Mitos sobre ser brasileiro

Postado em 29 de out de 2010 / Por Marcus Vinicius

O brasileiro é um povo amistoso.

Já ouviram isso em algum lugar? Eu já. E também coisas como festeiro, malemolente, hospitaleiro, simpático, caloroso. Mas será mesmo?

O brasileiro viaja ao exterior, seja para morar ou para turismo, e faz questão de permanecer isolado do resto das pessoas. "Ah, essa excursão é boa porque só tem brasileiro", "Hummm, achei um restaurante brasileiro ótimo", "Ai, que saudade de um feijãozinho", "Essa gringalhada tem aparência de quem não toma banho...". Pode perceber isso: brasileiro tem mania de andar em bando.

Sei de gente que morou em países com idiomas não tão complicados como a Espanha, a Itália e mesmo a Inglaterra e não conseguiu aprender direito a falar a língua do país. Isso porque ficam ali numa espécie de gueto. Só andam com brasileiro, só se relacionam com brasileiro, só querem falar português.

Isso é ser amistoso?

Temos um Carnaval que atrai muita gente. Mas junto com o carnaval vem a exploração sexual (até de menores), o ágio nos preços, empurra-empurra, inconveniências mil (desde passar a mão na bunda da mulher dos outros até coisas mais agressivas). Para entrar num baile carnavalesco, assistir um desfile de escolas de samba ou participar de um trio elétrico cobram valores equivalentes a quase o salário mensal do tal "povão", que teoricamente é quem faz a festa.

E o "povão", que teoricamente faz a festa, fica é do outro lado dos tapumes, do lado de fora das cordinhas, na "pipoca" do trio.

Isso é ser festeiro?

Somos conhecidos por querer levar vantagem em tudo, por quebrar todas as leis, costumes e regras do bom senso e da civilidade. Se existe uma placa pedindo que não pisem na grama, os brasileiros pisarão. Se existe um aviso pedindo para não fazer barulho, os brasileiros farão. Se existe uma roleta sem vigilância que conta com a honestidade da pessoa que por ali passa, os brasileiros trairão até a roleta. Se algo for necessário em cinco minutos, mesmo que possa fazer em dez, o brasileiro fará em quinze.

Já notaram como aqui a pergunta "tá com pressa?" é respondida prontamente com um "não, não", mesmo que a pessoa esteja indo salvar alguém da forca?


Isso é ser malemolente? Não sei, como tenho verdadeiro asco pelo termo, pode até ser que sim.

Os brasileiros, principalmente em cidades turísticas, vêem os "gringos" como um otário em potencial. Sabe como é, aquela gente estranha que tem o hábito bizarro de respeitar regras e confiar nos outros. O esperto, o malandro, o sagaz, esse não confia em ninguém, e tem sempre uma faca guardada para enfiar nas costas de qualquer um, afinal, no mundo você é "otário" ou "malandro".

Se um estrangeiro vem pro Brasil montar uma empresa, porque não cobrar tudo em dobro? Se vem passear, porque não cobrar o triplo?

Isso é ser hospitaleiro?

Somos, e isso não tem como negar, um povo em sua maioria rude. Seja pela educação precária, seja pela violência das grandes cidades, mas isso é um fato. Se uma porta de trem ou metrô abre, as pessoas são capazes de pisotear uma velhinha de 80 anos para conseguir um lugar sentado. Se alguém distribui qualquer coisa de graça (até saquinhos de bosta enfeitados), as pessoas não organizarão uma fila, afinal, fila é coisa de otário. As pessoas vão organizar uma espécie de "bolo doido", com empurrões, tapas, puxões de cabelo, xingamentos e mais o que você puder imaginar. Seja por um punhado de ouro, seja por um saco de bosta.

Quem acompanhou o Pan Americano de 2007 se lembra, vaiaram não só o presidente da república - um bufão ridículo, que merece vaia, mas que ali representava a nação, ainda que ele mesmo esqueça disso - como também vaiaram delegações visitantes, hinos, atletas e o que você mais puder imaginar.

