Lula e Chávez: dois lados do mesmo tostão furado

Postado em 31 de ago de 2010 / Por Marcus Vinicius 2 Comentários

Chávez: "Golf é esporte de burguês gordo"


Lula: "Tênis é esporte da burguesia, porra"


Como podem notar, tanto no quesito idiotice quanto na truculência e falta de educação, ambos os tiranetes são iguais. O que difere? É que um vive num país com instituições democráticas mais frágeis como é a Venezuela, e conseguiu "tomar conta" mais rápido.

O outro apenas cuida - diariamente - de enfraquecer estas mesmas instituições no Brasil, talvez já na intenção de aprontar o mesmo por aqui. O "pensamento" - se é que podemos chamar qualquer coisa que sai dessas duas cabeças de pensamento - é bem parecido. O "nós" contra "eles", o estado forte e aparelhado, o controle da mídia, o roubo de fatos históricos para transformá-los em mérito pessoal do "grande líder"
.
Lá, Chávez já roubou até mesmo Simon Bolívar. Aqui, Lula ainda não se disse a reencarnação de Tiradentes, talvez por medo de, quem sabe, ter o mesmo destino, ou talvez porque ache muito pouco. Afinal porque ser apenas um mártir se pode ser um deus?

O que os petralhas não entendem - talvez por falta de inteligência, talvez por mau-caratismo ou talvez porque estejam ocupados demais tentando dizimar qualquer coisa que se oponha a eles - é que os seus opositores não querem que eles se calem ou sejam varridos do mapa, querem é não ter que se calar e não sucumbir diante dessa nova modalidade de ditadura do Século XXI, que é a turba emburrecida, abrindo mão de ser indivíduo para aderir à manada, esmagando qualquer coisa que se coloque à sua frente em nome da "maioria". Não existe democracia plebiscitária.

Isso não é democracia, e está longe de ser liberdade.


Cabe apenas perguntar à Lula se o seu filho, que enriqueceu depois que ele entrou para o governo, é um burguês ou não. Perguntar o que seria afinal essa elite companheira, essa burguesia do capital alheio surgida no mandarinato petista. Esses empreenderores que curiosamente só ficam ricos nas diretorias de algum sindicato, partido ou depois que chegam ao governo.

Porque o conceito de "elite" e "burguesia" dessa gente é bastante deturpado, ainda mais quando se tem notícia de que um dos "grandes" ídolos de todos eles, o assassino chamado Che Guevara, adorava jogar um golfzinho e de que todo grão-petralha que se preze adora um vinho ou whisky importado.

Oi, você sempre navega por aqui?

Postado em 30 de ago de 2010 / Por Marcus Vinicius 3 Comentários

O senso comum - ou pelo menos muito comum - é de que a internet é o mundo colorido da mentira. Atrás de um computador qualquer um pode dizer qualquer coisa que existirá um paspalho em algum lugar que acreditará senão em tudo, em pelo menos em alguma parte da sua história.

Você pode dizer que é um delegado especializado em prender fãs de bandas adolescentes ou então que é um espião búlgaro aposentado. Você pode dizer um monte de bobagens à vontade e ainda assim arrumará um séquito de fãs e admiradores, independente do teor das bobagens que diga, e principalmente, você arruma alguém, a tal alma gêmea, em questão de um dia.

Chats e sites de relacionamento são verdadeiros balcões de pessoas atrás de outras pessoas. Você faz seu cadastro, posta ali as três melhores fotos que já tirou na vida - aquelas fotos que depois nem parece que era você ou que te fazem pensar "porra, porque meus pais não me fizeram assim de todos os ângulos?" - mente um pouquinho sobre suas intenções, faz uma dieta virtual que retira uns 10 quilos do seu peso verdadeiro, tenta ser um pouco engraçadinho sem no entanto parecer palhaço e pronto, começa assim a sua busca.

Sempre digo que na internet é bem mais fácil chegar em alguém do que na vida real. Primeiro porque a falta de contato olho no olho impede que um possível fora seja algo traumático. É bem mais fácil desligar o computador e fingir que nada daquilo aconteceu ou então dizer para si mesmo "ahh, deve ser uma gorda com cabelo no suvaco que usou a foto da prima gostosa" do que efetivamente levar um fora de uma gata num bar ou boate.


Depois porque você tem a chance de se mostrar para a pessoa (colocando uma lupa sobre suas qualidades e maquiando seus defeitos) antes dela te ver e ouvir em 3D e estéreo, o que muitas vezes complica tudo. Porque sempre tem aquele seu problema de ficar vesgo se olhar nos olhos da outra pessoa por mais de 2 segundos, o redemoinho na sua testa que faz parecer com que você tenha uma cicatriz no couro cabeludo ou então a sua velha mania de fazer o som de um porco quando ri.

Tudo isso sai da equação se os primeiros encontros que você tiver com o futuro amor da sua vida forem apenas através de bites e bytes. Com um pouco de paciência e uma dose de bom senso, dá pra você combinar que todo aquele "amor eterno, casa, cachorros e filhos" (não necessariamente nesta ordem) ficarão condicionados ao primeiro contato, ao já mundialmente famoso conceito do "rolar química".

Isso na verdade é um código social para dizer o seguinte: tudo bem, adorei conhecer você, mas quero te encontrar primeiro para ter certeza de que você não usou a foto de algum ator russo de filmes B e não tem nenhum típo de transtorno de masturbação compulsiva que te faça agir como um mico frenético.

E se tudo correr bem nesse primeiro encontro, ou seja, se a pessoa tiver todos os dentes na boca, uma margem de erro de uns 5 quilos apenas entre o que declarou nas conversas pelo msn e a realidade, desodorante em dia e não emitir sons enquanto mastiga, tudo está pronto para que você inicie sua busca pelas mentiras mais sutis, tipo ele não ser um ciumento possessivo que apenas diz que é "intenso" e ela não ser uma ex-noiva obcecada, dessas que marcam a data na Igreja escondida do namorado depois da terceira ida ao cinema.

Mas nesse ponto o relacionamento iniciado na internet chega na mesma encruzilhada que qualquer outro, que é você descobrir quem aquela pessoa é na verdade. Nessa altura tanto faz se você conheceu seu amado usando uma foto de 20 anos atrás, ou numa festa durante um porre que o fez parecer 20 anos mais novo, afinal, todo mudo mente e a gente jamais conhece o outro por completo.

A única coisa que até hoje eu não consegui entender muito bem como é que um quarentão acima do peso, casado e com tantos fios de cabelo na cabeça quanto o Marcelo Tas consegue se virar para pegar uma gatinha de 22 anos depois de contar para ela que ele é moreno, forte, olhos verdes e tem um peitoral de remador.

E olha que isso é mais comum do que você imagina.

Seu comportamento na internet possivelmente ainda queimará seu filme

Postado em 25 de ago de 2010 / Por Marcus Vinicius 9 Comentários

O presidente do Google advertiu recentemente que muitos jovens poderão precisar mudar seus nomes para apagar os rastros de sua vida virtual pregressa. Seria quase como ter dois CPFs, entrar para um programa de proteção à testemunhas ou ser laranja de si mesmo.

Tudo isso por conta do comportamento que algumas pessoas exibem na internet e também pela quantidade massiva de dados pessoais que elas inserem em redes sociais e sites de relacionamento. É tanta informação espalhada por aí que não é difícil imaginar que qualquer um pode achar quase qualquer pessoa, precisando para isso apenas acesso à internet e alguns pouquíssimos dados dela. O resto do trabalho é feito pelos Orkuts, Facebooks, Twitters, FourSquares da vida.

Nem estou falando de vinganças de ex-namorados colocando fotos da pessoa nua ou de mocinhas desinibidas publicando sex-tapes para entrar no próximo BBB, mas de coisas mais prosaicas como publicar fotos da família, divulgar hábitos, preferências e até mesmo a localização exata num mapa, através desses programas que parecem feitos sob medida para stalkers e serial killers como o FourSquares.


Também acho que muita gente vai querer apagar o seu comportamento virtual. Sabe como é, brigões de Orkut, trolls de Twitter, imbecilizados de toda a espécie que formam algo em torno de 90% do internauta médio - e acho que estou sendo generoso nessa porcentagem - algum dia podem precisar se livrar do seu rastro de estrume virtual, espalhado com a mesma dedicação das vaquinhas no campo.

Dizem que empresas pesquisam os candidatos às suas vagas através da internet, pra ver o que dizem e o que fazem por aí. Não sei se isso é 100% verdade, se é mito ou se é algo que até acontece mas que não é tão determinante assim, porque vou confessar: se as empresas fizerem isso à risca mesmo, acho que o desemprego bate no teto, porque vai ser difícil alguém ser contratado.

Um problema é que algumas pessoas parecem meio incorrigíveis e talvez acabem mudando de nome duas, três, dez vezes para tentar apagar tanto arquivo incinerador de filme.

