A Chatolândia

Postado em 5 de fev de 2013 / Por Marcus Vinicius

Dedé e Zacarias tentam consertar um Opalão numa oficina durante o programa dos Trapalhões e o diálogo a seguir acontece:

- Cadê o macaco, hein?

- E eu sei lá onde é que você enfiou o macaco, rapaz? - Responde Zacarias.

- Cadê o macaco? Onde é que tá o macaco? O macaco tá aí? - Pergunta, aos berros, Dedé.

E de repente Mussum saí debaixo do Opalão e diz:

- Tô! Mas macaco é a tua mãezis!

Visualize isso passando na televisão num horário de grande audiência nos anos 70 ou 80. Agora visualize isso passando na televisão nos dias de hoje.

Em alguns minutos o "racismo" seria um dos assuntos mais comentados no Twitter. No Facebook as pessoas iriam repassar mensagens de repúdio contra um ato tão abjeto, em horas o YouTube já exibiria as "provas de como nossa sociedade ainda é escravagista" e no dia seguinte "ONGs" de direitos "afro" exigiriam ação do Ministério Público, que abriria investigação imediatamente.

Ao fim de uma semana o assunto já teria causado aquela comoção que se dissolve igual Sonrisal típica do brasileiro, e os atores e a produção do programa já teriam emitido nota de desculpas e passariam a medir mais suas ações, ou seja, a fazer auto-censura.

Penso nisso e vejo como vivemos numa das épocas mais chatas da história da humanidade. Todo mundo é melindrado, susceptível, ressentido, pronto para dar um piti por qualquer coisa.

Vamos nos dividindo por raça, sexo, opção sexual (desculpe, não vou usar os termos que estão na moda para nada disso) e assim vamos nos tornando uns malas-sem-alça.

O Mussum era um humorista. Não era um "humorista negro" como hoje vemos tantos "atores negros", "cantores negros" e o escambau. Não era escravo de ninguém, foi bem sucedido no que fazia, mas talvez hoje fosse acusado de "subserviência ao branco" ou coisa parecida.

Esses dias também li num jornal que uma estudante de São Paulo foi condenada a prestar serviços comunitários porque no dia da eleição de Dilma Rousseff à presidência, disse que os nordestinos (grosso do eleitorado petralha naquele pleito) tinham que ser afogados ou coisa assim.


Ao invés de responderem que ela é que deveria se afogar no Tietê ou qualquer outra coisa no mesmo tom, começaram um chororô dos infernos, na internet, na imprensa, em tudo que é lugar.

Todo mundo nesse papel de coitadinho discriminado que a brasileirada atualmente adora encenar, e a coisa foi parar na justiça criminal, como se não houvessem colarinhos brancos, traficantes e outros tipos de bandidos soltos o suficiente para ocupar a polícia e os tribunais.

Hoje em dia ao ser xingada a pessoa não pensa primeiro em xingar de volta (como sempre foi na história e nem por isso ninguém é psicopata ou traumatizado), mas pensa logo no processo, na auto-vitimização, no mais ridículo dos "mimimis".

Estamos virando uma sociedade de chorões. De bolhas que vivem reclamando de bullying (outro termo criado nesses tempos neuróticos para criminalizar a velha zoação de pátio de colégio que, na maioria das vezes, era resolvida com uma troca de sopapos na saída), de mariquinhas que não aguentam ouvir o que não gostam.

Um clube exige uniforme para que babás levem os filhos dos sócios para brincar? PRECONCEIIIIITO! Afinal, TODAS as babás são negras, não é? Um jogador de futebol chama o outro de "viadinho" no intervalo da partida? HOMOFOBIIIIIIA! Alguém diz que o Nordeste é uma região atrasada (e em certos aspectos é, apesar de ser melhor do que o resto em vários outros)? RACISSSMO! Como se "nordestino" fosse raça.

Ninguém pensa em devolver um "macaco!", com um "cara de bunda!", mas em correr para a delegacia mais próxima e arrumar o topete a tempo de aparecer na entrevista do jornal da noite ou na foto da manchete do dia seguinte.

E tome de inventarem novos preconceitos e comportamentos "reprováveis". É homofobia, skatefobia, bicicletafobia, cachorrofobia, gentequetirafotodecomidafobia, qualquercoisafobia. Se você não gosta de algo (um estilo de música, de se vestir, alguma subcultura qualquer), ainda que não deseje que alguém morra por isso, seja deportado, impedido de entrar no seu prédio, obrigado a usar a porta dos fundos ou tenha que usar um símbolo da Apple bordado no peito, fique sabendo que alguém vai te achar uma pessoa muito ruim por causa disso e vai dar um jeito de criminalizar sua opinião.

Só mesmo quem ainda não foi achado por nenhum grupo de "bons" (por essa "gente do bem" que detesta "discriminações") para ser defendido foi uma minoria cada vez mais oprimida, que é a dos que não se rendem à besta do Apocalipse que é o tal do politicamente correto.

Esses não tem nem uma petição online que os defenda. Mas uma hora, alguém vai ter que dizer chega.

2 Comentários:

Isabel postou 5 de fevereiro de 2013 11:28

Esse mundinho tá muito chato! Já passou da hora de dizer chega!!

Luciana Rodrigues postou 6 de fevereiro de 2013 02:56

O engraçado (?) de hoje em dia é que se você chamar uma bicha de... "bicha", ela/ela, sei lá, se sente MEGA ofendido(a) e já é homofobia!

Como assim? Você chama a pessoa pela opção sexual que ela fez e é preconceito???

Como diria Painho: Aff....isso dá uma gastura!

 
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