As mentiras nos contam na noite

Postado em 30 de ago de 2012 / Por Marcus Vinicius 2 Comentários

Quase todo mundo que já esteve solteiro um dia sabe que a noite é uma guerra. Alguns até admitem isso sem nenhum problema, dizendo que "vão para a guerra" ao invés de ir para o bar, a boate, a festa, a micareta, o show, a apresentação de sereias pompoaristas e mais o que você puder imaginar.

Toda saída noturna merece aquela preparação. Banho, barba feita, perfume com cheiro de loção pós-barba até dentro da cueca e as palestras motivacionais entre amigos:

- Vamos lá! Vamos pegar geral! Nada de bichisse, de namorinho, de vem cá, meu bem, hoje é dia de escrachar, de liberar o Zé Mayer que existe dentro de cada um de nós, hoje não tem zero a zero, a gente já vai chegar pegando e dando aquele abraço de urso, quero ver quem vai ser bichinha de não pegar ninguém, u-hu! Bora!

Só que essa empolgação começa a passar já no elevador:

- Você vai com essa camisa rosa mesmo?

- O que é que tem?

- Parece que seu tio-avô usa uma igual pra ir na casa de chá.

- Porra, você só fala isso agora? E você, com essa camisa de banda?

- É o Iron Maiden, valeu?

- Mas você tá careca de saber que ninguém pega ninguém usando camisa de banda.

- Porra, vamos voltar pra trocar de roupa?

- Agora não dá, o desconto só vale até meia noite.

E assim vocês entram no carro (quando alguém tem um) e vão para a "guerra".

Chegando lá, vestidos minúsculos e brutamontes gigantescos estão espalhados por todos os lados. Vocês entram na fila e faltando 5 minutos para meia noite e depois de 384 VIPs entrarem na sua frente, finalmente estão no local do crime, no cenário da luxúria, no campo de batalha, na grande área (acabaram minhas metáforas), encostados na parede.


Você passa duas horas olhando para uma loira, seu amigo para uma morena e o primo dele para uma ruiva:

- Sou mais aquela loira.

- E eu a morena.

- Que isso, bonita mesmo é a ruiva.

- Bom que a gente não briga, cada um pega uma.

Todos riem:

- HAHAHAHAHAHAHA!

Mas quem vai chegar primeiro? Vocês conversam, debatem, fazem votações e decidem que é você que vai chegar primeiro na loira usando a infalível cantada da "sua roupa ficaria linda amassada no chão do meu quarto amanhã de manhã", mas quando finalmente toma coragem, percebe que a loira já está entre duas colunas da parede, beijando um careca musculoso e um sujeito vestido de palhaço ao mesmo tempo.

Conforme seus planos vão sendo destruídos um a um (a morena disse que cobra R$300,00 sem beijo na boca e a ruiva está acompanhada da esposa) e depois de quase todas as outras mulheres presentes já terem usado as mais variadas desculpas para não ficarem com vocês como "só vim pra dançar" ou "meu namorado lutador de vale-tudo vai chegar daqui a pouco", chega a hora do desespero:

- Cadê as bêbadas?

- Eu fico com as tarja preta!

- Tirem o olho das gordinhas!

Algumas horas depois, quando as bêbadas já desmaiaram, as gordinhas foram embora lanchar e seu amigo voltou com um grampo de cabelo enterrado na orelha depois que usou a cantada "bonito vestido, posso te ver fora dele?" com a tarja preta, chega a hora da mentira.

Um de vocês (pode ser até você) dá uma sumidinha e volta:

- E aí? Ainda estão no zero a zero?

- Foda isso aqui, só tem playboy e mulher metida, era melhor a gente ter ido pra algum forró...

- Losers...acabei de pegar a maior gatinha na saída do banheiro.

- Do banheiro?

- É. Fui no bar, depois fui dar uma mijada e quando estava saindo do banheiro a maior gata de mini saia chegou perto de mim e perguntou se eu queria uma dose de Absolut. Eu disse que queria e ela abriu a garrafa, disse "então vem pegar" e fez uma piscininha de vodka na boca...

- Porra, piscininha de vodka?

- Porra, Absolut?

- E cadê ela?

- Foi embora. Antes de me dar um beijo de vodka e transar comigo encostada num bebedouro ela disse que estava viajando pra França amanhã, acho que nunca mais vou ver outra vez.

- Aham...

Quando você for se pintar no metrô, fique sabendo: estamos de olho

Postado em 28 de ago de 2012 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários

Se transporte coletivo fosse bom, provavelmente eu não poderia pagar para andar nele. A verdade é que, pra mim, qualquer coisa maior do que uma SUV já cabe gente demais. Sejam ônibus, vans, bondes, trens ou metrô,  bom mesmo seria poder andar por aí com uma daquelas mochilas a jato, apenas na minha própria companhia.

