Nextel e celular: tecnologia não é nada

Postado em 30 de set de 2009 / Por Marcus Vinicius 8 Comentários

Prrrri-prrrrri.

Quem nunca esteve num local público, seja fila, restaurante, ônibus, metrô, saguão de aeroporto, sala de espera de cartomante e nunca ouviu esse apitinho infame de um Nextel?

O aparelhinho misto de rádio e telefone é o representante-mor da encheção de saco que a tecnologia pode representar nas mãos de um asno que por qualquer razão teve acesso a ela, mas o celular não fica muito atrás.

Conto isso porque dia desses estava no cinema e uma moçoila atendeu o celular e, imaginando-se educadíssima, disse pra amiga "não posso atender, estou no cinema!". Poxa, não pode atender, vejam vocês. Aquela joça não deveria estar nem ligada pra começar!

Mas celular no cinema/teatro/Missa/audiência de divórcio é algo amplamente documentado, narrado, condenado. Não preciso me extender nesses casos.

Mas e quando o uso é permitido?

Tem gente que consegue ser tão incomoda quanto se estivesse numa sessão de meditação com o Dalai Lama.

O rádio do Nextel é o melhor exemplo. O cara pra mostrar que é "importante" programa aquele treco pra soar mais alto do que um rádio de polícia, aí fica no meio da rua falando alto, gesticulando, como se estivesse coordenando a invasão da Normandia.

É um tal de "copiou?", "positivo?", "okappa!". Só falta se despedir falando "câmbio e desligo".

Sem contar aquelas pessoas que contam sua vida inteira aos berros no meio da rua, transformando qualquer ônibus, sala de espera ou vagão de metrô num misto de divã e confessionário.

Essa semana estava num restaurante e em 15 minutos descobri que a prima da moça na mesa ao lado tinha separado, o marido a havia trocado pela secretária do dentista dela, que ela estava faltando a análise haviam 2 meses (talvez daí o comportamento) e que por mais que ela tentasse, a aula de dança de salão só a fez emagrecer 300 gramas.

Todas informações dispensáveis, mas que estupraram meus ouvidos devido à altura e à desenvoltura com que a moça conversava ali, como se estivesse num concurso de sopranos.

Tudo isso só prova que tecnologia não é nada se não for associada a um cérebro plenamente funcional, vamos torcer pra inventarem algum tipo de enxerto (talvez até um chip) que resolva isso o mais brevemente possível.

"Só estou dando uma olhadinha"

Postado em 29 de set de 2009 / Por Marcus Vinicius 15 Comentários

Quantas vezes já fomos obrigados a disparar esta frase como contra-ataque a uma investida de um "vendedor pitbull" na porta de alguma loja?

Algumas os dispõem em colunas, lado a lado, como se fossem uma tropa de choque a serviço do carnê de prestações.

É aquela coisa: você está passeando na rua ou em algum shopping, se interessa por algo que viu numa vitrine e dá uma meia parada para olhar. Até aí tudo mais ou menos bem (isso porque tem loja que instrui seus vendedores a te "pescar" já do lado de fora).

Mas normalmente seus problemas começam mesmo se você der aquele passo fatal, o passo para dentro da loja.

Imediatamente aparece um vendedor te abordando e você tem que dizer a frase "só estou dando uma olhadinha". Quando ela funciona, tudo bem, mas tem as lojas que ensinam aos vendedores que "o potencial comprador quer gastar seu dinheiro, você só precisa obrigá-lo a fazer isso", daí começa aquela espécie de dança do acasalamento, com o sujeito te cercando e você fugindo dele até sucumbir de um jeito (comprando alguma porcaria que nem quer) ou de outro (indo embora e fazendo-o "perder a vez" no rodízio).

Quem nunca passou pela situação de tentar caminhar dentro de uma loja, em paz, e ter atrás de si alguém dizendo "isso aí está saindo muito", "esta daí custa R$50,00", "se o Sr(a) quiser pode parcelar em 539 vezes sem juros no cartão", "Porque não leva? Ficou perfeita em você!", "Porque não compra um par de meias para acompanhar o chaveiro que está levando?" e outras tantas frases tão conhecidas por qualquer consumidor?

Sem contar as tentativas de te "enganar" de leve. Explico: você entra numa loja e pergunta "Você tem o tênis tal, marca tal, cor tal?" e recebe do vendedor a resposta "Tem, mas acabou!Porque você não leva um par de Havaianas?".

Não sei quem inventou essa história que diz que "vendedor bom é pro-ativo", "age como se estivesse numa batalha campal" e que "quanto mais agressivo, melhor".

Talvez os mesmos pentelhos que inventaram de obrigar os funcionários de lojas de departamento a cantar alguma musiquinha exdrúxula pela manhã quando a loja abre e à tarde quando fecha, achando que isso cria "espírito de equipe".

Não sei de onde surgiu essa coisa das "palestras motivacionais", "técnicas agressivas de venda" e outras idiotices, talvez do mesmo buraco de onde saíram os famigerados e gerúndicos manuais de telemarketing, que criaram essa horda de robôs, gente impessoal, mimetizada e que confunde pentelhação com solicitude.

O bom vendedor tem o equilíbrio exato entre estar disponível e ser invisível ao mesmo tempo, para que o comprador saiba que ele está ali, mas sem segui-lo como um stalker psicopata do cartão de débito.

Os consumidores agradecem.

As velhas K-7

Postado em 28 de set de 2009 / Por Marcus Vinicius 10 Comentários

Outro dia estava falando aqui sobre a minha redescoberta do prazer de ouvir discos de vinil. É uma experiência deliciosa poder escutar "The Cure - Concert" novamente em uma vitrola, tal qual nos meus tempos.

E tudo isso me fez lembrar outra prática tão comum e que agora meio que se perdeu na "modernidade": gravar fitas cassete.

Quem nunca esperou um amigo comprar algum LP para gravá-lo? Ou quem nunca fez compilações para ouvir no carro ou dar de presente pra namorada ou para aquela menina que queria conquistar?

Lembro como se fosse hoje.

Smiths, Dire Straits e U2 eram tiro certo para "impressionar", sem contar algumas melancolias do Depeche Mode e até Belle&Sebastian.

É uma tecnologia de complicada preservação, obsoleta e, ao contrário do vinil, na minha opinião tem mais contras do que prós, mas que é uma lembrança querida, isso é.

Qualquer conhecido que viajasse para o exterior (Paraguai já tava valendo) recebia o pedido para que trouxesse uma caixinha com 10 fitas TDK de 90 min., que eu achava bem superior às BASF.

Quantas tardes de sábado não passei escolhendo as músicas uma a uma para, no final do dia, presentear o amor-quase-platônico da vez com aquela fita cheia de declarações gravadas em forma de músicas!

Lembro que, já mais adulto, andava com uma maleta no carro com umas 50 fitas. Tom Petty, Bob Marley, Lloyd Cole, Killing Joke...elas possuiam a vantagem de serem pequenas e fáceis de carregar, o que não diminuia as desvantagens como magnetização, ficarem enroladas no rádio, arrebentarem ou simplesmente empenarem se expostas ao sol muito forte.

Aquelas fitinhas definitivamente não eram feitas pra durar, mas com certeza deixaram lembranças que nunca mais vão sumir.

Follow Friday

Postado em 25 de set de 2009 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários

Pra quem não usa o Twitter - será que ainda tem quem não use? - eu explico: o "Follow Friday" nada mais é do que pessoas indicando outras pessoas para serem seguidas na rede social.

Se você não sabe o que é "ser seguido" pode parar de ler aqui, porque se eu for explicar cada termo do twitter way of life excedo em muitos parágrafos o tal limite invisível de um post que funciona.

Eu acho o tal Follow Friday um evento feliz. Não sei se porque até um "quiabo no almoço friday" seria bom, afinal sexta-feira é o que há, ou se porque acho simpático mesmo receber indicações das pessoas que, suponho, consideram o conteúdo do que eu twitto digno de ser recomendado aos seus amigos e seguidores, mas o fato é que eu acho um evento legal e que ninguém pense o contrário.

Só que deveria ser melhor "pensado" por todos nós. Já li aqui e ali campanhas por um "Follow Friday mais relevante", noves fora o horror que tenho desse famigerado termo, eu concordo com a proposta.

É muito mais interessante a gente ler uma indicação personalizada, explicando até o porque de ser feita, do que aquele festival de arrobas e nomes aleatórios. Duvido da eficácia destas indicações em massa, porque não conheço muita gente que vá conferi-las uma a uma.

É muito mais fácil você se interessar por algo como "#FF indico a @SashaGrey porque ela é minha atriz pornô favorita" do que "#FF @sashagrey @gingerlynn @amberlynn @tracylords @punheteirosdeplantao", concordam?

Essa chuva de indicações sem rosto, parecem uma multidão vista do alto de um prédio. Sabemos que há alguém ali, mas particular e individualmente, acaba não existindo quase ninguém. Distinguimos os que já são conhecidos, se tanto.

Não creio nem que dê o tal retorno, já que canso de ler gente reclamando que "não sabe pra que serve o Follow Friday, já que não ganha um seguidor sequer no dia".

Talvez seja porque permaneça anônimo na multidão e uma lembrança mais personalizada, que diga inclusive o porque da tal indicação é muito mais legal, tanto pra quem é indicado quanto pra quem lê as tais indicações. Aposto que até o retorno seria mais produtivo.

Eu já comecei a praticar a idéia, que tal você também? E boa #FF!

"Salve Geral"

Postado em 24 de set de 2009 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários

Este não é um post exclusivamente sobre o filme do mesmo nome, como fiz outro dia com "Se beber, não case", quero falar de mais coisas relacionadas a ele, mas começemos pelo dito cujo.

O filme é bom. Ponto. Tem alguns clichês hollywoodianos e algumas cenas claramente colocadas ali para "amarrar" o roteiro, mas é dinâmico, envolvente e prende a atenção do espectador até o final.

O diretor Sergio Rezende usa a história de uma professora de piano viúva que vê seu filho envolvido com o crime e passa a fazer de tudo para salvá-lo, para relatar como a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) organizou uma rebelião nos presídios de São Paulo e também parou a cidade.

A professora vivida por Andrea Beltrão (linda e numa atuação excelente) acaba se envolvendo com uma advogada (a "Ruiva", encenada por uma inspirada e perfeita Denise Weinberg) que trabalha para a cúpula do PCC.

Entre idas e vindas da história ela vai se afundando cada vez mais no esquema do crime, porém sempre vivendo o conflito interno de quem não quer "sujar as mãos". Os personagens, os diálogos, enfim, todo o filme é muito interessante, mas...

Eu sempre tenho um "mas", né?

Como todo filme brasileiro da tal "retomada", "Salve Geral" é um filme sobre pobrismo. Explico o termo pra quem não conhece: mostra favelas, pobreza, presídios, coisas assim e sempre assume uma visão romanceada da coisa, aquela aura de "Robin Hood", o que é falso.

