Como ser VIP sem ser VIP

Postado em 9 de set de 2011 / Por Marcus Vinicius

Todo mundo sabe que vivemos numa sociedade que se baseia na aparência, mas calma, não precisa parar de ler agora já imaginando que esse será mais uma defesa xarope sobre a necessidade de "valorizarmos o eu interior". Esqueça, eu posso ser cretino mas não tanto.

O fato é que nos importamos com aparência sim e a única coisa que muda são os parâmetros e os conceitos sobre uma "boa aparência". Se antes a sociedade prezava fartos bigodes e seios, hoje nos matamos nas academias como hamsters naquelas esteiras para ostentarmos a maior magreza ou o maior bíceps possível.

Imagino um dia, no futuro, os nossos tataranetos intrigados sobre como podíamos apreciar mulheres com as costas de um estivador ou homens que se depilam. Mas tudo bem, até lá eles provavelmente sentirão tesão por antenas ou coisa parecida.

E como gostamos muito mais do que algo se parece do que aquilo que é na realidade, é fácil usar esse tipo de coisa a nosso favor.

A avó de uma amiga minha tinha a maior pinta de importante. Sério, você batia o olho na velha e pensava que era uma prima da rainha Elizabeth ou pelo menos uma baronesa. Só que como não temos nobreza no Brasil, ela - esperta como boa brasileira - colocou um adesivo do Tribunal de Justiça no carro e quando passava numa blitz dizia pra quem estivesse na direção avisar que "a juíza estava com pressa".

Nunca foi parada em uma blitz sequer. Por via das dúvidas os PMs deixavam a "juíza" passar.

Faça um teste se quiser (não dizendo que é juíza, é claro) mas, por exemplo, chegar bem vestido num lugar "fechado para convidados" e entrar sem perguntar nada a ninguém. É grande a chance de não te pararem para dizer nada, afinal, só quem é muito importante chega sem precisar ser anunciado.


A maior prova disso acontece no ambiente de trabalho. Será que o CEO da Coca-Cola ou o COO ou CFDPPQP (sei lá quantas siglas dessas existem) de uma grande multinacional precisa usar crachá? Ora, só quem precisa ser identificado é você, que é um Zé Ninguém. Essa gente chega perto e as portas se abrem sem nem precisar dizer "abre-te sésamo".

É capaz de você ainda terminar dando entrevista no Programa do Amaury.

Fotógrafos também entram em quase tudo que é lugar. Basta um colete e uma máquina com aparência de profissional que ninguém vai saber se você é do New York Times, do Globo ou só um maluco de câmera e colete. Você corre sério risco de te colocarem pra dentro, a menos que seja um casamento de celebridades, aí você talvez leve uma surra dos seguranças especializados em amaciar carne de paparazzi.

Outra coisa que funciona é dizer que "está com a banda". Você chega numa boate ou casa de shows, vai pra entrada dos fundos, faz cara de tédio e pressa e diz:

- Oi, eu estou com a banda.

Só tome cuidado de antes ver qual a programação do dia, pra não ouvir algo como:

- Você tem certeza de que faz parte do coral de freiras?

3 Comentários:

TT JOe postou 10 de setembro de 2011 09:44

Comigo não funciona... Eu tenho aquela cara de "você parece com um cara que conheço" ai as pessoas reparam demais... Quem manda ser gordo?

Thaise-Joinville-SC postou 10 de setembro de 2011 11:24

infelizmente é verdade,aparência no Brasil fala mais que tudo...já tivemos um presidente q pregava ser analfabeto e concorreu inumeras x a presidencia passando a imagem de operário e nao deu em nada,só bastou posarem uma terno ao lado do vice Alencar e olha no que deu...mas não é só no Brasil,não podemos esquecer dos penetras na festa do Obama...

(me segue no twitter!!! sempre RT seus coments. pq são d+ @thaapadilha)

Gustavo Ca postou 11 de setembro de 2011 09:04

Pior que é verdade, tem gente que tem cara de rico. Se não tem a conta bancária, pelo menos a cara.

 
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