Na natureza selvagem, mas a 5 minutos do shopping

Postado em 29 de mar de 2012 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários

Ar livre, contato com a natureza, respirar fundo, sol, transpiração, adrenalina, bem estar, boa forma, calor, cansaço, sede, fome, mosquitos.

Sei que parece meio esquizofrênica a sequência de palavras acima, mas é exatamente nisso que eu penso quando me falam em trilhas, trekking, mountain bike, acampamentos, escaladas e qualquer outra coisa que me faça afastar mais do que 15 minutos andando de algum veículo que possa me retirar do local em segurança.

Afinal, me desculpe quem gosta disso tudo, mas se eu fosse feito pra andar em terreno acidentado, cheio de lama ou no meio de uma floresta, não teria nascido gente, mas um jipe com tração nas 4 rodas.

Lógico que viajar para se integrar às belezas do planeta é legal, nadar numa praia paradisíaca é muito bom, tomar banho de cachoeira, sentir aquele cheiro de verde, o problema é que depois que você vê 10 praias em 2 dias, já não consegue mais diferenciar uma da outra e no meio daquela caminhada de 6 horas com muito sol e insetos, você entende realmente porque as gerações anteriores gastaram tempo e dinheiro inventando o ar-condicionado.


Falo isso porque uma ilha no Pacífico, com areia branquinha, águas azuis e sombra de coqueiros só é um paraíso se houver uma embarcação te esperando ali perto. Experimenta ser um náufrago pra ver se aquilo não vira o inferno. Por isso praia deserta é sensacional na medida que tenha um local com bebida gelada e um chuveiro com água doce por perto.

Sem contar que fotografar borboletas, gafanhotos, formigas e fungos é até legal, artístico, científico, engajado, sei lá, mas depois da milésima foto convém você tentar um emprego na National Geographic, porque não devem existir tantas araras-de-peito-lilás diferentes assim no mundo.

Mas de tudo isso, o que menos entendo é quem gosta de acampar. Não falo desses campings na Barra da Tijuca, a 10 metros do calçadão, 5 minutos do shopping e com ligação de luz para as barracas além de banheiro comunitário.

Falo de pegar uma mochila do tamanho de um Fusca e se embrenhar no mato com dois pacotes de miojo, uma garrafa de 500 ml de água, uma lata de leite condensado e uma barraca com as dimensões de uma casinha de cachorro para passar uma semana ali. Se acampar fosse mesmo essa maravilha toda, as pessoas morariam numa barraca logo, sem precisar pagar 30 anos de prestação por uma casa.

E quando eu estiver muito afim de ver uma aventura selvagem, assisto um desses programas de sobreviência ou de viagens radicais, que mostram gente nadando em corredeiras e dormindo em folhas de bananeira, mas omitem o fato de que atrás das câmeras tem uma equipe de apoio e provavelmente um ítem que eu colocaria como número 1 da lista de coisas que levaria para uma ilha deserta: um helicóptero.

E foram felizes para sempre

Postado em 27 de mar de 2012 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários

Sempre achei esses finais de histórias infantis e filmes meio irritantes. Aquele monte de gente abraçada, casais se beijando, pássaros voando, o E.T. vontando para casa, os vilões se dando mal, os heróis sorrindo com o topete engomado, uma coisa meio livro de auto-ajuda, meio música da Tropicália.

Mas a verdade é que todas essas lições que os estúdios tentam passar são grandes furadas. A vida real muitas vezes se parece mais com o início dessas sequências de filme, onde o que termina bem na primeira edição o diretor resolve bagunçar na segunda.

A Rainha do Gelo volta para atormentar os bichos falantes de Nárnia, o Jason do Sexta-Feira 13 consegue fugir de dentro de um cofre no fundo do lago, alguém implanta uma mão robótica no Dath Vader e tudo começa outra vez.

Só mesmo em um filme de Hollywood é possível você entrar numa loja, conhecer um japonês que te leva para a casa dele e te bota para lavar o carro, pintar a cerca, lixar o assoalho e você sai dali faixa-preta de caratê. Se fosse nessa sua vidinha aí, isso terminaria mesmo num emprego de carteira assinada, ganhando salário mínimo, vale transporte e um PF de arroz com feijão na hora do almoço.