O que se vê na tela é a tal fórmula "bandido humanizado, Estado omisso ou violento e classe média insensível". Convenhamos, não é tão simples assim.

Por mais que tenha gente presa que acaba ficando pior por conta da falta de penas alternativas e de uma política carcerária decente no Brasil, a maioria dos membros de facções criminosas são ruins sim, praticam o mal quase por diversão sim e não tem a menor intenção de viver dentro das normas e leis da sociedade.

O que falta e ainda não vi nos cinemas brasileiros, é fazerem um filme que mostre a "classe média" como a vítima que é, porque até aqui ela só tem servido pra pagar através de seus impostos esta "humanização" do crime nas telas.

De volta ao vinil

Postado em 23 de set de 2009 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários

Dia desses estava zapeando pelo Mercado Livre e encontrei uma antiga vitrolinha daquelas portáteis. Como uma igual a que vi, bem conservada, é cara e a que encontrei estava num precinho camarada, resolvi leva-la, o que gerou um novo problema: não tenho mais coleção de discos de vinil.

Quer dizer, tenho, mas está em algum lugar do sítio em que meu pai mora perdida, daí resolvi entregar-me à tarefa de reunir títulos que valham a pena ouvir na minha nova vitrolinha.

Que tarefa mais gostosa! Redescobri o prazer de remexer trocentos LPs em prateleiras de lojas que ainda comercializam o saudoso bolachão.

Nestes tempos de facilidade da mp3, quase não lembrava mais como era excitante esperar os últimos lançamentos e passar horas vasculhando raridades nas lojas de discos.

Ainda posso sentir, como se fosse há 1 minuto atrás, a minha felicidade ao encontrar finalmente uma cópia de "First and Last and Always" do Sisters of Mercy na falecida(?) Gabriella Discos do Barrashopping. Ou então a minha surpresa misturada com o espanto de quem vê um novo mundo se abrir ao ouvir pela primeira vez "The Queen is Dead".

Lembro com saudades da minha coleção do Cure, os discos do U2 e, claro, meu queridíssimo acervo dos Smiths, que embalaram muita fossa da minha adolescência.

Minha falecida (será?) coleção ainda possuía Plebe Rude, Legião (que ainda não servia como detector de chatos naquela época), Camisa de Vênus, Violeta de Outono, Inocentes, The Fall, Echo and the Bunnymen, Mighty Lemon Drops...

Os discos em si falam muito, mas o que quero dizer na verdade é que parecia que aquela música, "impressa" nos discos de vinil, tinha mais personalidade do que os arquivos digitais de hoje.

Não que a qualidade seja melhor ou pior, não é nada disso. Artistas que eu adoro como os Killers ou o Muse só conheci em mp3. Mas aqueles discões acabavam fazendo parte da nossa vida de forma mais afetiva, isso eu não tenho como negar.

Existem títulos que não sei se conseguiria ouvir em vinil, nem se existissem, porque a qualidade do som digital ainda me embasbaca, ainda que os entendidos digam o contrário.

Mas certos sons, tipo Elvis, Chico Buarque, Johnny Cash, Supertramp, Simple Minds e todos os que citei acima da minha época do vinil, soam quase como mágica quando são tocados na vitrolinha que mais parece uma máquina do tempo nesta hora.

Volto anos e anos atrás, e é uma sensação estranha e boa ao mesmo tempo, assim como caminhar na rua carregando uma sacola quadrada cheia de discos de vinil dentro outra vez.

Fazia tanto tempo! (E parece que não passou tempo algum)

O Dia Mundial sem Carro

Postado em 22 de set de 2009 / Por Marcus Vinicius 8 Comentários

O assunto nos jornais, blogs e Twitter hoje é o tal Dia Mundial Sem Carro. Se bem entendi, esta é uma iniciativa que visa conscientizar as pessoas para a necessidade de utilizar transportes alternativos e para a urgência da redução da poluição do ar.

O primeiro sinal de malice nisso é a tal palavrinha "conscientizar". Isso geralmente denota que alguém tentará convencer outro alguém que o que está bem diante dos seus olhos na verdade "não é bem assim".

Por exemplo: as ONGs de direitos humanos tentam nos convencer que um facínora que assassinou a facadas uma família inteira para roubar um faqueiro, na verdade é uma "pobre criança indefesa que não teve a devida atenção da sociedade".

Da mesma forma é a tal satanização dos automóveis e seus proprietários. No Brasil a gente tende a culpar o alvo mais fácil e buscar a solução menos complicada.

Me digam se esta cena não é corriqueira em qualquer grande cidade: 18:00 horas, um engarrafamento infernal, todos de janelas fechadas com medo dos assaltos, sinal (semáforo) abrindo e fechando sem que os carros consigam andar, vários ônibus lotados, com pessoas ali dentro morrendo de calor, cansaço e todas espremidas tal qual sardinhas em lata, um guarda de trânsito soprando seu apito enlouquecidamente e multando qualquer coisa que se mova diferente do que ele ache adequado.

Soa familiar tal descrição?

Agora me responda: quem, em sã consciência, preferiria viver isso a utilizar um veículo leve sobre trilhos, bonde, trem ou ainda um metrô que fosse refrigerado, pontual, espaçoso e com intervalos decentes entre as composições e levasse qualquer um até próximo de sua casa, fosse aonde fosse, em um trajeto contínuo?

Não conheço ninguém que também não curta algumas chicotadas e pingos de vela que preferiria o engarrafamento à cena que descrevi acima.

Só que nas cidades brasileiras a coisa não funciona assim. Quem mora longe não tem como chegar em casa sem utilizar transportes de qualidade medíocre ou automóvel, esse é o fato.

O metrô do Rio de Janeiro por exemplo avança à medida de uma nova estação a cada quatro anos. Nesse passo, quando meus netos tiverem a minha idade o metrô da tal Linha 4 chegará até Jacarepaguá.

As estações que já existem não tem acessibilidade decente. Uma pessoa com problema nos joelhos terá que subir vários lances de escada em diversas estações. Seu funcionamento não vai até altas horas como deveria e as composições vivem entupidas, com pessoas se acotovelando ali dentro.

Quem pega um trem do metrô na Linha 2 (Zona Norte e Baixada), sabe bem o zoológico que aquilo vira depois das 5 da tarde.

E o metrô é o que de melhor o transporte coletivo da cidade oferece.

Os trens são dignos da India ou Paquistão, os ônibus são vergonhosos, sucateados. Nem vou falar do tal "transporte alternativo", essas famigeradas kombis e vans que não oferecem segurança, não respeitam leis ou as menores regras de civilidade, pioram ainda mais o trânsito e são, em sua maioria, dominadas por milícias e marginais.

Numa cidade em que faz mais de 30 graus quase todo dia, ar-condicionado ainda é considerado luxo.

Isso e o caos no trânsito que ocorre devido a transporte ilegal e sistema de sinais (semáforos) e organização viária totalmente obsoletos, daí quem pega um ônibus num trajeto que demoraria 40 minutos normalmente, leva mais de 2 horas para chegar ao seu destino.

Num cenário destes, como culpar quem mora longe do centro e use automóvel?

Ficará engarrafado, mas pelo menos estará confortavelmente acomodado numa poltrona, com som ambiente e ar-condicionado. Mas acredite: a maioria esmagadora destas pessoas preferiria outra opção.

Mas qual? Bicicleta? Pra quem precisa percorrer um trajeto de até uns 5km eu até admito, mas mais do que isso? Como? Quem tentar, se conseguir completar a aventura sem que um ônibus, van, kombi ou mesmo carro passe em cima ou sem ser assaltado pela bandidagem que domina as ruas, chegará no trabalho empapado de suor, imundo.

Não é realista.

Assim como não é realista nas condições atuais de transporte coletivo no Brasil, exigir ou mesmo pedir que as pessoas deixem seus carros na garagem. Óbvio que para o poder público é bem mais fácil colocar a culpa nos donos de automóveis.

São eles que sofrem um assalto anual na forma do IPVA, que são bi-tributados quando passam em praças de pedágio, que sofrem o assédio da indústria da multa, dos flanelinhas, do escambau e ainda assim, na visão do governo e dos malas "ambientalistas", eles são os vilões.

Não são.

São vítimas de um sistema de transportes caótico, obsoleto, desumano, assim como cada um de nós.

É aí que está o problema e também é aí onde mora a solução.

O Império Americano

Postado em 21 de set de 2009 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários

Antes de mais nada aviso que este texto não falará mal dos EUA, pelo contrário, acredito que fale bem, principalmente porque admiro aquela grande nação do norte. Outra coisa é que não tenho pretensão de fazer uma análise historicamente impecável aqui.

Este aviso faz-se necessário porque não quero nenhum mala reclamando que sou um "colonizado puxando o saco dos estadunidenses" ou que esqueci alguma filigrana histórica.

Simpatizo e, repito, admiro os EUA não tanto pelas suas qualidades, que são muitas, mas muito mais pelos defeitos, muitos mais, dos que sempre se opuseram a eles no decorrer da história.

Não pestanejaria um milésimo de segundo se me perguntassem sob qual bandeira eu preferiria viver, se a dos americanos ou a da URSS, Cuba, Coréia do Norte, China, Venezuela, Irã, etc, etc.

Pensei em escrever isto ao assistir o filme "A Onda".

Não vou perder uma linha aqui falando sobre o filme especificamente, porque não é esse o assunto, falarei apenas da cena que me fez pensar tudo isso.

Num determinado momento os jovens que protagonizam o filme, todos alemães morando na Alemanha, organizam uma festa. Pois bem. A tal festa se dava às margens de um lago, numa espécie de "praia".

E o que é retratado nessa festa? Carros com som alto, jovens bebendo cerveja e festejando em torno de uma fogueira, bebedeiras, pegação, rock, tudo que você vê em um desses filmes para adolescentes americanos.

Se o espectador retirasse o som e assim parasse de ouvir o idioma alemão, poderia pensar que era uma cena de "Picardias Estudantis", "Porky's" ou "American Pie".

Porque digo isso? Porque o domínio cultural americano é tão forte e tão implacavelmente exercido, que até as nossas referências são intrinsecamente iguais às deles. Quando pensamos em festa, é nas festas de filmes americanos que pensamos.

Quando pensamos em shows de rock, em clipes musicais, filmes de ação, em tomar um café expresso, ir a uma rede de fast food, matar nossa sede, calçar sapatos, usar camisetas, pense no que quiser e as referências ligadas aos EUA estarão ali.

Longe de mim criticar isto. Estou apenas constatando.

O que me leva a segunda conclusão e razão principal de escrever isto: os EUA conseguiram de forma mais significante e perene, sem usar a força das armas para isso, o que quase todo grande império tentou usando toda a sua força disponível.

Qual o objetivo do conquistador? Impor sua forma de vida sobre o conquistado e transformar a maior vastidão de terras possíveis numa extensão de sua casa (não entro aqui no âmbito econômico da coisa, mas até se pensarmos neste sentido, veremos que eles também são bem sucedidos).

