Gosto é que nem bunda, mas não é por isso que você precisa me mostrar a sua

Postado em 19 de ago de 2011 / Por Marcus Vinicius

Dizem que gosto é que nem bunda, cada um tem a sua, acho isso sensacional, principalmente se você pensar que existem bundas bonitas e bundas horrorosas, sendo assim, certos gostos são a bunda da Jennifer Lopez, outros gostos são, no máximo, uma bunda de urso.

Por isso que eu acho engraçado quando alguém vem me chamar para algum programa, dizendo coisas que supostamente deveriam me fazer ficar afim de ir junto, mas na realidade têm efeito contrário. Por exemplo, quando me convidam para uma deliciosa sequência de camarões. Camarões graúdos, assados, cozidos, fritos, com Nutella, só que tem um pequeno detalhe: sou alérgico aos tais crustáceos, só aceitaria um convite desses se viesse junto com uma caixa de Polaramine.

Mas esse caso é até desculpável, afinal ninguém precisa ter a ficha médica dos amigos e até a recusa ao convite é simples, basta dizer "tenho alergia a camarão, mas fica pra próxima".

Muito pior são aqueles convites para um monólogo teatral "maravilhoso e denso", para maratonas de filmes conceituais ou qualquer outro programa furado que invariavelmente geram situações curiosas:

- Bora sair na sexta? Conheço um bar muito bom.

- Vamos sim, tava afim de fazer alguma coisa mesmo.

- Demorou! Lá é bonzão, depois das 10 da noite rola funk até de manhã...

- Putz, cara, esqueci, minha tia-avó vai morrer amanhã, não vai dar pra ir...fica pra próxima.

Fatalmente gente que faz isso (assim como eu faço) acaba visto como chato, exigente, reclamão, mas qual a alternativa? Rebolar até o chão? Passar a noite cantando versinhos como "vou dar uma pressão nesse seu rabão"? Por isso tenho medo de convites, porque é uma arte recusá-los.


- Amanhã minha banda toca na Lapa, não quero saber de desculpas, vejo você lá.

- Ah é? Você tem uma banda?

- Tenho sim, a gente faz um fusion de axé, funk, baião, samba e maracatu, tudo tocado em latas de tinta, você precisa ver, é o maior barato.

Como alguém se livra de uma dessas sem precisar recorrer à uma caixa de Valium ou cianureto?

"Funk neurótico"?

- Pô, cara, vou sim, vai lá que eu já tô indo atrás.

"Delicioso mocotó na laje"?

- Não sai daí não que eu tô chegando.

Porque não tem jeito, pra mim não existe coisa como micareta legal, sambinha excelente, rodinha de violão divertida e nem pagode maravilhoso. São palavras que não casam, que são tão indigestos quanto caldeirada de Siri com Toddy ou maratona de cinema checheno.

Pena que dizer "tenho alergia a Parangolé, mas fica pra próxima" não cola muito, apesar de nem ser tão distante da realidade.

2 Comentários:

Anônimo postou 19 de agosto de 2011 14:43

Hahaha... Outro dia fui convidada para o q eu considero o pior convite de todos (Digo outro dia, pq vou citar o do dia q eu consegui responder dentre muitos convites do tipo).
Voltava eu de uma palestra na Ramatis em um ônibus lotado quando encontrei a filha de uma senhora amiga da minha avó...
Papo vai, papo vem... Ela: nossa AMIGA (amiga?), estava querendo te chamar para um "evento" lá na minha igreja, a batista conhece? Lá tem um espaço maravilhoso para as crianças brincarem, vc vai adorar!
Para tudo! De onde ela tirou q eu vou adorar?
Continuando... Eu: Poxa querida, eu sou espirita, vc conhece a Ramatis? e bla bla bla bla bla... Pq vingança é um prato q se come frio... :)
Roberta Ricchezza

Anônimo postou 23 de agosto de 2011 22:46

Ah Marcus, vc nao muda mesmo, o reclamão e implicante de sempre...rs Beijos alguem do passado.

 
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