Cotas? Divisões? Não, obrigado.

Postado em 30 de out de 2009 / Por Marcus Vinicius

Ando pensando aonde o mundo vai chegar daqui a alguns anos. Gerações inteiras lutaram contra as divisões que existiam entre as pessoas, sejam elas por sexo, cor da pele, religião, opção sexual, posição social.

Antigamente moças de família não se misturavam com malandros de morro, brancos só ouviam musica de branco, pretos não entravam em certos lugares, gays eram atirados nos chafarizes e viviam escondidos, católicos não se misturavam com judeus, meninos e meninas estudavam separados. Tudo era considerado muito normal, até que a sociedade cansada destas amarras começou a destruí-las uma a uma.

O tempo passou e um casamento interracial já não assustava, meninos e meninas estudavam juntos sem problemas, ricos e pobres relacionavam-se sem que isso fosse considerado uma aberração (OK, aqui nem tanto), gays podiam até assumir sua condição perante todos com certa tranquilidade. As barreiras caíram e a sociedade, noves fora a hipocrisia perene, ficou mais misturada no sentido estrito da coisa.

Mas eis que neste início de século XXI o processo se inverte. Como tudo na vida, seja a arte ou os costumes, a moda ou as próprias cidades, um ciclo dá lugar a outro, que dá lugar a outro, que termina dando lugar ao primeiro e tudo se repete.

Vemos universidades selecionando alunos pela cor da sua pele, vagões de metrô e trem exclusivos para mulheres, redutos gays sinalizados com bandeiras coloridas, governantes e movimentos ditos sociais jogando pobres contra ricos.

Tudo baseado no coitadismo e na noção de que o estado precisa dar uma "forcinha" para aqueles que considera menos capazes, o que na grande parte das vezes não passa de impostura e populismo barato.

Ainda acredito na livre iniciativa, nas oportunidades iguais e no esforço individual como motores de uma sociedade democrática. Tutela do estado só acontece em ditaduras, escrachadas ou disfarçadas.

Não sei, acho que daqui a alguns anos estaremos novamente vendo passeatas pela integração na sociedade, mulheres queimando sutiãs ou então gays sendo atirados em chafarizes, não duvido de mais nada.

O ser humano perde tempo demais desfazendo e refazendo velhos erros.

11 Comentários:

Renatha Pierini postou 30 de outubro de 2009 07:32

Pra ser sincera, acho que as divisões, sejam elas em quaisquer níveis, nunca deixaram de existir. A verdade é que o ser humano não consegue enxergar o outro como sendo "iguais". Achamos sempre que somos melhores ou piores e só por este fato nos dividimos... Bacana o post pois faz com que reflitamos nas diferenças impostas pelo mundo e nas indiferenças selecionadas por nós mesmos!

Larissa Santiago postou 30 de outubro de 2009 08:04

não há como negar que fazemos divisões, é do ser humano, mas queria aqui alertar para a questão das cotas: não há separação nesse sentido, o que há sim são medidas REPARATÓRIAS, já que negros foram sim tratados diferente de imigrantes brancos que aqui chegaram. Acho justo que
surjam medidas e discussões que gerem, por exemplo, melhoria da educação de base (discussão somente levantada depois da questão das cotas raciais e sociais).

É delicado e extenso falar disso , mas é importante refletir antes de fazer um comentário e generalizar.

Abraços

mvsmotta postou 30 de outubro de 2009 09:55

Larissa,

Eu acho que esse sistema de cotas como forma reparação é uma furada.Primeiro porque exclui brancos pobres e depois porque gera ressentimento na sociedade e agrava ainda mais o racismo.

Medida de inclusão, como você mesma citou, é ensino público de qualidade, o problema é que custa caro e dá mais trabalho e nossos governantes gostam é de uma gambiarra.

Obrigado pela participação!

Viver é melhor que sonhar! postou 30 de outubro de 2009 09:57

"Preto" é racismo, cite "Negro"

Cotas é péssimo, o pior mesmo são as pessoas que são favorecidas acharem que merecem... e a ideia de que somos todos inguais?

Alexandre Lucas postou 30 de outubro de 2009 10:01

Assino embaixo.

mvsmotta postou 30 de outubro de 2009 10:04

Nathalia(Viver),

Eu só chamo de negro se me chamarem de claro. Enquanto eu for branco, será preto mesmo, que são apenas cores afinal e não me incomodam. ;)

Marcus

Renata Braga postou 30 de outubro de 2009 11:51

Ótimo post.Sistema de cotas como reparação? Não concordo.Isso não seria uma discriminação aos negros ricos? Ou eles são apenas invenção da carochinha?
Se tivermos que acertar contas, teremos que incluir cotas para o negro, indio, nordestino,para as filhas das prostitutas que vieram de portugal,para os japoneses plantadores arroz, para os italianos que ajudaram no sul e pra mim, que pego onibus lotado todos os dias, mesmo pagando impostos.
Melhoria no ensino público seria a solução, para todos.

Solange Baumer postou 30 de outubro de 2009 12:20

Também acho que cotas são sinônimo de separação,não de oportunidade.Afinal,pra que serve o vestibular então?Não é por ele que se escolhe quem entra?
O que acho o cúmulo,é quem tem condição financeira,se meter em Universidade pública só pra economizar algum.
Mas no caso das cotas,fica parecendo que pode até se dar mal no vestibular,mas entra pra preencher as vagas.
Discriminação invertida.
preconceito é questão de educação.Aprende-se em casa...
Quando aprendemos a conviver com as pessoas pelo caráter,pelo olho no olho,deixamos pra lá essa bobagem de cor,religião e outras paranóias...

sexyhelpdesk.net postou 30 de outubro de 2009 12:25

As pessoas têm a tendência de separar... vamos aprender a juntar. O Brasil é assim.. nós juntamos e não segregamos! Abraço do SHD!

Denny postou 30 de outubro de 2009 12:30

Querido, concordo em gênero, número e grau.

Lutou-se tanto por tantas coisas que, na verdade, acho que estamos chegando (há casos em que já se chegou lá) ao ponto do preconceito mudar de lado.

Antes havia o preconceito contra os pobres. Agora contra os ricos.

Antes ser gay era um absurdo. Hoje não ser está se tornando um problema.

Ser negro era ser marginalizado. Hoje ser branco te torna quase automaticamente um Zé Roela.

Meninas virgens antigamente eram disputadas. Hoje estão sendo inacreditadas, pois que que ainda são, têm vergonha de dizer. E se disserem ninguém vai acreditar mesmo.

Então, eu acho ridículo esse negócio de cotas. É como se os negros/pardos/seja lá o que forem assinassem atestado de debilidade mental e incapacidade intelectual.

Cotas que fossem para alunos de escolas públicas ou de baixa renda MAS COM BOAS NOTAS ainda vá lá.

Esse Brasil a cada dia mais favorece os extremos. E nós, que ficamos no "meio" ficamos só de plantéia.


Bjão, excelente texto.

Elaine postou 30 de outubro de 2009 14:35

Cotas como reparação não faz sentido pra mim. São os brancos de hj que escravizam os negros de hj? Não. Então a justificativa não deve ser reparação pela escravidão.
O problema é pobreza e ensino básico ruim, que atinge brancos pobres e negros pobres.
As cotas são mais uma maneira de tutelar cidadãos e dar mais direitos a uns do que a outros.
Pra mim, isso também é discriminação.

 
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