Afinal, alguém acredita mesmo que um sujeito milionário solteirão ficaria passeando pela rua, pegaria uma prostituda de calçadão, levaria pro seu hotel e no final casaria com ela como fez o Richard Gere com a Julia Roberts em "Uma Linda Mulher"?


Na vida real ele seria casado e contrataria uma oriental e uma africana para fazerem parte de um bacanal envolvendo ornitorrincos, corcundas, um mágico, dois equilibristas e 37 pombos mortos e no final voltaria para casa levando um presente para a esposa, contando como sentiu sua falta.

E ainda que seja comum alguém sair do cinema ou desligar a TV se perguntando "será que eles continuaram vivendo felizes naquela fazenda mesmo?", já cheguei também a imaginar coisas bem menos normais como "acho que a Cinderela abusou dos rodízios de pizza, embarangou depois do segundo filho e o príncipe virou amante da Branca de Neve, que separou do marido depois que descobriu que ele era pedófilo e tinha um caso com o Peter Pan".

Se você pudesse saber mesmo o que acontece depois que aparece o "The End" na tela, veria que os Goonies foram presos pela Capitania dos Portos por navegarem com aquele navio pirata sem autorização, que Thelma e Louise realmente se esborracharam naquele penhasco e só foram reconhecidas através de exame de DNA e que aquela turma da "Escola do Rock" montou uma banda que teve um só sucesso e ainda se desfez, depois de muitas brigas e problemas com drogas.

Isso sem contar com todos os personagens de "Se Beber Não Case", "Porky´s" e "American Pie" que estariam hospedados em alguma penitenciária federal ou então fritando hamburgers no Mc Donald's.

Talvez seja por isso que essas histórias com finais felizes façam sucesso há tanto tempo, afinal, pra ver gente se fodendo você não precisa ler um livro ou ir ao cinema, basta acordar numa segunda-feira de manhã, ir de metrô até o trabalho, voltar para casa à noite e ligar no telejornal.

E aí? Comeu alguém?

Postado em 22 de mar de 2012 / Por Marcus Vinicius 2 Comentários

Duas das maiores fixações da humanidade certamente são o sexo e a comida. E ainda que você queira se manter à margem disso dizendo que é celibatário, macrobiótico, sei lá o que, certamente em algum período da sua vida você já se pegou desejando ardentemente um pedaço de torta, um sorvete ou alguma pessoa, não necessariamente nessa ordem e não necessariamente apenas um de cada vez.

Antes de mais nada vamos esclarecer que falo de sexo entre dois seres humanos tendo a comida como elemento, nada de aventuras solitárias com cenouras, pepinos ou buracos em melancia. Sexo hortifrutigranjeiro é meio over.

Mas o fato é que esses dois assuntos - sexo e comida - são tão ligados que, pelo menos na língua portuguesa, quando fazemos sexo nos referimos à "comer alguém" ou "ser comida por alguém" (não coloco " ou ser comido", no masculino, justamente pra irritar a turma politicamente correta).

A literatura, o teatro e o cinema estão repletos de histórias romantico-porno-gastronômicas, desde aqueles banquetes de Calígula, passando por 9 1/2 Semanas de Amor até os biquinis de chantilly de filmes adolescentes americanos.

Não vou negar que morangos, cerejas e outras comidas sejam bem sugestivas. Dizem até que ostras facilitam todo o processo, só que o que funciona na ficção pode dar tão errado na vida real, que todas essas obras de arte (ou não) deveriam vir com aquele aviso "não tente fazer isso em casa".

Pra começar, um biquini de chantilly não fica muito legal em alguém tão fora de forma que deveria estar usando é uma burca de chantilly, nem parece muito másculo você chegar na frente da sua namorada usando uma cueca estampada com cupcakes.

Depois, você precisa se garantir muito para que seu namorado ou sua namorada não se interessem mais pela Nutella com a qual você se lambuzou do que pelos seus dotes propriamente ditos, criando situações como "pera aí, você já comeu dois potes de doce de leite e eu ainda estou aqui esperando para ser comida!".


Remover surpresas de cavidades corporais também pode ser uma faca de dois gumes, já que talvez a outra pessoa não curta comer um Bis, Batom ou Toblerone depois de sacados repentinamente de algum lugar estranho e você pode nunca descobrir se a moça ficou com nojo de você ou do catupiry que, sabe-se lá porque, você resolveu espalhar nos países baixos.