Um bom exemplo foi o Império Romano. Por onde passavam e conquistavam, erguiam foruns, arenas, avenidas, aquedutos e levavam a vida de Roma para aquele povo. A sua forma de vida se impunha. Assim foi com outros impérios, como o Otomano, Persa, etc.

Se olharmos por este lado, veremos que um americano que hoje viaje para o Brasil ou para a Russia, por exemplo, poderá comer no Mc Donald´s, beber café no Starbucks, comer um hot dog, tomar uma Budweiser, comprar um tênis Nike em qualquer grande loja, ler o USA Today do dia, comer um donut, comprar pasta de amendoim no supermercado, assistir os últimos lançamentos de Hollywood, ver seu seriado de TV preferido, se fazer entender através de seu idioma e até mesmo gírias do seu país, ou seja, por onde o americano for, poderá sentir-se em casa.

E tudo isso se deu através da exportação massiva de cultura. Veja, não estou aqui entrando no mérito da cultura ser boa ou má, estou apenas dizendo que através de filmes, música, seriados, enfim, costumes, os americanos conseguiram uma dominação muito mais vasta do que a de qualquer outro país que tenha conquistado terras através das armas e de uma forma muito mais duradoura.

Se o país hoje está em declínio econômico por conta de políticas equivocadas, isto não tem se refletido nesta dominação cultural, o que mostra de forma inequívoca que eles conseguiram algo que é ímpar na história.

Mesmo tendo noção dos problemas que isto causa e mesmo sabendo como brasileiro que poderíamos ter uma cultura menos influenciada por fatores externos, penso ser esta uma forma de "conquista" bem menos nociva e indesejável do que seria caso os comunas tivessem dominado o mundo.

O único ponto positivo seria se os comunas resolvessem socializar de vez e dessem direito a uma russa por cidadão, mas aí quem não ia ficar nada feliz seriam nossas meninas.

Imaginem a confusão que ia ser a gente tendo que aprender russo em cursinhos e andando de Trabant ou Lada por aí.

Sem contar que um Jack Daniel´s puro é bem mais gostoso do que Vodka e nem quero imaginar o que seria da vida sem Milk Shake ou a Kirsten Dunst, não necessariamente nesta ordem.

Eu te amo é bom dia?

Postado em 18 de set de 2009 / Por Marcus Vinicius 13 Comentários

Bom dia, eu te amo!

Muito se fala sobre a superficialidade das relações humanas nesta época das mídias digitais. Hoje em dia, praticamente tudo acontece na velocidade das transmissões de dados e perecem com a mesma velocidade do último reality show.

Basta acesso a internet que tudo está à mão: sexo fácil e sem troca de fluidos, emprego sem sair de casa, amores na prateleira como num supermercado dos relacionamentos. Tão fácil e tão difícil, tão perto e tão longe.

Hoje está tudo tão estranho que, com a internet ficou mais fácil arrumar um (a) namorado (a) em Moscou ou em Tóquio, do que na nossa rua. Enviam-se beijos e carícias por email, suspiros por mensagens instantâneas, discute-se relação pelo Skype e mais cedo mais tarde estaremos baixando nossos filhos por torrent.

Nada contra, não me entenda mal. Eu mesmo adoro twittar coisas do meu cotidiano e possuo vários bons amigos que fiz pela intenet, alguns destes inclusive nunca saíram do âmbito dela. Não sou avesso à modernidade e a rapidez, pelo contrário, mas estranho um pouco os exageros que com certeza acontecem.

Um destes é a crescente falta de necessidade de contato. Por exemplo, outro dia pelo Twitter me convidaram para uma "festa". Cliquei no link imaginando chegar a um convite com instruções de como chegar ao local ou ao flyer de alguma boate, mas não. Eu cheguei foi numa espécie de sala de chat, onde as pessoas apareciam em pequenas janelinhas e suas casas, dançando ao som da música que alguém estava transmitindo também de sua casa e interagindo pelas webcams.

Era meio curioso, meio bizarro ver gente fantasiada, outros arrumados, dançando sozinhos na frente de uma câmera e vendo uns aos outros através do monitor. Com certeza é um bom método contraceptivo, mas tirando dizimar a população mundial e evitar a "Operação Lei Seca", não consigo encontrar outros atrativos nisso.

Relação virtual tem limite e isso chegou a ser mais estranho pra mim do que sexo por msn. Outra vez, nada contra, mas pelo menos pra mim, ainda faz muita falta conhecer pessoalmente amigos, beijar na boca e trocar saliva, sentir o cheiro. Não tenho a menor paciência para relacionamentos que permanecem "virtuais" por opção.

Mas seria bom se ficasse só nisso.

A presença da internet e desse universo internético em nossas vidas também contribui para o assassínio da língua escrita. E não falo só do filho débil mental do português, o miguxês, os falantes do idioma de Shakespeare também padecem com seus "LOL"(lots of laughs), "LMAO"(laughing my ass out), "BRB"(be right back).

Mais um pouco e somente um transplante de cérebro poderá ajudar os muito jovens a não soarem como silvícolas que só conhecem vogais.

Fico aqui tentando imaginar como seria o miguxês do Japão...

Talvez essa infantilização lingüística seja também a causa da infantilização emocional a que assistimos. Cadê a cerimônia pra lidar com "aquela coisinha louca chamada amor", como bem dizia a letra do Queen?

A rasteirice intelectual, a facilidade da comunicação e a crescente falta de interesse no contato criam essa banalização do termo "eu te amo" e até mesmo do "eu odeio". Basta ver a quantidade de comunidades no Orkut dedicadas ao tema "Eu amo" ou "Eu odeio" qualquer coisa.

Considero impossível ter pela mulher amada o mesmo sentimendo que temos por sucrilhos Kelloggs e muito menos odiar coxinhas de galinha com a mesma intensidade com que odiamos um político corrupto.

Vamos respeitar estes sentimentos maiores, tenhamos com eles a mesma cerimônia que teríamos ao chegar ao Olimpo e nos depararmos com Eros, Jupiter, Diana, Apolo, Afrodite ou Vênus.

Prefiro acreditar que nenhuma pessoa, por mais estúpida e rasa que seja, chegaria na frente de Afrodite e diria "oix, amu muitxu voxê!".

Pode ser muita inocência minha, mas prefiro acreditar que sob esse monte de tráfego na rede, esse monte de bites e bytes, ainda existam pessoas de carne e osso, que sentem de verdade, que conseguem viver acima de toda essa profunda superficialidade (uso o profunda aqui de propósito) de relações, que nos transforma em um contingente de solitários, cercados de gente por todos os lados.

Torço para não estar errado.

O Brasil é um país paralelo

Postado em 16 de set de 2009 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários

O brasileiro tem em si a mania da cópia.

Não tanto quanto os chineses, que copiam produtos do mundo inteiro para vender mais barato ou os paraguaios que vendem tudo igual ao original, pero no mucho.

Nossas cópias são menos tecnológicas e mais psicológicas. Adoramos uma versão brasileira de tudo.

A Legião Urbana é até hoje aclamada por muitos como "Os Smiths brasileiros", Roberto Carlos é nossa versão cambeta e brega do Elvis, o Jô Soares é o David Letterman cover. Arnaldo Baptista é o nosso Syd Barrett, São Paulo nossa Nova Iorque, Xuxa é a nossa Xuxa mesmo e por aí vai.

Poderia passar o dia aqui citando todas as versões brasileiras que existem pra quase tudo, mas elas são apenas o sintoma desse mal que nos aflige: parece que não nos bastamos.

A nova obsessão por aqui é encontrar aquele que seria o "Obama brasileiro". Já tentaram que fosse a Marina Silva, ainda tentarão com outros até a eleição. Parece uma necessidade de criar uma dimensão paralela aonde tudo tem que levar um carimbo verde e amarelo, pendurar um abacaxi na cabeça e copiar o que já existe.

O que falta realmente é um Brasil do Brasil. Acho que tirando o Chacrinha e as jabuticabas, pouca cousa que já fizemos por aqui não é uma cópia de algo que venha de fora.

Nada contra imitar quem é bem sucedido, não me entendam mal! Prefiro 200 cópias nacionais dos Smiths do que uma Tati Quebra-Barraco original.

Mas vejam vocês que estamos pleiteando a organização de uma Olimpíada no Rio de Janeiro em 2016. O Rio e o Brasil tem problemas e pragas urbanas de fazerem inveja a Calcutá, mas a maior preocupação dos nossos governantes é "impressionar as delegações estrangeiras".

Dão a entender que precisamos urgentemente fazer uma Londres brasileira no Rio de Janeiro para receber os gringos, ou uma Miami brasileira(se bem de que essa já tem uma, na Barra), uma Tokio brasileira, uma Viena brasileira.

Os serviços de transporte, a pavimentação das ruas, o mobiliário urbano, o cuidado com as praças e demais espaços públicos, tudo terá que ser melhorado às pressas para receber os visitantes.

Percebem aí a ironia da coisa? Nós, que moramos aqui, que bancamos a festa toda, nós, os brasileiros brasileiros, podemos conviver com qualquer coisa. Ônibus caindo aos pedaços, trânsito caótico, vans, flanelinhas, ruas esburacadas, praças mal cuidadas.

O Brasil brasileiro feito pro brasileiro brasileiro é totalmente do "Paraguai". O Brasil bom, aquele Brasil feito pros visitantes, este é literalmente pra inglês ver, o brasileiro brasileiro só comparece com o seu dinheiro pra financia-lo.

E aí ao brasileiro brasileiro só resta torcer para que algo mais do que maquiagem que se vai com a primeira chuva do verão sobre para ele do que for feito. Que não somente joguem perfume em rios poluidos, recolham mendigos e escondam embaixo do tapete, pintem barracos de favela com cal, façam um rodízio de automóveis pro trânsito não incomodar a ilustre população flutuante dos Jogos Olímpicos.

Esperemos que o brasileiro brasileiro mereça também um pouco de "mimo" e que não roubem até as lâmpadas dos estádios e arenas ao final das competições.

Senão, assim que acaba a festa do Brasil dos visitantes, sobra pro cidadão o Brasil brasileiro de sempre, e voltam os mendigos, o lixo, as vans, o caos, enfim, tudo aquilo que o governo brasileiro acha que o brasileiro brasileiro merece, mas o estrangeiro não.

Tatuagem: arte na pele

Postado em 15 de set de 2009 / Por Marcus Vinicius 13 Comentários

Sábado fui no meu personal tattoo artist, pra decidir mais uma sessão de rabiscos na minha pele. Sim, este direitaço reaça possui sete tatuagens pelo corpo e adora a dorzinha da agulha.

Mentira, adoro nada. Gosto mesmo dos desenhos que ficam depois, aquela dor é um horror com o perdão da rima óbvia.

