Faça o que quiser, mas faça longe de mim

Postado em 29 de nov de 2012 / Por Marcus Vinicius

Não sei você, mas desde pequeno eu aprendi que existe lugar e hora certa para tudo. Tudo bem que isso não quer dizer que eu sempre segui esse ensinamento, mas pelo menos não posso alegar desconhecimento da regra por todas as vezes nas quais a quebrei.

Tenho aliás a leve suspeita de que não estou sozinho nessa. Pode ser fruto da minha imaginação, mas sempre que saio na rua vejo um monte de gente se comportando como se não conhecesse a regra da "hora e lugar certo" ou pelo menos cagando solenemente para ela.

Só que a minha idéia de fazer o que bem entender na hora errada ou no lugar errado se resume a pequenas transgressões meio idiotas como comer sobremesa antes do prato principal ou sair da aula de spinning na academia para fumar na calçada.

Mas tem gente que prefere dar uma caprichada. 

No cinema, por exemplo. O cinema é uma arena da incivilidade humana, um raio-x do verdadeiro eu de cada um potencializado pelo quase anonimato daquele ambiente escuro. Daí que se levar um saco de dois quilos de pipoca e um tonel de guaraná para a sala de exibição não é nada demais, se passar uma mensagem de texto enquanto ainda estão exibindo os traillers (apesar do aviso de desligar celulares ter rolado há uns dez minutos) não mata ninguém e ainda que dar uns beijinhos na namorada seja perfeitamente normal, o aprofundamento desses comportamentos é sim, um exagero do fora de hora e de lugar.

Uma vez sentou um sujeito do meu lado com um uma BATATA INGLESA. Isso mesmo, uma batata assada recheada de requeijão e bacon. Tirando a bomba de colesterol, o cardápio do cidadão me fez passar meia hora do filme com medo de uma batata quente cair literalmente no meu colo.

Quase perguntei: a turma da feijoada com chorinho não veio?



Casos iguais em exagero são o casal que transforma a fileira M, assentos 4 e 5 em quarto de motel ou a mulher que resolve atender o celular no meio do Festival de Cinema Búlgaro para conversar sobre o último capítulo da novela, como se falar aos sussurros não incomodasse do mesmo jeito que subir na poltrona e encenar um número do É o Tchan. 

Trepar na praia é outra coisa que pode ser legal. Numa praia deserta no Caribe, em Tuvalu, mas fazer isso em Ipanema, no meio do verão e justo na hora em que milhares de patetas se reúnem para bater palmas para o por-do-sol, aumenta sua chance de terminar algemado e com certeza não vai ser porque seu parceiro curte um sexo mais "hard".

Existem exceções, claro. Duas coisas que não têm hora em nem lugar certo (a menos que você esteja sozinho trancado num quarto com a luz apagada) é palitar os dentes e tirar meleca. Só que apesar de tantos livros de etiqueta e conselhos de avó dizendo isso, tem gente que parece ter compulsão por enfiar um palito na obturação rachada, tirar aquele fiapo de guacamole que sobrou do nacho e ficar analisando para ver se é abacate mesmo.

E nada, nada nesse mundo vai me convencer de que é normal parar num sinal, olhar para o lado e ver um sujeito com metade do antebraço calmamente enfiado no nariz.

Não é possível que exista hora e local adequados para fazer isso (ainda que seja um chamado da natureza, o que, convenhamos, não deveria ser). Mandou mal nessa, natureza.

Pior talvez só os sem noção de festa. Esse tipo de pessoa tem algum defeito genético que a torna incapaz de diferenciar situações e reuniões sociais. Quase todo mundo já foi a algum batizado na vida, em uma despedida de solteiro, numa festa de formatura, num baile de debutantes, num casamento, aniversário.

Cada uma dessas ocasiões tem um código de conduta mais ou menos estabelecido que até admite exceções, mas nada muito radical. Daí que se você terminar uma festa de casamento descalço ou então tomar um pileque numa formatura e subir no palco para fazer karaokê do Reginaldo Rossi, tudo vai estar mais ou menos dentro do aceitável.

O sem noção de festa não quer pequenas transgressões, ele gosta de encher o saco mesmo. É um cara capaz de achar que é boa idéia acender um baseado num batizado às 10:00 da manhã ou encher a cara e tirar sua avó para dançar kuduro no lanche de domingo.

Alguém assim pararia até uma choppada de faculdade para pedir um minuto de silêncio em nome das baleias minke.

Aí alguém pode chegar e dizer: eles poderiam estar roubando, matando, se candidatando a deputado.

E eu responderia: tudo bem, até poderiam, mas seria bem melhor se estivessem fazendo isso tudo aí bem longe de mim.

No inferno ou então na pqp, por exemplo.

5 Comentários:

Anônimo postou 30 de novembro de 2012 07:03

Cara, vc se incomoda muito com os outros... e falar mal de tudo é sua tática pra conseguir ibope? Pq espero que vc não seja tão chato assim.

mvsmotta postou 30 de novembro de 2012 07:04

Sou muito mais chato do que isso, e só um toque: você acabou de vir aqui falar mal de mim. :)

Marcus

Ana Carolina postou 30 de novembro de 2012 07:47

Muito bom o texto, assemelha-se bastante a cronica algo que eu adoro ler!
A parte triste é que tem tem pessoas que fogem da moral e nem notam. Não acho errado as vezes fazer algo que não está dentro do padrão, pode ser até engraçado, mas as extrapolações e aquelas pequenas transgressões como furar a fila, sentar no lugar de outro no cinema (mesmo sendo numerados) passar no sinal fechado, não acontecendo evitaria bastante incomodo desnecessário do dia a dia!

Abraços

@Carol_Dartora

Fernando King postou 2 de dezembro de 2012 12:58

se exatamente como se sente!

Luciana postou 3 de dezembro de 2012 07:03

Ai... eu sou muito certinha e sei o lugar e horas certos para tudo... mas eu tenho a péssima mania de tirar meleca... anywhere!

 
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