É preciso extirpar a imbecilidade da política brasileira

Postado em 14 de set de 2010 / Por Marcus Vinicius

O presidente Luis Inácio da Silva, retirando de vez a faixa presidencial e assumindo o papel de líder de gangue, declarou que é preciso "extirpar o Democratas da política brasileira". Nada mais característico vindo de uma pessoa que parece cada dia mais desconectada da realidade.

80% de aprovação não fazem bem a ninguém. A tendência é que a pessoa passe a buscar os 90%, quem sabe até os 99%, tal qual Saddam Hussein. A obsessão passa a ser "esses teimosos que não gostam de mim".

E não falta - ainda - quem não goste das atitudes de Lula. Só que sempre que algum destes se refere a ele como "o analfabeto", exagera na crítica e municia aqueles que ainda hoje vivem de espalhar e perpetuar a imagem do "metalúrgico pobre e perseguido que venceu na vida".

Vamos ser honestos: Lula não é pobre, metalúrgico ou perseguido há bastante tempo. Desde bem antes da sua chegada à presidência ele já era um homem de posses, sustentado por uma máquina partidária, fumando charutos cubanos e passeando pelo Brasil de jatinho. Convenhamos que essa não é a realidade de nenhum metalúrgico.

O problema é que o tempo em que Lula se dedicou a fazer política, ele deixou de dedicar à própria instrução.



Não que isso tenha lhe feito alguma falta, pelo contrário, seu instinto político aguçado e sua inteligência - sim, ele é inteligente, uma inteligência usada para afundar a política do país no charco, mas que é inegável - deixaram nele a impressão de que "já sabe de tudo", quando na verdade o máximo que ele sabe é isso que demonstrou em seu governo: ser esperto - no pior sentido da palavra - para se apropriar de méritos e obras alheias, para negar e se livrar de denúncias e para comandar o PT e o Brasil como se fossem uma assembléia de porta de fábrica.

Os antigos dizem que "quem nunca come melado, quando come se lambuza", e por mais batido que seja esse ditado, ele se aplica muito bem à figura de Lula. Historicamente o PT sempre teve algo em torno de 30% dos votos no país. Outros 30% eram anti PT e os 30 e  poucos por cento que sobravam eram o fiel da balança, trazendo equilíbrio e pacificando a política, obrigando os partidos a se manterem afastados do radicalismo, sob pena de espantá-los.

O problema é que Lula, através de um crescimento econômico que não é só obra sua, dos programas de transferência de renda, de um aparelhamento do estado sem precedentes e do domínio completo dos tais "movimentos sociais" e sindicatos conseguiu encurralar seus opositores, trazer muitos "isentos" para seu curral eleitoral, exibindo hoje estas altas taxas de popularidade.

E esta popularidade vai, pouco a pouco, rompendo as amarras que ainda prendiam seu discurso e suas ações ao estado de direito. Não se enganem: se Lula soubesse que o Congresso lhe daria a possibilidade de disputar um terceiro mandato, sem um processo de final incerto que poderia manchar sua biografia, ele tentaria a manobra e não estaria presenteando o país agora com esta criatura eleitoral, esta ameaça ao Brasil chamada Dilma Rousseff.

E é por isso que ele se dedica com especial atenção a destruir um a um seus adversários nos estados, como Arthur Virgílio, Tasso Jereissati e o DEM de Santa Catarina. O que Lula deseja é um Senado domesticado, como já foi domesticada a Câmara dos Deputados.

Porque o que mantém o presidente num caminho distante do chavismo mais abjeto não é sua consciência democrática, que é inexistente, mas amarras legais, que um Congresso "petizado" transformará em pó, tal qual sua alta popularidade transformou em pó o pouco juízo que tinha.

O que o Brasil precisa não é extirpar nenhum partido da política, é extirpar a corrupção, o aparelhamento do estado, a desmoralização do Congresso e, principalmente, esta imbecilização que domina o atual cenário e que o PT parece fazer questão de perpetuar.

4 Comentários:

Alice postou 14 de setembro de 2010 10:45

Fazer florecer em um terreno já fertilizado é bem pertinente, o oportunismo ingrato da dinastia lula foi perfeitamente descrito por ti, de modo que não desvalida seu governo mas concorda que houve frutos colhidos do mandato antecessor...dentre outras aspectos felizmente colocados ! Bela postagem!!

Edgar postou 14 de setembro de 2010 10:53

Petizado é ótimo, com trocadilho mesmo. Infantilizado esse nosso país, o congresso e o Povo. Quem é o povo afinal de contas? Eu sou o povo? Se sou o povo, como faço prá tentar unir as massas sem correr o risco de ser linchado em público. Sim, porque tenho medo de perguntar pros outros em quem irão votar se tiver mais de duas pessoas. Falar mal da Dilma (Lula) é como assinar um atestado de alienação a "tudo de bom" que aconteceu na vida desse povo sofrido, esses que tem mais de 45 anos de idade e se contentam com essa vergonha instaurada na vida pública brasileira. Eu tenho perdido em quase todas as minhas enquetes mas pelo menos eu não apanhei - até agora pelo menos. Ricardo Petter

Vivi postou 14 de setembro de 2010 12:36

Ótimo texto tendo em vista que uma declaração absurda dessas é um golpe baixo na "democracia" na qual vivemos. Falo isso em um texto que escrevi no momento em que li a notíca acerca do tema, e digo um pouco mais sobre uns candidatos imprestáveis que infelizmente tive o desprazer de conhecer...

Jubarulho postou 15 de setembro de 2010 08:30

Triste ler esse post, pois é a mais pura verdade!
Parabéns pelas palavras.

 
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