Certa vez assisti um episódio de E.R. onde uma cena de beijos e amassos rolava em torno do casal comendo um ovo cozido. Na hora eu pensei: porra, ovo cozido? Menos sexy do que isso só aparecer todo coberto de espaguete. Certas coisas evitáveis também seriam essas taras inexplicáveis, como passar pasta de amendoim no sovaco ou transar numa banheira de mocotó.

A única coisa que não tem por onde fugir é o que chamo de "ritual gastronômico pré-coito", que nada mais é do que o tal jantar a dois. No fundo você está ali avaliando a forma como a pessoa come (já pensou alguém se empanturrando de farofa e limpando a boca com as costas da mão?), contando histórias que te façam parecer mais interessante, bebendo um vinhozinho pra esquentar o clima (e quem sabe embebedar o outro antes que ele tenha tempo de ver a merda que vai se meter), mas tirando isso, é preciso certo cuidado.

No motel, por exemplo, tem quem goste de pedir comida, mas eu acho meio esquisito. Um café da manhã tudo bem, mas entrar no quarto, ligar para a cozinha e pedir um misto-quente? Sei lá, a única desculpa pra isso é se você broxar e no dia seguinte te perguntarem:

- E aí? Comeu?

E você responder:

- Comi.

Lógicamente omitindo o fato de que a vítima foi um sanduíche.

É pro seu bem

Postado em 20 de mar de 2012 / Por Marcus Vinicius 2 Comentários

O ser humano é egoísta. E violento. E auto-destrutivo algumas vezes. O ser humano é capaz de cada ignorância e idiotice que deixariam os asnos com vontade de entrar na justiça e pedir quebra de copyright. Mas se tem uma coisa que sempre foi motivo de orgulho para essa espécie naturalmente já tão orgulhosa, é o seu livre arbítrio.

Essa coisa esquisita e incômoda chamada liberdade. Só que do jeito que caminha tudo, é impossível não imaginar em como seria um passeio de sábado a tarde num futuro que nos espera ali na esquina.

Você sai de casa, mas antes confere se está usando filtro solar, afinal, aquele texto insuportável narrado pelo Pedro Bial virou lei. Pro seu bem, a Anvisa decidiu que ninguém mais poderia sair na rua sem um FPS 50.

Quem fosse pego em infração deveria participar de um programa de reeducação e, como punição, ter a sua cota mensal de Coca-Cola - que por engordar e fazer mal à saúde, onerando o contribuinte, agora tinha sua venda limitada a duas latas por cidadão - removida do cartão de racionamento.

Quando entra no elevador, percebe que o vizinho colocou muito perfume, coisa de quem não respeita a Lei da Camada de Ozônio. Anota um lembrete no celular para não esquecer de fazer uma denúncia anônima depois. Esse tipo de gente te deixa tão nervoso que dá até vontade de voltar a fumar, mas só vontade, afinal, você não é louco de ir parar na cadeia que nem aquele seu primo que cumpre 20 anos num presídio federal porque foi pego com um cigarro mentolado no bolso.

Foda, foi só falar em menta e deu vontade de tomar aquele sorvete delicioso que tem na praça de alimentação do shopping, mas aí você lembra que esse mês já tomou três e para tomar o quarto precisa apresentar o atestado médico e o termo de responsabilidade abrindo mão de atendimento pelo SUS em caso de diabetes e ambos estão vencidos. Vai ter que se contentar com uma das 20 lojas de alface e granola espalhadas pelo local.


É que depois que as prefeituras pararam de dar alvarás para cadeias de fast-food e pizzarias (faz mal à sua saúde e é pro seu bem), só é possível encontrar hortaliças e carne de soja em quase qualquer lugar, menos no mercado negro, onde são vendidos junto com emagrecedores que foram banidos em nome da cruzada para exterminar a preguiça, a indolência e a gulodice dos obesos.

Aliás, você precisa correr para completar seus 120 km de esteira ergométrica mensais, senão descontam 20% do seu salário conforme a "Lei da Atividade Física".

Mas não é hora de pensar em problema, você saiu de casa pra ir na festa de um ano do seu sobrinho e só quer se divertir.