Sempre que vou a um estúdio de tatuagem, seja pra decorar a minha pele ou para acompanhar alguém que vai decorar a sua, lembro e relembro a primeira tatuagem que eu fiz e todas as dúvidas que eu tinha na hora, tanto que me deu vontade de falar sobre isso aqui, só que sem fazer um "10 mimimis que você não deve fazer no memêmê", prefiro conversar do que listar (mesmo que faça listas às vezes).

Então, a primeira coisa que você deve fazer ao decidir passar para o lado negro da força e virar um tatuado é se você quer mesmo isso. É meio sacal quem chega ao estúdio e começa a fazer perguntas tão inteligentes quanto "não sai mesmo?", "e se eu não gostar depois, o que faço?", "dói?", "sangra?".

Por educação e pelas boas regras do comércio e da educação o tatuador jamais vai te dizer "Se lavar com sabão de coco talvez saia" ou "Se você não gostar terá a opção de gastar 10 vezes mais numa clínica de laser e nem assim sairá tudo" ou ainda "se você não gostar, pode tentar o suicídio".

Sobre dor e sangramento sou eu que te pergunto: o que você acha que uma agulha entrando milhares de vezes por segundo na sua pele para despejar tinta nela fará? Dor, sangramento ou cosquinhas?

Tenho uma amiga tatuadora que mandou fazer uma blusa escrita assim: "dói, sangra e não sai". Acredite na camiseta dela, é tudo verdade.

Ultrapassada a dúvida quanto a inexorabilidade da sua decisão, vem outro ponto crucial: qual desenho faço?

Se você não tem idéia do que quer pintar para sempre na sua pele, creia em mim: o tatuador muito menos. Ele pode te ajudar a escolher a pose da Hello Kitty que você deseja fazer na testa, pode até te dar uma idéia de que na testa não vai ficar muito bom ou que uma Hello Kitty num homem de 40 anos fica meio bicha, mas se você não tiver idéia alguma, primeiro arrume uma para depois aparecer por lá.

Já ouvi histórias bizarras, como a patricinha que leva a amiga junto, pede pra moça abaixar as calças e mostra uma rosa na bunda da amiga dizendo "tá vendo?quero uma igual a dela!".

Ou então um sujeito aparecer e falar pro tatuador "quero fazer uma tatuagem no braço". E ao ser perguntado sobre qual desenho, qual estilo, etc, etc, responde "não sei, o que tem saído mais?". Fail total, concorda?

Outra coisa importante é pensar que se você está apaixonada pelo "Paulo" e pretende comemorar seu aniversário de 2 meses de namoro tatuando o nome dele no púbis, lembre-se que você pode estar apaixonada pelo "Alfredo" mês que vem e ficará estranho, aos 60 anos, você parecer uma lista de convidados de sauna gay, com tanto nome de homem escrito pelo corpo.

Caveiras, demônios e o rosto de um dos integrantes do Jonas Brothers também tendem a ficar sem graça quando passa a adolescência.

E muito, muito cuidado com o tamanho. Um sujeito com uma braçola de 50cm, estilo remador de porta-aviões, fazer uma estrelinha igual a do pulso da Gisele Bundchen fica esquisiiiiiito demais.

Resolvido o desenho, outra dúvida, em qual estúdio fazer?

Bons tatuadores geralmente cobram caro e valem cada centavo do que cobram. Mas não se iluda: nem sempre fama e preço tem a ver com qualidade. Tem muito famoso que cobra 500 reais pra desenhar um símbolo do infinito e que tatua "uzartista da moda" que é simplesmente horroroso. Conheça o trabalho do cara para o qual você vai entregar a sua pele antes de partir pra ação.

Se você gostar do que ele já fez nos outros, provavelmente não se arrependerá do que fará em você. Não conheço tatuador bom que não tenha farto material fotográfico com seus trabalhos anteriores. É o melhor cartão de visitas para ele e, como todo artista, ele também adora as pessoas pagando pau e dizendo "como está maneiro o desenho".

Quando o sujeito é ruim, ele tem duas alternativas: coloca as fotos de lua e estrela que fez na última ex-BBB da moda ou então não mostra nada, afinal, ninguém vai querer se tatuar com um cara que mostra a foto de uma carpa que mais parece uma baleia caolha nas costas da pessoa.

Procure um estúdio, limpo, organizado, profissional, de preferência com alvará e que não funcione junto com uma oficina mecânica de motocicletas. A chance de se deparar com um tatueiro que fará isso em você ali é bem menor.

Tem um site que mostra bem o potencial destrutivo de um tatueiro de calçada, esteja ele na calçada da rua mesmo ou disfarçado de tatuador dentro de um estúdio, vale a pena visitar: http://www.badtattoos.com/

Se o cara da Kombi cobra R$50,00 por uma tatuagem que custa R$250,00 num estúdio, algo está errado, não? Não acredite na balela de "não pago imposto, meu custo é menor". Imagina uma arte que necessita precisão sendo executada na calçada, com pessoas olhando de fora, balançando a Kombi, o sujeito bebendo uma cervejinha, "trocando idéia com azmina". Não pode dar certo.

Se você pretende fazer fotos de pessoas então mais cuidado ainda com quem escolhe, porque o resultado pode ficar tão "bom" quanto este. Acredite, não tem abstração ou boa vontade que te façam conviver bem com uma tatuagem ruim.

Não conheço uma pessoa que se arrependa de uma tatuagem feita por um bom profissional, que represente um desenho que tenha a ver com ela e que seja bem executada.

Essas histórias terríveis de gente que "se arrependeu e precisou conviver o resto da vida com aquilo" só acontecem em 3 casos: dor-de-corno em quem escreveu o nome do(a) amado(a), imagens escrotas que deixaram de ter a ver com você e sua vida, tatuagem mal feita.

No mais, eu digo pra você que me lê o mesmo que falo pra todo mundo que me pergunta o que eu acho sobre se tatuar: faça.

Não tem essa história de "ahhh, mas e quando eu ficar velho?". Quando você ficar velho você terá rugas, pelancas, artrite, uma aposentadoria vergonhosa, pode crer que um desenho na sua pele será a menor das suas preocupações.

E atualmente já tem tanta gente tatuada por aí, em diversos cargos dos mais aos menos importantes, que não ter tatuagem é que vai acabar virando "rebeldia e atitude".

Tanto que é passar atestado de Neandertal propalar frases como "Isso é coisa de marginal", "Mulher tatuada é tudo p*ta!". A menos que pensemos que Robert De Niro, Anna Kournikova, Sandra Bullock, Winston Churchill, Thomas Edson, Franklin Roosevelt e nada menos do que 8 reis europeus também o sejam.

Se você tem vontade, vai lá e faz.

Escolha bem o desenho e o profissional que irá executá-lo e manda ver, te garanto que você não vai se arrepender. Só não pense que vai parar na primeira. Todo tatuado que eu conheço está sempre prestes a fazer a "próxima e última" tattoo.

Vicia mais do que Coca-Cola.

O mundo colorido da internet

Postado em 13 de set de 2009 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários

"Assim é se lhe parece".

Quem nunca ouviu esta frase? Não lembro quem a inventou e estou com preguiça de procurar agora, porque o autor da pérola não é o ponto, o ponto é a pérola em si. Bah, foi Pirandello. Satisfeitos? Vamos adiante.

A internet elevou ao máximo grau de realidade, uma subjetividade total. Esta característica de tudo mudar de acordo com o olhar de quem vê. Complicado? Já explico.

Em um dos meus textos eu falei que no "no Orkut todo mundo é feliz, no MSN todo mundo está ocupado, no Twitter todo mundo é intelectual e espirituoso", usei esta frase para ilustrar a felicidade forçada que as pessoas ostentam, mas existe muito mais por trás dela do que simplesmente isto.

Existe um forte sentimento de negação ou afirmação-forçada de uma realidade virtual.(OK, continuo complicando, vamos tentar melhorar).

Com a massificação da internet e com a segurança da distância da realidade que ela nos proporciona, podemos criar personagens que mais são nossos alter-egos inflados do que a expressão da realidade nua e crua.

O cara é feio mas tira umas fotos em ângulos que lhe favorecem e assim nasce um Don Juan do ParPerfeito. A fantasia só dura até o primeiro encontro, é claro (isso se chegar até ele), mas durante aquele curto período o pobre diabo vive tudo o que não consegue viver na tal "vida real".

A menina compra bolsas da Isabela Capeto no brechó, assalta o cartão de crédito da avó para comprar o ultimo casaquinho da moda e estupra a própria conta bancária para frequentar as boates dos "rich", ela sabe que isso tudo é uma ilusão, mas e daí? Vá até o seu Flickr, Fotolog ou álbum do Orkut e me diga se não encontra ali uma verdadeira Lolita Pille dos trópicos.

Ou o carinha que tira fotos com o Audi do tio e coloca no album "tirando onda com meu poÇante". Daí haja cachaça pra convencer a menina que ele chamou pra sair que aquele Fusca 72 com roda de magnésio é na verdade um A3. Até adesivinho da Audi tem colado!

Tem quem parcele viagem na CVC em 60 vezes mas tire uma onda tão grande que a gente até pensa em acreditar que trata-se de uma reencarnação de Marco Polo.

O que eu quero dizer é que é fácil, muito fácil fingir qualquer coisa na vida online. Depois que inventaram o Google e a Wikipédia, qualquer idiota pode participar de um grupo de discussão de filosofia sem fazer muito feio.

Basta saber procurar e saber desviar o assunto do ponto incômodo na hora certa. Eu mesmo já cansei de fazer isso despudoradamente, deixando o outro com aquela cara de tábua de chiqueiro em dia de distribuição de lavagem reforçada.

Isso para colocar alguns arrogantes no seu lugar é uma maravilha. O que você não pode é se iludir com a aparência de conhecimento recém-conquistada e achar que efetivamente sabe alguma coisa do assunto.

Após livrar-se do vexame online convém ler um bom livro sobre o assunto (ou vários bons livros sobre o assunto) para não ficar igual a mocinha do cartão de crédito da avó e bancar um Chesteron de Lojas Americanas.

Quem nunca conheceu alguém na net e de uma hora pra outra percebeu que todas as 109 fotos que a pessoa te enviou estão com a mesma roupa ou todas com ela olhando ao alto, meio de lado, com o perfil esquerdo em evidência? Fica aquela sensação que: 1) Ela só tem essa roupa 2) Se virar o lado direito veremos ferragens iguais as do Terminator.

É um dos problemas de só querer enviar fotos que lhe favorecem. Besteira, cedo ou tarde você vai ter que sair daquela pose mesmo.

Mas a carência aliada à insegurança explicam.

Assim como explicam o sujeito criar a própria relevância e acreditar tanto nisso, que acaba convencendo outros dela.

Vejamos, outro dia falei aqui do egoblog. Nada a ver com menininhas que vão para a internet despejar os seus hormônios. Falo destes sujeitos que criam teorias sobre como enriquecer online, como ser isso, ser aquilo, tão profundas quanto os seus umbigos, mas que na base da repetição enfadonha e na maximização(maquiagem mesmo) de resultados acabam "convencendo" um monte de gente de que aquele cercadinho no quintal é uma tremenda de uma área vip.