Nada de gente falando aos berros no Nextel, nada de celular com música alta (não interessa qual música, até Mozart fica escroto se tocado distorcido e aos berros numa caixinha de som minúscula), nada de gente me encostando (quem não liga pra isso, então pare de reclamar daquele amigo que só fala cutucando).


Mas como nem tudo só tem lados ruins (menos, é claro, discos antigos do Menudo), existem certas coisas que só o transporte coletivo proporciona como, por exemplo, a coreografia de alguma moça se maquiando logo de manhã.


A primeira curiosidade todo mundo já sabe: o tamanho da bolsa e o que é capaz de sair ali de dentro. Juro que sempre acho que algum dia alguma garota vai tirar um espelho e uma cadeira de salão, um cabeleireiro, uma manicure e um daqueles secadores de cabelo gigantes no meio de algum vagão da Linha 1.


Porque é pincel pra cá, escova pra lá, sombras, bases, pó disso, pó daquilo, cremes, batons, protetor solar, gelzinho de álcool pra limpar a mão. 




E o vagão lotado, e as freadas bruscas, e o entra e sai de gente, e elas ali, fazendo movimentos certeiros, agradáveis até, próprios de quem desde muito cedo brinca de se pintar.


A correria da vida moderna as obriga a isso, claro. Certamente todas prefeririam um camarim com lâmpadas em torno do espelho e uma poltrona de veludo, mas já que o que tem pra hoje é se maquiar no metrô, elas dão o seu jeito com um ritual agradável e perturbador, porque me sinto invadindo o banheiro de alguém se fico olhando por muito tempo.


Agora procure imaginar se um homem tentasse o mesmo. Sim, porque fora os metrossexuais, o ritual de "cuidar de si" de um homem é basicamente fazer a barba, cortar as unhas e limpar as orelhas. Já pensou você sentado num vagão de trem e um sujeito cortando as unhas do pé ou raspando os pêlos do pescoço do seu lado?


Pior: imagine um cotonete usado. 


Não rola.


Meninas não. Elas se perfumam, cuidam dos cílios, enfeitam os lábios, o que no final nem faz muita diferença, porque mulher quando resolve ser bonita continua bonita com ou sem pintura, mas que é um espetáculo, isso é


Desconfio que algumas façam até de propósito, só pra olhar de rabo de olho e ver um monte de marmanjos com cara de babaca:


- Uau, um batom.


- Nossa, um curvex.


Acho que no dia que eu puder andar por aí em segurança numa mochila a jato vou até sentir saudade dessa parte do transporte público.

Mas só dessa.

Walter foi ao Mercado

Postado em 23 de ago de 2012 / Por Marcus Vinicius 2 Comentários

Uma das primeiras coisas que descobri sobre mim é que sou de capricórnio. Quando era criança nem achava isso tão legal, pensava que aquário, peixes ou leão era bem mais divertido (nenhuma razão esotérica, só por causa do nome dos signos mesmo).

Mas o tempo passou e acabei interiorizando todas aquelas características que falam sobre os capricornianos, como ser prudente, não demonstrar muito os sentimentos, ser meio pessimista, entre outras coisas.

Agora, se formos pensar bem, é meio pretensioso achar que alguns astros e estrelas se movimentam no universo só para determinar se a gente vai ser mau humorado, dançarino de conga ou piloto de Fórmula 1.

E ainda que fosse, com certeza os astros que decidiram que o Schumacher seria piloto não foram os mesmos que fizeram essa escolha pelo Rubinho (que é até bom piloto, mas esqueceu de ser um pouco mais rápido).

Só que tem gente que leva tudo isso muito a sério, a ponto de nem sair de casa para ir no mercado da esquina sem ler o horóscopo.

Nada contra, tem gente que também acredita na previsão do tempo (e os resultados são mais ou menos parecidos), mas ainda assim eu acho que essas seções de astrologia dos jornais e revistas poderiam ser um pouco mais diretas.

Por exemplo, como alguém vai poder se guiar através de coisas como "tenha uma atitude mais aberta, mas evite confiar em qualquer um. Desligue-se do passado, mas não se afaste dos velhos amigos. Cor: Magenta"? E ainda por cima tudo dito numa linguagem meio Mestre dos Magos ou Yoda.



- Sair de casa você não deve, mas ficar em casa bom também não é.

Além do mais, milhões de pessoas nascem por dia, todas essas pessoas terão o mesmo signo e se juntarão aos outros milhões que nasceram na mesma data em anos anteriores, sendo assim, como é que a mesma previsão vai atender a cada um deles? Imagina se todo mundo resolvesse ler o mesmo astrólogo e uma multidão de pessoas vestidas de magenta, turquesa ou rosa choque corresse às ruas diariamente?

