Vaga lembrança, mas só pro que não presta

Postado em 12 de jul de 2012 / Por Marcus Vinicius

O nosso cérebro é o maior sacana que existe.

Creio que não precisaria explicar nunca essa afirmação, já que todo ser humano vivo e que use o seu cérebro achará um bom motivo para concordar com isso. E de todas as sacanagens que ele pode fazer, ninguém está livre de pelo menos uma ou duas.

Seja a mania de gostar da pessoa errada, seja a tendência a torcer por aquele time de futebol que sempre termina o campeonato em segundo, por não saber dizer não, por nunca dizer sim, por aquela mania de dar três pulinhos antes de ligar a luz e quatro pulinhos antes de desligar, por curtir fazer sexo amarrado e bezuntado com manteiga de amendoim, pela preferência por strippers indianas, enfim, todas as suas esquisitices têm um único culpado: ele, seu cérebro, o sacana.

Mas dentre todas (e acredite, tenho muitas), sempre me intrigou a facilidade que o meu cérebro tem em aprender quase sempre o que eu seu portador - no caso eu - não gostaria que aprendesse e a dificuldade em armazenar dados que são essenciais.

Lembra quando sua mãe te dizia "você só aprende o que não presta"? Bom, a minha dizia isso "a lot". Piadas do disco inteiro do Costinha, escalações de times de futebol, fases de um video game, a letra de Faroeste Caboclo, tudo isso entrava na minha cabeça com a maior facilidade, mesmo que eu estivesse distraído vendo desenho na TV.

Já fórmulas de física, equações de matemática e elementos da tabela periódica, nem com aula particular reforçada sete vezes por semana.


Sua senha do banco, o número do seu CPF, telefones importantes, pense no esforço e nas repetições que foram necessários para finalmente ficarem memorizados. Agora pense naquela letra de funk que você odeia, naquele axé que repete coisas como "oi-oi-oi" ou "ai-ai-ai" 300 vezes, ou mesmo na musiquinha dos pôneis malditos e me diga se não concorda que o seu cérebro é um pilantra.
 
Acontece o mesmo com fisionomias e outras lembranças como o nome da primeira professora, aquele lugar que você almoçou em Paris há 10 anos ou se a pintinha no seio da sua namorada de adolescência era do lado esquerdo ou direito.
 
Mas coisas trágicas, nojentas, asquerosas ou desnecessárias, essas ficam gravadas na mente e na sua retina como se fossem esculpidas em granito. Seja onde você estava quando as torres gêmeas caíram, aquele vídeo "2 Girls 1 Cup" (se você não sabe o que é isso tente visualizar em sorvete de cocô) ou mesmo quando vomitaram no seu pé na festa de formatura. Nada disso sai da sua cabeça, já percebeu?

Você esquece de pagar a conta do telefone (só lembra quando cortam sua internet), esquece o celular na casa da namorada (e só lembra que não apagou o histórico dos SMS quando já está em casa, na cama, antes de passar a noite acordado fazendo promessas e simpatias pra "Fada do Celular Queima-Filme Perdido"), mas garanto que você não consegue esquecer aquele bordão ridículo de um programa de humor qualquer, ainda que repetir coisas como "iça negão" constantemente esteja destruindo a sua vida social.

Tudo bem que se todo mundo pudesse decorar o acerto da Galleria degli Uffize ou absorver as conjecturas de Poincaré como quem toma um copo de Coca-Cola, o mundo só teria gênios e seria chato pra cacete, mas bem que o cérebro podia ser um pouco menos sacana.

Em todo caso, fico feliz que o meu problema seja só decorar coisas inúteis e não conseguir lembrar do que eu preciso, porque vai que pra me sacanear o meu cérebro me obrigasse a curtir transar numa piscina de macarrão, assistir "Fala que eu te escuto" ou ser o tio do "pavê ou pacomê".

4 Comentários:

Unknown postou 12 de julho de 2012 13:29

AGORA SEI QUE NÃO É UMA COISA SOMENTE COMIGO TODOS OS CÉREBROS SÃO SACANAS KKKK ÓTIMO TEXTO

San Vilela postou 12 de julho de 2012 16:38

Hahaha, total "true history"! Seus textos são sempre ótimos, parabéns.

San Vilela postou 12 de julho de 2012 16:39

Hahaha, total "true history"! São textos são ótimos, parabéns.

Isabel postou 13 de julho de 2012 11:29

Agora quele vídeo nojento não sai da minha cabeça, hahaha.

 
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