A turma da MTV ou a melhor banda de todos os tempos da ultima semana

Postado em 28 de out de 2009 / Por Marcus Vinicius

Uma vez uma amiga me perguntou se eu ia um festival de rock cheio de novidades em São Paulo.
Não poderia dizer que sim, visto que fui apresentado a tal evendo no exato momento da pergunta dela. Daí ela me disse que o festival seria imperdível, pois tocariam nele o Metric e o Fujiya&Myagi.

Precisei confessar então que estava sendo apresentado a estes artistas naquele exato momento, à exceção do Myagi que até então para mim era apenas o velhinho japonês do filme Karatê Kid.

Só que isso tudo me fez repensar algo que já assaltava meus ócios frequentemente: o fenêmeno do "ídolo miojo", aquele que leva 3 minutos para ser feito e mais ou menos um dia para ser levado pela descarga.

Sim, o ídolo miojo existe e é muito mais preocupante do que a "celebridade instantanea" pois, ao contrário desta última, geralmente é levado mais a sério.

Quantos TIMs Festival já não se passaram sem que eu fosse taxado por alguns amigos de alienígena por não estar interessado nos shows de bandas com um único CD lançado, com um ou dois "sucessos" e que a gente não faz idéia se durará até o próximo inverno.

Nada contra estes artistas, alguns até muito bons, mas um ou dois discos de qualidade não justificam essa histeria e idolatria toda.

São cultuados hoje e substituidos no ano que vem por algum outro artista eloquente, estiloso, prodigioso, virtuose ou tudo isso ao mesmo tempo e às vezes nada disso. Alguns, como o Arcade Fire e os Yeah Yeah Yeahs,por exemplo, até passaram a figurar no meu aparelho de som, mas sempre no seu devido lugar: musica boa e só.

Ainda sou do tempo em que cultuávamos os Smiths, o U2, o Cure, Eric Clapton, Stones ou mesmo o Dire Straits. Artistas com carreiras longevas e discografias quilométricas.

Óbvio que eles iniciaram suas carreiras como bons músicos com um ou dois álbuns lançados, mas até então eram tratados apenas como isso, a adoração veio bem depois.

Daí fico nesse dilema entre ser considerado chato, desinformado e pseudo-blasé ou começar a ter faniquitos quando algum inglês com franja estilosa vier aqui mostrar seus experimentos musicais. Fazer o que? São intempéries de quem já viveu um pouquinho.

Em todo caso, prefiro continuar assim e não me impressionar demais com tudo o que aparece, até mesmo porque preciso guardar minha energia e minha idolatria para os meus ícones de verdade. Imagina, se eu tiver algum desmaio de emoção por causa dos Arctic Monkeys o que terei que fazer se um dia for a outro show do Morrissey e quiser colocar tudo numa escala adequada!? Nem pensar!

Quanto às novidades, bem, por enquanto prefiro considerar apenas como isso mesmo: novidades. Quando e se virarem gente grande, justificarão essas reverências também.

15 Comentários:

Richard postou 28 de outubro de 2009 07:18

Concordo contigo na questão da idolatria. Parece que as pessoas ficam esperando um novo ícone, um novo ídolo. Mas as coisas não funcionam assim, por isso que existem bandas "miojos" como você falou.
Mas também tem a questão da surpresa, sou muito antiquado nesse quesito NOVO, prefiro os antigos e renomados, mas temos que estar com a cabeça aberta para os novos e quem sabe não tiramos boas surpresas disso?

Anja Lopes postou 28 de outubro de 2009 07:20

Haha, vim toda contente comentar,
"Esta é a sua Verdade" me intimidou ! rs
Adorei o Post, Realmente seria desvalorizar quem realmente merece nossos 'faniquitos' sair por ai idolatrando a todos.
Claro que, o direito de 'ouvir qualquer coisa'.
Adorei o termo 'banda miojo'.
Bjos

mvsmotta postou 28 de outubro de 2009 07:20

Richard,

Eu penso assim como você, fico aberto às novidades (tanto que os Killers e o Muse estão na minha atual galeria de notáveis), mas é como disse: um pezinho atrás é sempre bom, até mesmo pra não perdermos a perspectiva.

Um abraço!

Tigresa postou 28 de outubro de 2009 07:28

Adorei esta frase:

Fazer o que? São intempéries de quem já viveu um pouquinho.

Maisa

@TigerGirlSP

Anônimo postou 28 de outubro de 2009 07:29

Muito bom esse Post.
Também escuto coisas novas, porém acho que nenhuma banda nova traz de volta o sentimento que as antigas nos traze.Sabe, tipo aquela música que você escuta que até arrepia de tão foda que é?!

borboletapsicodelica postou 28 de outubro de 2009 07:30

Fico feliz em não ser a unica "ET". Poucas bandas/cantores espero com fervos, até porque poucos acredito valer a pena. Sem desmerecer os demais, claro! Só me foge a compreenção essa idolatria incendiária.

Linamarina postou 28 de outubro de 2009 07:32

Penso que atualmente a cultura é ir pela superfície, pra ir mais rápido. Como gosto de detalhes e profundidade vou mais devagar e mais fundo. Sou mais feliz assim. E observo eles em outra velocidade, talvez um dia eu entenda onde vão com essa pressa toda. Ou não. Às vezes até me cansa, tomara que cheguem em algum lugar bom. Eu gosto mais é de aproveitar a viagem. Questão de tempo...

mvsmotta postou 28 de outubro de 2009 07:32

Borboleta e anônimo(rs),

Músicas inesquecíveis são aquelas que nos levam a lugares e situações que vivenciamos ouvindo-as.

