O Foursquare, a super-exposição e o futuro serviço "por favor, me roube/estupre/mate".

Postado em 23 de mar de 2010 / Por Marcus Vinicius

De repente um dia eu comecei a receber atualizações no Twitter vindas de um amigo. As tais mensagens eram de um serviço chamado Foursquare, e avisavam que ele fazia "check-ins" em alguns lugares. Aterrorizado, eu notei que os tais lugares eram onde o cara se encontrava naquele momento e também que além do nome do local, eram fornecidas as cordenadas e um mapa(!!!) indicando precisamente como achá-lo.

O objetivo da coisa toda é você descobrir e indicar locais, ganhando pontos por isso e merecendo "brasões" de reconhecimento. O "ápice" para o usuário é realizar o maior número de chek-ins possível e tornar-se assim o "prefeito" do lugar.

Não sei quanto a vocês, mas a idéia de um serviço que indica precisamente onde estou em tempo real e que registra meus hábitos diários, disponibilizando para qualquer um na internet fez soar aquele conhecido alarme "perigo! perigo!" internamente.

Tudo bem que no Twitter, por exemplo, a gente fala da nossa vida, de coisas que fazemos, etc. Quem me acompanha lá sabe que adoro ir no Starbucks pelo menos uma vez por semana e que sou viciado em cinema. Mas pera aí, quem lê essas coisas sabe no máximo que gosto de café e filmes e dificilmente fará idéia de qual Starbucks ou sala de exibição eu frequento ou estou naquele momento.

Uma "padaria", um "shopping" ou até mesmo uma "Igreja" é algo muito genérico e ninguém vai me achar contra minha vontade usando essas informações a menos que eu more numa cidadezinha do tamanho de Ritápolis.

Agora com um serviço desse tipo, qualquer um vai saber exatamente tudo o que eu faço, meus horários, rotina e basta acessar a internet e utilizar os dados que eu mesmo forneço para fazer o que bem entender, desde ir na minha casa roubar na minha ausência, me esfaquear numa calçada e até me oferecer algum pacote da Herbalife.


Já existe inclusive um site chamado Please Rob Me, que até como forma de alerta(apesar de ser uma brincadeira de mau gosto), expõe os dados que as pessoas postam em redes sociais como o Twitter e o Facebook, dizendo se estão em casa ou não, entre outras coisas.

Todo cuidado é pouco quando se trata desse tipo de informação e a falsa proteção que uma tela de computador sugere acaba facilitando que as pessoas abram a guarda e digam ali coisas que jamais diriam normalmente. Ou você contaria a um caixa de supermercado que todo dia seu filho sai da escola tal, na hora tal e anda pelas ruas X, Y e Z?

Fico imaginando a felicidade de tarados, estupradores, serial killers, ladrões de casas, vendedores de assinaturas de revistas e testemunhas de jeová ao saber que tem alguém em casa ou que podem encontrar as pessoas onde bem entenderem, na hora que quiserem e bem, fazer com elas seja qual lá for o seu "negócio". É um verdadeiro dial-a-psycho.

Infelizmente, e torço aqui para estar errado, acho que em breve teremos notícias de algum crime bárbaro ou situação esdrúxula ocorrida por conta de aproveitarem esses dados que alguns patos deixam espalhados por aí, acreditando que o mundo virou a Disneylandia só porque estão num ambiente virtual.

Seria mais fácil deixarmos um bilhete na porta de casa, preso com fita durex e bem visível escrito assim: "as chaves reserva estão escondidas sob o capacho, por favor não mexa nas jóias que estão na segunda gaveta da cômoda do quarto do meio".

Não esqueçam amigos: no mundo real, Mickey Mouse continua sendo um rato.

5 Comentários:

Luiz postou 23 de março de 2010 10:29

Se algum crime barbaro acontecer pode ter certeza que vão criticar o sistema ou rede social que mostra os dados e não o idiota/vitima, que os fornece de bom grado.

Drika postou 23 de março de 2010 10:55

não tem muito tempo rolou uma notícia de um cara q teve sua casa arrombada e assaltada (nos EUA) pq informou no twitter q iria tirar férias com a família e de alguma forma, tinha publicado o endereço.
só consigo pensar numa coisa: otário!

Sophia Jones postou 23 de março de 2010 11:13

Sabe filme de ficção científica que implantam um microchip com rastreador em alguém?
Seria o usuário de um site desse um tarado por rastreamento?
Ou um voyeur ao contrário?

Só afirmo com certeza que o cara é um mané.

Nem da minha vida, nem minha família, nem dado QUALQUER meu, eu posto em internet.
Sophia Jones tem certidão de nascimento, porém com outras iniciais.
E já não está bom demais?

Pra hoje é o que tem.
E basta.

Mile Reis postou 23 de março de 2010 12:24

É o espetáculo começando...
"I wanna be away from here...quando essa bomba explodir..."
Ah...comédia o "(...)e até me oferecer algum pacote da Herbalife." Kkkk..Adoro!!!

Jaqueline postou 23 de março de 2010 12:25

Meu maior medo seria das testemunhas de jeová O.o
Mas falando sério, é uma das piores babaquisses que já vi em toda a minha vida. Expor a própria vida assim é pedir pra levar um tiro na próxima esquina.

 
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