Chegando lá, é quase impossível não sentir saudade da sua infância e daquelas festas com balões de gás, línguas de sogra e brigadeiros. Agora as festas não tem mais balões ( látex foi proibido em nome da sustentabilidade), nem língua de sogra (termo depreciativo para a progenitora do cônjuge dos seus pais), muito menos brigadeiro (muito chocolate, que aliás está em vias de ser proibido).

Numa roda as crianças brincam alegres, cantando a versão autorizada pela "Comissão para a Promoção da Virtude na Imprensa e nas Artes" de uma velha canção infantil:

"Não atire o pau no gato-to, porque isso-so, não se faz-faz-faz, o gatinho-nho, é nosso amigo-go, não devemos maltratar os animais. Miau!"

Você fica olhando aquilo com cara de babaca e apesar de só servirem canapés de kani, brigadeiros de açúcar mascavo e suco de clorofila, ataca as bandejas com voracidade, já que está sentindo uma grande "necessidade alimentar", termo que foi inventado para designar a velha fome sem que sua fome burguesa, branca e ocidental ofenda os povos oprimidos que realmente passam fome.

Isso porque antigamente diziam que a "fome é negra", mas se você falasse isso mesmo que fosse em tom de piada, terminaria enquadrado na Lei de Harmonia Racial.

Isso te deixa de saco cheio, já que no seu tempo o mundo não era tão paranóico. Mas se serve de consolo, pelo menos é tudo pro seu bem.

O dia que recriarem o mamute

Postado em 15 de mar de 2012 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários

Cientistas russos e coreanos resolveram unir forças para recriar o mamute. Esqueça qualquer outra necessidade do mundo atual, o importante mesmo é conseguirmos tirar o Jurassic Park das telas e, quem sabe, até ser devorados por algum T-Rex um dia.

Só que por mais que tal experiência soe bizarra, ela nos fornece material para muita imaginação, afinal, não faltam coisas que poderiam ser revividas num labotarório e que tornariam o mundo bem mais interessante do que a volta no Mamute, ou "mamofante", como os cientistas resolveram chamar o bicho (ainda que isso pareça mais o nome do último sucesso do carnaval baiano).

Pra começar, podiam trazer de volta a vergonha na cara. Porque nem as ombreiras, nem a pochete e nem o mullet (aquele cabelinho que o Chitãozinho e o Xororó usavam quando a Sandy ainda nem pensava em fazer comercial da Devassa e dos benefícios do sexo anal), ficaram tão fora de moda quanto a vergonha na cara.

Digamos que vergonha na cara seja o mamute dos costumes, junto com o senso do ridículo, que é o mico leão dourado dos costumes.

Uma outra coisa que poderia ser ressucitada é a infância. Sim, porque esses mini-adultos cheios de opiniões, vontades e iPhones de hoje em dia são chatos pra cacete. Meninas de 7 anos se preocupando com o peso e moleques de 8 dizendo que querem "comer a Sabrina Sato" não são engraçacinhos, são apenas um sintoma de que a humanidade - que já não é algo que tenha dado muito certo - conseguiu piorar.


E depois do surgimento de Elvis, dos Beatles, do flower power, psicodélico, punk, pós-punk, gótico, metal, britpop e afins, alguma boa alma científica poderia reviver o rock'n'roll, porque do jeito que vai não haverá material para produzir nenhum revival nas próximas décadas, provavelmente fazendo surgir coisas como o neo-neo-neo-grunge.

Outra coisa legal seria alguém libertar expressões como "licença", "por favor" e "obrigado", entre outras, de algum fóssil e trazê-las de volta à vida.

Porque imagina que legal seria aquela mulher com 237 sacolas de compras e um poodle dentro da bolsa passar correndo por você na calçada, esbarrar, quase te derrubar no chão e ao invés de dizer algo como "porra, sai da frente, seu cara de cu", falar simplesmente "desculpa".

Finalmente os cientistas podiam dar uma forcinha e trazer de volta algumas coisas que você encontrava em qualquer esquina antigamente e que já não existem mais, como os fliperamas, aquele cheiro de álcool quando imprimíamos algo num mimeógrafo e o chocolate Surpresa, que era tão legal que teve até uma série de figurinhas sobre os dinossauros.