Outro problema é a identidade que possivelmente escolherão, porque a quantidade de gente que adora mimetizar o comportamento de personagens de filmes e da TV talvez crie uma chuva de gente com nomes esquisitos.

Iremos num dentista chamado Gregory House, num advogado chamado Hank Moody, cortaremos cabelo com uma Meredith Grey e teremos aula de física com uns 200 Sheldons Cooper.

Niterói: uma cidade em decomposição

Postado em 24 de ago de 2010 / Por Marcus Vinicius 2 Comentários

Sou da época em que Niterói era considerada nada mais do que um dormitório do Rio de Janeiro, uma cidade patinho feio, bem ali ao lado da "Cidade Maravilhosa", meio esquecida, desprezada.

Mas o tempo passou e ela mostrou que poderia ser um bom lugar para viver. Foi embelezada, melhorou sua infra-estrutura e finalmente foi coroada como uma das 4 melhores cidades do Brasil, isso já na década de 1990.

Suas praias e sua gente bonita contribuíram para isso, mas infelizmente a cidade chega em 2010 longe de ser o paraíso que foi vendido pela propaganda oficial.

A Niterói de hoje definitivamente não é a mesma cidade aprazível do final século passado. Além do MAC (Museu de Arte Contemporânea), belíssima e exemplar obra de Oscar Niemeyer, tambem foi erguido ali um verdadeiro mar de prédios. Em Icaraí e Santa Rosa (zona nobre da cidade) então a coisa é ainda mais assustadora.

Cada pequena casa antiga ou vila deu lugar a prédios de 50, 100 e até 200 unidades habitacionais, como muito bem mostra o vídeo filmado e editado pelo niteroiense Pedro de Luna, disponível no You Tube. Onde antes viviam duas, três, quatro famílias, agora passaram a viver centenas. Empresas do ramo imobiliário e o poder público, patrocinadores de toda esta verticalização predatória, pouco ligam para as consequências que a população enfrenta.

Ações na justiça já tentaram impedir novas construções, mas a própria prefeitura contestou-as alegando queda na arrecadação caso os espigões parem de subir e, pasmem, um cidadão que nada mais é do que membro da diretoria da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário de Niterói foi nomeado pelo prefeito para a Coordenadoria de Planejamento Urbano, o que entregou as decisões sobre onde pode construir ou quem vai fiscalizar a especulação ao próprio setor imobiliário, maior beneficiário desta prática.

E enquanto a qualidade de vida na cidade é destroçada pelo inchaço populacional, as imobiliárias comemoram.

"Niterói é vitrine imobiliária do país!", comemora o site da Patrimóvel. Só esquece de avisar aos incautos dos problemas que ocorrem por trás da tal "vitrine". E não falo aqui de desabamentos no Morro do Bumba ou do caos em que a cidade se torna em caso de uma chuva mais forte, estou falando de coisas menos emergenciais, porém não menos urgentes, como o direito de ir e vir, transportes coletivos decentes, preservação do meio ambiente.

Numa cidade que não tem nem de longe a excelência na prestação de serviços que outras grandes cidades possuem - ainda lembro da "bronca" que levei do atendente de uma pizzaria em Niterói porque tentava pedir uma pizza pelo telefone às 15:00 e, segundo ele, "aquilo não é hora de comer pizza, pizza é só depois das 17:00" - e no entanto possui engarrafamentos de níveis paulistanos.

Seja sábado, domingo, de dia, de noite, a hora que for, o trânsito em Niterói é caótico, engarrafado, insuportável, agressivo. O calor também aumentou, com a cidade figurando diversas vezes nas temperaturas máximas do Grande Rio. Os serviços pioraram, estacionar é um inferno, o asfaltamento vive com problemas, a poluição das águas é uma ameaça real.

E nada é feito. Os prédios continuam a subir e a prefeitura ainda acredita que colocando canteiros de flores, pintando faixas de pedestres e fazendo marketing conseguirá tapar o sol com a peneira. Ledo engano. Só o que tapa o sol ali é a sombra dos prédios que colocam a cidade a perder para sempre, porque não se enganem: a degradação é permanente, irreversível.

Tudo isso transforma Niterói em pura propaganda enganosa, numa cidade vendida pelos seus governantes como se ainda fosse uma das melhores do Brasil para se viver, mas que no entanto se torna cada vez mais apenas uma foto desbotada daquilo que foi brevemente um dia.

Uma mera foto em decomposição.

A dança do tamanduá brasileiro

Postado em 23 de ago de 2010 / Por Marcus Vinicius 3 Comentários

Não sei se era do seu tempo, mas quem viu o filme "Namorada de Aluguel", clássico dos anos 80, com certeza vai se lembrar da "dança do tamanduá africano", protagonizada pelo personagem de Patrick Dempsey.

Na cena, ele tenta impressionar uma garota com uma dança que aprendeu na TV, pensando que estava assistindo uma aula de dança comum, quando na verdade estava vendo o National Geographic. O mais bizarro é que ao ver aquela estranha dança sendo feita pelo cara que está saindo com a garota mais popular da escola (ninguém sabe até então que ela foi para para isso), todo mundo no baile começa a imitá-lo, fazendo o mesmo papel ridículo sem imaginar que aquela dança era na verdade parte de um ritual da África.

Não são raras as vezes em que estou em alguma festa ou boate e me lembro disso. Mas há uns dois anos a coisa tomou proporções surreais, quando fui convidado para uma festa de "gipsy punk", isso mesmo, "punk cigano". Na época era modinha no Rio de Janeiro e fui lá conferir.

A tal fusão de estilos nem me assustou tanto, visto que depois do "samba reggae" e do "samba rock", qualquer cruzamento de "cruz credo" com "deus me livre" pra mim é normal.

Chegando na festa, o que me impressionou de cara foi a certa quantidade de caras usando bigodes ao estilo Bill Butcher (personagem de Daniel Day Lewis em "Gangues de Nova York), bigodes aliás bem parecidos com o do líder de uma das bandas cultuadas do estilo. Mas a coisa ficou mais interessante ainda.


Em uma das salas do local onde estava rolando a festa, tocava uma espécie de música folcórica do Leste Europeu, uma mistura de forró, polka e quadrilha de festa junina. E, aí sim, a coisa ficou surreal, porque a tal sala estava entupida de gente, formando rodinhas, dançando aquela ciranda da Cortina de Ferro e levantando as perninhas como se simulassem um Cancan dos Balcãs.

Nada contra, afinal, se a pessoa quiser fazer a dança do siri no meio da praça ao meio dia o problema é dela, mas me faz pensar que o brasileiro é um dos maiores "marias vai com as outras" que existem no mundo.

E nem pense em tomar essa crítica como "defesa da cultura nacional", porque não é nada disso. Sou partidário da idéia de que quanto mais batuque existe num país, menos saneamento básico está disponível. O que espanta na verdade é que se aquela dancinha estilo quadrilha de festa junina fosse efetivamente quadrilha de festa junina, pouca gente "descolada" ia achar "descolado" dançar.

Mas como é um lance trazido pela onda "gipsy punk balcânica", vale até dançar cancan-balalaika-carimbó.

Tenho pra mim que alguns gringos tem essas idéias mais ou menos assim "Já sei! Vou pegar uma dança estranha e exótica, misturar com música folclórica da minha terra, inserir umas batidas eletrônicas e uma guitarra distorcida e ir vender lá no Brasil, eles compram qualquer idéia mesmo!".
Sei que outros países também sofrem com esse problema, mas talvez seja em menor escala, e também não é problema meu. Mas o Brasil com certeza está no Top 3 desse mimetismo cultural, certeza.

Não que aqui já não exista um grande estoque de lixos como rebolation, axé e funk, mas não custa nada importar mais alguns, não é mesmo? Por isso qualquer dia não se espante se ver por aí a "dança do tamanduá brasileiro".

E pior, vai arrumar um fã-clube extenso.

A fila anda

Postado em 20 de ago de 2010 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários

Dizem por aí que o maior afrodisíaco que existe é o cheiro da "andada de fila". Não sei se é mesmo, porque também dizem que ostras são afrodisíacas. Mas elas não têm pés, logo não podem metê-los nas nádegas de ninguém, então creio que se não for realmente o maior afrodisíaco de todos, a andada de fila é pelo menos o mais difícil de esquecer.

Quando eu era mais novo - rá-rá, jamais direi que não mais sou novo - costumava observar nas "noitadas" as pessoas e tentar identificar as "Madalenas Arrependidas". Era fácil: bastava alguma música mais romântica começar a tocar que as madalenas iam pra algum canto, abraçavam algum amigo, ficavam com aquela cara de cachorro que comeu a torta, lamentando algum amor perdido.

