Quem com porcos anda, termina jogando lixo na praia

Postado em 16 de mar de 2011 / Por Marcus Vinicius

Reconheço que não sou um carioca bairrista. Já andei falando mal do Rio de Janeiro aqui algumas vezes e recebi pedradas violentíssimas, mas o que acaba comigo (sério) é que a cidade, ou melhor, a população da cidade, sempre dá razão de uma forma ou de outra às minhas diatribes.

Morar no Rio é meio como se conformar em entrar num bacanal de luz apagada: você nunca sabe se vai se deparar com algo agradável ou desagradável dali a alguns segundos.

Recentemente um estudo determinou que o hábito de jogar lixo na rua faz parte de um tipo de distúrbio social, algo que impede que a pessoa que sofra disto seja apta a viver em sociedade. Acho que esse estudo foi, no mínimo, eufêmico.

Quem joga lixo no chão é porco mesmo e merece viver num chiqueiro. O problema é que no caso do tipo de porco que infesta do Rio de Janeiro, todos, até quem não é porco, terminam vivendo num chiqueiro.


As fotos que coloquei aí provam isso. Uma delas foi tirada logo após o desfile de um desses blocos carnavalescos. Nessa ainda podemos colocar a culpa na Prefeitura, porque se os garis não recolhem o lixo e as lixeiras ficam entupidas, obviamente o carioca não irá procurar a lixeira mais próxima, é claro que fará o despejo ali mesmo na calçada.

Mas a outra foto, dos trilhos do Metrô, não tem desculpa.

Raciocinemos: o sujeito está ali comendo seu Trakinas com Crush em lata, termina o lanche e sobra o pacote e a lata, o que ele faz? Joga numa das 200 lixeiras que existem nas estações? Claro que não! Arremessa seus detritos nos trilhos, torcendo, sei lá, para que o trem do Metrô seja também um aspirador gigante ou que tenha alguma função auto-limpante.

Quem acha que eu sou exagerado, que faça um passeio por uma das praias da cidade depois de um belo dia de sol. Cocos, cocôs (torço que sejam só de cachorro) e todo tipo de lixo espalhado pelas areias e pela água do mar.

Que tipo de gente faz isso? O mesmo tipo de gente que urina na calçada, que fura fila, que atende celular no cinema, que fala aos berros num restaurante, que ouve música alta no celular em um transporte público, entre outras coisas.

O carioca é assim? Não. Não todos. Mas infelizmente o contingente de pessoas assim que habita a cidade é acima do normal e bem acima do suportável.

É o tipo de gente que por causa de um lugar sentado no Metrô, promove um verdadeiro estouro de manada,correndo e atropelando uns aos outros numa espécie de demonstração quase científica do porque certas pessoas mereceriam morar num zoológico, expostas à visitação, caso esta fosse uma sociedade civilizada.

Acha que é exagero meu? Assista o vídeo abaixo:


Vendo uma cena assim chego à conclusão de que o ser humano possui sérios erros de projeto e que talvez a cretinice seja item obrigatório de fábrica.
Definitivamente, a humanidade (ou pelo menos uma boa parcela dela) não deu certo.

9 Comentários:

Sniffer postou 16 de março de 2011 07:08

Não conheço o Rio e, por mais que deva ser realmente lindo, nada é lindo o suficiente para me fazer enfrentar um lugar cheio de cariocas.

E é unicamente por isso que a elevação do nível dos oceanos me preocupa.

Tiago Holsi postou 16 de março de 2011 07:27

Cara, isso é um problema sério. Moro em Goiânia e a situação não é diferente. Imagina se aqui tivesse praia então.

Ótimo texto, parabéns.

Gustavo Ca postou 16 de março de 2011 08:55

Só pode ser um distúrbio mesmo, que torna a pessoa cega. Sou incapaz de entender o que torna isso tão habitual, desde o simples ato de jogar um papel de bala pela janela do carro, coisa que vi recentemente num conhecido, pessoa de um considerável nível de instrução, ou seja, sabe o que tá fazendo, mas não enxerga. Já leu os quadrinhos da Mafalda, do cartunista Quino? A última frase me lembrou esta tirinha: http://migre.me/43wa8

Luiz Fernando postou 16 de março de 2011 12:03

Infelizmente esse é um problema crônico em praticamente todas as capitais do país.

A solução seria os políticos criarem leis (ou fazer valer as que existem) e campanhas educacionais e de conscientização mais efetivas.

Eu disse SERIA porque, infelizmente, os mesmos cretinos que emporcalham a cidade também emporcalham a política através do voto.

Fica meio difícil ver uma luz no fim do túnel.

mvsmotta postou 16 de março de 2011 16:36

Gustavo,

Adoro a Mafalda e o Quino é genial como essa tirinha aí mostrou.

Abraços!

Isabel postou 17 de março de 2011 06:06

Sinto a mesma revolta que você. Frequentemente vejo pessoas jogando lixo próximo às lixeiras (a pessoa não se dá ao trabalho de dar 2 passos e jogar no lixo), fumantes jogando guimba de cigarro no chão (quantos vc já viu apagarem o cigarro e jogarem na lixeira?), homens urinando em postes sem se importar com os transeuntes... Enfim, tento abstrair essas coisas ao meu redor pra não viver irritada, mas é difícil... Fico pensando num japonês, por exemplo, que venha visitar a cidade, o que não deve pensar do nosso povo. Dá vergonha...

Nilo postou 19 de março de 2011 21:04

Sou paulistano, amo minha cidade, mas, infelizmente, a verdade não é diferente por aqui.
Semana passada, estava no Metrô, em pé, e um senhor do meu lado, deliberadamente, cuspiu no chão do trem. Inacreditável!

Fernanda Lizardo postou 25 de março de 2011 12:34

Pode me chamar de burra, mas nunca, nunca mesmo!, vou entender porque uma pessoa joga lixo na rua, sendo que tem praticamente uma lixeira em cada poste. Qual é a dificuldade de andar alguns metros para jogar o lixo? A mão cai? E nem dá para dizer que isso é coisa de gente sem cultura porque já vi muita gente com estudo jogando latinha pela janela do carro. É dose.

3o BBS - CBMDF postou 25 de julho de 2011 13:09

É Fernanda, a vontade que tenho quando vejo uma coisa destas é fazzer a pessoa pegar o lixo com a boca.
Excelente texto!
A solução é complexa, que vai desde leis que se façam ser cumpridas, educação em casa e nas escolas e vergonha na cara.
De todos acrdito que multa por tal crime seria muito interessante.
Escolham melhor seus representantes políticos e façam valer os votos!
Cobrem deles e arregassem as mangas.
Problema aqui em Brasília, e acredito em vários outros lugares, são as faixas de propaganda, que igualmente emporcalham a cidade. Rasgo as que tenho oportunidade e outros por aqui tambpem estão fazendo.
Com criatividade e ação concreta, acredito que poderemos chegar À algum lugar. Não adianta esperar do Estado.

 
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