Tudo bem que ficaria difícil fazer uma previsão diária individualizada para cada um que nasceu naquele dia, afinal os computadores da Nasa e da Amway (o segundo computador mais potente do mundo depois do da Nasa) já estão ocupados bisbilhotando marcianos ou organizando reuniões vespertinas para venda de inutilidades domésticas, mas essas previsões poderiam pelo menos ser mais diretas.

Seria algo como: "se você chegar atrasado no trabalho hoje vai dar merda. Cor: Marrom". Mas ficaria ainda melhor abrir um jornal e ler "jogue hoje na Mega Sena, ou na Loteria, ou no bicho, enfim, jogue hoje ou ficará na merda pra sempre. Cor: Verde Benjamin Franklin".

Alguns até tentam ser mais diretos, só que o medo de errar cria aquelas previsões de final de ano que quase todo mundo já viu no Fantástico:

- O time campeão brasileiro do ano que vem vai ser algum que tenha o uniforme preto ou branco, mas também existe chance de ser algum com azul, verde ou vermelho.

Uma dúvida que eu também tenho é a seguinte: se o meu horóscopo não estiver muito legal, dá pra trocar? Ligar para algum SAC, sei lá. Lembro até do Walter Mercado na TV dizendo "Ligue Djá! Ligue Djáááá!"

Você ligaria e diria: 

- Alô, será que posso me juntar aos geminianos só por hoje? É que tô afim de ir na praia e o meu horóscopo está dizendo que o meu elemento é fogo e tenho medo de água-viva...

Porque não é legal namorar com você mesmo

Postado em 21 de ago de 2012 / Por Marcus Vinicius 1 Comentário

Não existe nada melhor do que detestar alguma coisa junto de alguém.

Acredito muito nessa teoria, afinal, é muito mais divertido se relacionar com alguém que detesta as mesmas coisas que você do que de quem gosta das mesmas coisas que você. Gente que se junta para falar mal de alguma coisa é uma conversa. Gente que se junta para falar bem, é um fã-clube.

Mas como tudo na vida, isso funciona até certo ponto. Gente que pensa e age como nós é legal, pero no mucho. Sempre que penso nisso lembro de um episódio do Seinfeld em que ele conhece uma mulher que era sua xerox.

Fazia as mesmas piadas, gostava dos mesmos lugares e até era viciada em cereal. Só que depois do encantamento de primeira hora ele acabou enchendo o saco e se justificou dizendo que era como namorar a si mesmo. É aí que o "pero no mucho" aí de cima começa a valer.

Essa história de "amar a si mesmo" é muito legal e vende livros de auto-ajuda que é uma beleza, mas quando você começa a amar literalmente você mesmo, ou seja, a só gostar pessoas totalmente iguais a você, isso pode ser um problema.

E não estou falando de auto-abuso-sexual, masturbação na frente do espelho ou algo parecido, mas de você terminar descobrindo que sua companhia não é tão legal assim...pra você mesmo.

Não é porque alguém é irônico, sarcástico, cheio de tiradas ácidas que vai gostar necessariamente de alguém assim. Rola competição e você terminaria sem um alvo para as suas ironias, sarcasmos e tiradas, já que o casal vai carecer de uma "vítima".

Alguém mau humorado, que reclama do trânsito, do tempo,das horas, do barulho, dos outros, geralmente não é chegado em gente mau humorada. Normalmente um cara assim também não vai gostar de bem humorados hard (aquela vibe de vendedor da Chilli Beans o repele), mas nem por isso vai curtir rabugentos que nem ele.

Nosso mau humor é nosso, não tem como se ver livre dele sem toneladas de Prozac, mas o dos outros é fácil se livrar: basta um pé na bunda.


E tive certeza disso quando conheci uma menina bonitinha (bonitinha mesmo, mas só bonitinha) que era assim, igual a mim , irônica, sempre com algo sarcástico para falar sobre tudo (até sobre mim) e no final das contas achei ela um porre.

A experiência foi como trancar o Silvio Santos e o Galvão Bueno num almoxarifado, ou pior, era como ser trancado com os dois ali. Ela tinha opinião sobre tudo (igual a mim), sempre um fora bem dado para qualquer pergunta cretina (igual a mim) e acabou me mostrando como todas as minhas namoradas eram umas santas por aturarem alguém como eu.

Outra coisa curiosa é que quase todo mundo acha que deve ser o maior barato namorar uma garota igual a um amigo seu. Confesso que também já fui atraído pela idéia. Imagina só: assistir futebol, jogar vídeo games, fazer concurso de quem fala a palavra mais longa arrotando, gostar de carros, ver seriados comendo Doritos e o melhor, que é o fato de ainda por cima ela ter peitos.

Tudo funciona muito bem, com vocês dois transando que nem coelhos e fazendo trocadilhos babacas e piadas escatológicas juntos, até que um dia vocês estão tomando café da manha e ela diz algo como:

- A sua ROSQUINHA, você gosta com LEITE?