Tudo bem que a música acabava, a agitação voltava e eles retomavam os trabalhos de "pegar geral", mas ali, naquele momento de melancolia, a pessoa perdida talvez estivesse se vingando sem saber de tudo o que sofrera. Sim, porque raramente a pessoa que sofre fica se lamentando por muito tempo depois do rompimento, só o algoz.

O algoz fica pensando que poderia ter sido mais legal, que poderia ter testado menos a paciência alheia, ter mais tolerância, ter deixado o outro menos sextas-feiras em casa com cara de tacho pra ir pra "night", enfim, poderia ter valorizado um pouco mais, justamente para não perder.

Porque se você for pensar bem, é verdade quando dizem que todo relacionamento tem uma vítima. Não existe democracia ou igualdade no amor, alguém sempre leva uma parte maior e melhor. Erra quem pensa diferente. Mas isso não pressupõe que alguém leve tudo e o outro não leve nada.

Porque quando isso acontece, não ocorre um rompimento, mas uma libertação. Se você deixava sua namorada em casa no final de semana para ir para a boate "beijar na boca", se você negligenciava seu namorado para ir "zoar com as amigas", se você achava difícil dizer "eu te amo" mas tinha a maior facilidade para dizer "eu te detesto", me responda: ele ou ela sentirão falta do que, quando vocês não estiverem mais juntos? Das suas ausências? Da sua falta?

E aí, quando a "fila anda", o cara fica desnorteado, afinal, não terá mais aquela menina o esperando em casa, no dia seguinte da noitada, para ir num cineminha. A menina perde o chão, porque o "namorado bonzinho" saiu fora e não tem mais ninguém pra chamar de "seu".

Nesse momento, dois caminhos são percorridos por quase todo mundo, tanto vítimas quanto algozes.

Um leva para o supermercado dos relacionamentos efêmeros, para mais pegações, para ficar com mais e mais gente e se vingar do mundo. É aquela pessoa que diz "agora vou usar todo mundo, vou ser coldheartbraker".

O outro leva para a lamentação, a recomposição e a decisão de dar mais valor a si, ao outro e ao relacionamento. O algoz vai tratar a pão de ló o que aparecer pela frente, talvez trocando de posições, talvez dando valor a quem não merece.

A vítima vai se valorizar, às vezes exagerando na dose, às vezes não.

A verdade disso tudo é que todos os relacionamentos nos tornam alunos e professores, todos nós preparamos uns aos outros para o que vem no futuro, até que consigamos algum equilíbrio que nos permita ter relacionamentos mais maduros e duradouros.

E assim seremos felizes para sempre - ou quase sempre - até que chegue a hora de aprender algum truque novo.

1 ano

Postado em 19 de ago de 2010 / Por Marcus Vinicius 21 Comentários

Incrível. É só o que posso dizer um ano depois de ter iniciado este blog. Quem é mais "macaco velho" na blogosfera sabe que blogs não são necessariamente longevos. Li em algum lugar que a maioria não passa de três meses, que logo são abandonados, substituídos por um novo do mesmo dono que dali a outros três meses irá trocar tudo outra vez.

Mas a maioria simplesmente desaparece mesmo, ficando ali para posteridade, como monumento ao que poderia ter sido. Eu já confessei aqui outras vezes que nunca fui leitor de blogs, o que por si só já é uma maluquice completa, visto que terminei virando blogueiro.

Fui trazido de vez para a tal "blogosfera" por conta da minha experiência no Twitter. Senti a necessidade de ter mais espaço para falar o que penso e, não posso mentir, a divulgação e as pessoas que o Twitter trouxe para cá me deram ânimo para continuar. Já havia tentado outras duas vezes mas não mantive regularidade alguma, postando uma, duas, três vezes num mês e nenhuma no mês seguinte.

Dessa vez não, aqui no Contra a Correnteza eu consegui a incrível - desculpem, mas eu acho incrível mesmo - marca de um post por dia, todo dia, durante um ano inteiro. Haja assunto! Mas eu sou assim mesmo, estou conversando sobre uma coisa agora e já pensando em outro assunto ali mais pra frente. Sei que sou dessas pessoas que "falam demais" e isso se reflete na diversidade de temas que abordei aqui nesse ano inteiro.


Não sei ainda se mudo a frequência de posts para três por semana, às segundas, quartas e sextas, até mesmo para não secar a fonte, mas a dúvida é justamente por isso: sei lá eu se essa fonte seca. Tomara que não!

O fato é que se esse não é um blog grande, com visitações estratosféricas ou centenas de comentários por postagem, ele possui bons leitores, que interagem e ajudam a manter tudo acontecendo. Realizei sorteios, fui convidado para participar da equipe do Instituto Millenium, realizei uma parceria muito legal com a MacaShirts, conheci gente que talvez jamais conheceria de outra forma. Melhorei como pessoa, como leitor - já que passei a ler muito mais em busca de assuntos e estilos - e, porque não, como escritor.

Seja política, esporte, cotidiano, sociedade, relacionamentos, reclamações, impressões, consumo, seja para falar do que for, sentar em frente ao computador e desenvolver aqui meu assunto diário se tornou parte da minha vida, um pedaço bom da minha rotina diária.

Rotina que já dura um ano e, espero eu, dure muitos mais.

Finalizando sem falsa modéstia, parabéns para mim. E sem ser mal agradecido, obrigado a cada um de vocês.

Qual é a senha?

Postado em 18 de ago de 2010 / Por Marcus Vinicius 7 Comentários

A vida moderna exige que quase todo mundo memorize uma quantidade cada vez maior de senhas. É senha para entrar na academia, para acessar a conta bancária, contra-senha para o caixa eletrônico, senha diferente para o acesso pela internet a esta mesma conta. Tem a senha do email, a do msn, a senha da conta do Twitter, do Orkut, do Facebook, do vídeo-clube, do cartão de milhagem, do computador, enfim, para quase toda necessidade diária, temos que memorizar um "abre-se sésamo".

Mas isso não é tudo. A prudência e os conselhos dos especialistas nos ensinam que elas nunca devem ser baseadas em dados óbvios como datas de aniversário, nomes dos filhos ou o clube de futebol que a pessoa torce. Elas também não podem ser todas iguais - e nem mesmo parecidas - além de que não devemos jamais (esse "jamais" bem grifado) trazê-las anotadas em pedaços de papel, já que isso facilita o roubo dessas senhas por pessoas mal-intencionadas, bisbilhoteiros e ex-namorados(as) sedentos de vingança.

Existem até programas de computador especializados em roubar senhas alheias, tamanha é a obsessão que esses pequenos códigos despertam.

Mas a obsessão humana por senhas vem de longa data. Quem nunca teve um cofre em casa? Ou então nunca viu um daqueles filmes de espionagem ou guerra em que uma palavra apenas diferenciava o amigo do inimigo? "Luz do sol!", "luz da lua!". Pronto, tudo está bem. Agora, se a resposta para "luz do sol!" fosse, por exemplo, "filtro solar!", uma chuva de balas cairia em cima do pobre coitado.


Eu tenho um amigo que também usa certas situações como "senha". Tudo bem que a conotação é diferente, mas não deixa de ser engraçada. Estamos em alguma boate, festa, reunião e a coisa está chata. Mas até certo momento resistimos com bravura à chatice, até que uma música horrível, uma frase bizonha, um gesto fatal, servem como a "gota d'água". Na hora ele vira pra mim e diz "é a senha...". Já sei que a resistência acabou e que vamos nos render ao programa furado, voltando pra casa.

Mas existem outras senhas que nós não definimos, mas ainda assim precisamos decifrar, como a senha do coração de alguém ou a senha para falar de amor sem soar piegas, o que o termo "encontrar a senha do coração" torna quase impossível.

Alguém duvida que os seis números da Mega Sena sejam a senha para uma vida totalmente diferente da que 90% das pessoas comuns vivem? Ou que conseguir o número do telefone daquela gata que estamos paquerando faz tempo seja a senha para varias possibilidades?

Nossa vida está cercada delas por todos os lados e precisamos protegê-las a todo custo. Talvez fosse uma boa solução anotar todas num papel e guardar num cofre, bem seguro, para só sair dali em caso de necessidade.

Só tem um problema: e se esquecermos a senha do cofre?

A Síndrome da Criatura

Postado em 17 de ago de 2010 / Por Marcus Vinicius 6 Comentários

É um direito legítimo de um governante buscar sua reeleição. Sempre que a lei assim permitir e respeitados os limites da convivência democrática, a busca da manutenção de um projeto político - se for aliado a um projeto de país então é melhor ainda - não se configura em tendência autoritária e muito menos em salto rumo ao fracasso.

Mas é preciso, antes de tudo, que o tal governante saiba o que fazer com o poder em mãos, é preciso ter um plano. "Permanecer na cadeira" não é um plano. "Não mexer em time que está ganhando" também não é um plano. O passado serve como guia do futuro, mas não se pavimenta um metro de estrada com o asfalto que já foi derramado.

