Vestibular que nada, medo mesmo eu sentia é do teste vocacional

Postado em 17 de jan de 2013 / Por Marcus Vinicius

Houve um tempo em que não conseguia decidir se o pior emprego do mundo era periodontista (aquele sujeito que vive de limpar tártaros dos outros) ou vendedor de sapatos (aquele sujeito que sente chulé o dia inteiro).

O tempo passou e descobri que um periodontista pode ganhar bastante grana e que existem pezinhos tão lindos que podem compensar o chulé dos demais e devolvi estas duas profissões ao rol das de todas as outras, com tudo de bom e de ruim que cada uma tem.

É claro que minha dúvida excetuava profissões que são, sob quase qualquer ponto de vista, no mínimo desconfortáveis de se exercer, como limpador de fossa, faxineiro de banheiro, vassourinha de curling, empacotador de salsichas ou masturbador de porcos.

Falo de profissões com prós e contras (logo é necessário haver um "pró" para que entre nessa discussão). Médico ganha bem, mas trabalha que nem uma mula de charrete de entulho. Engenheiro Civil é respeitado mas geralmente vive cercado de homens em lugares distantes durante muito tempo. Taxista passa o dia andando e não conhece a palavra "mesmice", mas tem grande chance de terminar com hemorroida de tanto viver sentado.

Professor de educação física é admirado pelas moças, mas é obrigado a ouvir papo de academia o tempo todo. Professor universitário dá o maior status, mas se não for comunista, tem que conviver com semi-adolescentes filiados ao PSOL.

Publicitários são conhecidos pela criatividade, mas terminam virando bebês de 40 anos de tanto pensar em besteira o dia todo. Jogador de futebol, músico de trio elétrico e cantor de pagode ganham rios de dinheiro, mas têm que fazer uma remoção da parte do cérebro que cuida do bom gosto e do raciocínio para exercer sua profissão.



Enfim, não é a toa que até hoje os testes vocacionais são um sucesso, afinal, como a pessoa vai se decidir entre tanta coisa boa e ruim? Será que algum teste vem com resultados como "parabéns, você vai ser fabricante de mamadeiras" ou então "você tem 99% de chances de ser um excelente imitador de estátua"?

Mais ainda, vai que o resultado diz que você vai passar o resto da vida como camareiro de motel?

Só que dentre tantas furadas possíveis, como, por exemplo, ser pinoboy (aquele cara que arruma os pinos no boliche e de vez em quando leva uma bolada na canela), em minha opinião pouca coisa é tão chata quanto ser maleiro de aeroporto.

Não interessa o setor, seja no embarque, seja atirando as malas das pessoas como sacos de batata numa esteira, trabalhar com malas no aeroporto conseguiu uma posição de destaque como uma das profissões mais sádicas possíveis.

Pense bem: você fica ali levantando malas, contando malas, cuidando de malas de um monte de gente que vai viajar para Paris, Tóquio, Londres, Pindamonhangaba, gente que vai, gente que vem, gente que está voltando, gente que não pretende nunca mais voltar e, no entanto, você mesmo fica sempre ali, sem sair do lugar.

Todo mundo viajando, menos você, que precisa cuidar das malas de quem viaja.

Não é a toa que as vezes eles fazem nossa bagagem sofrer mais do que testador de supositórios, que, pensando bem, deve ser uma profissão quase tão ruim quanto carregador de malas.

Pior, vai que sai um negócio desses num teste vocacional?

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