Para todas as outras coisas, existe Hitler Card

Postado em 3 de jul de 2012 / Por Marcus Vinicius

Sacar Adolf Hitler como se fosse um coelho da cartola para tentar vencer uma discussão é conhecido por aí como "Reductio ad Hitlerum", merecendo até um verbete na Wikipédia.

Não é nem algo muito raro, pelo contrário, basta algum debate sobre cotas raciais, liberação da maconha, Fla x Flu ou mesmo a melhor marca de camisinha disponível no mercado que logo aparece um esperto dizendo:

- Você só acha isso porque é nazista.

A partir daí são esquecidos os prós e contras, os testes do Inmetro que comprovam que a Olla é tão boa quanto a Jontex e tudo se resume a alguém repetindo que não é nazista enquanto a outra pessoa continua martelando sem parar "aposto que você até já leu Mein Kampf".

E como todo hábito chato, todas as pessoas terminam repetindo e passando adiante, portanto se você ainda não se deparou com isso, não se desespere, não demora muito e alguém vai te chamar de Goebbels ou Adolf.

Já imaginei situações como alguém tentando renegociar uma dívida do cartão de crédito e dizendo pra atendente do outro lado da linha:

- Vocês só me cobram 25% de taxa no rotativo porque são uns nazistas, aposto que ao invés de apostilas de telemarketing vocês lêem Mein Kampf aí...

- Mein o que?

- A bíblia nazista...

- Tá bom, 1,5% de juros e você não me chama mais de nazista, tudo bem?


Se você chega numa garota na boate e ela te dá um fora, solte logo: "nazi!", não importa nem se ela é filha de judia com ciganos. Se você não consegue um aumento de salário, diga para o seu chefe "agora só falta me mandarem para uma câmara de gás" ou se você levar uma multa no trânsito, escreva no recurso "se pelo menos aquele guarda não fosse fã de Göring...".

Com flanelinhas não adianta muito apelar pra isso, senão periga você terminar com um sujeito te perguntando "Hitru? Que isso?".

Um bom uso disso é na aplicação de regras para seus filhos, basta dizer algo como "Sabia que Hitler também não comia o espinafre?" na mesa do jantar. E também no seu escritório, colando uma placa no banheiro com os dizeres: "nos campos de concentração eles também eram obrigados a desentupir vasos depois que jogavam absorventes ali".

Você pode se aproveitar disso até para se ver livre de tarefas chatas, como por exemplo em "sou contra planilhas de Excel porque me lembram da Lista de Schindler";

O recurso funciona tão bem que tem até uma tirinha do Dilbert onde um personagem diz que vence qualquer debate na internet apenas perguntando "como você se sentiria se Hitler tivesse matado você?", o que, se pensarmos bem, é realmente um ippon argumentativo, um desses golpes perfeitos onde um judoca desmonta o outro (ou não):

- Se for a vista eu tenho desconto?

- Não, meu chapa, esse preço aí já está tão baixo que eu praticamente não vou ganhar nada.

- Você só diz isso porque Hitler não te matou.

- Tudo bem, te dou desconto , mas só se você aceitar troco em Stalins.

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