Já chega, né!?

Postado em 4 de ago de 2010 / Por Marcus Vinicius

Se você é susceptível e não gosta de ver alguém falando fortemente mal dos outros, pode ir direto pros comentários e me chamar de elitista, mau-humorado, antipático e mais quantos outros adjetivos conseguir pensar. Eis uma boa trilha sonora para isso:

Vim, tanta areia andei. Da lua cheia eu sei. Uma saudade imensa... Vagando em verso eu vimVestido de cetimNa mão direita, rosasVou levar...Olha a lua mansa...(me leva amor)Se derramarAo luar descansaMeu caminhar..(amor) Meu olhar em festa...(me leva amor)Se fez felizLembrando a serestaQue um dia eu fiz(por onde for quero ser seu par)

Ao ouvir esses versos cantados por mesas compridas cheias de pessoas em alguma chopperia de subúrbio ou bairro de new riches - a.k.a. Barra da Tijuca - a primeira coisa que me vem em mente é "PQP, isso já deu o que tinha que dar!".

Sei que é legal cantar músicas conhecidas a plenos pulmões, mas existe um estoque de músicas por aí que já está tão batido que se fosse leite teria virado coalhada. O que dizer de rodinhas de violão e aquele maldito, famigerado e asqueroso "Toca Raul!"? Sério, será que nenhum compositor, músico, ET ou bot do Google consegue criar alguma música nova para ser tocada em volta da fogueira ou da rodinha estraga-festa?

Mas quem dera fosse só isso. Pode ser no Rio, em Manaus, São Paulo e talvez até Milão e Berlim (brincadeira), se você sair num sábado à noite e for num Baile de Debutantes, Bar Mitzvah, festa de criança, casamento, aniversário de 23, 32 ou 66 anos, vai se deparar com pérolas da MPB - leia-se Música Porcaria Brasileira - que muitas vezes nem nasceram como porcarias, mas que a repetição nauseante durante sábados e sábados seguidos no decorrer de décadas transformou em lixo.

Afinal, quanto será necessário para um ser vivente enjoar de cantar "Descobridor dos Sete Mares", "Whisky a Go-Go", "País Tropical", "Fio Maravilha" ou "Taj Mahal" e se dar conta de que essas músicas já encheram o saco?

Costumo dizer para as pessoas que eu conheço "posso estar em casa num sábado à noite, mas podia ser pior, eu poderia estar com um monte de gente bêbada e suada em volta de mim, sem pegar ninguém e cantando a plenos pulmões 'Não quero dinheiro, só quero amar'".

Porque, convenhamos, ficar num playground ou salão de festas ouvindo músicas da época do mouse de bolinha não passa nem perto da minha idéia de diversão e já faz certo tempo que cantar "Que país é esse?" e responder em corinho "é a porra do Brasil!" não é algo transgressor, ousado ou engraçado para mim.

São tantos clichês e situações batidas - sem trocadilhos com a bebida - que eu só posso creditar o sucesso e a longevidade dessas canções ao estado de bebedeira total que as pessoas que as cantam se encontram durante essas festas. Tem música que é quase da mesma idade do "Parabéns pra você", é contemporânea do brigadeiro e com certeza é mais velha do que o famigerado "Com quem será..."

Não fosse assim, qual seria a razão de, em pleno 2010, uma pessoa ainda abrir os braços e entoar como se fosse a última novidade do pedaço algo como "é a vida! é bonita e é bonita! No gogó!" já com os pés descalços, colocando seu "lado bamba" pra fora?

Com certeza a vida é bonita, mas pode ficar muito mais se não for tão repetitiva. Pronto, agora pode chamar a "Veraneio Vascaína" pra me prender.

7 Comentários:

Tati Casuz postou 5 de agosto de 2010 12:38

Amei, né!
Muitos beijos.

Roberta postou 5 de agosto de 2010 12:51

Numa festa eu até concordo que há um exagero, o pessoal se sente muito nostálgico etc. Mas, se a pessoa gosta de ouvir em casa não pode impedir!

Tuka Siqueira postou 5 de agosto de 2010 12:58

Acho que a razão de se repetirem sempre as mesmas músicas é que o álcool afeta a memória e o raciocínio. Músicas boas tornam-se rapidamente insuportáveis assim que viram sucesso e passam a ser repetidas infinitamente.
Visita meu blog também.
Beijos

Homem Invisível postou 5 de agosto de 2010 13:31

Muito bom!
Eu, como "pretenso" músico já tive muita vontade de tacar o bumbo da bateria em cima de algum bêbado gritando "Toca Raul" ou um "Toca Legião"! Para, mano! TENTA, pelo menos, ouvir uma coisa nova?
Nada contra quem toca Legião ou Raul. Tem gente que ganha a vida com isso. Que se prostitui para ganhar o pão, e é um direito de cada um, vide as putas. Nada contra elas tb. Cada qual faz o que quer.
Mas... "Liberte-se para o novo". Embora essa frase nem seja tão nova assim.
Frequentarei mais aqui. Gostei do que vi.
E visita lá meu cafôfo tb. Pode descer a lenha. A graça é mesmo a "boa e velha" discussão.

Nelson Jonas postou 6 de agosto de 2010 09:08

Excelente texto!
Parabéns melo momento de "conspiração"!
Torço para que não fique de saco cheio deles!
(Risos)
Bons momentos!

merry postou 6 de agosto de 2010 09:42

Ahhhhh até concordo que esses exemplos de músicas estão batidaços ainda mais em festas, mas tem algumas que a letra é bem melhor que muita música que esteja no auge no momento.
Nem toda a MPB, que você traduziu como música pocaria brasileira, é ruim acho que tudo que generalizado cai num erro, tá certo que ninguém é obrigado a gostar de MPB como eu também nem curto funk e sertanejo, mas procurando bem deve-se achar algo prestável rs.

Jubarulho postou 9 de agosto de 2010 07:08

Delícia de post! Não há nada mais irritante do que "toca Raul"!

E "vamos fugir"?!?! Pelamor!!!

O mais triste é que mesmo as novidades boas se tornam chatas pelo mesmo motivo, repete, repete, repete... Uma pena.

Beijos!

 
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