Cale-se! É para o seu bem.

Postado em 13 de abr de 2011 / Por Marcus Vinicius

"De todas as tiranias, uma tirania sinceramente exercida para o bem de suas vítimas pode ser a mais opressiva. Pode ser melhor viver sob barões ladrões do que sob moralistas onipotentes. A crueldade do barão ladrão pode às vezes adormecer, sua cupidez pode em algum ponto ser saciada; mas aqueles que nos atormentam para nosso próprio bem nos atormentarão sem cessar, pois eles o fazem com a aprovação de sua própria consciência." (C.S.Lewis)

Vivemos em tempos muito estranhos. A idéia de um mundo globalizado e sem fronteiras terminou por produzir uma sociedade com fixação em homogeneidade.

É feio pensar diferente, é feio achar qualquer coisa que o "resto" das pessoas não ache. Isso já seria um problema caso a coação ao antagônico fosse apenas a boa e velha pressão social difusa, só que o buraco é mais embaixo, porque em países com menos tradição democrática como o Brasil, corre-se logo para criminalizar tudo o que destoar do que é considerado "bom".

Nossa sociedade vem sendo bombardeada ultimamente com dois dos assuntos mais caros à tropa do "bem" - essa gente boazinha que procura livrar a sociedade de uma perigosa liberdade que seja muito incômoda - que são a luta pelo desarmamento e contra a tal "homofobia".

Essas duas bandeiras são muito boas para demonstrar como o monopólio do "bem" e da "diversidade" pode ser tão perigoso quanto tanques, fuzis, coturnos e censores, afinal, se eles são "bons" e só querem o "bem", aquele que pensa diferente só pode ser, por associação, o "ruim", que quer o "mal".

Dessa forma, retira-se do outro até mesmo o direito de contra-argumentar.

Ninguém normal acha que todo mundo deva andar armado por aí dando tiros em quem bem entender. Ninguém com a mente equilibrada pensa que um homossexual deva levar uma surra só porque gosta de se relacionar com outro homem. 

Mas muita gente boa (e normal) acha que um cidadão que cumpra certas exigências e seja objeto de fiscalização por parte do governo pode possuir armas, e também que homossexualismo não é algo que esteja de acordo com a sua idéia de "viver bem".

Tudo isso seria muito normal num ambiente democrático, mas o Brasil padronizado pelo esquerdopatismo não funciona assim. Você precisa pensar igual ou pelo menos repetir que pensa igual (ainda que, internamente, não concorde), caso contrário será alvo de perseguição e, quem sabe, até de projetos de lei.

Pergunte a qualquer pessoa que conviva num ambiente universitário o que acontece se alguém defender ali idéias conservadoras, que o pessoal do "bem" chama de reacionárias. Será alvo de deboche, escárnio, indiferença e, finalmente, de ofensas. O sujeito pode até pensar aquilo, desde que não diga nada.

Criamos uma nova espécie de "armário", o ideológico. E ai de quem sair desse armário.

Se alguém acha que gays têm direitos como todo cidadão, mas não acha "bonito" ser gay, é homofóbico.

Se alguém acha que um eventual desarmamento só desarmaria gente que normalmente não comete crimes, deixando armada apenas a bandidagem - que é abastecida com armas que passam pela fronteira negligenciada pela Polícia Federal e pelas Forças Armadas - com certeza é um maníaco a favor do "assassinato de inocentes".


Qualquer um pode discordar da opinião dos outros, pode considerá-la perversa, degradante, errada, equivocada, mas ninguém tem o direito de cercear a liberdade desta pessoa emiti-la apenas em nome de um conforto social, de um higienismo intelectual.

Se alguém diz que não gosta de gays, que não gosta de negros, que é a favor do porte legal de armas ou que apóia uma missão terrestre de invasão à Marte, sua idéia será filtrada naturalmente no campo do que é plausível, aceitável e digno de atenção e, se for o caso, o ostracismo será seu destino.

É uma seleção natural de idéias, onde tudo aquilo que for tosco, será relegado a um gueto minoritário, que nem por isso deixará de ter o direito de existir e dizer o que pensa. Isto é o que se chama liberdade e não o direito de um grupo (majoritário ou não) de só ouvir o que gosta.

