou 7 de dezembro de 2009 09:26

Sou uma carioca daquelas que possui todos os clichês possíveis.Mas confesso que não há cidade que me faça sentir mais à vontade, ou melhor, não há lugar que me traga pra mais perto da sensação de "estar em casa..." do que São Paulo.

Como se o olhar pra Sampa contemplando tudo aquilo que tu descreveu com primor, não bastasse, essa cidade cria uma ligação inexplicável com os que a amam, independente dela nos oferecer 10% do que nos oferece.

Teu texto tem umas das mais simples e sinceras descrições que já li sobre Sampa.

Parabéns Marcus

Lena postou 7 de dezembro de 2009 10:12

Oi Marcus!

Apesar de existir, sabe se lá por que, uma rixa feia entre os paulistas e os cariocas, eu também sei lá por que tenho muita vontade de conhecer SP.

Outro dia associei SP à Manhatan brasileira e o RJ como Miami, lá e cá as coisas são caras, a vida custa caro, mas de formas distintas, tentei eu explicar a uma paulista pelo twitter rs.

Acho que iria a Sampa por um fim de semana pra visitar amigos que só conheço por aqui, mas do Rio, por enquanto não saio para morar em outro lugar.

Beijo.

Dani Rodrigues postou 7 de dezembro de 2009 10:16

Pode ficar muito a vontade para usar a expressão "Sampa". Sem dúvida, captou a essência de São Paulo melhor que muito paulista. Ótimo texto, como sempre! Parabéns!

Solange Baumer postou 7 de dezembro de 2009 10:21

Fui uma vez só pra São Paulo,em 1990...outros tempos,é claro!Mas como não sou do tipo de pessoa que se incomoda com ruas lotadas,achei uma delícia a 25 de março e sua bagunça organizada,a Liberdade onde um senhorzinho simpático serviu chá depois que visitamos o museu...Mas o que mais me marcou foram as casas antigas,as praças,com suas igrejas majestosas,coisas que geralmente observo em qualquer lugar...
Um dia,quem sabe,ainda consiga ir ao Mercado Público,por sua arquitetura e suas delícias...
Vc tem sorte de estar alí tão pertinho...

@lucasroberto12 postou 7 de dezembro de 2009 10:56

São Paulo é lindo, recentemente tive o prazer de fazer um trabalho universitário sobre diversos bairro da cidade, cada qual, com tantos pontos turísticos e historias ricas que vc se surpreende. Não se prendendo a atrações da região central que o turista logicamente vai visitar.

Sou doido pra conheçer o Rio de Janeiro, apesar de tão perto, está tão distante.

Quanto a velhas discussões sobre RJ X SP, isso é bobeira, analiso as duas como iguais, com poucos diferenciais, Rio de belas praias, São Paulo e sua megalomaníaca metrópole. Os defeitos, infelizmente são os mesmos.

Alberto Lozéa postou 7 de dezembro de 2009 11:10

Sou carioca e morado de SP, mas não conheço a cidade tão bem como vc, mas posso dizer que sei bem o que vc está dizendo.. Sou grande apreciador dessa cidade e a comparação com o Rio é uma bobeira.. cada uma com a sua característica e portanto ambas são maravilhosas.. Abraço do SHD..

Alberto do Sexy Help Desk publicou um post sobre.. ”O desequilíbrio no amor”

Ivan Mola postou 7 de dezembro de 2009 11:10

Sampa é fantástica mesmo. O grande amor de sua gente.

Belo texto, carioca! Que por sinal, cheira a paixão pela "terra da garoa". ;)

Leticia postou 7 de dezembro de 2009 11:44

Estou aqui empavonadíssima com suas palavras e as de seus comentadores. E vou tungar um trecho, viu? Estava acompanhando seus passos em SP pelo Twitter, e agora me encanto com seu belo texto!

Morei no Rio tb., e toda vez que vou praí resmungo os velhos problemas, mas deixo a cidade como quem deixa uma parte de si. Amo as duas!

SP e RJ resumem TUDO o que acontece neste país. Até do dinheiro na cueca fomos nós (no caso, em SP) os pioneiros!!! Custo a crer que ainda haja bairrismo.

E pode chamar de Sampa, Sumpa, Sumpaulo, do que você quiser!