Não é.

Temos um nichozinho bem ocupado, loteado por gente que se vende (bem) e que de certa forma engana patrocinadores com uma suposta "relevância". Já falei e repito: qual o maior público que um blog brasileiro tem? E o que isso representa no contingente total do mercado consumidor do país, ainda que somente da internet? Bem pouco, bem pouco mesmo.

Não falo aqui de blogs de gente que efetivamente ganha pra isso como o Noblat e o Reinaldo Azevedo. Estes são jornalistas conceituados que vieram trazer seu trabalho para a rede.

Falo destes que adoram mostrar cheques do adsense nos posts, deslumbrados com toda aquela riqueza e fazem livestream até de inauguração de lava-jato, se ganharem convite "VIP" pra isso.

"Fui convidado pra ir até Campos conhecer a fabricação dos parafusos que sustentam os carrinhos de mão das plataformas de petróleo. Campos não tem nada, os parafusos são parafusos e o buffet era modesto, mas sorry periferia, sou VIP por aqui".

Conheço uma senhorita que recepciona turistas na sua chegada ao porto do Rio de Janeiro. Ela não lhes fornece nada mais do que boas vindas, antes que pensem o contrário, mas é convidada VIP de quase todos os bons lugares da cidade.

Vocês precisam ver, é uma maravilha! Entra sem nem enfrentar fila! O que isso quer dizer? Nada talvez. Mas talvez queira dizer que não é preciso tanta "relevância" assim para conseguir umas boquinhas-livres por aí.

Podem até me chamar de invejoso por estar falando isso, mas compreendam, eu mal conheço essa gente! Entrei em contato com suas existências a partir de episódios no Twitter, aonde perseguem a @Twittess como verdadeiros Torquemadas.

Confesso que tenho com os Blogs uma relação egoistíssima. Nunca tive muita paciência para a "blogosfera", ainda que me utilize dela para comunicar-me com as pessoas. Sendo assim, até me espantei ao saber que certos perseguidores da Twittess estão aí fazem 2, 3 anos até mais.

Fico espantado com a capacidade que esses caras tem de falar da mesma coisa há tanto tempo e ainda assim encontrarem que leia aquela egotrip banhada a óleo de cozinha toda.

Não conhecia nenhum deles até entrar no Twitter, palavra de honra. Dessa forma, ainda não tive tempo de desenvolver sentimentos como "inveja" ou "rancor" ou mesmo "despeito".

Ainda estou atolado na perplexidade mesmo. Juro que não achei que a tal blogosfera fosse tão pródiga em criar tipinhos pernósticos e que consigam mergulhar tão fundo na insipiência dos seus umbigos. Só falam de si e terminam por alimentar sua própria (ir)relevância num ciclo sem fim.

E aí caio novamente no faz-de-conta do "Mundo Colorido da Internet" que citei no título. Aqui tem gente que se faz passar por bonito, por rico, viajado, inteligente e, porque não, relevante. Basta que tenha quem te escute (não precisa ser nem tanta gente assim) e disposição para variar sobre o mesmo tema de forma incansável.

Fica aquela fórmula já classica da "meritocracia blogueira": sou importante, porque meus amigos importantes dizem que eu sou. Eles são importantes porque eu, que tenho uma importância outorgada por eles, assim o digo.

Mais dois ou três posts no estilo "Eu, fulano e beltrano somos f*dões e um dia você chegará lá" e algumas piadas internas e pronto! Temos um nicho devidamente sindicalizado.

Aí nos deparamos com essas situações tais quais a que muito bem falou o Gravz: A Twittess aparece na Folha, no Estadão, na MTV, na revista VIP, dá entrevista para a Playboy, mas é irrelevante. Relevante é a turma que aparece na NerdPix e nos PodCasts da Memêsfera.

Não dá pra comprar essa idéia. Mas se ainda assim você achar possível, tudo bem, deixo para você um abraço e muito prazer em falar contigo mais uma vez. E já que você acredita em quase tudo que te digam mesmo...

Eu posso assinar: Russel Crowe. :P

Vans, mosquitos, flanelinhas

Postado em 11 de set de 2009 / Por Marcus Vinicius 2 Comentários

Certamente quem mora no Rio de Janeiro acompanhou esta semana a polêmica da retirada de grande parte da frota de vans de circulação.

O governador resolveu fazer um edital e os vencedores receberam autorização para continuar circulando, com itinerários e pontos de parada determinados e os demais, que não participaram ou não atingiram as exigências, passaram à ilegalidade.

O que houve foi muita gritaria, manifestações, oportunistas dizendo que isso é pra "favorecer a Zona Sul" (como se promover a ordem não favorecesse a todos), e um trânsito um pouco menos caótico ao final do primeiro dia de implantação do novo sistema.

Não conheço mudança de paradigma que ocorra sem tensão e o paradigma do Rio de Janeiro é esse: a desordem urbana.

A um dia chamada Cidade Maravilhosa é infernizada por kombis, vans, camelôs, flanelinhas, moleques de rua, favelização. Tudo isso passou a fazer parte do cotidiano de quem mora no Rio, tanto que são pragas vistas como fato consumado, aquele popular "ah, mas é assim mesmo...".

É assim mesmo, mas não precisa continuar sendo.

Retirar as vans que promoviam caos é um bom começo, mas ainda é muito pouco. O Centro do Rio é imundo. Fezes de mendigos, trombadinhas, camelôs, estacionamento irregular, feiura por onde se olhe. Tudo isso precisa ser posto dentro dos limites da civilidade.

E pros que falam que na Zona Sul tudo é azul, aconselho-os a tentar estacionar seu carro em qualquer rua dos bairros desta região.

Se não for abordado por um marginal exigindo pagamento adiantado por um pedaço de terreno público, terá seu toca-fitas roubado por algum cheirador de cola sem-vergonha.

Pra quem desejar ir mais longe, pode ir até a Barra da Tijuca, templo dos new-rich-emergentes-detergentes. Você ali provavelmente não será importunado por flanelinhas, já que nem calçadas o bairro tem direito: na Barra tudo foi inventado pra ser feito de carro.

Provavelmente exista até sapataria drive-thru no bairro, mas não é sobre isso que quero falar.

O que quero dizer é: não pense que lá tudo é igual os EUA só por causa daquela Estátua da Liberdade fake e das loiras siliconadas. Não. Além de suburbanos que encheram o pote de dinheiro com suas lojas de material de construção, imobiliárias e empresas de quentinhas, a Barra e o Recreio também são infestados por mosquitos.

O atual inferno é vivido pelo pessoal do Recreio, mas a Barra também é privilegiada, com suas lagoas e rios podres.

Li nos jornais que além dos pagodes, axés e funks que os jogadores de futebol que vivem ali ouvem em casa, a outra "música" que ecoa ao final de tarde é o som dos estalos das raquetes elétricas matando mosquitos.

Não é um som pior do que a música de nossos "boleiros", mas com certeza o animalzinho que elas matam é.

E o que o poder público fala? Praticamente que a culpa disso tudo é do mosquito e que o mosquito não é sua jurisdição a menos que esteja provocando uma epidemia.

Ao que parece, a partir da milésima morte por dengue ou febre amarela é que o mosquito entra na alçada do governo.

Mas porque falei disto tudo? Simples: para mostrar que nossa Cidade Maravilhosa precisa de muito mais do que músicas e loas para merecer este título, ela precisa de ação.

É necessário que esta vontade política toda que limpou as ruas de vans e providencialmente ajudou os donos de empresas de ônibus, também limpe os flanelinhas, camelôs, moleques de rua e, porque não, os mosquitos.

Ou então que o governo distribua logo raquetes elétricas para todos e que permita utiliza-las para, pelo menos, abatermos os flanelinhas também.

Me follow que eu te follow?

Postado em 10 de set de 2009 / Por Marcus Vinicius 11 Comentários

Sempre que alguém tenta explicar para um leigo o que é o Twitter ou sempre que usuários da rede social estão falando sobre ela, surge esta palavrinha mágica: followers.

O número de followers é mais ou menos como a bunda das modelos: pode ser lindo, mas todo mundo sempre quer mais.

Existem diversos métodos para aumentá-lo. O cara pode usar script para receber vários followbacks, pode adicionar usuários fantasmas como fez o Mano Menezes, ou pode passar uns 2 anos escrevendo sobre o acasalamento das placas de vídeo e esperar que a "relevância" venha a nado. Tanto faz.

Alguns destes são bons se usados direito, como os scripts, outros são estúpidos porque fantasmas não viralizam nem ectoplasma na rede, e finalmente aquele é pregado pela "meritocracia", excelente termo usado pelo Gravz para definir os que utilizam técnicas de SEO para inflar seus blogs com pára-quedistas mas condenam quem usa script no Twitter, é lento demais.

A "luta por followers" já assistiu até a uma celebridade como o Luciano Huck distribuir presentes em troca de mais seguidores. Patético, é verdade, mas o que não é patético nessas celebridades do "Mundo de Caras"?

Poucas coisas conseguem me causar mais a tal vergonha alheia do que esse pessoal. Poucas.

Quer saber de uma dessas coisas? O mendigo de follower.

Desde a fatal orkutização, o mendigo de follow é um personagem perene no Twitter. Por onde quer que se olhe, lá está ele.

"Só faltam mais 13 pra eu atingir 240 followers, me ajudem!" ; "Me segue que eu te sigo?" , "Queridos followers, respondam: devo ou não parar de seguir quem não me segue?"; "Poxa gente, me dá uma forcinha, só faltam 147 followers para eu chegar aos 150!".

Outro dia fui olhar a timeline de um indivíduo destes e de cada 10 twittadas suas, 11 falavam sobre o assunto "follower" ou "me seguir". É uma malice de doer. É uma declaração pública com firma reconhecida dizendo "sou um chato de galochas".

Imagino um cara desses chegando numa menina na noite. Deve ser algo mais ou menos assim: "fica comigo?fica comigo?fica comigo?fica comigo?fica comigo?", "Não? Pô, fica comigo que eu fico contigo!". :D

Preciso dizer mais?

Você pode ter 100 ou 10.000 followers no Twitter, o que vai te tornar interessante ou não para eles e para quem ainda não te segue é o conteúdo do que você escreve ali. Seguir alguém assim, como o carinha do "fica comigo que eu fico contigo" é algo como ir no Mc Donalds, comprar um cheeseburger e pagar a conta devolvendo um outro cheeseburger para a atendente.

Não existe intercâmbio de interesses, não existe aquela coisa do "eu te ofereço o que você quer e você me paga com o que eu quero".

Seguir e ser seguido é isso: você é interessante e em troca as pessoas se interessam pelo que você diz. A diferença pode parecer tênue, mas na prática nem é tanto.

Experimente fazer isso, experimente falar de algo a mais do que "seguir, seguir, seguir" e veja o resultado.

Se não quiser, tudo bem, direito seu.

