Chanel Nº 5? Sim. Cheese-tudo? Não.

Postado em 9 de ago de 2012 / Por Marcus Vinicius

Sempre que falamos em atração, principalmente física, o primeiro sentido que lembramos é a visão. E com certeza uma bela imagem realmente atrai, seja um derriére grande na medida certa, um peitoral definido, um olhar 43.

Mas como em relação aos sentidos que provocam seres humanos são mais ou menos parecidos com comida (estamos sempre querendo consumir alguém), inventaram até o termo apetite appeal (originado do sex appeal) para designar o frenesi que a imagem de certos alimentos provocam em nós.

E só mencionei essa mistura de gente com comida porque ela leva obrigatoriamente a falar de um outro sentido que funciona tão bem quanto a visão nesses momentos: o olfato.

Tem comida que é mais cheirosa do que é gostosa. Tem gente que é tão cheirosa, que até fica gostosa, mesmo sem ser.

Costumo lembrar das pessoas pelo cheiro, o que nem sempre é algo agradável. Houve uma época em que um técnico de telefone era toda hora chamado no meu trabalho para consertar um daqueles velhos PABX, e o sujeito realmente conseguia ter uma presença marcante.

Tão marcante que nós sabíamos que já tinha chegado quando ainda estava na recepção, tudo por causa daquele cheiro que não sei definir direito, mas era algo parecido com um bando de gambás que tomaram banho num valão e depois levaram uma cusparada de um camelo.

Por isso é que acredito que o amor vence quase tudo, menos um desodorante vencido. Este vence o amor de goleada.

Se relacionar com alguém que não cuida muito do que exala é como conviver diariamente com aquele sujeito que esvazia vagão de metrô, sabe como é? Você está ali, quieto, jogando paciência no seu celular e de repente todo mundo começa a coçar o nariz, você verifica se não é contigo, checa se não pisou em nada na rua, até que percebe um clarão no meio do vagão lotado e nota que a fonte do desconforto é um sujeito voltando do futebol semanal com os amigos.


Claro que só perfume também pode enganar, ou você acha que todo mundo que cheira a Chanel Nº 5 é a Marilyn?

Ainda assim os cheiros definem muita coisa nas nossas vidas. Eu sempre lembro da minha infância quando sinto cheiro de feijão cozinhando. Aquilo tem cara (sim, cheiro pode ter cara) de quintal, de almoço ao meio dia e do resto da tarde para não fazer nada.

Porque você acha que, como já vi dizerem por aí, meninas param de usar Melissinha quando começam a namorar? Nada a ver com moda e sim com aquele cheiro de loja de queijo que sapatos de plástico proporciona em qualquer pezinho, por mais bonitinho que seja.

E é certamente no amor, no sexo e na gastronomia que os cheiros mais nos marcam. Quem nunca ficou alérgico a algum perfume só porque ele tem cheiro de ex-namorada? E quem nunca teve vontade de devorar alguém como se fosse um sushi (lasanha não é muito sexy) só por causa do perfume certo passado na nuca?

Sem contar que é quase impossível não capitular perante o cheiro de uma torta de chocolate recém saída do forno. Sem brincadeira. O cheiro de uma torta de chocolate com cobertura de brigadeiro é a versão olfativa de uma foto da J. Lo saindo do banho.

Mas isso nem sempre funciona. Por exemplo, por mais que você goste de bacon, duvido que sentisse atração por alguém que cheirasse a um cheese-tudo.

Isso porque nem falei de sabonetes, sachês e outras usinas de cheiros, como o lança perfume, que ainda por cima dá onda. E também as balas tipo Tic-Tac e Hall's, que muito longe de terem como principal objetivo o gosto, existem para dar uma força no cheiro do beijo.

Também é bom não esquecer que se a sua casa e o seu carro não cheirarem como uma cena de crime, isso também ajudará bastante nos seus relacionamentos interpessoais.

Por isso tanta importância com os cheiros, afinal, se somos o que parecemos, o que pensamos, o que ganhamos, definitivamente também somos o que cheiramos.

Dito isto, tente reservar uns minutos do seu dia para cuidar do rastro que você vai deixar por onde passa, já que é muito melhor cheirar que nem uma loja de shopping center (dessas que colocam essência no ar-condicionado só para prender o cliente pelo nariz) do que a uma jaula de hienas.

E não ria, tem gente que cheira a jaula mesmo e isso não é nada engraçado. Pega mal, inclusive.

Atchim.

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