Toda boa música precisa de um tempinho de maturação até se tornar inesquecível!

no hits postou 28 de outubro de 2009 09:26

The Smiths, infelizmaente nunca mais, U2 (pra mim acabou no unforgettable fire), The Cure, não faz um bom disco há muito tempo, mesmo assim ainda é bom pacas, Eric Clapton, Stones e Dire Straits não frequentam minhas caixas de som, mas respeito a história de cada um.

Artistas novos e com qualidade existem sim e não são poucos.

Também não gosto desse frenesi gratuito, mas te garanto que perdeu muitos bons shows, nos TIMs e outros festivais da vida.

Beijos e abraços!

PS: Faith No More vem ai...

cheguei demasiado TARDE postou 28 de outubro de 2009 10:28

Pois é... confundem a própria história com as bandas e os moentos vivídos. Uma pena. Alguém ai já viu mickey gang? ou mesmo no Festival de nome "Omelete Marginal"? Então, novidades há e eu, particularmente, procuro me informar de todas, como quando frequentava os palcos do Colégio Equipe em Sampa. Agora, se vou gostar ou não... são outros quinhentos. Enquanto o espírito estiver aberto, há vida. Abs e parabéns pela reflexão deveras lúcida

Solange Baumer postou 28 de outubro de 2009 11:18

Deixe-me correr o risco de ser apedrejada.Digamos que essas bandas,grupos e outros "algo mais",seríam os Menudos de hoje.Quem éra adolescente nos anos 80 lembra bem.Zizilhão de gente se acotovelando.Adolescentes doidonas.Eu também éra adolescente,mas acho que sempre fui mais controlada (só nesse caso).
Mas realmente não dá pra comparar os nomes que se mantém até hoje,com os "miojos da vida".Em Itajaí tem um programa chamado Gold Songs.O nome já diz.Só toca coisa boa.A gente percebe o tipo de shows que faziam,o tipo de Clip cheio de idéias,e hoje parece tudo um Fastfood.Ouço os novos,mas prefiro os velhos...

Bruno Manzaro postou 28 de outubro de 2009 11:43

A compulsão por bandas ou alguma coisa nova deve-se a síndrome do modismo que a adolescência sofre hoje.
É comum vc ouvir os jovens dizerem: “eu gostava dessa banda, mas hoje não gosto mais, virou modinha.”. Quer dizer, a banda só é boa se for desconhecida ? Na verdade não é isso, o jovem gosta de ser diferente, “descolado”, então ele precisa conhecer o novo para se sentir interessante.

Quando a banda ganha um determinado número de fãs e começa a aparecer em programas de TV, abundância de blogs sobre a msm, ela é automaticamente considerada uma banda da moda.O preconceito com a palavra moda deve-se ao entendimento de que a pessoa é sem personalidade, Maria vai com as outras. Convenhamos ninguém quer esse rotulo.

Por isso a procura pelo novo se intensifica cada dia mais, mas assim mesmo acredito que ainda podemos ter novos ídolos e deixar um pouco o passado de lado.

Danielle postou 28 de outubro de 2009 11:49

Não me considero alguém qe entenda de musica. Afinal minha banda preferida é Oasis e a maioria das pessoas nao suporta ouvir falar nos Gallaghers. [adoro eles hahah].
Mas me sinto MUITO bem em saber que eu nao tolero essas bandas que andam ganhando premios por ai, como cine e fresno. Só Deus sabe pq as pessoas ouvem essas bandas.
Acredito que 98% dos meus amigos "ATOOORAN" a britney e vao em shows de bandas 'super legais e underground', enquanto eu adoro ouvir oasis, the cure, the clash, bee gees .. *---*

As vezes eu fico pensando se eu tambem sou louca por nao gostar de bandas novas e quase nao conhecer nenhuma banda brasileira, mas eu nao consigo gostar MESMO, ja tentei, mas nao da pra ouvir nenhuma musica dessas bandas novas.
O novo CD do arctic monkeys foi um tedio pra mim, mas eu até qe gostava do anterior.
Uma banda "nova" qe eu to curtindo muuuito ultimamente eh 'kasabian'. Conheci ela atraves do Noel Gallagher. Pra ele elogiar alguma coisa qe nao seja beatles, tem qe ser no minimo 'boa'. hahahaha

ANYWAY, concordo com vc: "Em todo caso, prefiro continuar assim e não me impressionar demais com tudo o que aparece"

otimo post :)

alexisvaz postou 28 de outubro de 2009 14:35

Por isso deixei de ficar aficionado com a ideia de procurar o novo, o que ta rolando, claro que tem algumas bandas que procuro mas não com a mesma frequencia de uma aguia em busca da sua vitima!

Passei mesmo a ouvir o que me fez gostar de musica, o bom e velho som do The Doors!

naosenhor postou 29 de outubro de 2009 12:28

Você está mais do que correto em adotar essa postura.

O problema é que existe uma indústria que não pode esperar a ordem natural das coisas, como era antigamente.

Paciência, o negócio é não entrar na onda deles...

 
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