Tolerância é a palavra de ordem

Postado em 22 de nov de 2012 / Por Marcus Vinicius

O tolerante detesta intolerância.

Ele não tolera esse tipo de coisa. O tolerante curte essa coisa misturada de opiniões, credos, raças, ideologias, religiões, culturas, desde que, é claro, não ofenda o seu conceito de mistura.

Marcha da Maconha, pelo direito de todo mundo acender seu braço de judas em paz numa praça de alimentação de shopping, o tolerante adora. Cigarro mentolado não. Cigarro mentolado não pode nem passar do estacionamento.

Tabagismo é coisa de gente feia e má. Gente que cedeu aos apelos da indústria, gente que não quer entender os malefícios do fumo, enfim, essa corja que não dá pra tolerar de jeito nenhum.

Outra coisa absurda é crucifixo em repartição pública. O estado é laico e isso ofende quem não tem religião (ou quem odeia religião, tanto faz) e o tolerante não tolera isso. Nada de imagens religiosas em locais públicos, a menos, é claro, que sejam santos católicos se beijando em cartazes da "parada gay".

Parada gay com imagens de santos se beijando a prefeitura pode até patrocinar, afinal, isso não é religião. Tudo bem que nem todo mundo é gay, tudo bem que além de laico o Estado também é assexuado (ou deveria ser), mas seria muita intolerância alguém ser contra o contribuinte bancar a festa.

Quer dizer, você pode até ser contra, mas desde que fique dentro do armário e não conte isso pra ninguém. É até bom porque já vai treinando, afinal, qualquer dia ser contra isso vai dar cadeia.

É que em nome da tolerância mandamos prender quem disser que é contra o conceito de tolerância.. Assim todo mundo cala a boca e pronto, resolvido o problema.


E se você acha isso meio estranho, o que diria então de feministas que reclamam que mulher não é só peito e bunda mas vão protestar na rua contra isso mostrando peitos e bundas? Incoerência? Não, meu amigo, tolerância. Tolere.

Senão corre o risco de ser chamado de machista, estuprador em potencial e quem sabe até de eleitor do pagodeiro Netinho.

Um tolerante não se importa tanto com o conteúdo quanto se importa com a forma. Negros são afro-descendentes, gays são homoafetivos (até que inventem um nome novo), gente que escreve errado não é gente que escreve errado, mas vítima de preconceito linguístico e por aí vai.

A tolerância não conhece limites na arte de impor limites ao que os outros pensam.

Quer irritar um tolerante sem nem precisar fazer muito esforço? Basta começar alguma frase usando expressões como "minha empregada", "os serviçais do hotel" ou então "o populacho".

Não interessa o que venha depois, você pode até completar isso tudo com "é bonita", "são legais demais" e "é que sabe ser feliz", porque ainda assim o tolerante vai ter um ataque na sua frente, estrebuchar no chão e provavelmente até te chamar de filho de profissional do sexo.

Afinal, sabe como é, "puta" o tolerante não diz. Nem quando sente vontade.

9 Comentários:

Fernando King postou 22 de novembro de 2012 14:21

perfeito!

Anônimo postou 22 de novembro de 2012 17:19

Discordo cara.. adoro seus textos,mas já percebi que em uns 10 deles voce não perde a oportunidade de dizer que o certo seria td mundo poder chamar um homossexual de "viadinho fdp" sem ser incomodado..

Por mais que os "tolerantes" sejam uma especie de nova modinha, prefiro isso do que os trogloditas que acham que devem manifestar seu ponto de vista ofendendo o proximo, e achando que seu ponto de vista é a verdade universal. Acho sim que as pessoas deviam guardar pra si seus pontos de vista,quando este ofende o proximo

mvsmotta postou 22 de novembro de 2012 17:51

Tá, mas esses ateus agora que ofendem a vontade? E a passeata gay usando imagens católicas ou aquela "marcha das vadias" querendo invadir uma igreja?

E um monte de viados (foi mal, mas nesse caso é viadagem mesmo) fazendo cena e sendo inconveniente no metrô em dia de passeata gay?

Tem como tolerar?

Abraços!

Marcus

OMPUTSMAN postou 23 de novembro de 2012 04:12

Parabéns meu caro!!!

Observe que os "tolerantes" são anônimos, se transvestem e assim são homônimos, pois covarde não dá nome aos bois, nem às vacas, nem ao veados, ou seja, se dependesse dos tolerantes politicamente corretos, no zoológico só teríamos bichos anônimos.

Os tolerantes não visualizam o problema, como foi o caso do Anônimo da Silva acima, eles criam um pseudo problema com respostas prontas.

A incongruência levantada no texto é o foco e não o preconceito, podemos falar em contradição de ideologia, mas falamos em contravenção da ideologia.

Ponto de vista não se paga a prazo, se paga à vista...às vistas cegas é fiado e de conversa fiada já estamos cheios e isso é o texto.

Nada contra nada e contra ninguém...a contradição é o mal e não quem a pratica no diapasão do livre pensamento.

O texto é genial, mas para alguns casos, crie a tecla SAP.

Grande abraço, mas sem reservas, abraço de amigo....rsrsrsrs

Luciana postou 23 de novembro de 2012 07:19

Os intolerantes - e aí eu só consigo me lembrar dos gays e dos muçulmanos - não toleram os tolerantes, aqueles que os toleram. Tolerância, para eles, é aceitar seus valores sem questionamentos. Caso contrário, além de você ser chamado de homofóbito e pró-israel, é intolerante.

Gostei muito do texto.

mvsmotta postou 23 de novembro de 2012 09:25

OMPUTSMAN,

Você sabe bem a luta que é pensar (pensar de verdade) nesse mundo atual.

Abração!

Marcus

OMPUTSMAN postou 23 de novembro de 2012 10:06

Sei sim a luta que é pensar meu caro, mas no seu caso é uma luta prazerosa, pois os frutos são bons.

Continue lutando que estaremos assistindo-o sempre esperando pelos seus nocautes.

E se precisar de gente para entrar na briga conte com a gente.

Quando puder visite www.omputsman.blogspot.com e leia sobre o diabo no "seven Soul Eleven"

Abraço

Isabel postou 23 de novembro de 2012 13:03

Esses "tolerantes" que não toleram opiniões diferentes estão dominando a sociedade. Tenho medo do que vem aí.

elton L. V. postou 24 de novembro de 2012 15:14

Pois é MV , realmente há exageros , mas claro que voce sabe que exageros existem em todos os grupos(que o diga o que ocorre no carnaval,nas micaretas,nas baladas,nos bailes funk e em centenas de outros contextos), e que o erro não é perceber isso, e sim querer pegar o comportamento de alguns para tentar justificar o todo, que é o que muitos fazem;gente escrota existe em todas as classes,cores,credos.Alem disso, a noção de certo e errado é subjetiva

Sou o "anonimo" acima, tinha escrito em anonimo por pura preguiça de logar mesmo,mas ja que disseram que eu não tinha coragem de dar a cara a tapa, então to aqui!

 
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