Tenho uma notícia para você, meu amigo: elas sempre te vencerão - Parte 3

Postado em 28 de fev de 2011 / Por Marcus Vinicius

Pouca coisa é tão complicada quanto o relacionamento homem x mulher. Talvez a conjectura de Poincaré tenha sido resolvida com menos neurônios queimados do que a forma de lidar com o outro durante um relacionamento.

Passados a paquera, o primeiro beijo, a primeira transa, o dormir de conchinha e o hálito da manhã do dia seguinte, a maioria dos casais vira pó e ambos voltam para o mercado. Quer dizer, acontece muito, mas nem sempre.

Algumas vezes a coisa foi boa e acontece mais ou menos como um salgadinho de pacote: não existe muita certeza de que vai lhe fazer bem no longo prazo, mas já que é gostoso, você repete.

E começamos a sair com aquela pessoa, que vira o nosso "rolo". Tudo é muito legal, já que a idéia do rolo em si é uma coisa fantástica: você tem alguém para sair, para dormir junto, para tudo de bom que tem num relacionamento estável e ainda por cima não precisa dar exclusividade.

Mas como quase tudo na vida tem um lado bom e um ruim - exceto velhos discos de vinil do Raça Negra, que só tem lados ruins - a gente fica feliz porque nos livramos de dar exclusividade, mas esquecemos que faz parte do acordo não recebermos também.

Aí um dia, um belo lindo dia, você telefona pra sua gatinha, aquele seu "rolo" por quem você está se apegando, convida pra ir na praia e ouve algo como "não dá, hoje eu vou pra um churrasco-rave com o Paulinho".

Pera aí?! Paulinho? Quem será? Irmão? Tio? Amigo? O motorista do táxi que vai deixá-la no tal churrasco-rave? Hein? "Churrasco-rave"? Porra, ela vai ficar com alguém(ou alguéns)!


A partir daí, o sistema do rolo pára de funcionar.

"Pimenta nos olhos dos outros é refresco". Concordo, e exclusividade, fidelidade, monogamia, seja o nome que for, é a anti-pimenta. A gente prefere no nosso.

Mas como dizer isso para ela? Como chegar pra menina que, pelo visto, está muito bem só saindo contigo e dizer que você quer algo a mais?

Afinal de contas, elas é que são as sensíveis, às vezes carentes, sempre prontas para assumirem com gosto o papel de "patroa".

Mas essa em questão parece bem confortável na situação atual. Curte sair contigo, vocês se dão bem juntos, mas de uma hora pra outra aquela "sexta-feira entre amigas" começa a te incomodar, principalmente pelo fato de que essas amigas devem ter amigos, esses amigos devem ter uns 40cm de braço e uma coisa leva à outra.

A companhia é agradável, seus jantares são divertidos e vocês até conseguiram encontrar a medida exata de lidar com a conta. Sim, a conta do restaurante aqui é o parêntese: é uma arte encontrar o equilíbrio entre o que não te faça parecer um pão-duro que divide até fatia de pizza, ou um metido a besta que pensa que ela não é independente e precisa de homem para pagar até um picolé.

O sexo é delicioso e você até ficou feliz porque ela esqueceu uma calcinha na sua casa, o que confere um bom grau de intimidade entre vocês - mas não tanto a ponto dela te pedir o carro emprestado - mas o fato dela não indicar que deseja deixar de ser só um rolo está te deixando neurótico.

Será que ela não te acha bom o bastante pra isso? Será que só está afim de curtir a vida e te usa como uma espécie de entreposto entre o Paulinho e o Betão?

Daí quando você está prestes a virar um personagem de filme do Woody Allen, resolve que é hora de conversar com ela, perguntar o que ela sente por você, dizer que queria alguma coisa a mais, enfim, decide ser o que sempre ouviu dizer que as mulheres querem: um cara sensível.

Sempre que você só quis umas saidinhas, foi visto como canalha, safado, cafajeste, cretino. Pronto, conheceu aquela que vai te redimir disso. Você vai tomar a iniciativa, vai fazer algo a respeito.

Sentam num bar, você conta tudo o que sente, diz que quer alguém para dormir e acordar junto, para ligar no final do dia e até fazer planos. Ela ouve tudo atentamente, dá um risinho e responde:

- Que papo de mulézinha, hein?

10 Comentários:

@rayabr postou 28 de fevereiro de 2011 08:49

Nossa...pura verdade!

Lucas postou 28 de fevereiro de 2011 08:56

aushauhs, gostei!

