O jeitinho (sujo) brasileiro

Postado em 9 de out de 2013 / Por Marcus Vinicius

Hoje no Centro do Rio guardinhas andavam para lá e para cá com Palmtops na intenção de multar quem jogasse lixo no chão. Vi gente brincando, outros apoiando e mais um monte de gente dizendo que é um absurdo, já que a prefeitura não faz sua parte oferecendo nem latas de lixo decentes (as do Rio, minúsculas e com suas bocas pequenas que não entram um coco, vivem cheias e mesmo quem deseja jogar lixo ali acaba tendo que "empurrar" lá pra dentro).

Mas um erro não justifica o outro. Não é porque os políticos chafurdam na lama e não oferecem serviços decentes que as pessoas têm o direito de se comportar como suínos.

Em qualquer lugar um pouco mais civilizado este é um ato de falta de educação e passível de multa, somente as camadas menos esclarecidas têm tolerância com a sujeira, por pura desinformação.

No Brasil não. O brasileiro já introjetou esse negócio de que "aqui todo mundo joga lixo no chão mesmo" e o pior é que tudo é tão "normal" que as pessoas não só toleram, como convivem com pilhas de lixo sem fazer nem cara feia.



E não adianta vir fazer comparações com aquela sua viagem à Bolívia ou às Filipinas, porque assim é fácil. Eu posso dizer que sou tão bonito quanto o Seu Madruga (há controvérsias) ou que o José Dirceu é tão honesto quanto o Maluf (nesse caso não há controvérsias).

O mais curioso é que a maioria dos brasileiros quando vai ao exterior não age da mesma forma. Continuam falando alto, sendo inconvenientes, tirando foto onde não pode, pisando onde não deve, mas o lixo não é atirado ao solo com a mesma volúpia.

Quer dizer, algum neurônio nacional perdido sabe que aquilo é errado, mas curiosamente é desligado assim que o avião pousa em solo pátrio.

Talvez seja pela mesma razão que aquilo que o brasileiro realmente acredita ser "o maior espetáculo da Terra", que é o desfile das escolas de samba no sambódromo do Rio de Janeiro, comece num valão (o Canal do Mangue) e termine em frente a uma garagem de caminhões de lixo da Comlurb, na saída da Praça da Apoteose.

Não dá.

Seja o primeiro a comentar!

 
Template Contra a Correnteza ® - Design por Vitor Leite Camilo