"Salve Geral"

Postado em 24 de set de 2009 / Por Marcus Vinicius

Este não é um post exclusivamente sobre o filme do mesmo nome, como fiz outro dia com "Se beber, não case", quero falar de mais coisas relacionadas a ele, mas começemos pelo dito cujo.

O filme é bom. Ponto. Tem alguns clichês hollywoodianos e algumas cenas claramente colocadas ali para "amarrar" o roteiro, mas é dinâmico, envolvente e prende a atenção do espectador até o final.

O diretor Sergio Rezende usa a história de uma professora de piano viúva que vê seu filho envolvido com o crime e passa a fazer de tudo para salvá-lo, para relatar como a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) organizou uma rebelião nos presídios de São Paulo e também parou a cidade.

A professora vivida por Andrea Beltrão (linda e numa atuação excelente) acaba se envolvendo com uma advogada (a "Ruiva", encenada por uma inspirada e perfeita Denise Weinberg) que trabalha para a cúpula do PCC.

Entre idas e vindas da história ela vai se afundando cada vez mais no esquema do crime, porém sempre vivendo o conflito interno de quem não quer "sujar as mãos". Os personagens, os diálogos, enfim, todo o filme é muito interessante, mas...

Eu sempre tenho um "mas", né?

Como todo filme brasileiro da tal "retomada", "Salve Geral" é um filme sobre pobrismo. Explico o termo pra quem não conhece: mostra favelas, pobreza, presídios, coisas assim e sempre assume uma visão romanceada da coisa, aquela aura de "Robin Hood", o que é falso.

O que se vê na tela é a tal fórmula "bandido humanizado, Estado omisso ou violento e classe média insensível". Convenhamos, não é tão simples assim.

Por mais que tenha gente presa que acaba ficando pior por conta da falta de penas alternativas e de uma política carcerária decente no Brasil, a maioria dos membros de facções criminosas são ruins sim, praticam o mal quase por diversão sim e não tem a menor intenção de viver dentro das normas e leis da sociedade.

O que falta e ainda não vi nos cinemas brasileiros, é fazerem um filme que mostre a "classe média" como a vítima que é, porque até aqui ela só tem servido pra pagar através de seus impostos esta "humanização" do crime nas telas.

6 Comentários:

desocupado postou 24 de setembro de 2009 09:39

Vale lembrar que no filme em momento em algum dizem estar envolvido o PCC, e sim o partido claro que isso abre possibilidades de interpretações sobre oque seria este "partido". Este filme é aquele tipo de filme em que como a Andréia Beltrão mesmo disse "Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência!"

Periferia postou 24 de setembro de 2009 09:43

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Paulo Sérgio postou 24 de setembro de 2009 11:35

Concordo plenamente sobre essa "romantização" do bandido. Porém, são ingredientes perfeitos para uma história como essa e como tantas outras.

Agora, mudando de saco pra mala, acredito que a 'Academia' vai agraciar dessa vez o nosso filme. Ele será indicado e corre o risco de levar o 'mocinho dourado' pra casa.

Parabéns, já virei fã.

Virgínia Allan postou 24 de setembro de 2009 11:52

Não assisti ao filme, mas concordo que em várias dessas películas do cinema nacional em que a violência serve como tema, há sempre essa aura santificada, deturpada em torno dos bandidos, como se lhes sobrassem razões para serem maus no real sentido da palavra. Entre eles há um moralismo (não gosto dessa palavra)invertido e equivocados códigos de honra que não passam de manias e péssimos hábitos que confundem com respeito e heroismo . E isso não acontece por que são pobres ou excluidos socialmente, acontece porque são maus por natureza, são assim e assim o são e não há nada nesse mundo que os fará mudar ou agir de forma diferente.

Hilton Neves postou 24 de setembro de 2009 19:06

Tbem não assisti ainda. Dá pra notar essa tendência nos filmes nac. mesmo que a coluna expõe, duns 8 anos pra cá especialmente.

O último § realça meu medo do Gov. petralhista não dar bola pro longa sugerido. Uma produção sobre a classe média, sobretd se abordar os impostos escorchantes, é olhada torto pelo Bureau planaltino.

João postou 1 de novembro de 2009 07:05

Ainda bem que a classe média foi a mais beneficiada pelos "petralhas". Acho também que é por isso que a coisa deu certo mais da conta, em toda a história desse nosso vilipendiado país protegido do sol por chapeuzinhos modelito Sorbone.
Quanto aos bandidos, tanto faz ser um passageiro da agonia ou um Daniel Dantas.

 
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