Essa situação passou a ser muito comum no Brasil após o advento da reeleição. O governante passa o primeiro mandato potencializando suas conquistas e dourando a pílula de seus fracassos, tudo na intenção de conseguir os desejados "mais quatro anos". Depois que consegue, vem o desastre. Não existe mais aquele grande prêmio ali adiante, já que uma terceira eleição consecutiva é vedada por lei, então ele simplesmente passa os dias esperando a morte chegar, realizando um governo de qualidade bem inferior ao que realizou anteriormente.

Mas existem os que governam razoavelmente bem em ambos os mandatos e ainda aqueles que precisam sair do cargo para disputas maiores antes do tempo - caso de prefeitos que concorrem ao governo e governadores que concorrem à presidência - deixando ali seu lugar-tenente.

Nesse caso as situações são bem parecidas: eles precisam garantir ao eleitorado que aquele substituto na verdade é uma imagem refletida deles mesmos. Eles precisam garantir a tão conhecida "transferência de votos" e transformar o que muitas vezes não passa de um estafermo em seu herdeiro político. E aí o potencial para desastres aumenta exponencialmente.

Isso acontece porque ainda que seja possível criar uma imagem à semelhança de um criador, o normal é que a criatura seja sempre inferior. Existem exceções, é claro, mas como o próprio nome já diz, não é o devemos esperar.

O que podemos esperar é que a incompetência e a indecisão naturais do títere façam ruir até mesmo a popularidade antes inabalável do titereiro, ou então que a criatura se rebele, corte as cordas e inicie uma luta fratricida no seio daquele grupo político

Não faltam exemplos - tanto da incompetência quanto da traição das criaturas - na política nacional e internacional.

Celso Pitta terminando de destroçar o nome já não menos destroçado de Maluf é um bom exemplo. Rosinha rebaixando Anthony Garotinho dos 15% de votos numa eleição presidencial em 2002 de volta para ser apenas um cacique regional de Campos (RJ) é outro. Cristina Kirchner abalando a popularidade do seu marido Néstor (que chegou a perder uma eleição na província de Buenos Aires para um empresário colombiano naturalizado chamado Francisco de Narváez) é um caso bem significativo. César Maia elegendo Luiz Paulo Conde prefeito do Rio de Janeiro e logo depois o grupo político de ambos rachando ao meio é outro exemplo clássico.

Tudo isso serve para provar que uma das maiores ruínas de um político é sua vaidade. A sensação de poder enfeitiça qualquer um, a saída deste mesmo poder pode ser traumática - dizem que na porta dos "ex" a grama cresce alta devido a falta de visitantes - e a tentação de manter este poder é imensa. Alguns tentam subverter as regras da democracia - como faz Hugo Chávez na Venezuela - outros procuram se manter no poder através dessas criaturas eleitorais,como faz agora Lula no Brasil.

E muitas vezes a falta de preparo, a falta de liderança e até mesmo a fadiga de material que qualquer grupo político sofre em anos de poder transforma essa experiência em desastre.

Isso quer dizer que pretendo fazer terrorismo eleitoral ou então que torço pelo fracasso de um eventual terceiro governo petista? Não, não mesmo. Isso quer dizer apenas que o mesmo passado que empurra alguns políticos a fazer campanha com os olhos no retrovisor, pretendendo "garantir a continuidade", também serve de advertência para o fato de que "continuidade" não é nada sem um plano e sem qualidade.

É preciso estar sempre atento à Síndrome da Criatura.

Sorria! Sua foto é um clichê!

Postado em 16 de ago de 2010 / Por Marcus Vinicius 14 Comentários

Pelo menos uma vez na vida você pensou - ainda que por breve milésimo de segundo - em tirar uma fotografia segurando o garfo e fingindo morder algo que está comendo. Não sei se para mostrar que, diferente dos demais seres humanos, você se alimenta, ou para eternizar o momento, mas aí no seu íntimo você sabe que já pensou em fazer isso ou pelo menos conhece algum "amigo" que já fez.

Fotos clichês são um perigo que está sempre ali adiante, um vacilo e você cai na roubada. Sei que existem muitas, afinal as pessoas não são exatamente criativas, por isso selecionei algumas que mais chamam a minha atenção.

1) Abadá de micareta, segurando cerveja e mostrando o muque

Note que geralmente haverão outros homens em volta, mas o cara jura que pega todas ali. Coloca aquela camiseta ridícula, pega uma lata de cerveja quente, faz pose mostrando o muque (e a tatuagem mal-feita) e quando vai embora corre para colocar a foto no Yakult.

2) Estrelinhas com as mãos

A infância é linda, a criatividade mais ainda, mas a sua bisavó já juntou os dedos das mãos com os amigos e pediu pro lambe-lambe da pracinha tirar essa foto algumas décadas atrás.

3) Foto fazendo biquinho

Sua mãe vive te dizendo que você é linda, né? E seus amigos juram que você tem tudo pra entrar no elenco de Malhação, mas nada disso estará completo se você não for a 1.234.234.445.234ª garota a tirar uma foto fazendo biquinho e colocar no seu Fotológui, Orkurti, Emiéssiene e no Tuíti.

Se você for um menino e tirar foto fazendo biquinho, procure o SAC da Cegonha e reclame do pipi que veio no lugar onde deveria haver uma pipi.

4) O "sinal do chifre" Heavy Metal

Até o Jon Bon Jovi já cortou o cabelo, mas tudo bem, o Ozzy ainda é cabeludo e ninguém tem nada a ver com o seu visual perdido nos anos 80, mas tirar foto fazendo aquele sinal "du metal" e colocar por aí só vai fazer as pessoas sentirem medo de você jogar discos de vinil e piolhos em cima delas.
5) O turista espertinho

Como apaixonado por viagens, sei a conquista que significa estarmos naquele lugar no qual planejamos ir por algum tempo. Juntamos dinheiro, fazemos roteiros e finalmente estamos ali, diante daquele monumento, daquela praia, daquela montanha, daquele palácio. Mas tirar foto segurando a Torre de Pisa, abrindo os braços no Cristo Redentor ou imitando aviãozinho na frente das ruínas do World Trade Center é até válido, mas não ache que ninguém pensou nisso antes de você.

6) Amiga lambendo amiga

Olha que legal! Você bebeu umas, colocou uma musiquinha da Beyoncé, ficou animada e resolveu que vai fazer uma foto séquici pra "provocar a turma da net". Finge que está lambendo os peitos da amiga, que está dando beijo de língua o irmão ou fazendo menage com seu poodle e seu gato, mas o máximo que você consegue é fazer um papel ridículo perante qualquer pessoa que tenha mais bom gosto do que aquele cantor, o Latino.

7) A Bela Adormecida

Sei que nessa você nem tem culpa, afinal tiraram a foto enquanto você estava sonhando com a Larissa Riquelme, mas a partir do momento que você coloca a foto no seu álbum, você assina embaixo de um dos cliques mais batidos do mundo: a foto do amigo dormindo na casa de praia.

8) Foto na frente do espelho

Câmera das Casas Bahia, espelho do banheiro, álbum do Orkut. Preciso dizer mais alguma coisa? Só falta falar que tirou uma "fota".


9) O galã de óculos escuros

O lado ruim da auto-estima é esse, faz a pessoa acreditar que a mãe fala a verdade quando diz que ele é "o cara mais lindo do mundo". É isso que faz com que gordinhas saiam com a barriga de fora usando piercing no umbigo e que alguém realmente pense que uma foto fazendo pose de Antônio Fagundes fará com que os outros achem que ele é um "galã global".

10) O gótico vampiro

Bem antes do fenômeno Crepúsculo, as festas realizadas em locais quentes e cheirando a mofo já reuniam várias criaturas da noite: os "góticos", seres que fingem depressão, fingem erudição e também se fingem de vampiros. Em comum com os vampiros só o fato de que talvez sejam mesmo invisíveis em frente a espelhos, com a diferença de que os chupa-sangue da ficção não são vistos pelos outros, enquanto os vampiros-góticos parecem não se ver ao espelho, senão teriam noção do ridículo.

11) A tchurma animada

Boate lotada, pista bombando, 3 da manhã, todo mundo bêbado, alguns já caídos, outros dormindo pelos cantos, mas alguém trouxe uma câmera, por isso acordem quem desmaiou, busquem quem está vomitando no banheiro, empurrem as pessoas em volta e juntem a galera: é a hora da "foto feliz".

12) Sou bagaceira e daí?

Bebeu? Desmaiou? Ficou caído no banheiro? Em cima dos sacos de carvão e dos restos do churrasco? Pegou uma baranga? Ficou só de cueca no casamento da prima? OK, problema seu, mas precisa colocar a prova do crime na internet?

Ainda tem a foto do cara-fortinho-mostrando-o-peitoral e da gatinha-na-praia-caprichando-na-lordose-e-encolhendo-a-barriga, mas tenho certeza que enquanto você lia isso foi lembrando de mais um monte de fotos clichês.

