Dinossauro rock clube

Postado em 23 de out de 2013 / Por Marcus Vinicius

Sexta-feira, durante alguns acordes do Aerosmith no seu show na Praça da Apoteose, eu pensei em algo que praticamente todo mundo já deve ter pensado no show de um desses "dinossauros" do rock:

- Quem vai tomar o lugar desses caras daqui a umas décadas?

Porque atualmente não vejo uma banda nova que vislumbre a longevidade e a qualidade de gente como o próprio Aerosmith, o Whitesnake, Kiss, Clapton, Bowie, Stones, Dylan, Iron Maiden, Morrissey, New Order, Joe Cocker e vários outros (citei gente bem diferente para deixar claro que "qualidade" pode ser gosto pessoal, mas longevidade não).

Claro que nenhuma banda já nasce "veterano". A maioria desse pessoal já foi um iniciante-attention-whore-faz-tudo-pela-fama-até-tocar-em-programa-de-auditório, mas ainda assim já havia ali a qualidade, o toque diferenciado, todo o talento que os levaria através das décadas a serem curtidos por um cara de 20 anos, mas também pelo seu pai e seu avô, que começou a curtir aquilo quando tinha a sua idade.

Quem, atualmente, poderá estar em atividade e lotando arenas daqui a 20 ou 30 anos? No Rock in Rio eu pude perceber isso quando assisti a um show honesto de um tal de Phillip Phillips, um show insosso (a exceção dos gritinhos das fãs) do John Meyer e um showzaço com tudo o que tem direito do Bruce Springsteen, um dos melhores que já assisti até hoje.



Qual o dado curioso? O auge da energia, do profissionalismo, da entrega, do suor, foi de um sessentão que já é também um dinossauro. 

Entende o que quero dizer? É tanto ídolo fabricado, tanta carinha bonita cheia de auto-tune nas idéias, tanta atitude sem algo por trás que a justifique, que essa molecada de 20 periga chegar aos 40 gostando só de gente que já passou dos 80, porque a época deles falhou em apresentar seus próprios ícones da música.

Existem algumas poucas exceções (Amy Winehouse era uma dessas), mas a maioria mesmo parece um produto saído de um desses programas estilo Ídolos ou The Voice.

Todo mundo treinado para parecer alguma coisa que deveria parecer.

Perguntem se Johnny Cash precisou treinar.

A música de hoje é o amor antes do amor, a dor antes da dor, a raiva antes da raiva, o ser antes de ser.

Daí que não dura.

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