Motorista de táxi por um dia

Postado em 14 de ago de 2013 / Por Marcus Vinicius

Segundo notícia publicada no site do jornal português Público, o primeiro-ministro da Noruega, o trabalhista Jens Stoltenberg, se disfarçou de taxista para tentar conhecer melhor (e sem filtros) o que os eleitores pensavam dele.

O premier colheu várias opiniões - algumas positivas, outras negativas - foi reconhecido algumas vezes e no final não cobrou a corrida de ninguém.

Alguém consegue imaginar um político brasileiro (ainda mais o chefe do executivo) fazendo isso? Tudo bem, um presidente do Brasil é responsável por um território e uma população bem maiores do que os da Noruega, mas você consegue imaginar um governador brasileiro fazendo isso?

Difícil, mas eu tentei. Lá vai.

Primeiro que se disfarçar de motorista de táxi não seria um jeito muito bom de saber o que o povo pensa, porque táxi no Brasil é muito caro e as pessoas andam mesmo é nos (péssimos) metrôs e (ainda piores) ônibus.

Mesmo se tentasse, o governante teria que tomar cuidado em escolher onde pegaria passageiros, porque dependendo do local - aeroporto e rodoviária seriam os mais problemáticos - a máfia local não combatida por ele e pelo prefeito poderia furar os pneus do seu carro ou botá-lo para correr dali debaixo de pedradas.



Mas tudo bem, político brasileiro andando de ônibus só mesmo quando o jatinho do empreiteiro está ocupado e ele precisa pegar aqueles coletivos que levam passageiros pela pista até os aviões comerciais, fiquemos no táxi então.

Entre uma pergunta e outra sobre a situação do país, ele cairia em uns 20 buracos no asfalto, enfrentaria alguns quilômetros de engarrafamentos e seria cortado por alguns motoboys com suas buzinas cretinas, quase perdendo o retrovisor.

Avançaria um ou dois sinais vermelhos por medo de ser atropelado pelo caminhão de lixo que vinha à toda atrás dele piscando farol, levaria fechadas de ônibus, ficaria retido numa blitz da lei seca e, no final, mesmo provando que não estava bêbado teria que dar uma propina esperta para o agente público que o parou, que a esta altura teria encontrado o descumprimento de alguma das 34248579174161919897 normas e regulações a que estão submetidos os proprietários de veículos, entre as quais algumas coisas importantes como luz interna fraca, tapetes gastos ou calotas feias. 

Livrando-se disto, ainda pararia em uma ou duas praças de pedágios de vias expressas cortadas por favelas, uma das quais com um tiroteio que o obrigaria a avançar a cabine de pagamento e assim levar uma multa por "evasão de pedágio".

No final da corrida não teria prestado atenção em nada que os passageiros disseram e como bom político brasileiro não só cobraria como também superfaturaria a corrida com o auxílio de um taxímetro adulterado.

Terminaria a experiência agradecido por só andar de helicóptero e certo de que a população - que ele não ouviu - acha que tudo está bem.

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