Duas situações que explicam porque não existe algo bom só na teoria

Postado em 10 de abr de 2013 / Por Marcus Vinicius

Situação 1:

Você cansou de andar a pé.

A gota d'água foi quando estava parado no ponto de ônibus e viu um sujeito passar num Escort XR3 ano 87 com um adesivo que dizia "a pé você não come ninguém". Nesse momento você percebeu como a vida não está fácil, já que aparentemente até um sujeito que ainda anda num Escort com uma porta de cada cor está numa situação melhor do que a sua e resolve tomar uma atitude: vai comprar um carro ou pelo menos uma moto.

Só tem um problema: sua conta bancária no momento conta com R$ 100,00 e um sinal de negativo na frente desse valor, sem contar que já deve cinquentinha pro seu irmão por causa da saída no final de semana e ainda precisa pagar a conta do celular que está atrasada.

Mas tudo bem, basta conversar com seus pais, pedir um empréstimo, dar um papo no chefe, pegar um adiantamento do décimo-terceiro e financiar o resto em suaves 200 prestações. Só que...

Você passa a noite maquinando tudo, na sua cabeça está tudo certo, mas quando conversa com seus pais descobre, ou melhor, é lembrado por eles que ainda não pagou aquele empréstimo para fazer a viagem para a Disneylandia no ano anterior, depois seu chefe te diz que não tem como adiantar nada porque nem sabe se você estará na empresa até o final do ano e, por último, seu gerente lembra que não tem como financiar nada para quem não sai do cheque especial desde que o Orkut ainda era moda.

No final das contas você pensa: transporte coletivo é mais ecológico, sustentável, pode ser que eu coma alguém come esse papo.


Situação 2:

Que saudades da Lucinha.

Ela sim, era mulher de verdade. Te dava amor, carinho e bolo de chocolate e só agora você percebe como foi um idiota não dando a esse colosso de mulher o seu devido valor.

Além de tudo tinha belos peitos e uma bunda de fazer inveja a dançarina de programa de auditório. Usava óculos fundo de garrafa, tudo bem, e ainda que isso tenha sempre te incomodado, hoje isso dá a ela um ar de secretária safada de filme pornô que te dá a certeza: preciso me reconciliar com a Lucinha.

Por que foi mesmo que você parou de sair com ela? Ah sim, claro, por causa da Dri, que depois de te conquistar com promessas de sexo diário e biquínis de chantilly, o convenceu a vender seu carro para fazerem uma viagem à Disneylandia e assim que conheceu o Mickey resolveu te trair com um bombadão que fedia a albumina e te deixou a pé, literalmente.

Tudo certo, você vai ligar para a Lucinha, pedir desculpas, contar que ela é a mulher da sua vida e que só demorou tanto tempo para perceber isso e finalmente se declarar porque passou um tempo em coma, e depois ficou com vergonha dela não acreditar nessa história de coma, mas que de hoje em diante será dela e de mais ninguém.

Na sua teoria ela vai te perdoar, pular em cima de você, te dar um beijo demorado e perguntar se quer bolo de chocolate. Só que...

Ao atender o telefone você percebe um som de criança chorando no fundo, pergunta se ela tem um tempo para conversar e ouve como resposta algo como:

- Pode ligar mais tarde depois que eu colocar as crianças para dormir e der o jantar do meu marido?

No final das contas você percebe que talvez não vá rolar aquele bolo de chocolate da Lucinha.

Essas duas historinhas aparentemente prosaicas, mas que acontecem a todo momento nas piores e melhores famílias, servem para provar uma coisa: nem sempre nossos planos saem como achamos que vão sair.

Uma coisa é a teoria e outra é a prática e um plano só é bom se funcionar na prática.

Veja por exemplo os simpatizantes do comunismo e socialismo, todos dizem que é uma bela teoria que só não deu certo ainda na prática.

Mereciam ficar a pé e não comer ninguém. Nem bolo.

2 Comentários:

Diego Rebouças postou 25 de abril de 2013 13:42

Que delícia, principalmente a Situação 1. Escort XR3 amarelo com um adesivo desses! Ri alto aqui!

mvsmotta postou 25 de abril de 2013 13:48

Sabe o mais engraçado? Eu REALMENTE vi um Escort com um adesivo desses na rua uma vez, lembrei na hora em que estava escrevendo e tive que incluir na história. Hehehe.

Abração!

Marcus

 
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