Televisão cubana estreia programa sobre atentados contra Fidel

Postado em 8 de mar de 2010 / Por Marcus Vinicius

Li esta notícia no Terra e não pude deixar de dar algumas risadas. O jovem ditador de 84 anos provavelmente é uma espécie de cruzamento de James Bond com um gato para ter sobrevivido a tantos "atentados" que são contados pela máquina estatal da ditadura que ele encabeçou por tanto tempo, transferindo a "coroa" para seu irmão depois.

Como bem diz Yoaní Sanchez em seu livro "De Cuba com Carinho" e em seu blog Generación Y, não tendo mais recursos para angariar apoio através de seu corrupto e vergonhoso sistema "meritocrático"(leia-se, fidelidade canina ao regime), o governo da prisão insular dos irmãos Castro utiliza basicamente três instrumentos para conter o que poderia ser um movimento que os removeria do poder: repressão, cerceamento do direito de viajar ao exterior e criar inimigos e batalhas externas que "unam" o povo em torno dos seus próprios algozes.

Não duvido que Fidel tenha sofrido algum atentado nas suas 8 décadas de vida e meio século no poder, mas tenho quase certeza de que 9 entre 10 supostos atentados divulgados pelo regime castrista são tão factíveis quanto um ataque dos Na'avi contra a ilha.

Mas essa minha mente fértil tinha que ir além e por isso imaginei alguns atentados reais que poderiam realmente causar reações em Fidel que levariam o octagenário caudilho a juntar-se a Stalin, Pol Pot, Kim Il-Sung e outros heróis cultuados pela esquerdocanalha.

Vamos imaginá-los?

La vai...

1) O ataque das urnas assassinas - Fidel teria sido atacado por urnas eleitorais, esses perigosos instrumentos de desestabilização de "regimes proletários". São seres tão malignos que trazem consigo outro hábito nefasto e desagradabilíssimo: voto livre e secreto.

2) As Constituições Voadoras - Entenda-se por Constituição cartas semelhantes as que existem nos E.U.A, na maioria dos países europeus e até mesmo aqui em Banânia, que definam coisas esdrúxulas como direito à propriedade, privacidade, livre associação, multi-partidarismo, divergência, entre outras. Um enxame desses insetos perigosos sobre Cuba provocaria em Fidel o mesmo horror que o Faraó (o "comandante" preferia esse título e teria ficado desolado quando descobriu que já tinham pegado antes dele há alguns milênios) sentiu ao se deparar com as pragas do Egito.

3) Serial-Repórteres - Com suas canetas, lápis, computadores e as temidas câmeras, eles retratam o que se passa nos países em que atuam. A diferença dos serial-repórteres para os demais é que estes perigosos psicopatas da informação não puxam saco dos governantes, não maquiam notícias e tem o péssimo hábito de chamar "presos políticos" de "presos políticos". Um verdadeiro horror. Ainda bem que nosso herói Fidel conseguiu se livrar de vários deles.

4) Liberdade de Ir e Vir - Esse é terrível. É um atentado que os cubanos até hoje cometem contra seu "querido líder". Tentam cometer esse crime usando balsas, velhos caminhões, botes, bóias e até a nado, se conseguirem.

5) A famigerada alternância de poder - Para ter uma idéia de como esse crime é terrível em Cuba, caso o "regime revolucionário e democrático" que existe lá estivesse em vigência no Brasil, ainda seríamos governados por Juscelino Kubitschek ou algum irmão ou outro membro da família dele que teria recebido o cetro das mãos do "comandante".

Brincadeiras à parte, chega a ser aterrador imaginar que Nelson Rodrigues já criticava o regime ditatorial cubano e que décadas depois cá estou eu, com bem menos brilhantismo é claro, fazendo a mesmíssima coisa, falando do mesmíssimo regime.

Isso só me leva a concluir o óbvio: que o que o governo daquele país-prisão comandado pelos amigos do Lula mais tem a temer é exatamente tudo aquilo que todo cidadão de uma democracia no mundo mais tem a perder: sua liberdade e seu direito à individualidade.

Essas duas idéias que ferem regimes autoritários bem mais do que qualquer bala, lança ou míssil.

8 Comentários:

Hermanos & Brazucas postou 8 de março de 2010 08:04

Antes de tudo, obrigado pelo comentário no blog, e eu é que tenho de agradecer por teres deixado que eu utilizasse seu post por lá.

Dito isso, achei ótimo esse post: realmente mirabolante e bizarra a história do fidel. Infelizmente, nosso "che" deve estar se revirando no caixão tamanha a "inversão" das coisas.