Mas como bom mendigo que é, me envie seu endereço que eu te mando uma moedinha de 5 centavos pelo correio. Vale menos do que o frete que vão me cobrar, mas com certeza vale mais do que o você tem a dizer.

O Egoblog

Postado em 9 de set de 2009 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários

Andei passeando pelos blogs brasileiros considerados mais famosos e (argh) "relevantes" por eles mesmos.

Sim, o início da distorção é este: são eles próprios que decidem seu peso na blogosfera.

Número de acessos também conta, é claro, mas nunca vi nenhum membro da elitosfera dizer que a Bruna Susfistinha é relevante, apesar de milhares de acessos, livros e o escambau, o que leva a crer que visibilidade, visitação e "fama" não contam muito.

O que conta então? Achismo.

Podem chamar de "choro", tanto faz, não me importa o que digam, mas é um método de avaliação mais ou menos fácil e cômodo. Você aplica a prova, responde às questões e corrige, no final dando um "10" pra você mesmo.

Digamos que um blog "ifluente" da tal bostosfe, quer dizer, blogosfera tenha 10 mil acessos diários e uns mil comentários em cada post. Veja que exagerei, porque alguns que se consideram o último biscoito Bono do pacote não tem nem 10%,20% disto que chutei.

Mas tudo bem, digamos que tenham e coloquemos isto frente ao número de internautas do Brasil e ao tráfego diário da rede: não é nada. É um gueto e só.

Mas como são eles mesmos, junto a algumas empresas que querem passar uma imagem descolada que formam este "mercado", a coisa é extremamente interessante: eles se definem como relevantes e dividem assim o bolo do que vier como "lucro".

Mas não quero fazer aqui muro das lamentações sobre isto, não preciso que ninguém me dê brindes ou mimos, graças a Deus meu trabalho me proporciona o direito de compra-los quando desejo, este não é o ponto.

O que me deixou pasmo é alguns destes blogs não terem em seu conteúdo, o tal conteúdo "relevante" e de "qualidade" que eles tanto apregoam, muito assunto diferente.

Quando não estão fornecendo receitas sobre "como fazer um blog de sucesso", estão listando "10 coisas que se deve fazer para ser relevante" ou contando "o que fiz para ser um blogueiro famoso, influente e ganhar algum dinheiro com isso".

Tem também os posts contando sobre as últimas impressões de algum brinde ou boca-livre que ganharam graças ao fato de andar sobre o tapete vermelho da blogosfera, o que pensam dos outros blogs, o que pensam sobre o que as pessoas pensam deles mesmos, o que pensam sobre o que pensavam quando escreveram um post em 2003(pra mostrar antiguidade) e, claro, mais alguns posts ensinando "como seguir o caminho dos vencedores no...mundo dos blogs!".

Resumindo: eu, eu, eu.

O conteúdo é pobre, talvez por isto não rompam demais a barreira dos sites sobre tecnologia, revistas especializadas e tudo mais que for relacionado ao restrito público de quem se interessa pela blogosfera.

"Mas eu apareci no Estadão!", "E eu fui convidado a palestrar sobre como monetizar o Twitter no BoondoggleCamp 2009!".

Peanuts. Isso não é nada. Representa muito pouco até mesmo para o já restrito público internauta brasileiro.

Podem até falar que é bem mais do que eu já consegui, mas ainda assim é bem pouco e lembro que eu não me dedico a esta função, isso pra mim é catarse, diversão, faço pelos elogios e não por dinheiro ou "influência", logo, pouco importa.

Mas é extremamente desagradável ver gente que tem como principal assunto o "eu", ficar por aí ditando regras sobre o que é válido ou não.

Podem dizer que é direito deles fazer isso, concordo, mas é direito e dever de qualquer um que abomine a mistificação jogar uma luz sobre isso e não aceitar o engodo.

As pessoas tem todo direito de passar a vida falando num blog sobre "como eram verdes os anos da minha infância" ou "foi assim que me tornei xerife do Blogger e delegado no WordPress ", mas não tem nenhum direito de criticar alguém por falta de conteúdo, quando o que produzem é, a rigor, um verdadeiro passeio pelas suas próprias entranhas.

São conceitos relativos, é verdade, mas até mesmo por isso não considero nada do que essa gente diga como lei.

Pra mim, egoblog não é relevante. E ponto final.

O Twitter é "in", mas também pode ser "out"

Postado em 4 de set de 2009 / Por Marcus Vinicius 11 Comentários

Pouca gente nunca ouviu falar do Twitter. Não digo conhecer ou utilizar o site, mas ouvir falar dele. Também, como poderia acontecer o contrário?

Ele está presente no Fantástico, na Luciana Gimenez, nos jornais, programas, revistas e até a Xuxa deu uma passadinha por lá.

Primeiro só os early adopters sabiam o que era isso, naquele tempo, o Twitter era mais ou menos como o Tumblr: para poucos. Depois vieram os curiosos, no seu rastro os marias-vai-com-as-outras e finalmente eis que chega o povão.

Inclusão digital, populacho orkutiano, seja lá como for, o Twitter caiu no "popular" e hoje é difícil alguém não conhece-lo, como já disse acima.

Só que isso causa problemas, sim, alguns probleminhas.

Noves fora spammers, instabilidade do serviço devido ao alto tráfego (se bem de que nesse aspecto até que o Twitter tem tirado de letra), ataques hackers e o escambau que toda rede social que faz sucesso sofre, o Twitter também é atacado por comportamentos que enchem o saco de quem estava ali até um minuto antes do @aplusk.

Exemplos não faltam.

Por exemplo, ficar twittando suas funções fisiológicas é out. Pode ser bonitinho um live stream do coquetel 0800 que você foi chamado pela sua tia, mas responder à pergunta "O que você está fazendo?" com algo do tipo "Fui ali vomitar e mijar e já volto pra beber mais" não é algo que interesse a ninguém além de você e da latrina do local.

Outra coisa que enche o saco, pelo menos pra mim, é aquela pessoa que acha que o Twitter é uma reunião social na sua casa ou na casa de algum conhecido. Funciona assim: o cara entra de manhã e twitta, serelepe, "Bom dia Twitters!", quando vai dormir a noite solta um "Boa noite, Twitters".

Creia: isso não é interessante e ninguém vai te achar mal educado porque você passou a evitar isso. Na verdade, acho que ninguém notará a diferença.

Tem quem leve a pergunta "O que você está fa..." a sério demais também. Daí fica aquela coisa: "Lendo uma notícia aqui". Tá, mas qual notícia? O que você achou dela? É sobre o que?

Ou então "Comendo pão com manteiga". OK, o Twitter pergunta o que você está fazendo, mas será mesmo que seus seguidores morrerão sem essa informação tão importante?

Outro dia eu twittei que detesto fazer piada interna na timeline, porque eu sei que fica aquele aspecto de bites e bytes desperdiçados.

Piadas internas e epifânias, se não forem explicadas, deixam aquela impressão de que os seus seguidores estão acompanhando o mais novo profeta Gentileza do pedaço. Sempre falando por parábolas e dizendo coisas meio sem sentido.

Sendo assim, evite twittadas como "pensando seriamente em mudar o jeito que enfrento certos problemas" ou então "Só quero ver se hoje Aquaman, Poindexter e Jimmy Neutron vão fazer aquele rockzinho básico".

O Twitter também é para expressar particularidades, mas não devemos esquecer que é uma ferramenta de comunicação, assim, se sua comunicação for precária você consequentemente será um twitteiro medíocre.

E nem adianta encher o meu saco dizendo que "só quer falar com seus amigos mesmo e quem não te conhece que se dane", porque para falar com só amigos existe o msn, existe SMS, existe até uma coisa chamada telefone e, acredite, existem encontros e saídas reais.

Experimente usar esses meios "antiquados" pra ver como também é legal.

Uma coisa que eu acho meio triste é pedir RT (retweet). Entenda de uma vez por todas: se você tiver algo interessante a dizer, valerá RTs em cascata naturalmente. Se for algo sem graça ou estapafúrdio, nada e nem ninguém transformará seu prato sem sal num banquete. Esqueça.

Não falo aqui da famigerada "relevância", mas de coisas interessantes. Sasha Grey é irrelevante para os destinos do mundo e no entanto é interessantíssima.

Não precisa ser gostosa que nem ela, mas seja interessante.

Joguinhos, correntes e outras idiotices orkutianas já foram mencionadas ateriormente por mim, então, se não quiser se tornar um indigente digital, abandone-as imediatamente.

Deixo para o final aquele que é o comportamento mais brega, ridículo e pueril do Twitter: anunciar unfollow.

Eu sempre digo que quem faz isso só pode querer um abraço. Sério. O cara está ali carente, se achando o cocô do cavalo do bandido no deserto com o cantil furado e resolve testar a sua "importância", daí resolve anunciar que vai dar unfollow em alguém.

Não sei o que alguém espera com isso, sério. Que o objeto do unfollow implore para que ele não faça isso? Que se afogue num pote de ketchup? Que lhe pague uma propina para continuar a merecer a honra?

Se você não concorda com algo que um outro twiteiro fala e te falta vocabulário e cérebro para iniciar e sustentar um debate, ninguém vai te culpar pela sua carência de inteligência, apenas dê unfollow e pronto.

Agora, ficar anunciando "#Unfollow fulano pq tô de saco xeio deli", só vai demonstrar sua idiotice e sua carência de atenção. Como eu vivo dizendo no Twitter, você se tornará merecedor de um lindo Troféu F, de f*da-se, com direito a batatas-fritas e tudo.

Sei que estas são apenas opiniões minhas. Longe de mim pretender criar algum código de conduta ou algo parecido. Outro dia um pentelho me perguntou algo como "você quer ditar regras de etiqueta no Twitter" e respondi a ele o que quero dizer aqui: não.

Não sou a Glorinha Kalil da internet e, caso minhas opiniões sobre etiqueta no Twitter fossem lei, cobraria bem mais caro do que os R$500,00 reais que a Twittess pede por post para fornece-las a um brega-orkutiano-indigente-digital da vida.

Falo aqui apenas do que eu me deparo diariamente e, na minha muy modesta opinião, são atitudes que transformam qualquer um num legítimo frequentador do Piscinão de Ramos da internet.

O Twitter pode ser in, assim como também pode ser out. A escolha é sua.

Vote, pague, espere

Postado em 3 de set de 2009 / Por Marcus Vinicius 1 Comentário

"Vote, pague, espere". Estas três palavras bem poderiam estar grafadas no início da nossa Constituição. Elas basicamente definem o que é um "cidadão" na República Federativa do Brasil.

O poder público do nosso país encara o suposto cidadão primeiramente como um voto. Sim, um título de eleitor que tem o seu "direito obrigatório" de ir de 2 em 2 anos às urnas legitimar toda a basculheira que acontece nos mais diversos níveis de poder.

Somos importunados com mais um direito obrigatório: o de aturar propagandas gratuitas na TV. Assistimos um festival de bizarrices, de personagens caricatos, de ladravazes incorrigíveis, todos ali participando deste faz-de-conta democrático.