Afinal, como eu disse no início, criatividade é artigo mais em falta do que papel higiênico em mercado cubano.

Homem adora uma pistoleira

Postado em 13 de ago de 2010 / Por Marcus Vinicius 5 Comentários

Duvido que você, homem, nunca ouviu essa frase e que você, mulher, nunca a pronunciou ainda que de forma um pouco diferente. Todo mundo que já fez calos na mão de tanto brincar com joystick (pensaram bobagem, né?) já se deparou com essa situação.

Você está numa festa, no shopping, numa boate, no batizado da sobrinha do seu melhor amigo, na Missa de sétimo dia do diretor do banco que é seu cliente mas que você nunca viu mais gordo, enfim, em qualquer lugar, e aparece ela.

Roupas minúsculas, rosto pintado, argolona dourada nas orelhas, jóias/bijouterias em profusão, tatuagem estrategicamente colocada em algum lugar provocante, decote, calcinha minúscula aparecendo sob a calça branca (e justa), saia comprada na seção de 7 a 8 anos (detalhe: ela tem uns 25) de alguma loja de departamentos, enfim, o estereótipo da pistoleira, daquela mulher que você foi ensinado desde garotinho que "não é pra namorar", mas que curiosamente você gosta muito de olhar (e adoraria fazer mais um monte de coisas).
O fato é: homens gostam de mulher com pinta de pistoleira. Ponto. E quanto mais, melhor.
Note que ela nem precisa ser pistoleira mesmo, apenas parecer uma. Nunca subestime o poder da famosa "cara de puta".

Seja a gatinha que mostra os peitos na Twitcam, seja a mocinha que exibe tudo na praia, seja a bonitona que parou a boate. Eles as desejam, elas as detestam. Mas elas estão lá e não vão a lugar algum, porque desde que me entendo por gente estou ficando mais velho e as pistoleiras continuam da mesma idade.

Muitas não tem nada na cabeça, mas não é no conteúdo das cabeças delas que ninguém está interessado, e as que tem algo na cabeça deveriam usar isso a seu favor, pegando o que elas tem de melhor e fazendo com que seus namorados passem a olhar pra elas do mesmo jeito. Porque muita coisa do vizu "mulher-fácil" também dá pra ser usado pelas difíceis.

E você, meu amigo, não se espante com os dois(ou doze) dedos a menos da nova saia da sua namorada, com uma calça mais apertada ou um decote mais generoso, lembre que é bem melhor poder levar para casa aquilo que a gente admira.

E muito mais seguro do que ficar virando o pescoço na rua e depois se explicando, dizendo que é uma amiga da prima do vizinho que você viu passar.

Português errado não é excitante

Postado em 12 de ago de 2010 / Por Marcus Vinicius 11 Comentários

Falar errado é terrível. Não tem beleza ou tesão que resista a um "ni min" ou então "menas", mas ainda que seja - esse pessoal diria "seje" - mais incômodo, os erros grosseiros do português falado formam apenas a parte mais visível do assassinato diário do idioma.

Não estou nem falando de erudições ou algum tipo de correção gramatical a la professor Pasquale, estou falando de coisas simples como evitar dizer que vai atender "uma" telefonema. Tem quem se incomode com mais, tipo usar "mim" no lugar de "eu". Confesso que nem me assusto, fica meio indígena, naturalista, e nem incomoda tanto quanto um "tauba", mas é sempre desejável procurar melhorar.

O gerundismo, praga do telemarketing, é irritante, é quase um dois-neurônios-detector, mas também tenho certeza de que assusta bem menos do que um "as criança" ou então pronunciar o "g" como se fosse "z" e falar "vou soltar pipa na laze".

Certas coisas então transformam qualquer mulher linda numa desdentada em questão de segundos, quer exemplos? Não sei qual dos dois é pior: falar "eu ouvo" ou errar o plural de ovos e dizer "ôvos".

Só que na redação a coisa fica mais feia ainda, porque pequenos detalhes que passam despercebidos na fala tornam-se verdadeiros outdoors da subliteratice quando viram peça escrita.

Preciso confessar que me assusto e não consigo nem me concentrar mais na mensagem se leio um "você está ocuLpado?" durante uma conversa no msn ou quando me perguntam se estão "Encomodando".

Nem vou mencionar o miguxês e o internetês, porque esses são os campeões da imbecilidade linguística. Coisas como "U inTeRnetes é un efeto da globalizassaum" por mim merecem castração compulsória. Não podemos correr o risco de deixar essa estirpe procriar.

Brincadeiras de lado, não custa a pessoa dar uma caprichada, ler um pouco e em último caso consultar o Google mesmo, porque certos erros - como eu falei no início - até passam, mas tem coisa que é imperdoável.

Imagina você de conversa com alguém, na maior paquerinha internética, e de repente lança ou lê um "I ai? A genti podia resolve isso no moteu, neah?".

Falando muito sério: isso não é excitante. É pior do que cueca furada e calcinha bege.

Tudo tem seu preço

Postado em 11 de ago de 2010 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários

Havia uma boate perto do lugar em que morava, sempre aberta, luz acesa na rua escura, totalmente convidativa. O bar onde estava já ia fechar mesmo e além do mais eu já não aguentava mais nenhuma dose daquele gin (bom pra rima e ruim pro rim, como dizem por aí).

Resolvi entrar. Dois caras na fila me cumprimentam. Será que essa porra é festa gay? Um deles pergunta "e aí? curte o tema da festa?". Porra, só pode ser gay. "Tema? É festa a fantasia?","Não! É uma festa fetixista".

"Desde que ninguém queira me bater com nada e nem enfiar nada em lugar nenhum, pode ser que eu goste sim". Todos gargalharam. Eles também eram iniciantes. Um, simpatizante e o outro apenas companhia.

Entramos e uma mulher (feia) toda vestida de couro nos recebe, pagamos e subimos uma escadinha que termina num bar. Depois mais uma escada apertada levaria a uma pista de dança onde a música alta e quase incompreensível tocava enquanto moças seminuas caminhavam sobre corpos deitados no chão. Numa espécie de palco improvisado, um sujeito gordo leva uma surra de chicote. Fico sem saber quem sofre mais, se a vítima ou o algoz com a visão tão próxima daquelas costas cheias de pêlo e banha.

Resolvo sair dali antes que aquelas cenas ficassem gravadas na minha retina para sempre. Vou para o bar, peço suco de pessego - já não aguento mais nem um mililitro de álcool - e eis que surge a japinha.

Baixinha, bunduda - incrível, pensei: japa bunduda - tatuagem enorme no braço, franjinha. Putz, meu número. Me olha, sorri e se aproxima.

Se apresenta (juro que esqueci o nome, obra do whisky e não da minha discrição) e ficamos ali conversando alguns minutos. Ela veio do Paraná só para aquela festa (quem diria, pessoas viajavam por causa daquilo) e estava num hotel ali perto. Tinha todo o dia seguinte livre antes de voltar para Curitiba e até gostaria de conhecer as maravilhas da cidade maravilhosa caso alguém se dispusesse a acompanhá-la.

Me convida para conversar num sofá ali perto e dois minutos depois disso aparecem três caras e perguntam para ela "pode?" e ela responde automaticamente "só dos joelhos pra baixo". Devo ter virado um ponto de interrogação gigante, porque nem precisei perguntar para ela explicar que eles queriam beijar os pés dela. Não os culpo, eram pezinhos lindos mesmo (e tatuados), mas e o resto?

Foi o que perguntei e ela rindo respondeu: bem, o resto é seu. Beijei, apertei, brinquei, explorei e só não tentei fazer mais ali mesmo porque não queria levar uma coça de um dos seguranças que, com certeza, seriam menos caridosos ainda do que a mulher que surrava o gordo no palco.

Ficamos ali naquela sociedade feliz. Eles com os pés - só até os joelhos - e eu com língua, peitos, pernas e tudo mais. Confesso que gostei desse Tratado de Tordesilhas.

Três, quatro, cinco, manhã. A festa acabando e eu ali fazendo a japinha de picolé, até que uma amiga dela com cabelinho channel e jeito da Valentina do Crepax a chama para ir embora.

Trocamos telefones e fica combinado um passeio no dia seguinte, quando ela conheceria o Pão de Açúcar, as praias da Barra e com sorte eu conheceria mais algumas partes da anatomia dela.

Telefono umas 2 da tarde, ela atende com aquele sotaque de paulista cruzado com gaúcho e me pergunta onde estou. "Copacabana e você", "estou no hotel, vamos sair mesmo?", "claro, se você quiser vamos sim, eu quero", "bem, tudo bem eu quero, só que...", "só que o que?", "preciso pagar umas contas em casa e só poderemos sair se você me der 200 reais".

Silêncio. Eu pensando: resolveu me cobrar agora? Quer dizer, amasso é de graça, mas o resto tem preço tabelado?

