Mensagem na garrafa, mensagem na garrafa...

Postado em 10 de jun de 2011 / Por Marcus Vinicius

Você já parou para pensar em como seria estranho cantar isso por aí? Mais ainda, em como é bizarro alguém gravar um álbum, fazer sucesso e ficar mundialmente conhecido cantando isso? Pois o The Police conseguiu, bastou ficar repetindo "mensagem na garrafa, mensagem na garrafa".

Aqui no Brasil isso seria, no máximo, alguma propaganda de cerveja estrelada pelo Zeca Pagodinho.

O Kiss é outra banda que tem como grande sucesso "Love Gun", a "Arma do Amor", uma ode de Paul Stanley ao seu próprio pênis. Convenhamos: em português vira letra do Wando, se tanto.

Me desculpe pela possível visualização do pênis de um membro do Kiss (com trocadilho, por favor), OK? Apesar de você merecer dormir sem essa, o exemplo é imperdível.

Foi cantando "como uma virgem, tocada pela primeira vez" que a Madonna virou Madonna, a diferença é que ela fez isso em inglês, o que explica muita coisa.

Me pergunto se para os nativos do idioma anglo-saxão essas letras soam tão estranhas quanto soam para nós, faladores da maltratada flor do lácio.

Porque até certos nomes em inglês são estranhos, ou você acharia normal conhecer pessoas chamadas Abril, Maçã ou Cadência? Mas existem Aprils, Apples e Cadences por aquelas bandas.

Sempre curti rock'n'roll, e faço parte do time que acha difícil digerir rock em outro idioma que não o inglês, e ainda que curta um monte de coisas em português e espanhol, não adianta, as pedras não rolam com a mesma desenvoltura.


Lúcia num Céu com Diamantes e a Banda do Clube de Corações Solitários do Sargento Pimenta poderia até fazer sucesso assim mesmo, em português, mas não sei se os Besouros iriam muito além do Domingão do Faustão com essas letras.

Do mesmo jeito que fica estranho pagode em japonês - ainda que para o meu gosto pagode é estranho em qualquer idioma - e, apesar de todas as tentativas, fazer fusion de rock com baião e caranguejo não é muito a minha praia (com trocadilho, de novo), fazer rock em outros idiomas requer cuidado de neurocirurgião: qualquer deslize, por menor que seja, vira desastre.

Você não namora a Adriana, sua vizinha loirona que usa calça da Gang e frequenta bailes funk todo final de semana só porque ela não te dá mole, você não a namora porque ela já tem um bruta-montes com 50 cm de braço e um cordão de prata mais grosso do que correia de bicicleta no pescoço e também porque, ainda que ela quisesse alguma coisa contigo, você não aturaria quatro finais de semana seguidos ouvindo proibidões, nem mesmo por uma bunda daquelas. Não combina.

Assim são os estilos musicais e certos idiomas. Não dá pra fazer música baiana em russo só porque em Moscou não tem Carnaval, mas porque não combina e o máximo resultado que você consegue é ser exótico, talvez bizarro.

Letras de rock em português não chegam a tanto, mas letras em inglês traduzidas para o português, sim.

Ah, só pra esclarecer: sua vizinha gostosa não vai te dar mole, foi só um exemplo.

6 Comentários:

Claudia postou 10 de junho de 2011 11:21

faltou citar a Reese ComSuaColher
:D

Tuka Siqueira postou 10 de junho de 2011 12:20

Toda vez que gosto de uma música em inglês e tento traduzi-la, ela perde todo o seu encanto. Nessas horas dou graças de não entender patavinas do idioma mais cantado por aqui.
Mesmo as letras do U2 perdem todo o sentido se traduzidas. Melhor ficar só com a melodia.

Gustavo Ca postou 11 de junho de 2011 10:44

Tbm me causa estranhamento traduzir músicas do inglês.. Deve ser a sonoridade. Mas é fato que idiomas diferentes criam modos diferentes de pensar, raciocinar, aí ver uma letra em inglês com nossa cabeça em português-brasileiro dá essa quebra. Mas pior que isso só quando uma música estrangeira recebe uma letra em português, adaptada, fica sempre horrível.
Uma vez vi uma tirinha do Zé do Boné que me arrancou uma risada: falava que o inglês é um idioma lindo pq certos nomes, como Nicolas Cage, em português ficaria Nicolau Gaiola.

isabelsantana2011@hotmail.com postou 14 de junho de 2011 11:09

Muito legal o seu blog ,amei!!!
Deixo o blog Belas Artes Médicas.

Adson postou 15 de julho de 2011 14:43

Na verdade o que vale mesmo é a melodia. O ritmo é que nos contagia, quantas pessoas gostam de clássicos do rock sem nem mesmo saber o que a letra quer dizer? Diante disso, enquanto não domino a língua padrão no mundo, prefiro continuar com as minhas músicas no nosso sofrido português!

Adson postou 15 de julho de 2011 14:44

Na verdade o que vale mesmo é a melodia. O ritmo é que nos contagia, quantas pessoas gostam de clássicos do rock sem nem mesmo saber o que a letra quer dizer? Diante disso, enquanto não domino a língua padrão no mundo, prefiro continuar com as minhas músicas no nosso sofrido português!

 
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