Faz-de-conta porque, no final, todos são os mesmos. Um que hoje é vereador amanhã será deputado. O Senador será prefeito, o prefeito será governador. É uma dança dos palácios, sempre habitados por gente que se acostumou a viver de sorver o dinheiro suado do cidadão.

Quando não sobra competência nem para serem eleitos pela maioria boçal que troca votos por tijolos, camisetas, latrinas (aliás, voto e latrina tem tudo a ver no Brasil), eles pedem aos que ainda tem voto para lhes arrumar uma boquinha.

E assim la nave va.

O segundo elemento na composição da pseudo-democracia brasileira é o econômico.

Alguém precisa sustentar essa cambada de pesos mortos dos gabinetes, casas legislativas, secretarias, ministérios. É um imenso contingente de inúteis, todos dedicados a sugar o que puderem dos cofres públicos, das formas mais criativas possíveis.

É preciso arranjar um monte de otários que trabalhem 4 meses por ano só para entregar este dinheiro nas mãos da quadrilha instalada da ocasião. Isso mesmo, "doamos" 4 meses de trabalho por ano jogados no lixo pagando impostos.

São verbas de gabinetes, cartões corporativos, assessorias, aspones (assistentes de p*rra nenhuma), amantes, filhos bastardos, viagens ao exterior, cotas de passagens diversas, jantares, convescotes, negociatas, malversações e, é claro, eles ainda precisam fazer um pé de meia para garantir o futuro das gerações vindouras (as de suas famílias, obviamente).

Aí entram os otários, nós.

IPVA, IPTU, IR, PIS, COFINS, ISS, IPI, CIDE e mais quantas letras e siglas você puder imaginar, todas elas muito bem resumidas na expressão: sorvedouro de dinheiro.

O cidadão, seja ele empregado na iniciativa privada, seja ele funcionário público concursado, seja empresário, tem um sócio e tanto pendurado na sua jugular: o "governo".

Entenda-se por "governo" todo o bando de inúteis mencionado acima. Pois é. Ele participa dos seus lucros com voracidade leonina e pouco se lixa para os seus prejuízos, ainda que tenha sido o culpado por muitos deles.

Seu carro bateu num buraco e você ficou sem rodas, pneus e final de semana? Azar o seu. Pague o conserto, porque o governo só presta para te cobrar o IPVA.

Ficou gripado e não tem plano de saúde? Problema de quem a não ser seu mesmo? Você só presta para pagar impostos variados e até outros que parecem o Jason do filme Sexta-Feira 13, como é a CMPF, que volta e meia ameaçam reaparecer. A fila de 6 horas e a consulta marcada para dali a um ano e meio não são problema do ministro ou do deputado. Problema seria se você sonegasse o imposto.

Sua empresa não pode contratar mais gente porque cada empregado custa o dobro por causa dos impostos que você tem que pagar? Ora! Pegue uma vassoura e varra o chão você mesmo. Vá entregar envelopes e aproveite a viagem para fazer visitas aos seus clientes, porque se contratar alguém "por fora", vem a fiscalização e te multa.

Estradas boas? Só com pedágio. Polícia nas ruas? Claro! Para fazer blitz e multar e rebocar quem não está com o IPVA em dia. Ladrões nos sinais? O que o prefeito tem a ver com isso? Se você ultrapassar para fugir do bandido o pardal te pega.

Funciona assim: você escolhe naquele momento por quem prefere ser roubado, se pelo ladrão que já está ali mesmo ou pelo ladrão sentado na prefeitura.

Exemplos não faltam, mas todos servem para o mesmo propósito: demonstrar a segunda face do "cidadão" na democracia das bananas do Brasil: o bolso.

Ele serve para ser cobrado, punido, multado.

Direitos? Bem, aí chego na terceira palavra: espere.

É o que se estimula o habitante do Patropi a fazer eternamente. "Somos o país do futuro", "somos um gigante adormecido"(diria comatoso, quase morto). E assim o tempo vai passando. E assim as computações gráficas da campanha eleitoral que mostram maravilhas futuras, viram as gambiarras e maquiagens da realidade.

E assim o tempo passa. Nosso povo, cada vez mais idiotizado pelo que é considerado "cultura" no Brasil, nossas escolas cada vez mais sucateadas, cada vez mais reduzidas a "distribuidoras de certificados".

Só o que importa são números para mostrar nas campanhas e propagandas oficiais. "5 milhões de alfabetizados!", "20% a mais de estudantes concluindo o ensino médio!", e por aí vai. Incrível que tudo só melhora nas estatísticas, no entanto nossa sociedade continua cada vez mais doente.

Violenta, brutalizada, ignorante, facilmente enganada pelos espertos e salvadores da pátria de ocasião.

Esse é o grande problema do Brasil: aqui sobra povo e falta cidadão.

O indivíduo é um voto para legitimar a farsa democrática, um bolso para sustentar a festa e "povo" para aguardar no seu lugar o momento de "dividir o bolo".

E o tempo passa e o "povo", estimulado pela burocracia e pela valorização do cinismo e do comodismo como valores pessoais segue esperando. Esperando pelo tal país do futuro que jamais chega, porque ele jaz natimorto aqui, no presente.

Pelo menos temos um litoral bem extenso, o que favorece que esta espera seja na beira da praia, com uma cadeirinha de sol.

Não falta vagabundo neste país pra tanto litoral e é melhor aproveitar enquanto o governo não pensa em taxar pelo uso das praias.

Afinal, o que é o funk?

Postado em 2 de set de 2009 / Por Marcus Vinicius 16 Comentários

"69 Frango Assado de ladinho a gente gosta se tu não tá aguentando para um pouquinho tá ardendo assopra!"

"Mete, mete, mete até goza que eu to pegando fogo quero ver tu apagar tah ligado neh"

"Pras amantes eu mando assim óóóó o namorado é meeeeeeu quando voce tiver disposição Tu vai encontrar u seu"

"Turano mais bolado aê...Fundamento do CV(Comando Vermelho) É "fé em Deus", Colômbia é muita pureza É só relíquia, Bolado Pantera Negra Se liga então, 157 só boladão"

"Eu vou tocar uma siririca eu gozar na tua cara. Vai mamada Vai mamada"

"Piririn, piririn, piririn alguém ligou pra mim vai me enterrar na areia? Não, não vou atolar tô ficando atoladinha"

Pra você, o que são essas letras de "música" aí em cima? Grosserias? Erotização extrema? Mal gosto? Apologia ao crime? Lixo? Embuste musical? Cacofonia? Assassinato da última flor do Lácio?

Na minha opinião, sim. É tudo isso e mais um pouco. Arte e cultura é que não é.

Pode enumerar quantas expressões depreciativas conseguir, pra mim, todas se encaixam perfeitamente em relação ao funk.

Mas para a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro não. Para eles esse amontoado de grosserias e idiotices é cultura. Isso mesmo, cultura. Tanto, que tem deputado defendendo um tal "Dia Nacional do Funk".

Sugiro ao "nobre" deputado que neste dia, peça à sua esposa, mãe, irmãs e filhas, se tiver, que vistam-se com aquelas roupas que valorizam a dignidade da mulher, iguais as que são propagandeadas como "da moda" pelos artistas do funk, e dancem estas letras aí em cima, "rebolando até o chão".

O que é bom pra família dos outros, deveria ser bom para a do demagogo ordinário que, atrás de votos fáceis e apoio de equipes de som que faturam milhões por mês, e sobre as quais pairam até suspeitas de receber dinheiro do tráfico de drogas para realizar seus bailes, vem prejudicar o trabalho que a polícia estava fazendo ao coibir bailes que tinham ligação com criminalidade, desordem e desrespeito às normas mais básicas de civilidade.

A ALERJ aliás é um caso a parte. A Assembléia Legislativa do Rio tem entre seus membros dezenas de indivíduos que respondem aos mais variados tipos de processos, alguns já condenados e esperando recurso, outros réus, diversos indiciados e até gente que saiu do plenário direto para um presídio.

Não pode sair nada que preste mesmo de um lugar assim.

Existem as exceções, mas pobre deles, estão soterrados naquela embaixada da Chicago dos anos 30 em plena "cidade maravilhosa".

Os defensores do funk argumentam que o "samba também foi perseguido um dia".

Balela. Impostura.

Na época em que o samba foi perseguido, o era por ser "coisa de preto". Só. Em tempos de cota racial, movimentos afro, camisas "100% negro" e o escambau, é imbecilidade achar que o tal "preconceito" contra o funk tem algo a ver com algum contexto racial. Não tem.

As letras aí em cima, a "cena" que cerca os bailes, a tal sub-cultura que caracteriza o funk é que são manifestação cultural de quinta categoria, porcaria mesmo.

Comparar algo escrito por Cartola, Noel, Paulinho da Viola com letras do Bonde do Tigrão, Tati Quebra-Barraco e quejandos chega a ser digno de psiquiatria. Só mesmo uma mente disposta a distorcer a realidade à sua frente pode tecer tal paralelo.

Assim como as favelas, que a todo custo tentam empurrar como fato consumado para a sociedade, formadores de opinião, empresários que lucram com este universo do funk e demagogos de ocasião procuram dizer para quem ouve esse lixo o seguinte: "isso que você está ouvindo é cultura, entendeu? Esqueça os palavrões, a erotização da infância, a degeneração moral, a falta de respeito com a mulher, a apologia ao crime, o assassinato da língua portuguesa, esqueça isso tudo e entenda: isso é cultura".

Favelas são uma ferida aberta nas grandes cidades brasileiras. Especialmente no Rio de Janeiro, onde todos os cidadãos sofrem com sua presença.

Destróem a mata atlântica, emporcalham a visão, favorecem a informalidade, a contravenção, a criminalidade e quase todo tipo de praga urbana que se conhece, desde camelôs, passando por flanelinhas, trombadinhas, Kombis, Vans, Milícias, bocas-de-fumo, tudo isso encontra caldo de cultura naquele ambiente degradado que são as favelas.

99% do povo que mora ali é gente boa, honesta e até mesmo por estes é que as favelas deveriam ser removidas.

O cidadão não deve morar onde quer e sim onde pode. É mole emporcalhar o final da Teixeira de Mello em Ipanema, não pagar impostos, jogar lixo lá de cima e achar que isso é um "direito".

Não é.

Deveriam ser removidos para bairros planos, planejados aonde houver espaço, com linhas de ônibus fartas e disponíveis 24 horas por dia e as árvores deveriam retornar àquelas encostas.

Isso sim seria solução e não essa palhaçada de "Favela-Bairro" ou de "PAC das Favelas". Fazer maquiagem e dar internet wi-fi para quem mora nesses lugares é o tipo de demagogia e gambiarra que as pessoas que dizem que funk é cultura fazem.

Não adianta me apresentar um caminhão de entulho e falar assim "está vendo este caminhão cheio de tulipas?".

Não são tulipas, são restos de obra. Não é cultura, é lixo.

