De volta ao vinil

Postado em 23 de set de 2009 / Por Marcus Vinicius

Dia desses estava zapeando pelo Mercado Livre e encontrei uma antiga vitrolinha daquelas portáteis. Como uma igual a que vi, bem conservada, é cara e a que encontrei estava num precinho camarada, resolvi leva-la, o que gerou um novo problema: não tenho mais coleção de discos de vinil.

Quer dizer, tenho, mas está em algum lugar do sítio em que meu pai mora perdida, daí resolvi entregar-me à tarefa de reunir títulos que valham a pena ouvir na minha nova vitrolinha.

Que tarefa mais gostosa! Redescobri o prazer de remexer trocentos LPs em prateleiras de lojas que ainda comercializam o saudoso bolachão.

Nestes tempos de facilidade da mp3, quase não lembrava mais como era excitante esperar os últimos lançamentos e passar horas vasculhando raridades nas lojas de discos.

Ainda posso sentir, como se fosse há 1 minuto atrás, a minha felicidade ao encontrar finalmente uma cópia de "First and Last and Always" do Sisters of Mercy na falecida(?) Gabriella Discos do Barrashopping. Ou então a minha surpresa misturada com o espanto de quem vê um novo mundo se abrir ao ouvir pela primeira vez "The Queen is Dead".

Lembro com saudades da minha coleção do Cure, os discos do U2 e, claro, meu queridíssimo acervo dos Smiths, que embalaram muita fossa da minha adolescência.

Minha falecida (será?) coleção ainda possuía Plebe Rude, Legião (que ainda não servia como detector de chatos naquela época), Camisa de Vênus, Violeta de Outono, Inocentes, The Fall, Echo and the Bunnymen, Mighty Lemon Drops...

Os discos em si falam muito, mas o que quero dizer na verdade é que parecia que aquela música, "impressa" nos discos de vinil, tinha mais personalidade do que os arquivos digitais de hoje.

Não que a qualidade seja melhor ou pior, não é nada disso. Artistas que eu adoro como os Killers ou o Muse só conheci em mp3. Mas aqueles discões acabavam fazendo parte da nossa vida de forma mais afetiva, isso eu não tenho como negar.

Existem títulos que não sei se conseguiria ouvir em vinil, nem se existissem, porque a qualidade do som digital ainda me embasbaca, ainda que os entendidos digam o contrário.

Mas certos sons, tipo Elvis, Chico Buarque, Johnny Cash, Supertramp, Simple Minds e todos os que citei acima da minha época do vinil, soam quase como mágica quando são tocados na vitrolinha que mais parece uma máquina do tempo nesta hora.

Volto anos e anos atrás, e é uma sensação estranha e boa ao mesmo tempo, assim como caminhar na rua carregando uma sacola quadrada cheia de discos de vinil dentro outra vez.

Fazia tanto tempo! (E parece que não passou tempo algum)

5 Comentários:

Andy Lima postou 23 de setembro de 2009 10:54

Eu peguei pouco a fase do vinil, mas tenho minha humilde coleção que não me desfaço por nada nesse mundo, era mais divertido ouvir música naquela época, ganhar um disco não era como ganhar um CD ou baixar uma MP3, ficavamos contente em ganharmos um disco da banda preferida no aniversário ou no natal, bom pelo menos comigo era assim, eu não tive uma vitrola, tinha aqueles aparelhos mais modernos que já tinha toca fitas embutido, mas ainda pretendo ter uma por que o prazer de ouvir um vinil em uma vitrola é inegualável!

Ótimo texto, meus parabéns!

MarcelGinn® postou 23 de setembro de 2009 11:06

Realmente o vinil nos arremete a uma época meio mágica. O prazer de adiquiri-lo, tirar da capa, colocar a agulha sobre o bolachão e ouvir os primeiros ruidos...não tem preço!
Depois, as lembranças que cada um deles nos trazem, da época da compra ou se foi presente de alguém especial ou um amigo das antigas.
Fiz dois post's sobre o assunto também: http://migre.me/2VGO e este que fala da volta da Poly Som: http://migre.me/1tzx. Quem sabe não volte a ser moda ou, pelo menos um formato diferente de mídia musical.
Abraço!

Thais de Oliveira postou 23 de setembro de 2009 16:13

Herdei dos meus pais verdadeiras relíquias em vinil... juntando com aqueles que embalaram a minha adolescência... Conservo uma boa vitrola!!! E sempre que posso como um bolachão para não perder o gostinho....rs
Divirta-se com a sua vitrolinha!!! Vale a pena!!!

Abraço

Hilton Neves postou 24 de setembro de 2009 15:30

Puxa*-* me amarro em vinil e acho as capas deles mais completas e com desenhos mais loucos! No Lp ouço de Technotronic(na minha adolesc. isso bombava) a Ed Motta & Conexão Japeri; do tbem Supertramp a George Harrison.

Isabel postou 22 de janeiro de 2010 08:49

Nossa, eu sinto o mesmo ouvindo um vinil... Nunca me desfiz da minha coleção de discos, e agora finalmente tenho uma vitrola para ouvi-los novamente! Um disquinho que eu perdi ao longo desses anos (mas espero ainda encontrar largado em algum armário na casa da minha mãe) é um que era brinde da C&A, com duas músicas que fizeram um enorme sucesso na década de 80 nos comerciais da loja: California Dreaming e a maravilhosa Summertime na voz da Rosa Maria!! Esses disquinhos eram feitos de uma material tipo acetato transparente, que inacreditavelmente funcionava e tinha um som excelente!
Um abraço

 
Template Contra a Correnteza ® - Design por Vitor Leite Camilo