Faça de conta que sua intimidade é dinheiro e guarde só para si

Postado em 5 de jan de 2012 / Por Marcus Vinicius

Pense que durante um tempo não existia intimidade entre seres humanos. Isso mesmo, essa coisa de ter seu "espaço" é novíssima e, antes e durante um bom tempo, vivíamos em casas com um único cômodo, fazíamos nossas necessidades na frente de todo mundo, enfim, nesse quesito éramos só um pouco melhor do que cupins.
Nossa intimidade foi uma conquista, ter nosso canto, nossa vida, ser dono do próprio nariz, tudo isso veio depois de anos de evolução. Ditaduras tentam invadir sua privacidade vigiando a sua vida.

Grampeiam telefones, colocam arapongas atrás de você, violam sua correspondência, entram na sua casa no meio da noite, controlam sua internet.

E no Irã? Mandam até na roupa que você usa, na música que você escuta, no que você diz e quase até no que você pensa.

Se você for levado para uma prisão, por exemplo, a primeira coisa que vão tirar de você é a sua privacidade. Revistas íntimas, visitas controladas. Isso porque nem preciso dizer que nossas cidades estão virando verdadeiras janelas indiscretas com suas câmeras espalhadas por toda parte.

Por onde vamos, seja no shopping ou no elevador do nosso prédio, lá estão elas a nos vigiar, tomando conta da nossa vida que nem vizinhas fofoqueiras.


Aliás, já que mencionei as vizinhas (e porque não vizinhos) aposto que você já reclamou ou já ouviu alguém reclamar disso, de alguém te vigiando, tomando conta da sua vida. Até inventaram uma expressão, "não me acompanha, que eu não sou novela", que eu acho boa só em parte, já que só acompanho novela se for sob a mira de um revólver.

Para você ter seu sagrado direito de cuidar da própria vida sem nenhum cretino xeretando, a coisa ficou tão séria que até a Constituição usou um de seus artigos para garantir a todo cidadão o seu "direito à privacidade".

Golpes de estado, manifestações, ações na justiça, gerações inteiras queimadas na fogueira, cruzadas, filmes do Hitchcock, anti-virus e firewalls, aquele aviso no computador da sua empresa alertando que eles sabem o que você fez no RedTube na tarde passada, enfim, todo mundo lutando como pode em torno do tema "privacidade".

E é por isso mesmo que eu juro que não entendo porque você pega toda essa história, toda essa luta da raça humana, e joga na lata do lixo quando pega esse seu celular ou Nextel e fica por aí falando aos berros sobre o churrasco no final de semana, sobre seu exame de fezes ou sobre a confusão que deu quando a Martinha esqueceu a calcinha no seu quarto e sua namorada pegou.

Sério, dá um tempo nisso.

4 Comentários:

C. L. C. postou 5 de janeiro de 2012 04:08

Adorei seu post. Ninguem precisa ouvir a ligação dos outros no telefone e cada dia passa as pessoas passam a gritar mais no telefone é incrivel!

Gustavo Ca postou 5 de janeiro de 2012 04:31

Não é só no telefone que as pessoas gritam, elas aumentam o volume a qualquer momento e lugar. Quem nunca esteve num local público com gente perto conversando escandalosamente? Eu observo a reação das pessoas em volta.. todos olham com estranheza. Por um lado acho uma conquista esse desprendimento de não se importar com o que os outros em volta estão pensando, mas desde que não lhes incomode nada, como o seu sossego.

|Bia Nicastro| postou 5 de janeiro de 2012 08:23

Pior que isso: no viva-voz! Talvez para insuflar o próprio ego já que a minoria possui um aparelho destes... :/

Anônimo postou 7 de janeiro de 2012 21:09

a questão não é essa, já que a maioria dos aparelhos da Motorola que fornecem o serviço da Nextel tem a disponibilidade para ser usado com o volume de um celular normal ! Mas como o famoso 'tru tru' é dado pelos Nextel pois são via rádio, e o som é um pouco deficiente, é aceitável SIM o uso do viva voz! Já que a maioria dos usuários deste serviço, usam para resolver questões empresarias, pois o serviço mais vendido na Nextel é o para empresas que necessitam de mais de 4 aparelhos :D E acho que em momento algum essa tal 'intimidade' é violada por uso de tal celular no viva voz

 
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