O torcedor compulsivo

Postado em 5 de jul de 2012 / Por Marcus Vinicius

Se existe uma coisa que eu nunca entendi bem é porque tem gente que acha que é obrigatório torcer para algum dos lados em qualquer esporte que assista. Se for pelo Brasil então, eu acho digno de entrar em livro de psicologia.

Porque é normal (em parte) pintar a rua numa Copa do Mundo, ir para a frente da TV, acordar de madrugada se o jogo for na Ásia ou matar o trabalho se for na Europa, mas o futebol é nada mais, nada menos que o esporte mais popular do mundo. Seria degeneração moral não escolher um lado pra torcer num elenco desses.

Sempre me pergunto quem em sã consciência (tirando a pessoa que pratica o mesmo esporte), acorda de madrugada para acompanhar uma partida de tênis de mesa, uma regata de remo, um torneio de totó. E por mais estranho que seja, tem gente que acha que é obrigação torcer pelo Brasil em tudo, até em disputa de par ou ímpar.

E se o patriotismo é o último refúgio do canalha, o patriotismo esportivo geralmente é o último esconderijo do cretino.

Mas deixando isso de lado, tem um cretino torcedor ainda pior: aquele que torce por qualquer coisa em qualquer competição. Esse sujeito vai torcer por alguma escola de samba em cada cidade do Brasil, por um dos dois bois de Parintins, por banda de colégio em concurso de fanfarra, por candidata a miss, faz fã-clube de Big Brother, enfia spam de candidato em ano de eleição e, lógico, possui um time em cada esporte de cada canto do mundo.


E antes que alguém pense que isso é fruto da minha imaginação, conheço alguns assim.

Outro dia abri meu Facebook e estava lá uma mensagem dele: "Chupa New York Yankees!". Tudo bem que, sei lá onde houver um rival dos Yankees isso seja compreensível, mas num Facebook cheio de amigos brasileiros que confundem basebol com queimada seria mesmo necessário?

Gente assim não consegue simplesmente gostar de algo, precisa torcer.

A cerveja predileta é a melhor, quem não bebe é trouxa. A comida predileta é a número um do mundo, quem não gosta é pela saco. O video-game que ele joga é simplesmente o mais foda de todos, quem joga outro é um loser. No final tudo vira uma decisão. "Mc Donald's ou Burger King?", "Fla ou Flu?", "Dallas Cowboys ou New England Patriots?".

Desconfio que esses caras torcem por alguém até no Campeonato Turco de Luta no Óleo (acredite, isso existe).

Esse pessoal tem uma paixão especial pela Fórmula 1, já que o "papa" dos torcedores de tudo narra suas corridas. Já perceberam como o Galvão Bueno entende de tudo? Ele sabe a hora de frear o carro, como se parece o mundo do alto de uma enterrada na cesta, com quantos dedos se faz um bloqueio, quantas braçadas são necessárias para o recorde dos 50 metros.

Mas o Galvão pelo menos ganha (bem) para ser chato. O torcedor compulsivo faz isso tudo de graça, ainda que você provavelmente até pagasse pra se ver livre dele, se pudesse.

Desconfio que todos eles foram vuvuzelas em outra encarnação.

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