Nesse ponto você descobre que está namorando alguém muito parecido com seu melhor amigo da época do colégio e, pior, que o seu amigo criou peitos. Sim, é bizarro.

A verdade então é que para dar certo é necessária aquela dose de antagonismo que leve o outro a te dar um toque na boa de que está escrotérrima a sua fantasia de cosplay do Pac Man, e que não vai ser legal passear com ela no shopping, ou que adicionar molho chilli no sexo só é uma boa idéia num filme do Tarantino, jamais na...no...bem, no dos outros.

É por isso que amigos são amigos e namoradas são namoradas. A menos, é claro, que algum amigo seu de repente te convide para fazer uma sauna ouvindo Lady Gaga, mas aí já é outra história.

No fim das contas, eu que sempre achei que queria alguém que nem eu, acabei descobrindo que gosto mesmo é de alguém que não eu.

3 anos

Postado em 19 de ago de 2012 / Por Marcus Vinicius Nenhum comentário


Neste dia 19 de Agosto o blog fez 3 anos. Sei que é clichezão dizer isso, mas parece que foi ontem (e parece mesmo).

Já foi diário (nem sei como arrumava tanto assunto), passou a ser três vezes por semana e de um tempo pra cá ficou duas vezes por semana, periodicidade que garante uma produção legal e a minha sanidade mental também.

Nesses três anos já fiz parcerias, já mudei um pouco a temática, conheci grandes amigos, tive a honra de ser chamado de escritor por quem me lê e apareci até em dois livros de coletâneas ("Eu Amo Escrever", das lojas Cantão e Livros Ilimitados e "O Tempo de Cada Um", da Multifoco) e provavelmente esse ano ainda sairá um só meu, coisas que, com certeza, não aconteceriam se não fosse esse blog.

Por isso agradeço a todos que lêem, comentam e me dão força aqui, no Twitter e no Facebook a cada texto escrito e divulgado e espero que possa comemorar muitos aniversários ainda, afinal, não sou só eu que fico mais velho, o blog também merece ficar (ambos, porém, bem enxutos). ;)

Na hora de falar, menos também é mais

Postado em 16 de ago de 2012 / Por Marcus Vinicius 1 Comentário

Esse julgamento do Mensalão serviu para muita coisa. Entre elas, soubemos que foram necessários até carros fortes para transportar dinheiro que "não existe", depois deu pra ver como um ministro do Supremo gosta de falar horas sobre assuntos que demorariam segundos para qualquer pessoa normal discorrer.

Uma simples resposta "sim" ou "não" parece ser algo impossível para nossos togados. A impressão que dá é que se alguém perguntar as horas para um desses ministros, a resposta não será 10:45, 14:30 ou um simples "meio-dia e meio", mas algo como:

- Veja bem, a amizade entre Santos Dumont e Louis Cartier fez surgir o relógio de pulso, já que Alberto não conseguia ver as horas e voar ao mesmo tempo e...

E provavelmente o sujeito que perguntou já teria saído correndo.

O problema é que nem se abstendo de acompanhar as sessões ou de se tornar ministro do Supremo você estará livre desse tipo de problema já que o que não falta por aí é gente que não sabe ser sucinta. 

Você pergunta "tudo bem?" e a pessoa começa a te falar sobre o que comeu no café da manhã, o que leu nos jornais matutinos, como estava o ar-condicionado do metrô, conta que deu bom dia pro porteiro e você só não sai correndo de verdade porque os limites sociais impõem que ouça aquilo tudo, afinal, você perguntou, não é?

Conversar com pessoas assim lembra muito participar de alguma assembléia estudantil ou reunião de condomínio, nada é simples, tudo parece aquela busca por um consenso entre palestinos e israelenses.

Uma coisa é você ter conhecimento e ser uma companhia agradável, outra é ser alguém chato que precisa demonstrar sua erudição até na frente de uma banana-split. 

Contar que foi um cara chamado David Strickler que teve a idéia de partir uma banana ao meio e colocar sorvete ou então começar a teorizar sobre como aquela banana separada (split) representa as partes da sua vida que são estraçalhadas pelo tempo e que dependem da doce cobertura da sociedade consumista para ter sua dor aliviada é simplesmente chato. 

É como falar de vigilantes do peso num rodízio. De lasanha em academia. De surf numa reunião de nerds tipo a Campus Party, ou seja, é meio chato, inconveniente e te faz ser aquele cara que espalha rodinhas (o que nem é má idéia se for rodinha de violão).

Esse tipo de gente costuma ser como uma ópera. Vou tentar explicar melhor: ópera é bonito, ópera é algo erudito, faz você se sentir mais inteligente só por fingir que gosta (mais ainda se gostar de verdade), mas se o cara estiver numa vibe de Iron Maiden (ou Spice Girls), ópera não vai ser muito legal.

