Pode ficar tranquilo que o dólar não vai subir

Postado em 9 de set de 2010 / Por Marcus Vinicius

Basta que eu não queira viajar pra lugar algum, que ele fica mais congelado do que o meu salário.

Não sei se algum de vocês já reparou, mas planos de viagem mexem com a cotação do dólar. Comigo pelo menos é quase certeza: se eu for tentar fechar algum pacote, ainda que seja para ir ali em Buenos Aires, o dólar dispara no ato.

Tem vezes que fico observando os jornais, uma notícia atrás da outra dizendo que o "real valoriza outra vez frente ao dólar", ou que o "dólar tem recorde histórico de desvalorização no ano", mas tal qual um caçador espreitando sua presa, eu não me movo. Sei que ao menor sinal de que vou tentar viajar, tudo aquilo muda e a moeda americana sobe uns 20% em questão de 10 minutos. Não tenho tempo nem de sair do metrô que a situação cambial muda mais do que a inflação dos tempos do Sarney.

Um sujeito mais paranóico pode até pensar que isso é perseguição pessoal.

Certa vez eu queria porque queria ver os pinguins da Patagônia. Fui até a agência repetindo mentalmente "só vou pegar um orçamento, só vou pegar um orçamento", na verdade eu nem queria só pegar um orçamento, mas tentava enganar o sexto sentido que a cotação do dólar parece possuir - temo até que leia pensamentos - e ver se conseguia driblá-lo. Viu? Esse sou eu virando paranóico.


Cheguei na agência, conversei com a mocinha, consultei os preços, achei tudo muito bom (inclusive o fato de existirem datas disponíveis para o período que eu queria) e, quase a ponto de fechar o negócio, pedi que ela acrescentasse mais dois dias ao final do pacote, já que pretentia aproveitar a ida à Argentina para assistir a uma partida do Boca.

Curiosamente quando ela ia concluir a venda, o sistema ficou lento, caiu - com certeza sabotado pelas forças ocultas do câmbio do dólar - e como estava com pressa, ficou combinado que eu voltaria no dia seguinte para finalizar. Tudo bem, né?

Não. Naquela madrugada no Brasil - já dia na Ásia - milhões de japoneses resolveram espirrar ao mesmo tempo, ocorreu algum eclipse solar na China, os indianos resolveram comer carne de vaca, algum emir em Dubai resolveu doar todo seu petróleo para a caridade, nem sei, mas o dólar aumentou.

Por conta disso a viagem ficou mais cara, e eu - consumidor consciente - resolvi pesquisar em outras agências de turismo, pra ver se melhorava o preço. Só que o câmbio não perdoa, agora ele já sabia da minha intenção e continuou subindo todo dia, até que aquele preço que eu achei caro no início, virou uma bagatela depois de duas semanas.

Resumo da ópera? Desisti da Patagônia, dos pinguins e do Boca Juniors e fui em viagem para Fernando de Noronha, que é tudo o que dizem e mais um pouco, um verdadeiro paraíso na terra.

E o melhor: é totalmente livre da influência do dólar.

3 Comentários:

Viviane postou 9 de setembro de 2010 14:34

Foi ótimo ler este texto, já estava paranóica achando que isso só acontecia comigo, kkkkkkk.... Adorei!!!!

Isabel postou 10 de setembro de 2010 11:54

Vê se não fica paranóico com o euro agora! rsss
Bjs

Anônimo postou 14 de setembro de 2011 16:51

Adorei o texto! É o que aconteceu comigo há dois anos e neste momento também, pois vou viajar na próxima semana e o dólar não para de subir...rs... Acho que náo é paranóia..

 
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