Quando você for se pintar no metrô, fique sabendo: estamos de olho

Postado em 28 de ago de 2012 / Por Marcus Vinicius

Se transporte coletivo fosse bom, provavelmente eu não poderia pagar para andar nele. A verdade é que, pra mim, qualquer coisa maior do que uma SUV já cabe gente demais. Sejam ônibus, vans, bondes, trens ou metrô,  bom mesmo seria poder andar por aí com uma daquelas mochilas a jato, apenas na minha própria companhia.

Nada de gente falando aos berros no Nextel, nada de celular com música alta (não interessa qual música, até Mozart fica escroto se tocado distorcido e aos berros numa caixinha de som minúscula), nada de gente me encostando (quem não liga pra isso, então pare de reclamar daquele amigo que só fala cutucando).


Mas como nem tudo só tem lados ruins (menos, é claro, discos antigos do Menudo), existem certas coisas que só o transporte coletivo proporciona como, por exemplo, a coreografia de alguma moça se maquiando logo de manhã.


A primeira curiosidade todo mundo já sabe: o tamanho da bolsa e o que é capaz de sair ali de dentro. Juro que sempre acho que algum dia alguma garota vai tirar um espelho e uma cadeira de salão, um cabeleireiro, uma manicure e um daqueles secadores de cabelo gigantes no meio de algum vagão da Linha 1.


Porque é pincel pra cá, escova pra lá, sombras, bases, pó disso, pó daquilo, cremes, batons, protetor solar, gelzinho de álcool pra limpar a mão. 




E o vagão lotado, e as freadas bruscas, e o entra e sai de gente, e elas ali, fazendo movimentos certeiros, agradáveis até, próprios de quem desde muito cedo brinca de se pintar.


A correria da vida moderna as obriga a isso, claro. Certamente todas prefeririam um camarim com lâmpadas em torno do espelho e uma poltrona de veludo, mas já que o que tem pra hoje é se maquiar no metrô, elas dão o seu jeito com um ritual agradável e perturbador, porque me sinto invadindo o banheiro de alguém se fico olhando por muito tempo.


Agora procure imaginar se um homem tentasse o mesmo. Sim, porque fora os metrossexuais, o ritual de "cuidar de si" de um homem é basicamente fazer a barba, cortar as unhas e limpar as orelhas. Já pensou você sentado num vagão de trem e um sujeito cortando as unhas do pé ou raspando os pêlos do pescoço do seu lado?


Pior: imagine um cotonete usado. 


Não rola.


Meninas não. Elas se perfumam, cuidam dos cílios, enfeitam os lábios, o que no final nem faz muita diferença, porque mulher quando resolve ser bonita continua bonita com ou sem pintura, mas que é um espetáculo, isso é


Desconfio que algumas façam até de propósito, só pra olhar de rabo de olho e ver um monte de marmanjos com cara de babaca:


- Uau, um batom.


- Nossa, um curvex.


Acho que no dia que eu puder andar por aí em segurança numa mochila a jato vou até sentir saudade dessa parte do transporte público.

Mas só dessa.

4 Comentários:

Thai Catedral postou 28 de agosto de 2012 12:52

Eu sempre me pergunto como essas mulheres conseguem fazer uma maquiagem completa em um trêm em movimento. Minha irmã é uma dessas, eu não consigo nem passar um lápis de olho parada sem me machucar, e vejo por aí mulheres que usam até curvex. Acho que isso é um dom!

Priscila Ribeiro postou 28 de agosto de 2012 13:05

Excelente!!
De fato todas preferiríamos um espelho com holofotes e a cadeira de veludo, mas com bem disse, eh o que tem pra hj!

mvsmotta postou 28 de agosto de 2012 13:27

Disse tudo: é um dom! Hehehe.

Mel postou 30 de agosto de 2012 13:01

Não consigo me maquiar direito neim com mil lâmpadas e um instrutor profissional ao lado, imagine só no metro. Realmente é de admirar quem consegue.

 
Template Contra a Correnteza ® - Design por Vitor Leite Camilo