Da mesma forma, nem todo dia os outros estão afim de assistir aula gratuita sobre cultura inútil ou show de retórica hitlerista. 

Sempre imagino que os roteiristas de Lost (121 episódios que pareciam 1.000), Dallas (365 capítulos) ou Os Imigrantes (459 capítulos) deviam se comportar do mesmo jeito.

Deviam chegar para tomar café da manhã e só conseguiam sair da lanchonete na hora do jantar.



Lógico que muitas vezes a pessoa usa essa falação para esconder coisas que não quer que o outro saiba.

- Em que você trabalha?

- Ah, eu trabalho com logística de processos, auxiliando na linha de montagem de peças judiciais para encaminhamento ao juiz.

- Que porra é essa?

- Eu grampeio pastas, tá bom? Eu confesso: eu gram-pei-o-pas-tas!

Ou então você conhece uma garota na boate e pergunta pra ela:

- Onde você mora?

- Ah, ali pro lado da Ponte Rio-Niterói, num lugar bem tranquilo, com meu pai, minha mãe, dois cachorros, um gato e um cajueiro no quintal, é uma rua bem legal, sabe? Nasci ali, tenho um monte de amigos, tem até uma padaria na esquina que vende um sonho de doce de leite que é uma delicia e...

- Tá bom, eu te levo em casa.

Só depois é que você descobre que ela mora em Rio Bonito, a exatos 87 quilômetros de onde vocês estão.

Aliás, esse caso praticamente me obriga a abrir um parêntese que é uma dica para viver bem: antes de dizer "eu te levo em casa" para qualquer garota que conheceu na balada, sempre pergunte "onde você mora?".


E certifique-se de que ela diga exatamente onde é ao invés de contar sobre como brincava de amarelinha na calçada.

A mesma coisa acontece na hora de decidir uma saída. Claro que democracia é uma maravilha, comunicação interpessoal é um treco muito interessante, mas precisar formar uma comissão de análise para decidir qual filme vai assistir no cinema é meio over. 

Por isso quando te perguntarem que tipo de chocolate você gosta, diga apenas "Bis", "Chokito", "Kit Kat", e  não comece respondendo com algo como "o cacau é um fruto...".

Passe a agir assim antes que um dia você olhe pro lado e descubra que a pessoa não fugiu, mas já está até roncando.

Argentina, tango, Freud e a verdade

Postado em 14 de ago de 2012 / Por Marcus Vinicius 3 Comentários

A Argentina é o país com o maior número de psicanalistas por habitante do mundo. Não sei bem o que isso quer dizer sobre o país do tango (talvez ser o país do tango diga muito), mas achei uma boa frase para começar um texto.

Dizem por aí que tem coisa que só Freud explica, o que além de ser verdade, ainda me ajuda a encaixar aqui a frase inicial sobre psicanalistas argentinos que é uma beleza.

E uma dessas coisas que só Freud explica é a obsessão que as pessoas desenvolveram ao longo dos séculos pelo conceito de "verdade". Veja, não estou falando de mentir sobre tudo o tempo todo, ou então de falar mentiras cabeludas, mas sobre a fixação que certas pessoas têm por dizer coisas desagradáveis só porque acham que têm obrigação de falar qualquer sentença que venha na cabeça.

Você pode dizer que um amigo seu está "acima do peso" se ele te perguntar, mas chegar do nada e mandar, aos berros, no meio da rua algo como "nooooossaaaaaa como você tá gorrrrrrrrrrrrrdo!" é escroto, ainda que o sujeito esteja pesando 100 quilos.

Falar, por exemplo, que o trabalho do outro está "uma merda", a menos que você seja o chefe e esteja pagando, é algo dito para fazer muito mais bem ao seu ego do que ao seu amigo que teoricamente "precisa saber da verdade". E é nesse ponto que Freud entra: eu vejo um tremendo egoísmo na verdade.

Falo isso porque outro dia estava pensando nessas pessoas que sentam com o marido (ou esposa) e resolvem colocar tudo em "pratos limpos" (taí outra expressão que nunca entendi, já que sempre que falam isso vai rolar mesmo é roupa suja).


O casal vive bem (de mentira), em paz (de mentira) e em certa harmonia apesar do monte de problemas que a rotina traz (isso é verdade). Tudo dentro daquele equilíbrio que só a convivência e a intimidade podem trazer.

De repente, um dos dois resolve que precisa "tirar aquele peso das costas" (e transferir para as costas da outra pessoa), "falar a verdade doa a quem doer" (melhor que doa no outro), enfim, todas essas frases que geralmente acompanham alguma grande revelação.

Aí começam aqueles diálogos rodrigueanos:

- Precisamos conversar...

- Dá pra esperar acabar o jogo?

- Não, tem que ser agora.

- Mas o que seria tão urgente que não pode esperar o Brasil cobrar o último pênalti na final da Copa do Mundo?

