O download da sua piada não foi concluído

Postado em 6 de jun de 2011 / Por Marcus Vinicius

- Você me acha gorda?

- Não, na boa, não acho mesmo.

- Então me acha cheinha?

- Na verdade pra mim você está muito bem.

- Dizem que eu sou voluptuosa...

- Voluptuosa é eufemismo pra quem quer te chamar de gorda, não curto isso não, me lembra do Botero.

- Ainda bem que você não me acha digna do Botero.

- Na verdade, eu acho que você tem grip.

- Hahahahaha, grip? Taí, adorei essa. Isso mesmo, eu sou mulher com grip.

- E eu adoro gente que entende piada, sabia? Pra 90% eu teria que mostrar uma raquete de tênis, explicar o que é grip, associar isso ao corpo da pessoa, etc, etc etc.

- Ah, é?

- É sim, vem cá, vem...

Não vou falar do que aconteceu depois, afinal, o diálogo acima é semi-fictício, mas serve muito bem para mostrar como a piada é uma espécie de transmissão de arquivo. Se os dois envolvidos - quem envia e quem recebe - não tiverem uma boa conexão, a transferência não se completa, o arquivo vai truncado e perde-se o objetivo.

Porque nada é mais cretino e irritante do que precisar explicar uma piada para alguém. Mas pouca coisa é tão constrangedora quanto simular riso para uma piada sem graça.


Sei que tem gente que faz de sacanagem, mas a maioria é lenta no pensamento mesmo ou então o contador de piadas é que tem problemas nas sinapses:

- O cara entra no avião, vira pra aeromoça e começa: "Me dá uma porra de um travesseiro!", "Eu quero uma merda de uma dose de whisky!", "Acabou o cocô do gelo!".

- Hum, e aí?

- Aí a aeromoça vira pra ele e pergunta: "Vamos servir o jantar, o senhor vai querer as putas das batatinhas fritas ou cozidas?".

- Putas das batatinhas? Porque a aeromoça falou palavrão?

- Pô, cara, é que o sujeito estava xingando e tal, enchendo o saco dela e ela resolveu devolver a grosseria.

- Mas porque batatinhas putas? Uma aeromoça jamais falaria isso.

- Ah, vai à merda.

Contar piadas é uma arte mas se você não tiver muito talento ou um interlocutor que te entenda, nem a beleza das "putas das batatinhas" vai ajudar muito:

- O cara entra num ônibus, né? Não, pera aí, não era ônibus, era avião. Bom, aí ele vira pra enfermeira lá, e pede uma dose de whisky com gelo.

- Enfermeira num avião?

- Enfermeira não, aeromoça, mas então, o cara xingava pra caralho, né? Aí rola um negócio lá e ele pede as putas das batatinhas.

- Cara, isso é uma piada, é uma história ou você está tendo um derrame?

4 Comentários:

moonique * postou 6 de junho de 2011 08:39

muito bom, como sempre ! rs

Tuka Siqueira postou 6 de junho de 2011 08:58

Conheço muita gente que não entende ironia. Eu não consigo conversar com alguém que não entende ironia.

Abraços

Gustavo Ca postou 6 de junho de 2011 09:03

Explicando a piada - quem nunca presenciou essa cena?

Senti muito esse desencontro quando saí da agência de propaganda onde trabalhei, a gente falava bobagem e ria o dia todo, sintonia total. Aí outros lugares não tem o mesmo ritmo, e o tipo de piada que dá certo numa turma não dá em outra, o pessoal não capta, não tá no embalo do mesmo humor, fora as piadas internas, que se vc deixa escapar em outro lugar vc fica com cara de besta.

Realmente fazer alguém rir é uma arte.

Caru postou 14 de junho de 2011 05:58

Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência rs...

 
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