Carrinho de supermercado fake tem pernas curtas

Postado em 27 de nov de 2012 / Por Marcus Vinicius

Seu carrinho de compras diz muito sobre você. 

Assim como o livro que você está lendo no momento (supondo-se que você leia, já que não ler nada também diz muito sobre você), o que carrega para o caixa do supermercado pode dar uma boa idéia do tipo de pessoa que você é.


Daí que certas vezes é perfeitamente normal que você sinta que está sendo julgado enquanto alguém encara aquele monte de caixas de BIS, garrafas de Mineirinho e pacotes de Skiny que você está comprando. Praticamente dá pra ver no olhar da velhinha comprando ingredientes pra fazer uma canja:


- Que isso, hein, meu filho, nem uma maçã ou uma rúcula pra contar história!


Dizem que o segredo é não fazer compras com fome. Tudo bem, mas e se nem depois de um rodízio de pizzas eu consiga achar um suco de soja com gosto de vômito de camelo apetitoso? Tenho que comprar mesmo assim?


Vivemos sob intensa pressão social para demonstrar hábitos saudáveis. Se você não gosta de brócolis, tem que gostar de abóbora. Se não gosta de nenhum dos dois, pelo menos uma pêra de vez em quando tem que comer. Essa pressão é que gera aquelas situações onde você chega numa lanchonete, pede um cheese-quadruplo-cheddar-bacon, batata-frita e onion rings e pra rebater um suco de laranja.


É sua cota de alimentação saudável no meio daquele oceano de gordura saturada.


Só que essas situações podem se complicar um pouco mais, principalmente quando envolvem o assunto que permeia a cabeça dos homens durante 99% do tempo: sexo. Futebol e automóveis ocupam o resto, mas deixa isso pra lá.


Sabe quando você sai com uma garota lá pela terceira ou quarta vez e por isso já tem um pouco de intimidade? Então, é mais ou menos aí que você resolve se soltar um pouco e resolve pedir um filé duplo a Oswaldo Aranha com ovos de gema mole. Só que ela continua pedindo uma salada de alface e um copo d'água, tal qual no primeiro, no segundo e no terceiro encontros.


Nesse momento você se sente como um viking convidado para o chá das cinco no Palácio de Buckingham.


Pois saiba que isso pode acontecer também no supermercado e com resultados imprevisíveis e até mesmo surpreendedores.


Digamos que você tenha comprado o box de DVDs da saga Guerra nas Estrelas e tenha ido ao mercado se abastecer de gordices para passar a madrugada assistindo aquilo. Entra no supermercado imaginando que ali é o cenário da caçada do homem moderno. No lugar da lança e do tacape, um cartão de crédito como arma (e o melhor, a caça já vem embalada).


Vai jogando M&Ms, hot-pockets, amendoins, Doritos, uma barra de 2 quilos de chocolate, Coca-Cola de 600 ml, um Guaraná de 2 litros, um pote de doce de leite e dois Danettes de chocolate branco. Aí, de repente em um dos corredores do mercado você se depara com a maior gata.



Pense aí no seu tipo preferido de mulher. Morena, loira, olhos verdes ou azuis, coxas grossas, peito pequenininho, peituda, japonesa, marombada, magrinha, imagine uma gata com o seu número e a veja bem ali na sua frente. Você com aquele carrinho cheio de porcarias, ela com uma daquelas cestinhas cheia de kani, kiwis, suco de uva, alfaces, tomates, um pacote de pão integral com grãos, peito de peru e uma ricota.

Ela te dá uma olhada, você percebe que está com um fio de baba escorrendo e disfarça, ela sorri, você acha que ela percebeu a baba e lembrou do tio de 96 anos, ela sorri de novo, você começa a ficar nervoso e finalmente, ela diz algo que parece com um "oi", mas você ainda acha que pode ser um "cuidado, eu tenho gás de pimenta na minha bolsa".


Resumindo: ela te deu mole.


Imediatamente você nota que seu carrinho pode denunciar que ali está um nerd babaca que assiste Stars Wars e come porcarias a noite toda e ainda que isso seja verdade, ela não precisa descobrir tão cedo. Vai tirando uns biscoitos, coloca umas bananas no lugar, joga fora o chocolate, substituí por um ramo de folhas verdes que você não sabe se é espinafre ou bertalha, devolve o refrigerante e coloca um suco de clorofila com aroma de lima da pérsia no lugar e assim vai tentando limpar seu filme.


Já com o carrinho mais digno de apresentação, chega perto dela e puxa conversa:


- Oi, quer dizer, você me disse oi ali atrás, né?


- Disse sim, oi de novo.


- Ah, que bom, pensei que você fosse me ameaçar com gás de pimenta.


- Por que diabos eu faria isso?


- Deixa pra lá, é brincadeira só...e aí? Mora aqui perto?


- Mudei tem uns meses.


- Eu sempre venho aqui nesse mercado, tudo aqui é fresco e tal...


Vão conversando até que ela, olhando pro seu carrinho, já na fila para pagar, diz:


- Você gosta mesmo desse suco de clorofila?


- Adoro, sou super natural, tá vendo? Verduras, legumes, nada de comer bobagens.


- Nem uma cerveja?


- Muito raramente, sabe como é, não pode abusar.


- Ai, eu adoro, de preferência todo dia. Ainda mais acompanhada de uma pizza.


- Sério? Nem parece, tô vendo na sua cesta, você também é natureba, né?


- Isso aqui? Não, isso é pra minha prima que mora comigo, ela é que curte essa comida sem gosto, não usa desodorante e nem nada industrializado. Eu odeio essas coisas de hippie.


- Mesmo? Caramba, quem diria...ia te chamar pra gente ir num rodízio de saladas e tudo...


- Cruz credo, te achei bonitinho, mas a gente jamais daria certo. Essas coisas que você come têm gosto de meia velha, eu preciso de uma besteira de vez em quando pra ser feliz.


Nesse ponto você pode continuar bancando o Capitão Salada ou contar a verdade e se passar por um psicopata mentiroso que persegue mulheres em supermercados analisando as suas compras. Melhor então desencanar e tentar não perder totalmente a viagem:


- É...mas quem sabe você me ap
resenta pra sua prima, né?

1 Comentário:

Luciana postou 3 de dezembro de 2012 07:11

Marcus, não acontece só no mercado. No trabalho eu tinha uma "colega" que se sentava próxima, toda natureba também. Vivia carregando saquinhos do Mundo Verde, com pipoca de isopor, amendoim e outras coisas que, compradas no Mundo Verde têm outro significado, mas são comumente encontradas em qualquer camelô da Rio Branco e cercanias.

E se alguém chegasse com alguma gordice, ela torcia seu nariz empinado e fazia uma cara de nojo de dar nojo.

 
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