- É que te traí.

- Beleza, se o Ganso fizer esse pênalti eu te perdôo por ter saído por aí aforando ele com outra pessoa.

- Esse trocadilho foi uma merda.

- Eu sei, mas me deixa só ver esse pênalti?

- O Matias não é seu filho.

- É filho de quem? do Ganso?

- Tô falando sério.

- Mas eu pensei que a gente vivesse bem.

- É, mas eu te traio há uns 10 anos e não aguento mais essa pressão na minha cabeça, não aguento mais viver numa mentira, prefiro falar logo toda a verdade, acho que vai ser melhor pra nós dois.

- Se vai ser melhor porque eu estou me sentindo pior do que há uns 5 minutos?

- Bom, eu precisava dizer a verdade, estou aliviada.

- Que bom que foi legal pra você, porque eu preferiria que não saber de nada disso.

- E viver uma mentira?

- Putaquepariu,

- O que foi?

- Ele perdeu o pênalti!

- E você levou bola nas costas.

- Esse trocadilho foi pior.

- Eu sei.

Numa situação dessas, o que menos interessa é a verdade. A pessoa quer é se sentir bem e jogar o o problema pra cima do outro, "toma aí que é teu". E isso, talvez, só Freud explique.

Por essas e outras é que eu digo: a verdade pode ser um tremendo gol contra.

E sim, esse trocadilho também foi bem ruim.

Chanel Nº 5? Sim. Cheese-tudo? Não.

Postado em 9 de ago de 2012 / Por Marcus Vinicius Nenhum comentário

Sempre que falamos em atração, principalmente física, o primeiro sentido que lembramos é a visão. E com certeza uma bela imagem realmente atrai, seja um derriére grande na medida certa, um peitoral definido, um olhar 43.

Mas como em relação aos sentidos que provocam seres humanos são mais ou menos parecidos com comida (estamos sempre querendo consumir alguém), inventaram até o termo apetite appeal (originado do sex appeal) para designar o frenesi que a imagem de certos alimentos provocam em nós.

E só mencionei essa mistura de gente com comida porque ela leva obrigatoriamente a falar de um outro sentido que funciona tão bem quanto a visão nesses momentos: o olfato.

Tem comida que é mais cheirosa do que é gostosa. Tem gente que é tão cheirosa, que até fica gostosa, mesmo sem ser.

Costumo lembrar das pessoas pelo cheiro, o que nem sempre é algo agradável. Houve uma época em que um técnico de telefone era toda hora chamado no meu trabalho para consertar um daqueles velhos PABX, e o sujeito realmente conseguia ter uma presença marcante.

Tão marcante que nós sabíamos que já tinha chegado quando ainda estava na recepção, tudo por causa daquele cheiro que não sei definir direito, mas era algo parecido com um bando de gambás que tomaram banho num valão e depois levaram uma cusparada de um camelo.

Por isso é que acredito que o amor vence quase tudo, menos um desodorante vencido. Este vence o amor de goleada.

Se relacionar com alguém que não cuida muito do que exala é como conviver diariamente com aquele sujeito que esvazia vagão de metrô, sabe como é? Você está ali, quieto, jogando paciência no seu celular e de repente todo mundo começa a coçar o nariz, você verifica se não é contigo, checa se não pisou em nada na rua, até que percebe um clarão no meio do vagão lotado e nota que a fonte do desconforto é um sujeito voltando do futebol semanal com os amigos.


Claro que só perfume também pode enganar, ou você acha que todo mundo que cheira a Chanel Nº 5 é a Marilyn?

Ainda assim os cheiros definem muita coisa nas nossas vidas. Eu sempre lembro da minha infância quando sinto cheiro de feijão cozinhando. Aquilo tem cara (sim, cheiro pode ter cara) de quintal, de almoço ao meio dia e do resto da tarde para não fazer nada.

Porque você acha que, como já vi dizerem por aí, meninas param de usar Melissinha quando começam a namorar? Nada a ver com moda e sim com aquele cheiro de loja de queijo que sapatos de plástico proporciona em qualquer pezinho, por mais bonitinho que seja.

E é certamente no amor, no sexo e na gastronomia que os cheiros mais nos marcam. Quem nunca ficou alérgico a algum perfume só porque ele tem cheiro de ex-namorada? E quem nunca teve vontade de devorar alguém como se fosse um sushi (lasanha não é muito sexy) só por causa do perfume certo passado na nuca?

Sem contar que é quase impossível não capitular perante o cheiro de uma torta de chocolate recém saída do forno. Sem brincadeira. O cheiro de uma torta de chocolate com cobertura de brigadeiro é a versão olfativa de uma foto da J. Lo saindo do banho.

Mas isso nem sempre funciona. Por exemplo, por mais que você goste de bacon, duvido que sentisse atração por alguém que cheirasse a um cheese-tudo.

