Sobre o direito de qualquer um gostar de si como é e de falar sobre isso sem ser patrulhado

Postado em 17 de jul de 2013 / Por Marcus Vinicius

O vídeo abaixo virou hit na internet. A (bela) menininha parece que foi convidada para ir ao programa da Fátima Bernardes e tudo.

Eu acho o maior barato, porque é mais prova que a internet pode ser o caminho de entrada para a difusão de idéias na mídia tradicional. Não é o primeiro caso e com certeza não será o último, e isso é muito bom.

O título é "Júlia ensinando a gostar dos seus cachos" e nele uma menina negra fala sobre o quanto gosta de ter cabelo "armado" e o quanto acha ridículo quem a manda alisar suas madeixas. Ainda aproveita e debocha de quem gosta de cabelos lisos, com gestos e expressões.

Foi uma forma de dizer que pouco liga para uma coleguinha que a chamou de "Creuza" por conta das mechas rebeldes, mas sim, ela deu uma debochadinha de quem tem cabelo liso.

É do jogo, vida que segue. Não seria eu, que detesto o politicamente correto, que iria dizer que a menina está errada ou advogar por quem eventualmente tenha se ofendido.

Por mim brancos e negros fariam piadas uns dos outros à vontade, essa atual sociedade dos hiper-sensíveis enche o saco. Adiante.

Na sua mensagem principal, o vídeo é sensacional. Devemos mesmo procurar nos sentir bem com o que a natureza nos deu. Padrões nos limitam e, principalmente, nos frustram, porque nem sempre podemos acompanhá-los.

Lendo os comentários no YouTube percebemos como todos saúdam sua precoce (e bonitinha) maturidade neste sentido, mas como sou do contra, preciso questionar:

Primeiro, se fosse uma menina loira, dizendo como gosta de ser loira, de ter cabelos lisos e, principalmente, debochando de quem tem ou diz preferir cabelos crespos, será que o vídeo seria um hit positivo, com comentaristas dizendo "isso mesmo, linda, fale o que pensa e se ame!" e que o caso iria parar na Fátima Bernardes para uma entrevista?

Ou o que aconteceria seria uma polêmica dessas pesadas, com os pais sendo acusados de racistas e a menininha sendo chamada de "nazista mirim", e terminando com uma aparição na TV, mas em algum telejornal no segmento policial, com a informação de que o Ministério Público já teria até aberto inquérito?

Sei que os politicamente corretos, racialistas e demais xaropes vão repetir seu argumento batido da "dívida histórica", da "reparação" e da "discriminação" que negros sempre sofreram, até e principalmente, por conta da sua aparência.

Mas aos seus argumentos batidos eu respondo com as mesmas questões batidas: e se fosse o contrário?

Sim, porque a discrepância continua, não os vejo admitir um avanço sequer (ao contrário, continuam vendo "racismo" em tudo e cada vez mais, procurando em cada canto e berrando sempre que podem), para eles, a despeito do vídeo da Júlia ter atraído mais de 170 mil acessos até este momento em que escrevo, e comentários positivos (a maioria, diga-se de passagem, de brancos), nossa sociedade ainda é racista, escravagista e precisa levar um "corretivo".

É a tal dívida histórica que é pior do que rotativo do cartão, por ser praticamente impagável e os juros correrem soltos.

No final das contas, sim, é uma ditadura do politicamente correto, porque não sei se um comentário do tipo "não gosto de cabelo crespo" seria bem recebido como mera questão de estética pessoal de quem o fizesse ou encarado como "racismo disfarçado".

Finalizo dizendo que a Júlia realmente é linda (e assim seria com cabelos alisados ou não), que pode e deve gostar de si, mas que a Ana, a Tatiana, a Isabel, a Mariana, a Laura, a Bruna, a Andreia, a Aline, a Marise, a Hilma, a Grethel, a Tainá, a Leandra, a Izadora, a Camila, enfim, todas, com a aparência (e isso inclui a cor) que tiverem também podem e devem gostar de si.

E principalmente, devem poder falar isso abertamente sem serem julgadas.



1 Comentário:

Estélio Júnior postou 9 de agosto de 2013 03:15

Muito bem colocado! Concordo que acho lindo uma criança valorizar uma característica sua que foge aos padrões atuais de beleza, mas concordo também que todos temos o direito de defender nossas opiniões ou exaltar nossas ideias sem sermos julgados racistas ou preconceituosos. Estamos cada vez mais escravizados pelo politicamente correto e vocês descreve isso em vários dos seus textos. Sou seu fã! Acompanho sempre seu blog e não lembro nem como cheguei aqui, pois não leio nenhum outro blog, mas está de parabéns. Continue defendendo seus pontos de vista que são bem parecidos com os meus. Parabéns!

 
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