Pronto, poderiam lançar um Surpresa-Mamofante, assim todo mundo ficaria feliz.

Eu tive um sonho...

Postado em 13 de mar de 2012 / Por Marcus Vinicius 9 Comentários

Acordei num dia em que os tablóides de 0,50 centavos não traziam nenhum escândalo ou frase de duplo sentido estampados, a Luciana Gimenez resolveu fazer medicina na Universidade Estácio de Sá e abandonou seu programa de variedades, a turma do Pânico cansou de fazer sempre a mesma coisa e foi apresentar um programa sobre hermenêutica na TV Cultura e a novelinha Malhação saiu do ar, depois que um dos atores de sua primeira temporada teve o primeiro neto.

Era um Brasil diferente, o Magazine Luiza vendia estantes para livros e as crianças não entendiam como alguém um dia realmente pôde gostar de "Ai, se eu te pego", sem falar em micaretas, que hoje só podiam ser vistas no Museu do Mau Gosto, junto com uma reconstrução cenográfica da Gaiola das Popozudas.

Curiosamente, o brasileiro não ficou menos brasileiro por isso, continuava com essa tendência genética a falar alto e trazer sempre uma gargalhada histérica pronta para ser disparada a qualquer momento, mas pelo menos parou de consumir toneladas de entulho no café, almoço e jantar, o que já era grande coisa.

Tiriricas ainda passeavam pelo Congresso, afinal, velhos hábitos não morrem facilmente, mas o cidadão médio cansou de ver sempre a mesma coisa, num loop de "É o Tchan", "Rebolation", "Bonde do Vinho", "Brasil Urgente" e "A Fazenda".


Das novelas, sobrou só a das oito, mesmo assim a título de preservação do patrimônio, já que apenas senhorinhas que já passaram dos 70 anos ainda assistiam aquilo.

Diziam que foi algo que os americanos colocaram na água, alguns suspeitaram de vazamento na usina de Angra, mas o fato é que eu achei bem legal o que vi.

Mas o mais pitoresco, o que mais chamou minha atenção, foi a velha casa do BBB. Algumas pessoas moravam ali, paredes de vidro e pequenas passarelas guiavam os visitantes sobre aquele zoológico humano.

Alguns atiravam um contrato para a capa da Playboy para uma moça, que em troca fazia gracinhas dentro de uma piscina, tal qual uma foca ou um golfinho em troca de um peixe.

O impacto foi tanto, que tive que perguntar a uma daquelas pessoas que observavam o porque daquilo tudo, e a explicação mostrou que eu estava realmente sonhando:

- Sabe o que é, moço, é que a audiência do BBB caiu, ninguém mais votava em paredões, ninguém comprava o pay-per-view, então resolveram tirar o programa do ar, só que esqueceram os BBBs presos aí dentro da casa.

- Que isso, e ninguém soltou?

- Nada, o Eike Batista comprou a casa de porteira fechada, com os participantes dentro e tudo, cercou e começou a cobrar ingresso, dizem até que foi por isso que passou o Carlos Slim como o homem mais rico do mundo.

Vá ao teatro, mas não me chame

Postado em 8 de mar de 2012 / Por Marcus Vinicius 1 Comentário

Se tem uma coisa que dá medo é a frase "precisamos conversar". Depois dela, só mesmo "a gente podia sair pra dançar, né?" e logo em seguida, pelo menos para mim, é "vamos ao teatro?".

Sei que é quase um sacrilégio admitir isso, afinal, qualquer pessoa descolada, intelectualizada et al não deve dizer jamais tal coisa em público, mas sei lá, precisei compartilhar. Pior ainda é o fato de ser fã de Nelson Rodrigues, gênio que se confunde com o teatro, mas de quem eu, particularmente, gosto mesmo é das crônicas.

Mas se algo me redime é o fato do próprio Nelson fazer piada com o teatro em seus textos, quando dizia, por exemplo, que a platéia era basicamente composta de senhoras gordas com sacos de pipoca na mão, e que o tal "teatro moderno" ainda ia fazer um ator espirrar o sangue de um bife na cara do espectador, só para provocar emoções.