Isso porque nem falei de sabonetes, sachês e outras usinas de cheiros, como o lança perfume, que ainda por cima dá onda. E também as balas tipo Tic-Tac e Hall's, que muito longe de terem como principal objetivo o gosto, existem para dar uma força no cheiro do beijo.

Também é bom não esquecer que se a sua casa e o seu carro não cheirarem como uma cena de crime, isso também ajudará bastante nos seus relacionamentos interpessoais.

Por isso tanta importância com os cheiros, afinal, se somos o que parecemos, o que pensamos, o que ganhamos, definitivamente também somos o que cheiramos.

Dito isto, tente reservar uns minutos do seu dia para cuidar do rastro que você vai deixar por onde passa, já que é muito melhor cheirar que nem uma loja de shopping center (dessas que colocam essência no ar-condicionado só para prender o cliente pelo nariz) do que a uma jaula de hienas.

E não ria, tem gente que cheira a jaula mesmo e isso não é nada engraçado. Pega mal, inclusive.

Atchim.

Moderno é não ser moderno

Postado em 7 de ago de 2012 / Por Marcus Vinicius Nenhum comentário

A raça humana é uma criação estranha. Acredite no que quiser, em algum momento, alguma forma de vida se transformou (ou criou, como preferir) isso que hoje chamamos de "ser humano", ou simplesmente "homem".

Mas o fato é que já que estamos aqui, buscamos transformar nossa curta estadia nesse planeta em algo mais agradável o tempo todo. Inventamos passatempos, pratos culinários enfeitados, roupas e calçados, meios de locomoção.

E além disso, sempre buscamos aperfeiçoar o que já existe. É como se cada geração fosse uma espécie de estagiário da seguinte e tivesse que ouvir aquela conversa "não está ruim, você tem potencial" (que não deixa de ser uma forma educada de dizer "está uma merda"):

- Olha só, inventamos um HD de 1 giga, acho que ninguém nunca mais vai precisar de mais espaço do que isso!

- Aceita uma crítica construtiva?

E assim aconteceu durante toda a nossa existência.

Nossos avôs faziam barba com a navalha em uma das mãos e uma imagem de São Judas Tadeu na outra (rezando para não se cortar com aquilo e virar o 10º "scarface" na história da família). Hoje nós possuímos aparelhos de barbear com três lâminas equipadas com amortecedores e uma tira lubrificante com aloe vera (os antigos provavelmente achariam isso tudo meio gay, mas releve, afinal eles cheiravam rapé e aquilo nem ao menos dá onda).

Aos trancos e barrancos a humanidade foi melhorando tudo. Telefones, televisores, automóveis, tênis de corrida, bolas de futebol, aviões, as formas de se ouvir música (já se imaginou tendo que sair por aí carregando um quarteto de cordas na mochila ao invés de um iPod?).


Mas curiosamente alguns de nós teimam em querer fazer o tempo voltar. Nada contra viagens no tempo, que fique claro, mas se eu pudesse fazer isso com certeza seria para voltar para a 8ª Série e dar aquele beijo que eu não dei numa festinha por cagaço de levar um fora e não para jogar Atari.

Daí a dificuldade em entender esse pessoal over-fixado em velharia. Claro que o design de uma geladeira dos anos 50 é sensacional, ainda mais visto de hoje, época em que já deu tempo de "desenjoar" daquilo. Mas uma coisa é curtir o visual, outra bem diferente é comprar um eletrodoméstico de 500 quilos e que precisa de uma usina hidroelétrica particular para funcionar e colocar em casa.

Televisores velhos, rádios velhos, fico esperando o dia em que alguém vai inventar de sentir saudade do telefone de disco (se é que já não tem). Revelar um filme e descobrir que queimou 34 das 36 fotos era uma sensação tão deliciosa que desde que surgiu a câmera digital eu nunca mais tirei uma foto sequer com uma analógica.

E ainda assim existem clubes de pessoas que se reúnem para tirar fotos com câmeras analógicas(!), russas(!), de plástico(!!!).

Tudo bem, rola aquele romantismo, aquela sensação de conquista advinda da dificuldade. Mas o engraçado é que nunca vi ninguém pedindo a volta da virgindade obrigatória pra casar (ou do Orkut).

Ombreiras, pochetes e mullets ainda estão na fase da desintoxicação, mas temo pelo que pode acontecer com eles no futuro caso algum fashionista resolva lançar um olhar 43 para algum desses fantasmas da moda do outono-inverno/primavera-verão passados.

Um descolado de hoje em dia anda num Fusca, usa suspensórios e blusas xadrez, gosta de chapéu de feltro, óculos da Audrey Hepburn, tira fotos usando uma Lomo, ouve música em fita cassete, consulta as horas em relógio de bolso e, não duvido, faz barba com navalha (mas sem a imagem de São Judas Tadeu, já que agora a moda é ser "ateu").