"Sabe o que é fulana, eu estava pensando a mesma coisa e ia te pedir só cinquentinha pra gasolina antes de você dizer isso e como eu preciso de menos que você, será que rola da gente sair e ninguém cobrar nada de ninguém? Ou então a gente arruma algum trouxa pra tomar um dinheiro e dividimos a grana, que tal?".

Tututututu. Caiu ou ela bateu na minha cara? Oh, dúvida cruel.

Guardei o celular e fui cuidar da vida, afinal, ainda que tudo tenha seu preço, eu tenho como política jamais pagar por algo que eu possa conseguir de graça.

Exageros de Gourmet

Postado em 10 de ago de 2010 / Por Marcus Vinicius 1 Comentário

Pouca gente escapa da festinhas de empresa no final do ano, e como não sou um desses privilegiados, tive que cumprir a minha cota duas ou três. Quem já foi sabe como é: ou acontece numa churrascaria e termina com as pessoas bebendo além da conta e cometendo indiscrições e inconfidências das quais se arrependerão no dia seguinte, ou então se dá numa boate, estilo happy hour, com salgadinhos que serão o lucro da farmácia que venderá quilos de sal de fruta para a azia certa do dia seguinte.

Só que uma vez fui numa diferente, nem melhor e nem pior, mas realizada numa dessas casas moderninhas com menus estilosos. O que aconteceu foi que ao invés das coxinhas, bolinhas de queijo e pastéis feitos com a carne assada que sobrou do almoço, eles serviram chutney de acaí, graviola e cupuaçu, canapés de banana com siri (por mais bizarro que isso possa parecer, foi o que consegui identificar), pãezinhos ciabatta miniatura com geléia de pimenta, entre outros acepipes. Não vou dizer que os salgadinhos seriam melhores, mas estaria mentindo se não dissesse que achei esse cardápio, no mínimo, estranho

E isso me fez pensar sobre os exageros que certos restaurantes cometem quando querem ousar demais, porque uma coisa é você pegar ingredientes do dia a dia e "enfeitar" cada um deles, dar um toque regional, especial, e apresentar sabores diferentes ao seu cliente.

Talvez por isso eu nunca vá esquecer de uma rabada já recheada com o agrião - imagine o trabalho que não deve ter dado desossar aquilo tudo e rechear depois - que chegou a vencer um concurso de gastronomia. E quem já foi ao Ateliê Culinário com certeza pôde descobrir que um caldinho de feijão, um cachorro quente e um bolo de laranja podem assumir conotações totalmente diferentes e novas com capricho e inovação.

Já provei pratos inovadores que eram deliciosos. Como um risoto ao brie, com presunto parma e rúcula. Não tem nada mais prosaico do que um risoto, no entanto pequenos toques o transformam em algo sem igual. E isso vale para tudo, desde berinjelas ao mel até uma simples mousse de chocolate meio amargo com umas folhinhas de hortelã e amêndoas por cima.

Mas outra coisa bem diferente é você praticamente chocar seu cliente. Não sou expert em haute cuisine, logo as opiniões que emito são de um mero curioso, ou mais precisamente do sujeito que entra num estabelecimento com fome e quer comer bem, então creio que posso dizer que um "quibe de camarão com nozes" é muito, muito estranho. Podem me chamar de ignorante, mas batizar algo de "quibe", seja lá o que for, não transforma aquilo automaticamente num quibe. É preciso algo que remeta, ainda que de longe, ao sabor de um quibe.

E isso vale para tudo, na minha opinião, claro.

Alem disso esses restaurantes honram a fama de serem lugares para provar comida, ou seja, nem pense em sair de muitos deles com a barriga cheia, não é esse o objetivo. O objetivo é entrar lá com o bolso cheio, porque os preços geralmente valem uma compra quinzenal. Já saí de um restaurante francês onde comi o que seria um steak au poivre vert, direto para uma pizzaria e com a sensação de ter comido meio churrasquinho de gato.

O que é uma experiência bem diferente do tal menu degustação , que vai sendo servido aos poucos, em pequenas porções, e no final você tem a sensação de que comeu um bezerro.

Mas no final das contas, o que importa é o prazer de se estar à mesa, com bons amigos e uma conversa agradável. Sou de família portuguesa e apesar de saber que isso muda nossa percepção em relação à quantidade de comida, já que lusitanos gostam de muita, também me fez associar as refeições a diversão, reunião, confraternização e, claro, boa comida. Exageros de gourmet à parte, esse é certamente um dos maiores prazeres da vida.

Por isso costumo dizer que um bom chocolate para ser melhor do que sexo, só depende da qualidade do sexo, e não do chocolate.

Se for mandar buscar a morte, mande vir no SAMU

Postado em 8 de ago de 2010 / Por Marcus Vinicius 12 Comentários

Calma! Não estou desejando mal ao propagandeado programa de socorro e resgate do governo e nem a ninguém.

Essa é apenas uma forma de dizer que desejo que ela demore muito, e se for depender do SAMU é capaz de termos aí um problema de superpopulação, porque a temida senhora não virá nunca. E faço questão de explicar o porque em duas rápidas cenas do cotidiano que eu mesmo tive o (des)prazer de presenciar.

Na primeira eu tinha almoçado num restaurante, era sábado e a casa estava cheia, era um desses estabelecimentos de dois andares, um desses templos de gulodice a quilo, já estava indo embora quando ouço por trás de mim o som de um pinguim rolando escada abaixo. Pensei na hora "pinguins não curtem comida a quilo, como pode?" e olhei para conferir: era uma senhorinha terminando uma cena de pastelão.

Lembrei de todos os episódios de E.R. que já assisti e disse: ela precisa ir para um hospital, pode ter que fazer uma tomografia (falar CT Scan é muito mais cool, mas fazer o que..) e resolvi ligar para o tal 192 do meu celular. O diálogo que veio em seguida é kafkiano:

-Alô? Quero pedir uma ambulância para socorrer uma senhora que caiu de uma escada.

- Pois não Senhor, qual o endereço?

- Rua tal, número tal, em frente ao colégio tal.

- O Senhor pode me dar um ponto de referência?

- EM FRENTE AO COLÉGIO TAL.

- Peço que tenha calma Senhor, essa escada onde ela caiu, está localizada em que lugar?

- Na rua tal número tal, dentro do restaurante tal e qual.

- Mas a escada é dentro do restaurante ou é saindo do restaurante e chegando na rua?

- É dentro do restaurante.

- Entendo. O Senhor pode me dizer a altura da escada?

- Eu não tenho fita métrica aqui, esqueci no meu outro cinto de utilidades, mas calculo que seja algo entre três e quatro metros.

- Três ou quatro metros Senhor?

- Quatro, quatro.

- Muito bem. Essa Senhora, qual a idade dela?

- Não sei, aparenta ter uns 60 anos.

- Ela está acompanhada?

- Sim, o filho está junto dela, socorrendo.

- E qual a idade do filho dela?

- Desculpa, mas isso é realmente relevante?

- Senhor, tudo o que eu pergunto é relevante.

- Não sei, uns 40 anos.

- E o Senhor tem o telefone dele?

- Se você quer um encontro, porque você mesma não pede? Que tal mandar uma ambulância logo?

- Senhor, eu preciso fazer todas essas perguntas, tenha paciência.

- Eu tenho paciência, só não sei se a cabeça dela que bateu no chão umas duzentas vezes enquanto ela rolava escada abaixo vai ter a mesma paciência.

- Ela está acordada?

- Está.

- Lúcida?

- Está tão lúcida quanto alguém de 60 anos, com um filho de 40, que possui o número de celular 9999-9999, que caiu de uma escada de uns quatro metros, dentro do restaurante tal, na rua tal, em frente ao colégio tal poderia estar 15 minutos depois da queda e sem nenhum tipo de socorro.

Foi quando o gerente do restaurante me procurou e disse:

- Amigo, outro dia eu fiquei meia hora com eles e a ambulância não veio. Eu vou pegar o carro do restaurante e levar a senhorinha acidentada para o hospital.

Só tive tempo de dizer para a atendente do 192:

- Muito obrigado pelo quiz. Não precisa mais mandar nada, porque como sempre as pessoas já se viraram sozinhas.

Da outra vez foi em Botafogo, em frente ao Espaço de Cinema. Ouvi aquele barulho característico de uma colisão de automóveis, só que ao invés de frear, o carro continuava acelerando. A mulher ao lado do motorista berrava "Ele está infartando! Ele está enfartando" (coloquei as duas formas "infartando" e "enfartando" para ninguém ficar chateado), fingindo que não lembrava da história da mulher da escada disquei para o 192 de novo.

Mas como seguro morreu de velho - porque nunca dependeu do SAMU - e eu sei que tem uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) ali perto, corri pra lá enquanto respondia ao questionário sócio-econômico-e-até-de-vidas-passadas que a atendente do 192 fazia.