O que sei é que não acho muito legal as vozes empostadas, os gestos exagerados, as limitações do cenário (esqueçamos a Broadway  e algumas superproduções com seus efeitos especiais), aquela coisa meio caravana cigana que os próprios atores adoram. Outra coisa são aquelas interpretações livres, capazes de bolar uma montagem porno-escatológica da Branca de Neve.


 Tudo isso tem até o meu total respeito, mas sinceramente, me incomoda.

Causa um pouco de vergonha alheia assistir uma pessoa representando quase qualquer peça. A maquiagem, as caras e bocas, enfim, a menos que seja comédia - onde não só é permitido, como desejável, cair na gargalhada - eu fico meio desconfortável com Romeus, Julietas e Tios Vânias.

A comédia, aliás, é um capítulo a parte, já que conheço pessoas que dizem adorar teatro, mas que só vão mesmo assistir comédias (algumas, as mais estúpidas possíveis), afinal, com tanta coisa pra importar dos Estados Unidos, resolveram trazer logo o politicamente correto e o stand up comedy.

Claro que já assisti várias peças. Alguns musicais, alguns dramas e até algumas comédias. E em algum momento da apresentação eu até curti, mas sempre fazendo aquele esforço para dissociar o fato de que tudo aquilo representado ali seria muito mais realista, interessante e divertido se fosse no cinema.

E cheguei finalmente onde queria: pra mim, ainda que gente muito mais entendida diga que isso é bobagem, o cinema acabou com a graça do teatro. É como ouvir novelas no rádio depois que inventaram a TV.

Não resolvi contar isso tudo pra dizer que sou contra o teatro, que acho que o teatro deva acabar e nem que faço parte de uma parte da população geneticamente superior àquela que gosta de teatro, o objetivo é, talvez, fazer um apelo aos fãs da "nobre arte":

- Vá ao teatro, mas não me chame. Sério, por favor.

Não é que eu tenha aversão nem nada disso, pode ser até que eu me divirta, mas aposto que você consegue pensar em outra coisa melhor pra me chamar, como uma visita ao Museu do Cotonete ou um passeio pelo centro de Duque de Caxias, por exemplo.

Pra tudo existe solução, menos...

Postado em 6 de mar de 2012 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários

Relacionamentos não são fáceis, e isso não é novidade para ninguém que tenha mais de 7 anos e já tenha vivivo aquele amor infantil que te transforma num mini-psicopata que enforca as Barbies da menina por quem está apaixonado, só para chamar a atenção.

Se você notar, a história da humanidade é repleta de casos de homens baixotes querendo mostrar potência para suas amadas através de guerras mundiais, cheia de traições, de reis abdicando de tronos em favor de suas amadas e até uma igreja inteirinha (com padres, bispos e tudo) fundada só porque um Papa não quis autorizar um divórcio.

Além disso, todo um comércio que vai desde presentes nos dias dos namorados (aliás, dizem que casamento é tão bom, mas não existe um "dia dos casados", já percebeu?), sexshops, alianças de compromisso, noivado e casamento, enxovais e, lógico, advogados de partilha de bens é movimentado pela busca do ser humano pela sua metade da laranja, pela chave do seu cadeado, pela tampa da sua panela, pelo chinelo velho do seu pé cansado e, bem, chega, meu estoque de analogias bregas acabou e acho que você entendeu meu ponto: muito dinheiro também rola em torno do amor, não só o dos golpes do baú.


Sem contar a indústria de beleza com suas máscaras faciais, depilação a laser, academias, cremes, perfumes, produtos para metrossexuais (não interessa aqui se "sexo oposto" pra eles é fazer gol contra), escovas definitivas, tinta de cabelo, botox, tudo, sem exceção, com um único propósito: conquistar alguém, consumir qualquer um, nem que seja uma consumação mínima.

Some-se a isso boates, bares, músicas românticas, bem, já deu para perceber como além daqueles movimentos da Terra que a gente aprende na escola e eu não me lembro agora, amor e sexo também fazem o planeta girar (e nem me prendi falando sobre a profissão mais antiga do mundo).

Mas com tudo isso, toda essa busca, esbarra em problemas quase inexpugnáveis. Se o cabelo é muito crespo, você alisa, se é muito liso, faz permanente. Se tiver bafo, faz tratamento, se for brocha, toma Viagra. O gordo emagrece, o magro toma bomba, ou seja, para quase tudo existe uma solução.