Uma verdadeira demonstração de como o brasileiro é hospitaleiro, não? Não.

Por fim, seja onde for, é fácil descobrir um grupo de brasileiros. Eles falam alto, gritam, mexem em tudo - mesmo se avisos pedirem o contrário - fazem inconveniências, pensam que estar em algum lugar "a passeio" ou mesmo temporariamente, lhes tira a obrigação de ter um mínimo de educação.

Tudo que é tipo de comportamento incômodo e excessivamente expansivo é creditada ao fato do brasileiro ser "caloroso".

Sei que não são todos, antes que algum pentelho politicamente-correto-meio-termo venha me dizer que estou generalizando, mas são muitos, um número que aliás é bem acima do aceitável. Concluo que o brasileiro não precisa de muito para ser um povo melhor. Precisa apenas ser menos amistoso, festeiro, malemolente, hospitaleiro, simpático, caloroso.

Já será o bastante.

6 Comentários:

Tuka Siqueira - Ktralhas postou 29 de outubro de 2010 07:17

Isso que você diz, infelizmente é a mais pura verdade. Não somos todos assim, ainda bem, mas a maioria, um número acima do aceitável como vc disse. Tenho um amigo que certa vez viajou pra Alemanha e voltou contando coisas que nosso povo jamais permitirá que funcione por aqui, roletas livres no metrô, jornais e revistas distribuidos no sistema pegue e pague, ruas sem lixo, sem carros estacionados nas calçadas, povo educado. É triste perceber que somos um bando de selvagens, do tipo mais ridículo que existe, porque até alguns animais sabem usar de cortesia.

Abraços

Anônimo postou 29 de outubro de 2010 07:20

Brasileiro não tem noção que as nossas cadeia tá cheio deles? Amistoso o caramba, é o povo mais dinheirista, mais quer ver o outro se lascar, mais violento do planeta!

Contriller postou 29 de outubro de 2010 08:21

Gosto do modo primata como os brasileiros se comportam. Acho que cortesia e "boa educação", costumes e a coisa toda são um exagero. Raciocino é bom. É o que nos diferencia dos animais, mas algo me leva a pensar que um modo de vida mais natural é o que precisamos. Não para um mundo melhor, mas para algo mais animado (Não querendo apenas discordar de tudo, viu. hahaha) Abç.

Denise postou 29 de outubro de 2010 16:31

Infelizmente é a mais pura verdade. Quando estive no Canadá, certas atitudes de certos brasileiros me envergonhava. Eu ficava bem quieta pra não ser 'reconhecida' como brasileira. Uma coisa é a pessoa ser hospitaleira, outra coisa é ser fuleira. E brasileiro, pelo menos uma grande parte dele, principalmente quando vai pro exterior, faz questão de ser fuleiro. É triste falta de educação ser confundida com 'alegria'. Argh!

Eliane Nohra postou 31 de outubro de 2010 14:36

sim concordo com tudo, o pior é quando começama a cantar: sou brasileiro com muito orgulho...

PatiLu postou 31 de outubro de 2010 18:37

Concordo! Brasil tem calor humano, mas acho que os outros latinos tem muito mais. Nosso calor é grudento e muitas vezes desrespeitoso. Acho que a imagem que o Brasil tem de si próprio é muito antiga, do tempo da bossa e do samba (e não do funk e do pagode), do trio maravilha (e não das estrelinhas do futebol) e da malandragem (que naquele tempo era mais camaradagem). Eu não vivi nesses tempos, mas a gente ainda se vê com qualidades (especialmente as músicais) que não existem mais... Bem parecido com meu amado Estado do Rio Grande do Sul, que muitas vezes deixa de progredir porque ainda acha que é Farrapo, que estamos em guerra com o governo federal e que usar bombacha todo dia é ser macho. Buenas, mas esse é outro tópico. Pra quem se envergonha dos compatriotas, sugiro dar um toque para quem estiver ao nosso alcance. Já chega de mico.

 
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