Lugar de homem é na oficina

Postado em 15 de mai de 2012 / Por Marcus Vinicius

Existem homens que não sabem cozinhar, lavar, passar e até aqueles que jamais pegaram numa chave de fenda na vida. Sério mesmo. Tenho uma amiga que contou que o ex dela a chamava para trocar até uma lâmpada, porque ele não sabia fazer nem isso.

Ela terminou rompendo o namoro com ele achando que um dia o rapaz pegaria seu rímel emprestado.

Lembrei disso porque um dia vi o anúncio de um curso de mecânica para mulheres. Lógico que achei muito legal a iniciativa de instruir nossas mães, irmãs e esposas na difícil tarefa de não ser enganada por mecânicos que usam termos como "junta do cebolão", "garfo da cremalheira" ou "ponta do giclê".

Só que esse tipo de curso parte de uma premissa equivocada: a de que todos os homens já nascem conhecendo tudo de mecânica, como se cromossomos X e Y reunidos viessem com toda aquela carga de informação que somente estudo, anos de experiência e um macacão imundo de graxa podem proporcionar.

O fato, porém, é que a maioria dos homens tem tanta intimidade com os três termos que citei quanto com "chã, patinho e lagarto". Nosso conhecimento sobre carnes se resume a picanhas e asas de frango e o conhecimento da maioria de nós sobre mecânica se resume a abrir o capô do carro, olhar para aquilo como se fosse uma Conjectura de Poincaré e torcer para que o simples gesto de balançar fios, dar umas porradinhas nos contatos da bateria ou um chute no pára-choques sirva para fazer o motor voltar a funcionar.

O pior de tudo é que sempre esperam algo de um homem nessas situações.


Se você estiver na estrada com sua namorada ou mesmo passando um final de semana na casa de praia da dela, a primeira coisa que vai acontecer quando o motor engasgar, algo na suspensão quebrar ou um cano estourar é olharem para você com aquela expressão de quem diz "agora é a hora de você provar que nunca fez depilação".

E assim começam seus problemas, já que até hoje sua curiosidade sobre automóveis e reparos caseiros se resumiu a encher o tanque do carro e pedir para o frentista calibrar os pneus e colar um poster do Kiss na parede usando fita adesiva, porque ficou com medo de machucar o dedo colocando um prego.

Por isso, ainda que você pense que jamais vai precisar disso, porque a concessionária é logo na sua esquina e o porteiro do seu prédio faz tudo em meia hora e cobra barato, convém aprender coisas básicas como trocar um pneu, apertar alguns parafusos, colocar um quadro na parede e substituir uma torneira do banheiro.

Porque assim como - para horror das feminazis - espera-se que uma garota saiba pelo menos fritar um ovo e fazer um Miojo (já que nem todas podem namorar o Jamie Oliver), todo mundo vai esperar que nessas horas você bote a mão na massa e dê um jeito na situação.

Mesmo porque dizer que nunca quis saber muito de mecânica por não gostar de ficar sujo de graxa e porque aqueles posters de mulher pelada nas oficinas são uma coisificação da mulher que te incomoda  só vai te fazer parecer ainda mais esquisito no fim.

3 Comentários:

Roberta Migueis postou 15 de maio de 2012 15:35

Odeio miojo - mas sempre existe comida congelada e o Renato já foi treinado para usar forno e microondas.

:)

mvsmotta postou 15 de maio de 2012 18:33

O microondas sozinho contribuiu mais para a libertação das mulheres do que a queima de todos os sutiãs poderia fazer. ;)

Beijão

Nati postou 15 de maio de 2012 21:18

Na verdade ninguém nasce sabendo, nascemos com um dom, como se fossemos instruídos um pouquinho com aquilo e fosse fácil de aprender a fazer tal coisa. Do mesmo jeito que tem mulheres que não sabem passar, lavar e/ou cozinhar, tem homens sem dons para trocar um chuveiro, arrumar uma porta e até uma lâmpada.

Também acho que depende do modo como foram criados, acho que a maioria dos homens que são criados por mulheres não sabem fazer muita coisa que um homem que foi criado por outro homem sabe fazer.

Beijo

 
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