Mas duas coisas me incomodam profundamente: como namorar alguém com voz chata e nome feio? Porque, por mais que você tente, jamais vai conseguir beijar o tempo todo, 16 horas por dia descontando as 8 de sono profundo, só pra não deixar o outro falar. E muito menos vai convencer a pessoa a ficar calada para sempre.

Mas isso nem é o pior. O pior mesmo é chegar num almoço de família e apresentar sua namorada:

- Galera, essa é a Querjinete Patrícia.

Sério, não rola.

Oncinha, cadê você? Deixa eu te explicar...

Postado em 1 de mar de 2012 / Por Marcus Vinicius 2 Comentários

Algo que surgiu no carnaval 2011 acabou fazendo o maior sucesso no carnaval 2012. E não foi a reedição de Tchubirabiron e nem da Dança do Tamanduá, mas um site chamado "Oncinha, cadê você?".

A idéia é basicamente publicar histórias de amores de carnaval, para que aquele Arlequim possa reencontrar a Colombina que fugiu com um Luke Skywalker sem nem deixar o número do telefone. E mesmo não curtindo carnaval, achei a idéia tão legal que perdi algum tempo passeando entre textos como:

"Eu estava no metrô de Botafogo vestido de Cumpadi Uóxinton quando passou uma linda garota fantasiada de Amy Winehouse, nos falamos e trocamos uns beijos, mas como ela estava quase tão bêbada quanto a Amy verdadeira geralmente ficava, acabamos nos perdendo. Adoraria reencontrá-la para ensinar como se dança o Tchan. Amy do Metrô, cadê você?"

Convenhamos, mesmo com a parte da bebedeira incapacitante é, como dizem, fofo.

Mas nem todo caso dá certo, na verdade, nem toda tentativa vira um caso, ainda que só de cinco minutos, e porque não atender a todo esse imenso contingente de mal-amados também? Um "Pera aí, Oncinha, deixa eu te explicar" seria de igual utilidade pública. Imagine só ler coisas como:

Anúncio I:

"Fui no Bloco das Pururucas no Domingo, estava vestida de Dilma Rousseff e me apaixonei por um cara vestido de Obama Baiano. Conversamos, só que como eu já tinha bebido 37 cherry bombs e acabei vomitando na túnica dele, que ficou meio nojenta. Queria reencontrá-lo para mostrar que eu não sou assim. Obama das Pururucas, aparece por favor, eu juro que parei de beber". 


Anúncio II:

"Aconteceu em Ipanema, na terça-feira gorda. Eu estava fantasiado de barraca do beijo e conheci uma linda borboleta, com anteninhas e tudo, resolvi vender todos os meus beijos para ela e fechar a barraca, só que quando ela foi comprar uma água, bem, resolvi voltar pro mercado e me atraquei com uma Marilyn que estava passando. Só que a Marilyn era Mário e a Borboleta viu tudo e foi embora voando. Borboletinha, eu te juro que não sou galinha, nem viado, nem curto aquele negócio que eu estava segurando quando você chegou, me dá uma chance, vai".

Anúncio III:

"Cara fantasiado de Batman que estava na Lapa no sábado, eu sei que fiquei com seu primo, com o amigo dele e com o primo do amigo dele, mas te juro que gostei mesmo de você e não sou galinha, me dá uma chance, vamos sair de novo, eu prometo que se você me procurar eu te dou de prima. Sou aquela moreninha fantasiada de piranha empalhada".

Anúncio IV:

"Ciganinha de Laranjeiras, aqui é o seu marido, o carnaval já acabou há quase duas semanas, que tal você voltar para casa porque minhas roupas estão precisando de uma passada?".

Anúncio V:

"PacMan de Laranjeiras, aqui é a Ciganinha, eu não vou voltar para casa porque acho essa sua fixação por videogames uma coisa meio babaca e já enchi o saco dos seus amigos nerds, favor enviar a minha mala para a casa do Rei Momo de Botafogo, que é gordo, mas pelo menos é rico e pode pagar uma passadeira".

Não tenho certeza, mas até eu, que gosto tanto de carnaval que já cheguei a viajar pra São Paulo no período, acho que um serviço assim ia "dar samba".
 
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