Até quem não deita na cama também faz a fama

Postado em 30 de set de 2011 / Por Marcus Vinicius

Todo mundo tem sua fama.

Lutamos contra elas ou não, isso não importa, porque as pessoas vão continuar nos atribuindo características de acordo com a visão que têm de nós.

Mas de todas as reputações, as que me causam mais estranheza e curiosidade são as famas de "puta" e a de "come quieto", principalmente por serem inversamente proporcionais no sentido de sua manutenção.

Tome como exemplo uma garota que possua todas as características da popular "galinha". Fica com qualquer um, corneia o namorado com o irmão de 16 anos dele, bebe às custas de trouxas na balada, vai pra um batizado usando uma mini-saia de vinil e salto plataforma, enfim, se houvesse um check-list de elementos que identifiquem uma galinha, ela teria mais ítens conferidos do que um Boeing pronto para decolar rumo à Tóquio.

No entanto se você conversar com ela, vai pensar que é mais santa do que a sua avó.

Não gosta de falta de respeito, só sai pra dançar, nunca pegou o moleque de 16 anos (isso é fofoca da puta da ex-namorada do namorado dela) e acha a sociedade muito hipócrita por julgá-la baseada nas suas roupas (ainda que ela esteja te dizendo tudo isso nua, no motel, depois de cornear o namorado contigo).

Ela tem a fama, mas faz de tudo para negar.

Já o come quieto é diferente. Tive um amigo assim. Diferente da galinha, que deseja realmente que você acredite que ela não é galinha, ele também nega que coma alguém, que tenha ido para uma festa de arromba, que pegou a namorada do irmão mais velho quando tinha apenas 16 anos e, claro, rechaça veementemente a história que conta que ele pegou a professora de português boazuda na oitava série.

Nega tudo jurando sobre a Bíblia, a Torá e o Alcorão empilhados, mas no final dá um piscadinha pra você.


E aí é que está a diferença: ele nega, mas quer que você pense o contrário. Ele gosta da fama, ele quer a fama, mas sabe que no exato momento em que resolver abraçá-la, os outros vão começar a se questionar: "pera aí, será que esse prego fez tudo isso mesmo?".

Se ele fica quieto, ou melhor, se chega ao ponto de negar, o que todos pensarão? "Ah, o safado quer esconder o jogo".

E o amigo que mencionei acima era exatamente assim. Ele agia da seguinte maneira: comprava dois ingressos para algum lançamento do cinema, escolhia uma garota da turma e chamava pra ir com ele, dizendo que ganhou numa promoção. Se a garota aceitasse, ele chegava pra alguém e dizia:

- Vou no cinema com a Fulaninha hoje...

Era fatal a curiosidade:

- Vai pegar?

- Nada, só vou ver filme, comer pipoca e voltar pra casa...

Claro que a pessoa que ouvia pensava "vão pro motel transar com algemas e chantilly a tarde inteira".

No dia seguinte ele voltava à carga:

- Foi maneiro o filme ontem...

- Ah, vai dizer que você viu mesmo o filme? Duvido, deve ter dado uns amassos nela...

- Eu não faço nada, eu sou um otário, eu não pego ninguém.

E parecia óbvio que se ele mesmo estava dizendo isso é porque alguma coisa tinha acontecido e assim a fama se alimentava eternamente.

E como ninguém ia lá perguntar pra guria o que tinha rolado, até porque não tinha o que perguntar já que o cara mesmo disse que não tinha feito nada, todo mundo pensava "esse aí é malandro, come quieto e ainda se faz de bobo".

Esse tipo de situação só tem uma forma de dar errado: ele chamar a galinha pro cinema.

Porque nesse caso, mesmo que ele conseguisse fazer alguma coisa, seria ela a dizer:

- Aquele lá? Não faz nada, não pega ninguém, por isso mesmo que eu fui no cinema com ele, porque gosto é de respeito...

3 Comentários:

Waldir Martins postou 30 de setembro de 2011 06:58

É a fama é um caso sério

Müller postou 30 de setembro de 2011 09:51

Seria um encontro perfeito' kkkk

excelentes textos.

thaise postou 30 de setembro de 2011 13:28

HAhahaha...
muito bom!

 
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