Abrazo!

andreadestefani postou 8 de março de 2010 08:39

Acho que uma das maiores formas de opressão dos ditadores são seus discursos. Já imaginou o Fidel falando oito horas seguidas? O Chavez tá na mesma onda.... Muito bom seo blog! Axé pra vc!

mvsmotta postou 8 de março de 2010 08:52

Andrea,

Mencionou um bom ponto!Fidel também pode ter sofrido um atentado da "concisão"...imagina, ele tendo "só" 2 horinhas pra discursar...

:P

Suely postou 8 de março de 2010 14:00

Fidel me parece alguém que conta uma mentira tantas vezes que acaba acreditando que ela é verdade.
Post direto e sem muita firula, uma verdadeira aula de concisão sem deixar de lado seus delírios criativos...

Gabriel postou 9 de março de 2010 08:48

O que temos é que parar de acharmos que sabemos tudo. 99.99% das pessoas que falam de Cuba não conhecem o país, nem o pensamento do povo cubano, nem as condições de vida deles.

Engraçado que um país pobre como Cuba, com todos os embargos econômicos, consegue manter uma taxa de mortalidade infantil menor que a dos EUA e uma expectativa de vida maior.

Esquecemos quantos brasileiros tentam entrar nos EUA ilegalmente para tentarem o "sonho americano". Será que o problema de Cuba é muito diferente do nosso?

Mas não, nós vivemos numa democracia então temos o direito de criticar aquilo que não conhecemos direito. E acreditamos piamente em qualquer notícia de jornal, sem questionarmos qual o intuito ou a veracidade daquilo que está escrito. Essa é nossa liberdade de imprensa. E se aproveitando disso se elegem políticos corruptos, um atrás do outro.

É bom lembrarmos o quanto nos incomoda quando um estrangeiro chega ao Brasil achando que encontrará macacos no meio da rua dançando merengue. É ignorante e até arrogante pesnar isso do Brasil. A mesma arrogância que insistimos em ter em relação a certos assuntos.

mvsmotta postou 9 de março de 2010 08:55

Gabriel,

Curiosamente só os "sortudos" que moram em Cuba não tem internet livre, só podem ler UM jornal que é o do partido, não podem ir ao exterior sem permissão do governo e são presos caso decidam se opor ao regime.

E isso não é "achismo", são os sortudos que conseguem fugir da prisão dos Castro que contam.

Abraços

Hilton Neves postou 10 de março de 2010 07:41

Esplêndido! :D Genial a lista.

Andrea também fez um adendo bacana.

Gabriel postou 16 de março de 2010 09:07

mvsmotta,

Cuba tem seus problemas, mas a realidade é bem distante daquilo que se prega por aqui.

Cuba não tem Internet livre porque não tem infraestrutura para isso. Os poucos pontos disponíveis estão nas universidades e os cidadãos têm livre acesso. O parque tecnológico da ilha é simplesmente uma sucata e os caras fazem milagre para conseguir colocar um computador para funcionar.

A coisa mais comum em Cuba é encontrar peças de teatro, artistas de rua, músicos fazendo chacota do regime. E te garanto que ninguém vai preso por isso.

Aliás, não existe nenhum caso comprovado de morte, tortura, desaparecimento ou de abuso na ditadura cubana. É estranho pensar numa ditadura assim, não?

A verdade é que a percepção dos cubanos é a de que essa é a forma de permanecer independente. Para um país que foi dominado durante toda a história pelos espanhóis e depois os americanos, uma ditadura tem uma séria dose de liberdade para aquele povo.

Em cuba você TV e rádios americanas com a maior facilidade. Inclusive há algumas estações dedicadas exclusivamente a atacar o regime socialista. Será que a ditadura cubana se sustenta apenas com base na inexistência de liberdade de imprensa?

Então eu pergunto, qual a diferença entre Folha, O Globo, Estadão, O Dia? Será que algum deles diverge do restante no posicionamento político? É triste, mas a nossa concepção de liberdade de imprensa é uma falácia.

As nossas TVs abertas são, Globo, SBT, e mais meia dúzia de emissoras religiosas. Todos os jornais dão exatamente as mesmas notícias. O resto é novela, baixaria, fofoca e comédia-pastelão. Ironicamente, a única programação de qualidade que encontramos é nas TVs públicas.

Essa necessidade incontrolável que alguns tem de criticar os regimes ditatoriais só mostra que, no fundo, a nossa democracia para ignorantes não funciona, é completamente manipulável e hipócrita.

Obs.: Não estou defendendo nenhum regime político aqui, mas apenas questionando certas "verdades".

 
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