Chegando na UPA, recebi a notícia que os médicos e enfermeiros ali lotados não pode ir nem na esquina caso alguém esteja morrendo lá. É preciso trazer o indivíduo até eles. Tudo bem, pelo menos eles devem ter alguma influência e abreviar o atendimento do 192, não é?

Não.

O Cabo do Corpo de Bombeiros estava já há 12 minutos - cronometrados no meu celular - com a atendente num debate interessante: a vítima bateu e desmaiou ou desmaiou e bateu?

Porque se tivesse batido e desmaiado, seria caso de ligar para o 193. Se tivesse desmaiado e batido, aí sim, seria 192.

No meio da discussão filosófico-matemática sobre qual era o número responsável pelo Senhor que agonizava a uns 800 metros dali, eis que chega o enfartado, trazido por um segurança que trabalhava na rua e resolveu ir até a UPA dirigindo o carro da vítima.

O cabo dos bombeiros devolveu o telefone, agradeceu meu "gesto de cidadão" e me confessou ao pé do ouvido "Esse 192 é uma m*!".

Não sei qual foi o destino da senhorinha da escada ou do senhor que desmaiou, mas sei de uma coisa: o cabo estava coberto de razão.

Diálogos de filme pornô não são tão legais na vida real

Postado em 6 de ago de 2010 / Por Marcus Vinicius 3 Comentários

"Quem é?" "É o entregador de pizza!", "Veio com bastante catupiry?","Desculpe, Sra, mas veio sem...", "Então vamos providenciar algum agora mesmo!"

"Oi, vocês vendem fronhas?" , "Não Sra, aqui é uma sorveteria", "Tudo bem, acho que vou tirar a roupa mesmo assim..."

Como vocês podem notar, roteiros de filme pornô são sempre muito elaborados e desenvolvidos e quem vê o filme nem observa o desenrolar dos fatos que levam os dois, ou três, ou quatro, ou quatrocentos atores a terminarem nus, fazendo sexo selvagem e "natural", afinal, quem duvida daqueles gritinhos e gemidos das atrizes pornô, não é mesmo?

Mas todos eles são pagos por isso, e quem assiste seus filmes não está muito interessado em roteiro, fotografia, direção e muito menos figurino mas sim nas "vias de fato", afinal, tirando aquele cara que quase foi demitido da sua empresa porque o pessoal da manutenção achou todo o acervo do site Peanut Butter Sex no computador dele, ninguém aluga um DVD ou baixa um filme pornô por engano.

E o que dizer de pessoas que acham que um relacionamento fica excitante quando você começa a se comportar como a Tracy Lords ou o Rocco Siffredi? E não estou falando dos dotes físicos ou da disposição de ambos e sim dos diálogos podres e falas robóticas que eles pronunciam durante as cenas.

Porque ainda que você pense o contrário, não é muito legal dizer que ele tem que "colocar a verga na sua grutinha". Sério, acho que nem a pessoa que criou essas frases fala assim. Tem o lado masculino também, do cara que pensa que está em algum filme do Buttman e começa a dizer coisas como "se prepara, safadinha, porque eu vou conferir sua porta de serviço".

Dizem que entre quatro paredes tudo é válido - e ainda que eu ache que quem fala isso curte passar patê de foie na barriga e pedir pro outro lamber - acho que a idéia é válida, mas como sempre, com limites.

Uns tapinhas aqui e ali, tudo bem, mas cuidado pra não terminar a noite na delegacia porque se empolgou e deu umas sapatadas na cabeça da moça. Frear a criatividade hortifrutigranjeira também ajuda, afinal seu namorado pode adorar bananas na salada de fruta, mas detestar em qualquer outro lugar.

Os diálogos também são um terreno minado. Tem cara que pensa que o orgasmo feminino é uma espécie de corrida de 100 metros, aí faz tudo rápido, como se quisesse competir com o Usain Bolt, com direito a torcida e tudo "vai!vai! goza logo! goza, vai!". E a menina? Tem umas que acham que são o Galvão Bueno da alcova e narram a transa inteira "é isso que você queria? é? você tá tirando a minha calcinha é? isso tira a minha calcinha! tá apertando a minha bunda, né? aperta a minha bunda, morde o meu pescoço, nossa! você tá me comendo!".

Pois é, caso ela não tenha notado, sim, o cara está participando da coisa.

A moral da história é que nem tudo o que você assiste na tela e pareça legal - por mais que outros te avisem que é bizarro - funcionará bem no quarto. Por isso é melhor deixar os diálogos nonsense pro fórum de discussão do Seinfeld e a a roupa de Darth Vader pra alguma convenção nerd.

E evitar a todo custo fazer trocadilhos com a espada do Jedi na "hora H".

Já chega, né!?

Postado em 4 de ago de 2010 / Por Marcus Vinicius 7 Comentários

Se você é susceptível e não gosta de ver alguém falando fortemente mal dos outros, pode ir direto pros comentários e me chamar de elitista, mau-humorado, antipático e mais quantos outros adjetivos conseguir pensar. Eis uma boa trilha sonora para isso:

Vim, tanta areia andei. Da lua cheia eu sei. Uma saudade imensa... Vagando em verso eu vimVestido de cetimNa mão direita, rosasVou levar...Olha a lua mansa...(me leva amor)Se derramarAo luar descansaMeu caminhar..(amor) Meu olhar em festa...(me leva amor)Se fez felizLembrando a serestaQue um dia eu fiz(por onde for quero ser seu par)

Ao ouvir esses versos cantados por mesas compridas cheias de pessoas em alguma chopperia de subúrbio ou bairro de new riches - a.k.a. Barra da Tijuca - a primeira coisa que me vem em mente é "PQP, isso já deu o que tinha que dar!".

Sei que é legal cantar músicas conhecidas a plenos pulmões, mas existe um estoque de músicas por aí que já está tão batido que se fosse leite teria virado coalhada. O que dizer de rodinhas de violão e aquele maldito, famigerado e asqueroso "Toca Raul!"? Sério, será que nenhum compositor, músico, ET ou bot do Google consegue criar alguma música nova para ser tocada em volta da fogueira ou da rodinha estraga-festa?

Mas quem dera fosse só isso. Pode ser no Rio, em Manaus, São Paulo e talvez até Milão e Berlim (brincadeira), se você sair num sábado à noite e for num Baile de Debutantes, Bar Mitzvah, festa de criança, casamento, aniversário de 23, 32 ou 66 anos, vai se deparar com pérolas da MPB - leia-se Música Porcaria Brasileira - que muitas vezes nem nasceram como porcarias, mas que a repetição nauseante durante sábados e sábados seguidos no decorrer de décadas transformou em lixo.

Afinal, quanto será necessário para um ser vivente enjoar de cantar "Descobridor dos Sete Mares", "Whisky a Go-Go", "País Tropical", "Fio Maravilha" ou "Taj Mahal" e se dar conta de que essas músicas já encheram o saco?

Costumo dizer para as pessoas que eu conheço "posso estar em casa num sábado à noite, mas podia ser pior, eu poderia estar com um monte de gente bêbada e suada em volta de mim, sem pegar ninguém e cantando a plenos pulmões 'Não quero dinheiro, só quero amar'".

Porque, convenhamos, ficar num playground ou salão de festas ouvindo músicas da época do mouse de bolinha não passa nem perto da minha idéia de diversão e já faz certo tempo que cantar "Que país é esse?" e responder em corinho "é a porra do Brasil!" não é algo transgressor, ousado ou engraçado para mim.

São tantos clichês e situações batidas - sem trocadilhos com a bebida - que eu só posso creditar o sucesso e a longevidade dessas canções ao estado de bebedeira total que as pessoas que as cantam se encontram durante essas festas. Tem música que é quase da mesma idade do "Parabéns pra você", é contemporânea do brigadeiro e com certeza é mais velha do que o famigerado "Com quem será..."

Não fosse assim, qual seria a razão de, em pleno 2010, uma pessoa ainda abrir os braços e entoar como se fosse a última novidade do pedaço algo como "é a vida! é bonita e é bonita! No gogó!" já com os pés descalços, colocando seu "lado bamba" pra fora?

Com certeza a vida é bonita, mas pode ficar muito mais se não for tão repetitiva. Pronto, agora pode chamar a "Veraneio Vascaína" pra me prender.

Intensidades diferentes

Em qualquer relacionamento que se preze um sempre gostará mais do outro.

Não existe esse negócio de "balança" no amor. Se houvesse um método para medir a quantidade de sentimento, colocar num aparelho qualquer e depois determinar quantos sentimentrons uma pessoa sente pela outra, creio que não haveria uma quantidade simétrica em nenhum casal do mundo.

E a quantidade não é tudo, existe também a intensidade ou a forma como essa intensidade é demonstrada. Eu sou suspeito, porque sempre fui mais cool nos meus relacionamentos. Emotivo, carinhoso, apaixonado, sim, mas nunca fui intenso, com raríssimas exceções nas quais coloquei meu lado cantor-de-tango para fora. Mas abomino isso, de verdade.