Mônica postou 28 de fevereiro de 2011 08:57

Fatoººº
acontece muitoººº
=D

@flahqueiroz postou 28 de fevereiro de 2011 09:17

A-d-o-r-e-i!

Num mundo onde Amélia passou de 'mulher de verdade' pra 'mulher da antiguidade', nada mais justo que relacionamento virar assunto - e mistério - discutido por qualquer sexo.

Não, as mulheres não esperam um relacionamento estável SEMPRE. De vez em quando a gente também pode se dar ao luxo de sair com alguém, comer salgadinho de pacote e não desejar que ele se torne o prato principal do nosso cardápio.

De vez em quando... Porque não raramente, nos pegamos stalkeando o danado do 'salgadinho', desesperadas com as bocas prontas para abocanhá-lo.

Enfim... Homem ou mulher, pode acontecer da gente acordar querendo ligar pro 'rolo' e pedir pra ele(a) desenrolar. Pode acontecer do 'rolo' ligar e a gente desejar que ele desenrole pro lado de lá.

Em se tratando de relacionamento, as informações contidas no pacote do salgadinho parecem escritas em japonês.

@flahqueiroz postou 28 de fevereiro de 2011 09:19

A-d-o-r-e-i!

Num mundo onde Amélia passou de 'mulher de verdade' pra 'mulher da antiguidade', nada mais justo que relacionamento virar assunto - e mistério - discutido por qualquer sexo.

Não, as mulheres não esperam um relacionamento estável SEMPRE. De vez em quando a gente também pode se dar ao luxo de sair com alguém, comer salgadinho de pacote e não desejar que ele se torne o prato principal do nosso cardápio.

De vez em quando... Porque não raramente, nos pegamos stalkeando o danado do 'salgadinho', desesperadas com as bocas prontas para abocanhá-lo.

Enfim... Homem ou mulher, pode acontecer da gente acordar querendo ligar pro 'rolo' e pedir pra ele(a) desenrolar. Pode acontecer do 'rolo' ligar e a gente desejar que ele desenrole pro lado de lá.

Em se tratando de relacionamento, as informações contidas no pacote do salgadinho parecem escritas em japonês.

Maysa postou 28 de fevereiro de 2011 09:31

Que texto maravilhoso, ardente, sentimental e romântico!
Manda esta mulher à merda: ela não te merece, apesar de ter sido confortável pra você ter concordado com o rolo, porque estava bom ser livre também...
vai ver que é só machismo (todo homem quando perde endoida), mas passa logo...
Mas toma cuidado no próximo, porque o que todo mundo quer é cumplicidade e muita sinceridade.
Beijos Angela Vieira

Mariana Terra postou 28 de fevereiro de 2011 19:19

Homens... homens... homens!
Vivem reclamando que mulher é bicho complicado. Daí a bonita resolve ser prática, sincera e direta e, pra variar, ele vai achar um absurdo mulher que só quer o cara como entreposto entre o Paulinho e o Betão (adorei isso!).
No fundo, os homens querem as mulheres aos seus pés... ego masculino é uma coisa insuportável!
Por isso sou da política dos meus amigos mineiros: Coma, mas coma quieto!
Nada de conversar entre uma transa e outra sobre uma bonitinha que pegou na balada, nem sobre a gostosa do trabalho e, muito menos, sobre a ex namorada! Porque isso sim é broxante!
Homens, homens... Pior: Homens caretas...

Ju.M postou 1 de março de 2011 10:02

olha..seu texto é tão trágico que chega a ser cômico...mas é o nosso eterno lema: homens x mulheres.
Na verdade acho que podem falar o que quiser, mas é tudo uma questão de sentimento!
Você pode ser o homem/mulher mais descolado e bem resolvido do mundo...atéee se apaixonar, ai qualquer um fica vulnerável.
Mas eu ainda sou mt quadrada pra esse mundo modernooo...só começo a sair de FATO com alguém se for monogâmico!hahaha

p.s - minha amiga Mari ai em cima anda tão revolts..kkk...acho q se idêntificou hauhauhaua

Anônimo postou 4 de março de 2011 03:47

Muito divertidos seus textos, escritos com excelente bom humor. A vida como ela é! Talvez muitos clichês, mas não deixa de ser a realidade nua e crua para muitas pessoas.

Anônimo postou 5 de abril de 2011 20:00

Voce só estava interessado pq ela nao estava!!!

é só uma questao de posse masculina!

Se ela estivesse apaixonada e amorosa, vc estaria entediado ....

Ps: a calcinha "esquecida" é um artificio piriquetíssimo de marcação de território...

e que pelo jeito, funcionou!


qual o desdobramento da história? ficou por isso mesmo ???

 
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