Moderno é não ser moderno

Postado em 7 de ago de 2012 / Por Marcus Vinicius

A raça humana é uma criação estranha. Acredite no que quiser, em algum momento, alguma forma de vida se transformou (ou criou, como preferir) isso que hoje chamamos de "ser humano", ou simplesmente "homem".

Mas o fato é que já que estamos aqui, buscamos transformar nossa curta estadia nesse planeta em algo mais agradável o tempo todo. Inventamos passatempos, pratos culinários enfeitados, roupas e calçados, meios de locomoção.

E além disso, sempre buscamos aperfeiçoar o que já existe. É como se cada geração fosse uma espécie de estagiário da seguinte e tivesse que ouvir aquela conversa "não está ruim, você tem potencial" (que não deixa de ser uma forma educada de dizer "está uma merda"):

- Olha só, inventamos um HD de 1 giga, acho que ninguém nunca mais vai precisar de mais espaço do que isso!

- Aceita uma crítica construtiva?

E assim aconteceu durante toda a nossa existência.

Nossos avôs faziam barba com a navalha em uma das mãos e uma imagem de São Judas Tadeu na outra (rezando para não se cortar com aquilo e virar o 10º "scarface" na história da família). Hoje nós possuímos aparelhos de barbear com três lâminas equipadas com amortecedores e uma tira lubrificante com aloe vera (os antigos provavelmente achariam isso tudo meio gay, mas releve, afinal eles cheiravam rapé e aquilo nem ao menos dá onda).

Aos trancos e barrancos a humanidade foi melhorando tudo. Telefones, televisores, automóveis, tênis de corrida, bolas de futebol, aviões, as formas de se ouvir música (já se imaginou tendo que sair por aí carregando um quarteto de cordas na mochila ao invés de um iPod?).


Mas curiosamente alguns de nós teimam em querer fazer o tempo voltar. Nada contra viagens no tempo, que fique claro, mas se eu pudesse fazer isso com certeza seria para voltar para a 8ª Série e dar aquele beijo que eu não dei numa festinha por cagaço de levar um fora e não para jogar Atari.

Daí a dificuldade em entender esse pessoal over-fixado em velharia. Claro que o design de uma geladeira dos anos 50 é sensacional, ainda mais visto de hoje, época em que já deu tempo de "desenjoar" daquilo. Mas uma coisa é curtir o visual, outra bem diferente é comprar um eletrodoméstico de 500 quilos e que precisa de uma usina hidroelétrica particular para funcionar e colocar em casa.

Televisores velhos, rádios velhos, fico esperando o dia em que alguém vai inventar de sentir saudade do telefone de disco (se é que já não tem). Revelar um filme e descobrir que queimou 34 das 36 fotos era uma sensação tão deliciosa que desde que surgiu a câmera digital eu nunca mais tirei uma foto sequer com uma analógica.

E ainda assim existem clubes de pessoas que se reúnem para tirar fotos com câmeras analógicas(!), russas(!), de plástico(!!!).

Tudo bem, rola aquele romantismo, aquela sensação de conquista advinda da dificuldade. Mas o engraçado é que nunca vi ninguém pedindo a volta da virgindade obrigatória pra casar (ou do Orkut).

Ombreiras, pochetes e mullets ainda estão na fase da desintoxicação, mas temo pelo que pode acontecer com eles no futuro caso algum fashionista resolva lançar um olhar 43 para algum desses fantasmas da moda do outono-inverno/primavera-verão passados.

Um descolado de hoje em dia anda num Fusca, usa suspensórios e blusas xadrez, gosta de chapéu de feltro, óculos da Audrey Hepburn, tira fotos usando uma Lomo, ouve música em fita cassete, consulta as horas em relógio de bolso e, não duvido, faz barba com navalha (mas sem a imagem de São Judas Tadeu, já que agora a moda é ser "ateu").

Quer dizer, faz a barba quase toda, porque ainda tem a obrigatória presença do bigode, que faz todo mundo ficar meio com a cara do tio do KFC. Tenho certeza que até Hitler rasparia o próprio bigode se conhecesse essa modinha. (sério, ainda não me conformei com essa do bigode).

Vou até parar por aqui.

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