A pessoa que se define como intensa e sente orgulho disso já me faz pensar que apronta barraco em portaria de prédio, que persegue taxi na chuva e que joga pedra em avião. Isso pra dizer o mínimo.

Mas o outro lado também incomoda. Tem quem seja blasé até demais, com aquele sangue frio que só corno de filme americano demonstra. Desses que mantém o maldito controle em qualquer situação. A mulher vira pro marido durante um almoço e diz "vamos ter nosso primeiro filho!" e a resposta dele é "pode me passar o sal?".

Ou então o casal faz um sexo selvagem, daqueles que o cara considera o melhor que já teve incluindo umas duas encarnações passadas e a Playboy da Claudia Egito, olha compenetrado pra ela e diz "eu te amo" e ela responde "Uhuuumm". Porra, "Uhum"?

Se bem de que "eu te amo" é aquele tipo de frase que merecia um tratamento semelhante à convite da maçonaria. Eu explico pra quem não entendeu a comparação: um maçon só vira maçon a convite de outro maçon, que o chama para se candidatar a participar. Mas para que a coisa não fique constrangedora e o cara seja convidado antes de ser "aprovado" pela loja maçônica, eles só fazem o "convite" quando já sabem que a pessoa será aprovada.

O "eu te amo" deveria ser tratado do mesmo jeito. A pessoa só deve dizer isso quando tiver a mínima idéia de que a outra vai responder com, pelo menos, um "eu também". Tanto por amor próprio, evitando assim ouvir algo como um um "porque?" quanto por consideração ao outro, que pode realmente não saber o que dizer.

Porque convenhamos, o outro lado dessa história também é terrível: você está assistindo um Palmeiras x Flamengo no Maracanã, com aquela gatinha com quem sai há 3 semanas. Estão naquela fase que ainda não é namoooooro mas já é um namoro. Seu time faz um gol, você comemora, bebe um gole de cerveja e pensa "tomara que ela esteja no clima de ir pro motel depois, porque quero tentar aquela posição que eu vi no Kama Sutra dos Super Heróis", ou seja, está pensando em sacanagem, aí ela vira pra você e diz "eu te amo".

Qual seria a resposta possível? Tipo, você gosta dela, você até acha que possa vir a amá-la, mas isso não vai acontecer em três semanas e 90 minutos de jogo, qual a resposta possível? "Mas já!?" ? Olha a situação que você colocou alguém. Talvez ele só tenha mesmo um "uhum" como resposta, porque não se responde uma declaração dessas como se fosse um "disponha" quando alguém te agradece.

"Eu te amo" não é um ato de cortesia.

E isso vale para tudo, para a frequência dos encontros, dos telefonemas, para o local dos beijos. Porque a média não é possível de ser encontrada nos hipotéticos sentímetrons, mas é facilmente atingida em ações que busquem um equilíbrio.

Imagina você no trabalho, o telefone toca e é a sua nova namorada. Ela pergunta "e aí? tudo bem?" e você responde "Tudo bem nos últimos 10 minutos em que não nos falamos...", ou então você está no cinema, doida pra ver o último filme do Woody Allen e ele quer ficar ali brincando de desentupidor de pia como se vocês tivessem 15 anos. A moça tenta ser educada e diz "vamos ver o filme, lindinho" e ele, irritadíssimo, pergunta "o que foi? prefere o Woody do que eu? você não me ama?". Ela vai dizer o que? "Sim, prefiro e não, desse jeito nunca vou te amar"?

Como podem ver, é tudo uma questão de intensidade, e de levar a garota pra dar uns amassos no cinema durante uma sessão de Transformers.

A "STFHC" ou Síndrome do Transtorno por Fernando Henrique Cardoso

Postado em 2 de ago de 2010 / Por Marcus Vinicius 4 Comentários

Em 2000, os EUA realizaram uma controversa eleição presidencial. A condução do presidente George W. Bush ao seu primeiro mandato talvez tenha sido a eleição mais tumultuada de toda a história daquele país, com recontagens, protestos, e o resultado sendo referendado pela Suprema Corte após intenso debate nacional.

Lembro de ter acompanhado tudo ao vivo pela CNN. Os estados íam sendo colocados um a um na coluna de votos de cada candidato, o então vice-presidente, o democrata Al Gore, e o então governador do Texas, o republicano George W. Bush, sobrando ao final apenas a Florida.

Os eleitores do Partido Democrata até hoje consideram que aquela foi uma "eleição roubada", a despeito de Bush ter vencido todas as recontagens realizadas naquele estado sob todos os métodos possíveis. Fosse por 500 votos ou por 100 mil votos, ele nunca ficou atrás de Gore ali, mas os democratas jamais perdoaram aquilo.

Já em 2008, quando Bush sairia da Casa Branca ao final do seu segundo mandato, a eleição não parecia ser entre o atual presidente Barack Obama e o candidato republicano John McCain, mas entre os democratas e George W. Bush.

Mesmo sem concorrer a mais nada, ele permanecia presente nos debates, nas propagandas, nos ataques. O sentimento geral entre os eleitores de Obama é que eles deveriam "vingar" a derrota de 2000, a "eleição roubada", e fazer justiça. Não foi surpresa quando, já eleito, o presidente Obama e seu partido começassem a falar de uma "herança maldita". Este termo desperta alguma lembrança sobre a política brasileira?

Se não despertar deixe-me refrescar sua memória: foi assim que o atual presidente Lula batizou o legado de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso. A despeito de ter mantido a política econômica, de ter mantido a política de privatizações e concessões, de ter mantido e ampliado o programa de Bolsas, transformando-0 em carro-chefe de seu governo, Lula e os petistas até hoje falam de FHC como se ele fosse o "coisa ruim". Porque?

Antes de mais nada, deixe-me dizer que não sou grande fã do governo de Fernando Henrique. Não foi um bom momento econômico porque o mundo não ajudou, e o Brasil ainda não tinha os fundamentos econômicos sólidos que o permitiram resistir àquela crise como resistiu à de 2008. Mas a cada dia me torno mais admirador da postura republicana que ele manteve durante a sua sucessão, bem diferente deste comportamento de caudilho que Lula exibe agora.

Cada vez que FHC diz algo, que aparece na TV ou emite uma opinião em sua coluna dominical nos jornais, os petistas reiniciam o linchamento moral e histórico a que se dedicam desde o primeiro dia em que se aboletaram no poder. Mas porque? Lula não é o mais popular de todos? Não é "O Cara"?

Simples: porque após o impeachment de Collor, o PT considerava que era direito seu eleger o próximo presidente. A eleição de 1994 seria apenas um ritual que conduziria o "líder metalúrgico" ao Planalto. Por isso foram contra o Plano Real, o qual chamavam de "eleitoreiro".

E foi justamente por causa do Plano Real que levaram uma coça nas urnas. E levaram outra coça em 1998, junto com outro populista sem nenhum cacoete para administrador como o ex-governador Leonel Brizola, o "arquiteto das favelas" do Rio de Janeiro. E eles não perdoam FHC por isso.

Tiveram a chance de levar seu "estimado líder" ao poder em 2002, coisa que os americanos não puderam fazer com Al Gore, já que a política daquele país até admite uma segunda candidatura, mas jamais admitiria um perdedor de 4 eleições sem trabalho fixo - a não ser o de candidato presidencial profissional - continuar tentando até conseguir.

Mas não foi o bastante. Porque não foi contra FHC, o cara que "roubou" o direito deles elegerem o presidente em 1994.

E quem sabe como seria caso tivessem conseguido o poder naquela época. Pelo empenho que demonstram em eleger uma inepta como presidente agora, não é de se espantar que caso o PT estivesse no poder já há uns 16 anos hoje seríamos uma república companheira, que escolhe seus sucessores como um Vaticano Sindicalista.

Mas isso não aconteceu. Não aconteceu porque o ex-presidente Itamar Franco não deixou que o país naufragasse após o impeachment de Fernando Collor. Não aconteceu porque o Plano Real tirou o Brasil da ciranda inflacionária e plantou a semente da inclusão de milhões de cidadãos na sociedade de consumo. Não aconteceu porque ainda não foi daquela vez que funcionou a política do "quanto pior, melhor", tão cara ao PT quando eles estão na oposição. Não aconteceu porque no meio do caminho da trupe palanqueira tinha uma eleição e porque eles perderam essa eleição.
O culpado? Fernando Henrique Cardoso, e ele precisava e ainda precisa ser punido. Seja com dossiês contra sua esposa, já falecida, seja com o linchamento histórico que sofre por parte dos bate-paus petistas.

Ele precisa-ser-punido.

Afinal, chutou a bunda do "Cara" nas urnas duas vezes e isso é mais do que eles podem suportar.
 
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