Como sempre digo aqui, o que falta é educação, é fazer com que o cidadão possa estudar e ampliar seus horizontes. Se isso ocorresse, ele poderia até ouvir funk como galhofa, mas jamais acharia que isso acrescenta algo à sua vida e jamais entraria de cabeça nessa sub-cultura.

Mas a quem interessa um cidadão que conhece a diferença entre o Latino e Lamartine Babo? Certamente não interessa aos políticos que só sobrevivem porque este mesmo cidadão não sabe a diferença entre um escroque e uma "excelência".

É muito mais difícil contrariar a massa bestializada hoje, para que ela seja um contingente de cidadãos amanhã do que atirar pão e dar circo.

É o que faz quem defende que funk é cultura.

Políticos tem medo da impopularidade, outros artistas que não atuam nesta seara temem ser taxados de "elitistas" ou "preconceituosos" e o grande público em geral prefere ignorar, já que tirando aquelas moças e rapazes de classe média que querem bancar "do povão", ninguém ouve esta porcaria mesmo (menos quando é obrigado).

Não podemos proibir nada. Se palavrão fosse, por si só, passível de censura, o Costinha não teria feito um só show na vida e nem vendido nenhum disco. O problema não é esse.

Mas tapar o sol com a peneira é errado.

O problema é querer elevar isso a grau de "manifestação cultural", como se este amontoado de entulho fosse realmente um jardim de tulipas.

Onde houver associação com o tráfico deve ser proibido sim. Onde não respeitar as regras da convivência social, deve ser proibido sim. Tanto quanto se fizer apologia ao crime. E quando envolver menores de idade, quando favorecer a informalidade...

Quem quiser ouvir, que ouça. Desde que não peça meus ouvidos emprestados, pra mim tanto faz.

Mas não tente, jamais, sob hipótese alguma, me dizer que isto é arte, cultura ou que tem algum valor e muito menos comparar com samba, soul, jazz, rock, porque é forçar demais a barra.

James Brown, Michael Jackson, Billy Paul podem até sair do mesmo "tronco" musical, mas não tem nada a ver com MC Créu.

Nem a pau.

Deixo para o final uma letra de Noel, até para limpar a sujeira que eu coloquei lá em cima e para deixar um recado para aqueles que insistem nas comparações:

"No tribunal da minha consciência o teu crime não tem apelação debalde tu alegas inocência mas não terás minha absolvição..."

La Mohammed poderia ser você

Postado em 1 de set de 2009 / Por Marcus Vinicius 2 Comentários

Lal Mohammed tentou votar para presidente no Afeganistão. Lal Mohammed foi pego pelos talibãs no caminho da seção eleitoral. Lal Mohammed foi espancado e teve seu nariz e orelhas cortadas, pelos "sagrados" guerreiros do Talibã.

Assim como Lal Mohhamed, vários manifestantes contrários ao resultado da eleição no Irã foram espancados. Não tiveram seus narizes cortados, mas foram estuprados e abusados em prisões fétidas. Tudo isso feito pelos "sagrados" guerreiros da Guarda Revolucionária iraniana.

O que existe em comum nestes dois casos, além da violência contra cidadãos que tentavam exercer seus direitos? Muitas coisas, mas duas que particularmente me chamam a atenção: em ambos os agressores acusaram os "estrangeiros e ocidentais" de conspirarem contra o islã. E em ambos esta tal conspiração contra o islã também atendia pelo nome de "democracia".

George W. Bush foi um presidente controverso. Aproveitou-se de um momento de união nacional devido aos ataques do 11 de setembro para perpetrar uma política bélica agressiva, a tal "ação preventiva".

Sua truculência e a de seus assessores e conselheiros acabou por criar uma onda de anti-americanismo e uma simpatia por regimes islâmicos que é totalmente descabida por parte de quem, na visão destes regimes islâmicos, representa todo o mal que possa existir no mundo, ou seja, nós ocidentais não-islâmicos.

George W. Bush falhou em transmitir esta idéia. Falhou em administrar seu país de forma que a sua economia não desmoronasse sobre ele, falhou em vários aspectos, mas foi bem sucedido naquela que foi a linha mestra do seu governo: a segurança.

Depois do 11 de setembro, nenhum, repito, nenhum, e sem pudor repito outra vez, nenhum terrorista islâmico explodiu sequer um traque nos EUA. Tentaram, mas tudo foi em vão. O país passou 7 anos sem sofrer nenhum outro atentado.

O resto do mundo claudicou no início e Espanha e Inglaterra tiveram o seu quinhão da "tolerância" islâmica. Passaram a adotar as medidas impopulares e "exageradas" da doutrina Bush.

Igualmente passaram a ser mais seguros.

Mas não é sobre o presidente Bush, que eu particularmente não tenho a menor vergonha de dizer que gosto, que eu quero falar, é sobre a tal "tolerância" que é ditada como obrigatória a todos nós.

Os países muçulmanos possuem com ocidentais, não-islâmicos e principalmente judeus e cristãos uma tolerância que somente vemos paralelo nos leões e zebras.

Sim, os senhores de turbante tem conosco a mesma tolerância que um leão tem com uma zebra no Serengeti. Se puderem nos traçam, sem pena. Caso não seja possível, nos observam ao longe, esperando uma oportunidade.

Todo país cristão ocidental possui mesquitas funcionando livremente. Entoam seus cantos e louvores a Maomé, aquele que disse que o islã deveria ser difundido na base da espada se necessário, com toda a liberdade que nos negam em seus países para louvar Cristo, Buda, Abraão ou qualquer outro.

Na Arábia Saudita, por exemplo, carregar uma Bíblia ou um crucifixo é crime passível de cadeia e punições severíssimas (conheço algumas ONGs e militantes brasileiros que devem adorar a idéia, mas não é sobre elas que quero falar também agora).

Convencionamos dizer que a "minoria atuante" islâmica é assim, que eles na verdade são um "povo de paz". Vou parar de usas aspas aqui mas coloquem-nas aonde convier, porque tudo que direi é relativo. Dizemos que eles são oprimidos, que apenas devolvem a violência que sofrem, que são incompreendidos, que são vítimas, enfim, tudo que faz parte do discurso vitimista para justificar violências que outras pessoas sofrem sem terem feito nada para merecer isto.

É a maldita "divida histórica", paga com suor e sangue de inocentes.

Não são minoria. Se são, contam com a simpatia ou pelo menos a cumplicidade da tal "maioria" e por isso representam, sim, um aspecto determinante desta cultura.

Explodem bombas, cortam narizes, fazem ataques terroristas, vivem em outros países quando imigram para eles em guetos como se ainda estivessem na sua terra e, pior, tentam impor sua cultura até onde são imigrantes.

Conheço um austríaco que teve problemas quando sua filha quis casar-se com um turco. Ele não via nada demais nisso, a família turca sim. Não queriam "misturar-se".

Funciona assim: os euros austríacos são bem vindos, os genes, não.

Essa tendência de tolerância excessiva ocidental vem da tal "culpa" histórica sabe-se lá pelo que. Pelo período colonial? Pelas cruzadas? Pelas guerras? Ora, o islã ocupou a Europa, matou muita gente e até hoje acusa o ocidente por tudo de mal que lhes aflige.

Condenaram o presidente Sarkozy por proibir o uso do véu nas escolas, mas esquecem-se que no início seria apenas a "permissão" do uso, dali a pouco todas as meninas muçulmanas seriam obrigadas a usa-lo caso contrário sofreriam punições na sua comunidade, e mais a frente até as não-muçulmanas acabariam sendo obrigadas a usa-lo, caso eles pudessem fazer isso.

Não se esqueçam: falamos aqui de uma religião e uma cultura que proibem a livre manifestação religiosa em seus países. Tudo o que eu disser sobre eles aqui não será exagero.

Não digo que deveríamos fazer igual. Devemos manter a liberdade de culto sempre, pois essa é a essência de nossa civilização (Quem vier falar de inquisição levará uma espada da idade média enfiada no nariz, falo de hoje, dos dias de hoje).

Não adianta nada, pois eles continuam sendo intolerantes, mas não nos iguala, o que já é muito bom.

Israel (contra quem tenho milhares de diferenças, diga-se de passagem, mas que é a única democracia real no Oriente Médio) é a prova que não adianta ser tolerante. Lá funcionam mesquitas, existem árabes que são cidadãos do país, mas eles continuam sendo acusados de "tirania", quando na Palestina ocupada, por exemplo, ainda se apedreja mulheres que não submetem-se aos ditames do Alcorão.

Não devemos modificar a essência de nossa cultura para fazer um "olho por olho", mas devemos ser mais incisivos na sua defesa e em não permitir que nos satanizem desta forma.

Os "bandidos" no Afeganistão são os talibãs e não os marines.

Essa tolerância excessiva é que cria espaço para que, por exemplo, um jornal europeu tenha jornalistas ameaçados de morte porque fez uma caricatura com a imagem de Maomé. Caricatura de Jesus pode, de Buda pode, de qualquer um pode, Maomé não pode porque é mais "sagrado'?

Não, não é. Apenas tem entre seus seguidores os religiosos mais fanáticos, violentos e fundamentalistas que existem.

Alguém pode argumentar que todas as religiões só servem ao mal, que se não existissem o mundo estaria bem melhor. Respeito essa opinião apesar de não concordar com ela.

Se fosse tão simples assim, acho que veríamos monges budistas perseguindo judeus com espadas ou padres catolicos trocando tiros com evangélicos, só para citar algumas das maiores religiões monoteístas e algumas sub-divisões.

Não vemos. Só existe terrorismo islâmico, só existe intolerância religiosa oficial em países islâmicos e somente estes países lutam tão ferozmente contra coisas como tecnologia, informação, liberdade, democracia.

Em nenhum outro país do mundo persegue-se tanto a liberdade das mulheres, da individualidade, da livre escolha quanto nos países muçulmanos. 689 livros como "O Caçador de Pipas" ou "Desonrada", que falam sobre a repressão, estupros e violências nos regimes e na sociedade islâmicas não me deixam mentir.

Vamos perder o pudor de falar que são sociedades piores neste aspecto sim, que precisam mudar de um jeito ou de outro, não devemos nos curvar ante a sua violência em nome de uma suposta tolerância que acabará nos soterrando.

Devemos ter noção que, no patamar atual, nossa sociedade ocidental capitalista, cheia de defeitos, diferenças, problemas e milhões de questões que devem ser melhoradas ainda é o que existe de melhor disponível.

Lembro sempre do que disse Churchill nestas horas, assim falou o velho premier inglês: "A Democracia é um mau regime; mas é o melhor que se conhece".

Isso é um fato e jamais devemos deixar esta idéia esvaecer de nossas mentes. É no campo das idéias que todo conflito é vencido primeiramente.

É cool ter ódio dos EUA e apoiar, digamos, a resistência árabe, mas pergunte a si mesmo por um instante: você preferiria viver sob um governo americano ou sírio?

Não sejamos mais zebras, pois isso é tudo o que os leões mais desejam.
 
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