Leticia postou 7 de dezembro de 2009 11:46

Ai, Marcus, deixa eu tungar (com créditos, é claro) a foto da bandeira na varanda? Deixa, deixa??

Julliana postou 7 de dezembro de 2009 12:03

Bom, eu estou no 23º dum prédio no Anhangabaú, de frente pro teatro municipal, centrão de São Paulo. O tempo tá escurecendo, e vai cair um temporal exatamente na hora que eu vou embora.
Eu amo São Paulo.

mvsmotta postou 7 de dezembro de 2009 12:09

Letícia,

Pode sim, é claro! E obrigado, viu?

Aliás, obrigado a todos que comentaram aqui e compartilharam um pouco de sua paixão por São Paulo.

Marcus

Cezar Coscelli postou 7 de dezembro de 2009 12:37

Mandou bem, MV.
Ironicamente é muito parecido com o sentimento que tenho pelo Rio.
Curioso, não?
Abraço.

@ccoscelli

Marcelo Kussunoki postou 7 de dezembro de 2009 12:42

Marcus,

sou paulistano e fico contente de ouvir um o relato de um "olhar estrangeiro" sobre a cidade tão imparcial. Não é justo comparar Rio com São Paulo, simplesmente porque cada uma é uma cidade diferente e ponto final. Mazelas e problemas urbanísticos existem e não são exclusividade das duas maiores cidades do Brasil, como você mesmo salientou. Parabéns pelo seu blog, quando posso sempre o acompanho.

abraço

Marcelo

Zé das Medalhas postou 7 de dezembro de 2009 12:44

Pra mim que sou paulista, o que mais gosto e acho estranho na cidade é virar uma rua e sentir que mudei de cidade.

Mas vejo uma homogeneidade nas favelas. Mesmas músicas, mesmos problemas, mesmos sonhos.

Belo texto, quem alimenta discussão entre as metrópoles é porque não consegue respeitar as diferenças.

Daniela postou 7 de dezembro de 2009 12:46

Puxa, fiquei emocionada com tudo o que li, neste post!

Acho que vc captou e sentiu, a verdadeira essência escondida da nossa querida Sampa...coisas que, às vezes, passam desapercebidos, ao olhar menos sensível de algumas pessoas.

Bacana, cara... valeu o dia, bonito mesmo.

Seja bem-vindo sempre ;-)

Dani

B. postou 7 de dezembro de 2009 12:55

Tb voltei ontem de Sampa, fiquei de terça a domingo e tb sou apaixonada pela cidade. Brinco que posso abrazicar o slagan "Madrid me mata!" para "Sampa me mata!" e morreria feliz. Estava a muito tempo sem visitar e ela sempre me causa o mesmo impacto. Amo o dinamismo, o ritmo, o profissionalismo e tudo o que vem a reboque quando estou por lá. No RJ, morar fora do eixo onde as coisas acontecem me deixa meio excluida socialmente, em Sampa não tenho limites, nenhum, e isso me fascina. Sabe-se lá porquê. Acredite, por lá até ouvir a história de como o Minhocão do Maluf enfeiou a cidade, rs, me encanta. Minha descoberta da vez foi a Comedoria do SESC Paulista (Av Paulista 119) Além de um café delicioso, o fim de tarde lá é lindo! O teatro do novo shopping, o Bourbon, também é belíssimo, mas... Estou de volta ao purgatório de beleza e caos. Minha vida ainda é aqui.

Denise postou 7 de dezembro de 2009 13:10

Bom, eu sou suspeita pra falar de Sampa, pois eu amo essa cidade de paixão há muito tempo, não é a toa que larguei Blumenau pra morar aqui.. :D

borboletapsicodelica postou 7 de dezembro de 2009 14:37

Como paulistana fiquei emocionada,comovida e orgulhosa, principalmente por estar numa fase que me preparo para me mudar de cidade.
Parabens por mais um excelente texto. Seja sempre bem vindo a SAMPA.

Nambu postou 8 de dezembro de 2009 09:25

Lindo! Honrada está é Sampa, com tão linda declaração. S2 volte sempre!
bjo

Leticia postou 9 de dezembro de 2009 08:33

Fiz o post, e há nos comments uma dúvida atroz sobre o local da foto. Quando puder dar um pulinho lá e desfazer o mistério...

 
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