Night dos cariocas, balada dos paulistas: mas qual é a boa mesmo?

Postado em 29 de out de 2009 / Por Marcus Vinicius

Nelson Rodrigues dizia que a boate é "o local de convivência impossível, do tédio obrigatório, da incomunicabilidade brutal". Completava ainda o nosso Anjo Pornográfico que ali, "somos todos cegos, surdos e mudos, uns para os outros".

Discordo do mestre Nelson só no quesito "tédio", não sei bem como era na época dele, mas conheci boates que tinham de tudo, menos tédio caso você soubesse calibrar seu nível alcoólico de maneira adequada.

Aí é que entra a minha concordância com o o resto do pensamento: pra curtir boate, pelo menos pra mim, só estando bêbado.

Quando penso em noitada, me vem à mente a boate que mais me marcou e na qual eu praticamente morei, de sexta à sábado, durante bons anos: a Bunker.

Era maravilhoso esperar por aqueles finais de semana à noite, quando via de tudo, e fazia e participava de quase tudo, sem no entanto conhecer direito ninguém e nem me preocupar em ouvir muito do que elas tinham a dizer.

Mas não é sobre minhas reminiscências da Bunker que quero falar hoje, o farei em data oportuna.

O assunto hoje é essa certa anti-sociabilidade das boates. Por mais paradoxal que possa ser, um local destinado a curtir com os amigos, ver e ser visto, conhecer pessoas, é também o ambiente mais inóspito que conheço para desenvolvermos uma boa conversa e relaxarmos, premissas básicas na minha opinião para uma interação satisfatória.

Todo mundo que me lê e tenha uma vida minimamente normal, já foi a alguma boate pelo menos uma vez na vida e tentou "conversar" lá dentro, não é?

É aquela coisa "Oi, tudo bem?", "O que?????", "Tava te olhando dali, te achei uma gata!", "Hein? Minha amiga é uma vaca? Porque você tá dizendo isso, seu escroto?".

Exageros a parte, é quase impossível conversar decentemente ali dentro. Mas se fosse só o isso...
Em São Paulo parece que a Lei Anti-fumo "pegou", mas antes do advento dela lá e no resto do Brasil ainda, passar a noite numa boate é garantia de sair dali tendo fumado passivamente uns 10 cigarros e com até as roupas de baixo defumadas por tanta fumaça.

Além disso tudo, tem o escuro, o que junto com o teor alcoólico pode contribuir para termos surpresas desagradáveis no dia seguinte.

O fato é: boate é excelente pra quem está afim de "fritar" por aí ou realmente se jogar na pista, pro resto todo é mesmo um "local de convivência impossível", cheio de fumaça, música alta, escuro, quente e acelerado demais se a sua for só "jogar uma conversa fora" ou mesmo "conhecer alguém" de verdade.

Porque pra curtir boate, é melhor não se importar em ouvir e ser ouvido e principalmente: não esquecer de abastecer seu tanque com algumas doses antes.

2 Comentários:

Solange Baumer postou 29 de outubro de 2009 09:14

Embora alguns fumantes ainda possam estar fulos da vida com a lei (que deveria ser nacional),não há 1 não fumante sequer que não esteja feliz.Sair de casa cheirosinho(a) pra balada e encontrar alguém especial...Tudo de bom.
Mas quando o negócio é converssa no pé do ouvido,nada como um lugar mais aconchegante.
Ah!Minha adolescência...
Dançava feito uma doida,depois encontrava alguém pra "descansar",e ía pra área mais calma da boate.Ali dava pra converssar legal.
Hoje nem posso dizer como está,afinal,lá se vão 20 anos sem curtir.
Mas quem sai...tem mais é que aproveitar!

Danilo B. postou 29 de outubro de 2009 11:48

Por uma feliz coincidência, agora pouco descobri que a expressão "jogar conversa fora" foi inventada por causa de uma lixeira que contava uma piada toda vez que vc jogava lixo nela.

Não sei como vivi 29 anos da minha vida sem saber disso.

 
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