Quer dizer, faz a barba quase toda, porque ainda tem a obrigatória presença do bigode, que faz todo mundo ficar meio com a cara do tio do KFC. Tenho certeza que até Hitler rasparia o próprio bigode se conhecesse essa modinha. (sério, ainda não me conformei com essa do bigode).

Vou até parar por aqui.

Eu fui, todo mundo não foi

Postado em 2 de ago de 2012 / Por Marcus Vinicius 1 Comentário

Nem tudo o que dizemos é o que queremos dizer. O melhor exemplo disso é quando chamamos alguém de "filho da puta".

Ora, nesse momento você pode ter a intenção de dizer qualquer coisa. Que o sujeito é um cretino, um canalha, um calhorda, um caloteiro e para não ficar só em adjetivos iniciados pela letra "c", vacilão, sacripanta, ordinário, imagine qualquer coisa, e quase tudo vai caber no "filho da puta".

Só o que não cabe é um insulto à progenitora do indivíduo em questão. Jamais queremos falar algo sobre a mãe do cara e isso é um fato tão certo quanto o dele provavelmente ser mesmo um filho da puta. Seja xingando o juiz no estádio, lendo notícias do Congresso, nunca uma senhorinha fazendo crochê ou bolo de chocolate é a ofendida, mas sempre o filho dela.

Mas essa não é a única coisa que falamos sem pensar bem no significado (ou com outra intenção bem diferente do que o significado possui). Não estou falando de figuras de linguagem mais explícitas tipo "fica frio" ou "não esquenta", mas de frases que, levadas ao pé da letra, nos fazem parecer meio malucos.

Duas delas que sempre me deixam com vontade de rir são "todo mundo vai" e "não tem ninguém aqui".

Quando ouço alguém dizer "todo mundo vai", é impossível não pensar "vai o cara, o único amigo dele, um estranho que não tinha o que fazer e viu o evento no Facebook e o resto das pessoas da rua que nem sabem quem ele é".

Porque o "todo mundo", ainda que não queira dizer  "todas as pessoas do mundo", não consegue nem mesmo chegar perto de todas as pessoas que você conhece.

Digo isso não em tom de reclamação, mas até de alívio, porque já se imaginou junto com o pessoal da república da sua faculdade, do seu ensaio do coral na Igreja, da sua antiga turma de escoteiros, a galera do surf, suas tias, suas avós, aquele sujeito que te zuava no colégio, o jornaleiro, o seu barbeiro, a depiladora que faz sua sobrancelha sem ninguém saber e mais todas as pessoas do seu mundo reunidas num só lugar, numa festa?

Só a imagem de um skatista com a cueca aparecendo chamando sua tia pra dançar ao som do coral já serve para desestimular qualquer simpatia pela experiência. Não tem como e nem por que "todo mundo" ir num lugar. Pro seu bem.

O outro termo engraçado é o "não tem ninguém aqui".


Digamos que você saia numa sexta-feira e vá para um bar. Você chega lá e não encontra nenhum conhecido, mas pelo menos um garçom vai estar ali, o que já elimina o "ninguém". Mas OK, sabemos que quando a gente diz isso queremos dizer "não tem ninguém que eu conheça aqui", só que ainda assim (e apesar da conotação que sempre damos) isso não é de todo ruim.

Se não tem "ninguém conhecido" no lugar, pelo menos o seu chefe não está ali. Nem a sua sogra. Nem aquele sujeito que te zuava no colégio. Não ter ninguém conhecido ali elimina seu vizinho chato, o zelador do seu prédio que vive reclamando do lixo que jogam fora da lixeira, aquele coroa que vai no seu barbeiro sempre que você está lá e assobia "Voa Canarinho Voa" e músicas do Molejo durante todo o processo em que faz barba, cabelo e bigode.

Não ter ninguém ali elimina o pessoal que só fala de novela o tempo todo. Elimina também gente que só fala de política o tempo todo, ou de futebol, ou papos cabeça, enfim, elimina todos os chatos que você conhece.

Além disso, esse fato faz com que todas as pessoas que estão ali sejam, pelo menos teoricamente, novas. Não tem ex-namorada, ex-amigo e nem aquele seu velho amigo skatista e ex-maconheiro que agora virou cantor de sertanejo universitário e vive te convidando pra participar de uma roda de violão com os sucessos de Chitãozinho e Xororó em ritmo de axé.

Só quem te enche o saco e pode estar ali é aquela operadora de telemarketing que liga todo sábado de manhã com uma incrível oferta do cartão Visa.

Mas aí não tem problema, porque você não vai conseguir reconhecê-la já que nunca viu sua cara e, de mais a mais, não tem ninguém ali mesmo, você está sozinho, vai que ela é gatinha...
 
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