Como você vai contar amanhã tudo aquilo que faz hoje?

Postado em 15 de jul de 2011 / Por Marcus Vinicius

No tempo dos seus pais já rolava muita putaria.

Resolvi começar com uma frase de efeito não só para prender sua atenção, mas também para deixar claro que o que vou dizer em seguida não tem nenhum falso moralismo ou nostalgia, só constatação mesmo.

Mas ainda que naquele tempo já rolasse a maior sacanagem, a coisa funcionava de forma mais discreta, quase como uma contravenção. Digamos que a vida sexual das pessoas fosse como a bebida no período da Lei Seca americana: todo mundo se embriagava, mas disfarçava.

Atualmente tudo se parece mais com o tráfico de drogas num desses morros do Rio de Janeiro, ou seja, uma verdadeira exibição ostensiva de armas.

Quando converso com alguém mais velho sobre seus primeiros namoros (e até mesmo sobre como meus pais se conheceram), as histórias invariavelmente terminam num cerco pesado realizado pelos pais das meninas (verdadeiros xerifes da virgindade), em namorinhos de portão, bancos de praça e na emoção que era conseguir "pegar na mão" pela primeira vez.

Hoje tudo mudou. Somos capazes de sentar num bar no meio da tarde e ouvir candidamente uma garota contar em como curte fazer sexo anal "de ladinho". Tudo bem, exterminamos quase toda a hipocrisia nesse aspecto (ou talvez a transferimos para outras áreas da vida, o politicamente correto está aí pra não me deixar mentir).

Sites de encontro, sex tapes, micaretas, bailes funk, casas de swing aparecendo no horário nobre. Mas imagine só como vai ser quando nossos filhos e netos começarem a se interessar sobre nosso passado.


Pense só quando você precisar responder à simples pergunta "papai, como você e a mamãe se conheceram?":

- Ah, filhão, sua mãe era a popozuda mais glamourosa do baile, foi pentada violenta a noite toda!

- Mas vocês pelo menos já se conheciam antes?

- Na verdade não, quer dizer, eu já tinha visto a sua mãe, mas num vídeo de um site de caseiras que o ex-namorado dela colocou.

Imagine a menina na cozinha, num dia frio, ajudando a mãe a fazer bolinhos de chuva e de repente surge a curiosidade:

- Mãe, você resolveu namorar o papai porque? Você diz que nunca gostou de careca...

- Bem, seu pai não era careca quando nos conhecemos, aliás, era só um pouco, mas a verdade é que estava todo mundo doidão de ectasy naquela rave e eu fiquei com seu pai porque ele era muito parecido com o meu namorado na época, que sumiu no meio da festa e acabou pegando a sua tia Márcia.

- Pera aí, o seu namorado era o tio Rubão?

- Era, mas naquele tempo ele se chamava DJ Shark.

Complicado, né?

Tudo bem que até lá provavelmente surgirão novos hábitos que transformarão esses de hoje em coisa de freiras e frades, mas o problema é como a gente vai fazer pra manter o respeito perante esses moleques com histórias como essas pra contar.

4 Comentários:

Wanderson Vinícius Santos SouZa postou 15 de julho de 2011 12:08

Adorei o termo "xerifes da virgindade", sabe eu moro em uma cidade pequena, minuscula até, se comparada com cidades como São paulo e Rio de janeiro e por aki ainda existem muitos desses Xerifes, mas não como os de antigamente

Bomfim postou 15 de julho de 2011 12:10

Como as coisas realmente mudam. É engraçado pensar em como hoje o que nos parece ser diferente, talvez seja normal em um futuro próximo!
Gostei do Texto!!!
Parabéns!

Anônimo postou 15 de julho de 2011 12:12

Medo ! hahaha

Tuka Siqueira postou 17 de julho de 2011 12:45

Verdade. Esses dias mesmo estava comentando com o marido que nossos pais provavelmente nos conceberam com a ajuda do epírito santo, pois pra mim, eles nunca fizeram sexo. Embora seja testemunha do amor e do carinho, nunca na vida vi qualquer sinal entre eles de que rolava mais alguma coisa. Discretíssimos. Já meus filhos, nem sei o que pensarão a meu respeito e olha que nem sou tão multimídia assim...

abraços

 
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