Maria Gasolina, Maria Chuteira, Maria Tatame e agora Maria Fuzil

Postado em 22 de dez de 2009 / Por Marcus Vinicius

Ontem li um post no Twitter que chamou minha atenção na hora, era um RT que o usuário @sobrecomum fez sobre uma notícia publicada no UOL que dá conta da atração, digamos assim, sexual que o crime produz sobre os jovens.

Dizia a reportagem que dentre tantos atrativos que o tráfico utiliza para atrair jovens para as suas fileiras, o poder de andar armado e a facilidade de conquistar mulheres estão em primeiro lugar, agora que o dinheiro que entra já não é tão bom quanto antes.

Sinceramente não duvido disso. Tem mulher que adora um "machão", que sente-se importante se o namorado for violento, brigão, quase um Chuck Norris misturado com Don Juan do baixo meretrício.

Um exemplo disso são as "Marias Tatame", que adoram um lutador não só pela forma física destes, mas também devido à atração pelo "poder" que um faixa preta tem nos punhos.

Essas meninas que curtem um traficante foram apelidadas até de "Maria Fuzil", o que não deixa de guardar certa semelhança com outras "Marias", como as "Tatame", as "Chuteira", as "Batalhão" e as mais populares de todas, as "Gasolina".

Na verdade, todas essas atrações resumem-se em "poder", da forma como cada um o enxerga.

Se para algumas mulheres o dinheiro, os carrões, as churrascadas, as multidões e a imprensa sempre atrás dos boleiros constituem-se em atrativos tão fortes quanto o exame de DNA que vai rolar mais à frente, para outras esta atração mora num carrão que faz manobras radicais, numa farda, na possibilidade de andar ao lado de um brutamontes que espanque qualquer um que olhe para a sua bunda e, porque não já que parâmetros decentes não são o forte desse pessoal, num sujeito armado de fuzil?

Claro que a tal Maria Fuzil é o fundo do poço, peça de estudo pra psiquiatras, mas o fundamento da sua atração é mais ou menos o mesmo das outras.

O conceito dessas mulheres passa longe de "quem é" a pessoa e concentra-se muito mais no "que ela tem" ou "possa oferecer" seja em bens palpáveis, seja em coisas subjetivas.

Tudo isso me leva também a pensar no outro lado, ou seja, em nós homens. O que fazemos por causa de mulher beira o ridículo.

Costumo dizer para um amigo que, caso não existissem mulheres, 99% dos homens andariam pela rua nus, sem um tostão no bolso, barba por fazer, cabeludos, largados, morando sob uma caixa de papelão, provavelmente grunhindo uns para os outros e ligando muito pouco pra isso.

Exageros da minha figura acima à parte, o fato é que se queremos estar bem fisicamente, com um corte de cabelo legal, cheirando bem, andando num carro mais ou menos aceitável, morando num apartamento transadinho, se nos educamos e caprichamos para sermos "bons de papo" e vamos querendo sempre mais é, basicamente, por causa de mulher.

Primeiro para "faturar" quantas forem possíveis, depois para conquistar "a mulher" e finalmente para manter um padrão de vida pra família.

Claro que nos damos bem com isso tudo no meio do caminho, afinal também aproveitamos aquilo que conseguimos, mas acreditem mocinhas: tudo começa por causa de vocês.

Talvez a segunda "mosquinha" que morde os homens, essa em menor quantidade, é a tal "mosca azul" do poder. Esse mesmo poder que atrai as Marias Fuzil, Tatames, etc, etc.

Ouvi certa vez de um empresário de Brasília que um deputado, senador ou outro político desses qualquer não permanece no jogo por causa de dinheiro apenas. Disse ele que certa hora o sujeito já tem fazenda, casa de praia, cobertura, carrões, às vezes até jatinho, mas que o "tesão" deles mesmo é a sensação de passar por uma rua mal-iluminada num dia, pegar o telefone, dizer que quer aquela rua iluminada logo, e passar ali dois ou três dias depois e ver homens trabalhando, postes sendo trocados, a luz finalmente chegando e tudo isso porque ele mandou.

É isso que mantém essa turma de Brasília "ligadona", dizem que vicia mais que cocaína, heroína e crack juntos.

No final das contas, é como dizia a música brega da Rosana: é "amor e poder".

Amor e poder, baby.

5 Comentários:

Solange B. dos Reis postou 22 de dezembro de 2009 07:01

Infelizmente essa atração fatal das mulheres por hoemns ditos "poderosos",nada mais é que uma fraqueza.A impotência delas por elas mesmas.pode ser que eu esteja enganada,afinal não sou dona da verdade.Mas,pra mim homem atraente ainda é aquele que olha nos olhos,que que sabe ler nas entrelinhas de um gesto.Sempre funcionou pra mim.Também talvez porque nada dessas bobagens de carro,grana,status,fizeram minha cabeça.Porque nunca transei com uma nota de real,nem com um carro pra saber a diferença.No final ou o homem é bom no que se propõe,ou não é.O poder que ele parece ter pode cair por terra nesse momento.
Beijão amado escritor!

alexis postou 22 de dezembro de 2009 09:18

Sempre buscamos um culpado, mas é bem verdade que todos nos, homens e mulheres somos culpados, o desejo carnal sempre toma conta da gente!

Paula postou 22 de dezembro de 2009 09:58

Escrevi algo parecido hoje. Não são poucos os que querem apenas o amor e não o poder.
Eu diria que as "marias" são as fracas, inseguras, que precisam do poder do outro para ser alguém.

Mcstt postou 22 de dezembro de 2009 10:45

Creio que estão em busca de um pouco de adrenalina e serotonina em função de sua personalidade volúvel e, muitas vezes leviana. Vão de acordo c/ o que lhes render segurança, status ou o que convier no momento. E esse caso é aplicável p/ outros tipos de relacionamento. Lamentável.

Lena postou 8 de março de 2010 08:12

adorei teu about.

 
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