Se um sujeito destes agredir um homossexual, injuriar um negro, atirar em alguém ou se amarrar num foguete para tentar chegar à Marte, as leis irão ao seu encontro, levando-o a pagar multas, ser preso ou então a se esborrachar no chão, já que a gravidade também é uma lei.

Em 2005 o Brasil realizou uma votação onde mais de 60% dos votantes achou que não era uma boa idéia proibir o comércio de armas no país. Hoje, menos de 10 anos depois, tenta-se realizar nova votação.

A idéia parece ser perguntar ao povo a mesma coisa até que ele finalmente diga o que eles querem ouvir. Hugo Chávez tem experiência nisso, os petralhas e a turma do "bem" parecem ter aprendido com ele.

O que não entendo é que, já que a população é tão sábia, porque não submeter à ela opções sobre a reforma política, reforma tributária, novo Código Penal, maioridade penal, descriminalização do aborto, entre outros temas?

Porque não criamos um plebiscito revogatório no meio de todos os mandatos, onde os eleitores poderiam decidir se o indivídio encastelado no poder teria direito à outra metade do mandato ou se seria mandado sumariamente para casa?

Simples: porque essa gente só gosta de ouvir o que quer e só aprecia a democracia e a liberdade enquanto podem controlá-las. Por isso a ânsia por leis que criminalizem a opinião está tão na moda no Brasil.

Um sujeitinho que representa bem esta linha de pensamento é o presidente da UBES (Uma associação de estudantes secundaristas), Yann Evanovick, que disse a seguinte pérola:

- "Não dá pra se falar o que quer, algumas opiniões são crimes".

Isto mesmo, segundo esta mente brilhante - e que não está sozinha nesse pântano que é o campo das idéias no Brasil - a opinião deve ser rebaixada ao mesmo nível de um assassinato, de um estupro, de um estelionato, de corrupção (tipo a dos mensaleiros do PT, que a mesma UBES ignora a existência). Já não lhes basta aparelhar o estado, querem agora a nossa mente.

Uma opinião é incômoda? Proíba-se a opinião! Um louco sai por aí atirando nas pessoas? Proíba-se as armas!

Nessa levada, qualquer dia a sua liberdade se restringirá a decidir qual sabor de sorvete você prefere (desde que não tenha gordura trans, é claro) e facas, chaves de fenda, martelos, alcool e fósforos, tesouras e até bicicletas terão sua comercialização proibida, já que a rigor qualquer coisa pode ser usada para ferir e matar outra pessoa.

No final disso tudo, só quem morre mesmo é a liberdade.

4 Comentários:

Robson postou 13 de abril de 2011 11:23

caraca...massa
o que estão tentando de fato é fazer isso "nos calar", tirar toda nossa liberdade de expressar o que pensamos ...

Secret men postou 13 de abril de 2011 16:24

estou sem ar aplaudo seu texto de pé. Está incrivel e muito bem redigido acredito em tudo que vc fala (Não se preocupe eu tenho mente propria) e acho realmente que estão aos poucos cercando nossa liberdade, colocando limites nos nossos infinitos, meu parabéns e força BRAZIL...

Luiz Fernando postou 14 de abril de 2011 07:45

Eu vou mais longe e digo que a patrulha ideológica já passou dessa fase de perseguir as pessoas pela opinião delas. Isso é coisa do passado.

O debate de liberdades e direitos individuais no Brasil anda nivelado tão por baixo que hoje você é perseguido não pelo que diz ou pensa e sim pelo que os patrulheiros acham que você disse ou pensa.

Se algum militante achar que esse seu texto é racista ou homofóbico ele não pensará duas vezes antes de lhe apontar o dedo e começar a gritaria... E você que se vire pra provar que não é nem uma coisa nem outra.

Vivemos em tempos estranhos, e a tendência é piorar.

Anônimo postou 14 de abril de 2011 11:22

Excelente texto! E essa idéia de mandar o político pro paredão no meio do mandato é ótima, hehehehe.

Isabel

 
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