Brasil: uma vergonha de dimensões continentais

Postado em 10 de fev de 2010 / Por Marcus Vinicius

Sempre que chega a época de eleição, fatalmente pensamos mais em política do que o normal, muito se fala sobre a degeneração moral e ética da qual sofre a nossa classe política e mais especificamente o Congresso Nacional. Nós, brasileiros, temos naquelas duas cumbucas que apontam em direções opostas a nata do que existe de pior no país.

É um poder totalmente desconectado com a realidade em que vive o "cidadão comum", o que não exime os demais da mesma desconexão, mas que agrava o sentimento de abandono que acomete o simples "eleitor" e "contribuinte".

Chamo o suposto cidadão de eleitos e contribuinte porque, a rigor, é isso o que um membro satanizada(e assaltada) classe média é: um voto e um bolso para sustentar a festa.
Ele é importunado na campanha eleitoral e depois cobrado e punido, caso resolva dar um jeito de descontar alguns dias dos 4 meses que trabalha para fornecer numerário ao seu "sócio preferencial", que é o governo.

Sonegar é crime, mas e quanto à sonegação de todos os direitos e serviços pelos quais o pobre do contribuinte paga? Tudo é pago em dobro: IPVA e pedágios, impostos e colégios particulares, planos de saúde. Tudo é fornecido abaixo da metade. Paga-se cada vez mais, por cada vez menos.

E aí o país assiste às "excelências" em Brasília subtraindo milhões, vivendo como sheiks do petróleo, encenando dia a dia um similacro de democracia, respeitabilidade, ética, moral, preocupação com a tal "coisa pública" que pelo menos em mim, causa vontade de vomitar.

Infelizmente toda essa ritualística democrática e aqueles procedimentos dos regimentos internos são apenas um teatro do cinismo, uma formalidade incômoda para o que realmente interessa ali, que é basicamente poder e dinheiro.

O Congresso Nacional, é reflexo do que existe de pior na sociedade brasileira.



Façamos nossa mea culpa e admitamos: somos uma sociedade corrupta e corrompida, forjada pela desesperança e pelo que se aprende diariamente com os exemplos que vem de cima. E somos uma sociedade apática, formada por pouquíssimas pessoas esclarecidas, porém desanimadas, já que tentar retirar do torpor idiotizado a grande maioria da população é tarefa inglória e de insucesso certeiro.

A maior parte do nosso povo, ignorante, idiotizado, bestializado, acostumado às agruras de sua vida como péssimas escolas, hospitais caóticos e assassinos, transporte coletivo digno de gado, esse povo acha que tudo isso é "a vida como ela é" e segue feliz ignorando que o que vive, não é vida, mas sobrevivência.
Dizem, resignados, que para "o povo" é assim mesmo, que a "vida é difícil" e, pior de todas as máximas do conformismo, que "o brasileiro é criativo e feliz apesar de tudo". Mentira, somos apáticos, malandros no pior sentido da palavra e a tal "criatividade" geralmente é usada para o que não presta.

Formamos então este país gigante, rico e pobre. Bonito e feio. Essa "miscigenação" do que existe de bom e de ruim em todos os grupos que formaram nossa sociedade. Somos esta união de corrupção, desolação, ignorância e apatia, que pára 4 dias por ano para comemorar sabe-se lá o que, e o resultado final é este poço de desigualdades e esta vergonha de dimensões continentais, que convencionou-se chamar de Brasil.

4 Comentários:

Ana Luh postou 10 de fevereiro de 2010 07:57

Utopia minha... ? Talvez, mas eu ainda acredito que com um pouco... tah, com muito esforço é possível mostrar ao "povo" brasileiro, que é possível mudar sim, nos desapegarmos desta merda “paternalista” e corrupta que é a política brasileira e diminuir quiçá a corrupção dos "nossos" direitos.
Educação, conscientização... Talvez devamos começar por aí... um pouco de otimismo não faz mal a ninguém, e a tal felicidade do povão... eu ainda acredito que é real, mesmo que gerada pelo conformismo!

Adoro seu blog... ;D

Solange postou 10 de fevereiro de 2010 08:17

A Ana Luh tem razão.A "educação" em todos os níveis que se possa usar é ainda a primeira chave para ao menos um pouco de mudanças.Mas essa mudança só acontece se vem da educação de casa,passa pela escola,e segue um caminho diferente do que vemos hoje,do dinheiro fácil...
Não podemos simplesmente nos entregar.
E,em ano de eleição,o teatro já está todo ensaiado à espera de nós...

Luiz Tegedor postou 10 de fevereiro de 2010 09:41

Vamos a luta aqui na internet! Esse texto é um sacode, mas faz parte de uma gama de informações / opniões que ficam na rede semeando.

Nem precisamos pegar em armas, nossos pais já nos armaram, temos titulos de eleitor com direito a voto e teclados para digtar textos como esse.

Parabéns Marcus

@gabrielagmelo postou 10 de fevereiro de 2010 12:29

"Seremos o reflexo daquelas 2 cumbucas q chamamos de Congresso?"

Acredito que ELAS sejam o reflexo do próprio povo brasileiro.
Aliás, elas são compostas de cidadãos brasileiros, portanto, nada mais óbvio. Não poderia ser diferente.
Se vivemos no "país do jeitinho", em que aquele que não leva vantagem quando pode é trouxa, bobo, mole, na opinião da maioria das pessoas, como vamos querer que o cidadão julgue com rigor a atitude dos membros do Congresso Nacional ou do Poder Executivo, se ele também agiria da mesma forma do seu lugar?
A corrupção tá entranhada na própria cultura brasileira, é um problema da nossa criação, da nossa educação, tá no caráter e na formação do povo, e é difícil de resolver.
Não adianta ficar culpando deputados e senadores, eles não vieram de fora, não foram educados em outros países pra nos roubar, não são seres alienígenas.
É como você disse, vivemos numa sociedade corrupta. E basta olhar pro lado que você encontra um cidadão pronto pra passar a perna em você na primeira oportunidade que aparecer - e ele nem ocupa um cargo público. Pode ser pobre ou rico.
Cada dia é mais difícil pra mim sentir pena do "cidadão comum" por causa disso. Ele faria tudo igual. E sempre que pode, sonega, fura fila, paga toco, pega vaga de deficiente e se der bobeira, fica com o celular que você esqueceu na mesa do restaurante.
Desculpa o azedume. Acho ótimo ainda ver gente engajada, mas eu sou meio descrente desse país.

 
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