A sociedade do "cale-se"

Postado em 5 de jun de 2013 / Por Marcus Vinicius

Se tem coisa que me irrita é a "expressão militante". 

Veja bem, não é a expressão "militante", mas uma expressão qualquer que deixa de ter a sua semântica normal e passa a representar um monte de outras coisas dentro de um contexto que terminam por torná-la insuportável.

Tome por exemplo "homofobia". 

Procure num dicionário o que isso quer dizer e em nada parecerá com o que ela traz em si hoje.

Quem vai num prosaico pai-dos-burros online, encontrará: "aversão irreprimível, repugnância, ódio, preconceito que algumas pessoas, ou grupos nutrem contra os homossexuais, lésbicas e bissexuais".

Mas quando isso é transportado para a nossa realidade, vem logo à mente uma parada gay com pessoas fazendo obscenidades em via pública (chocando em nome do direito de não chocar), militantes de internet ofendendo qualquer um que ouse não repetir o mantra "gay é belo", novelas e programas de TV forçando a barra no tema, kits de educação do Haddad (o ministro da educação que achou boa idéia ensinar para crianças em idade escolar que "ser bissexual é legal porque você tem 50% a mais de chances de se divertir") e, claro, a figura controversa (e para mim xexelenta) do Jean Wyllys.



Acaba que você esquece do termo e passa a ter "fobia" da sua repetição enfadonha e vazia, que termina virando uma espécie de palavra mágica para encerrar qualquer discussão.

Tal como "racista!", o "homofóbico!" é de uma truculência digna de um cassetete da PM, de um brutamontes que agride os outros na rua por causa de sua opção sexual, de uma censura prévia.

Retira-se do interlocutor o seu direito à livre manifestação de idéias e coloca-o nas cordas, defendendo-se do que talvez nem seja, esquecendo o tema central e voltando-se para a acusação que vai fazer quem ousa discordar do "gay é belo" sentar num banco dos réus e, desesperado, dedicar-se tão somente à livrar-se da "ira dos justos".

Depois de uma experiência assim, quem ousará discordar novamente? E todo mundo segue bovinamente aplaudindo a nova sociedade da "tolerância" que, em nosso caso atual, é a sociedade do "cale-se".

Cale-se. Seja tolerante.

2 Comentários:

@Rei__23 postou 5 de julho de 2013 07:09

Ótimo texto.

Luciana Rodrigues postou 8 de julho de 2013 13:03

Não tem nem o que comentar. Falou tudo. Interessante nessa questão da "homofobia" é que a intolerância de alguns poucos desperta a intolerância de vários muitos.

 
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